terça-feira, novembro 27, 2007

O PSDB precisa condenar a prorrogação

O PSDB precisa condenar a prorrogação

COMEÇA AMANHÃ o 3º Congresso do PSDB. É uma boa oportunidade para que os tucanos encerrem formalmente as conversas que transformam os mandatos eletivos em mercadoria de varejão. Há no ar duas ameaças à ordem eleitoral. Uma é a emenda constitucional que dá ao presidente o direito de concorrer a um terceiro mandato. A outra se propõe a acabar com o instituto da reeleição, estabelecendo que o presidente e os governadores a serem eleitos em 2010 terão mandatos de cinco anos.
Essa é a proposta inocente, tia de outra, indecente. Nela, acaba-se com a reeleição e prorroga-se por um ano o mandato de todo mundo, do atual presidente da República aos governadores e aos deputados. Aprendizes de feiticeiro do PSDB acreditam que esse é um caminho eficaz para se destruir o sonho petista da reeleição de Nosso Guia em 2010.
Um pacote de prorrogações amplas, gerais e irrestritas já foi apresentado a um pequeno grupo da base de apoio do governo. A reunião aconteceu há uns seis meses, no segundo andar do restaurante Piantella, em Brasília, e a cereja do bolo era a extensão dos mandatos parlamentares. Seu defensor foi o deputado João Maia (PR-RN). É um parlamentar pouco conhecido, mas, ainda assim, mais representativo que o prefeito de Picos, no Piauí, usado por Tancredo Neves para defender a tese da participação do MDB na eleição de 1978. Recentemente, a repórter Dora Kramer registrou uma gestão do prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, junto aos governadores Aécio Neves e José Serra. O tucano paulista nega que a prorrogação tenha entrado na agenda do almoço que teve com Pimentel, pois ela se limitou ao tamanho dos mandatos que começam em 2010. Como disse Kramer, a conversa do terceiro mandato de Lula pode ser um "bode" para se obter a prorrogação. Pode ser também o "bode" que, avacalhando a oposição, limpa o caminho para o terceiro reinado.
O PSDB encerraria essa questão se usasse o seu congresso para blindar os atuais mandatos. Pode fazer isso em nome da decência, pois a prorrogação é o mais desprezível dos vícios eleitorais. Pode fazê-lo também porque o prorrogacionismo legitimará a tese da admissibilidade do terceiro mandato. Afinal, é mais honesto dar ao Nosso Guia o direito de disputar mais quatro anos do que presenteá-lo com uma extensão derivada de um cambalacho.
A tese inocente do fim da reeleição, dando ao presidente e aos governadores reinados de cinco anos a partir de 2010, traz riscos enormes. Fernando Henrique Cardoso vem advertindo, há tempos, que qualquer brecha de emenda constitucional resultará numa porta pela qual passará a boiada do terceiro mandato. Do ponto de vista da nação petista, isso faz sentido. Se a Constituição é uma obra aberta, emendável ao sabor das ocasiões, por que não reescrevê-la em benefício de Nosso Guia? Levando a especulação adiante, que tal uma temporada de plebiscitos?
Na sua crítica às emendas eleitorais, FFHH defende a manutenção do instituto da reeleição e argumenta que as propostas existentes não se destinam a criar uma nova ordem. Relacionam-se apenas com a acomodação de projetos pessoais. Trapaça da história: em 1994, com medo de uma vitória de Lula, encolheram o mandato do presidente de cinco para quatro anos. Agora, com medo de um novo mandato, pensa-se que um dos remédios seria espichá-lo de quatro para cinco.

Texto de Elio Gaspari publicado na Folha de São Paulo, de 21 de novembro de 2007.

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A Palavra do Bispo

" Vivemos numa sociedade portadora de mil e uma carências e penso que a mais nociva seja a falta do chamado senso coletivo, que pavimenta o abismo social entre as classes."

Texto do bispo Edir Macedo, no Correio do Povo (para assinantes), de 10 de novembro de 2007. Eu não poderia concordar mais.

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sexta-feira, novembro 23, 2007

OS PROFESSORES LONGE DA SALA DE AULA

Editorial


OS PROFESSORES LONGE DA SALA DE AULA


Um estudo inédito elaborado pelo Ministério da Educação (MEC) mostra que, com exceção das disciplinas de Física e de Química, há mais professores habilitados para ministrar aulas do que a demanda por esses profissionais de 5ª a 8ª série e no ensino médio. Nos últimos 25 anos, cerca de 1,2 milhão de professores se formaram e o aumento do número desses profissionais foi de 66% desde 2001. O problema é que a sala de aula não está nos planos desses licenciados, que acabam por encontrar em outras atividades seu reconhecimento profissional. Segundo o MEC, seriam necessários 725.991 novos professores para serem somados ao contingente atual, de 1,4 milhão em exercício. Mais de 70% dos formados trabalham em outra atividade.

Um exemplo do desequilíbrio na área é o curso de Educação Física. Somente 32 mil dos 63 mil que ministram aulas fizeram Licenciatura na área. Todavia, há um total de 195 mil graduados nessa disciplina nos últimos anos que optaram por trabalhar longe da sala de aula, em outras atividades nas quais percebem melhores salários e encontram melhores condições em seu ofício.

No RS, a situação não é diferente. Apesar do grande número de inscritos a cada concurso, muitos acabam por desistir assim que surge uma melhor oportunidade de emprego. Isso sem falar do uso dos chamados contratos emergenciais, que acabam por reproduzir relações precárias de trabalho e de renda.

Segundo a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar, os potenciais professores não querem trabalhar num lugar que é um fracasso. Afirma que a revalorização da profissão é um dos pontos básicos do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em 2007.

Realmente, o cotidiano de um professor lhe exige uma dedicação ímpar, o que implicaria que ele tivesse bem mais condições para exercer sua imprescindível atividade. Infelizmente, a educação é a primeira a ser lembrada nos discursos eleitorais e a primeira a ser esquecida após as eleições. Não é demais lembrar que só com mais investimentos em educação o país terá um futuro mais digno para seu povo.

Editorial do Correio do Povo (para assinantes), de 21 de outubro de 2007.

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Vergonha para os Gaúchos

No meu outro blog, eu costumo brincar bastante com nós, gaúchos. Eventualmente a brincadeira pesa um pouco, mas tudo bem, são coisas que acontecem, pois nós realmente gostamos de enaltecer a nós mesmos, às vezes às raias do ufanismo.
Pois nos últimos dias, duas coisas aconteceram em nosso estado para nos humilhar. A primeira foi a descoberta de um possível escândalo de corrupção no Detran, órgão do governo estadual.
A segunda foi a notícia, divulgada na semana passada, que a fiscalização do Ministério do Trabalho encontrou 36 pessoas, 29 homens, 4 mulheres e 3 crianças, em situação análoga à escravidão em uma propriedade rural, no município de Cacequi. Estas pessoas estavam sem seus direitos trabalhistas, e consumindo ração para cavalos, desde que o estoque de feijão e arroz do grupo havia acabado. Além disso a consumida era de uma sanga contaminada, onde também eram lavados implementos agrícolas.
Nós, gaúchos, gostamos de pensar de nós mesmos como "educados politicamente". Deve ser por isso, que o deputado estadual mais votado foi o sr. Paulo Borges (ex-PFL), o rapaz que apresentava a meteorologia no principal canal de TV aqui do estado. E como deputada federal mais votada tivemos a deputada Manuela D'Ávila (PCdoB), que obviamente foi a mais votada não por sua beleza e juventude, mas porque quando votamos para deputado federal somos todos comunistas, embora sejamos liberais quando votamos para deputado estadual.
E gostamos de pensar que nossos políticos são mais honestos e mais éticos (seja lá o que isso signifique) que os dos outros estados. Mas de repente tivemos que encarar que parece que há políticos desonestos por aqui também.
E gostamos de pensar que somos mais educados e sofisticados que os demais brasileiros. Agora vimos que submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão não privilégio de latifundiários nos confins da selva amazônica, ou na aridez da caatinga. Temos que encarar que isso também acontece no interior do Rio Grande do Sul.
Uma vergonha!

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quinta-feira, novembro 22, 2007

Buemba! Vamos emendar até o Carnaval!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Onde estou? De onde viemos e para onde vamos? O despertar do feriadão mais longo do planeta. Ai, que preguiça. Dava pra emendar até o Natal? E depois a gente emendava até o Carnaval. E depois emendava até a Semana Santa. E aí virava uma emenda provisória!
Emenda provisória: vamos emendar o ano inteiro. Rarará!
E quem inventou o trabalho? Fácil: quem inventou o trabalho não tinha porra nenhuma pra fazer. Rarará! E esta notícia bombástica: "EUA exigirão de turistas impressão digital de dez dedos". O Lula não vai poder entrar mais nos Estados Unidos. Medida pessoal contra o Brasil. Mais uma do Belzebush! Romper relações diplomáticas!
E vamos instituir o Ano da Preguiça no Brasil? Passa o ano inteiro deitado na grama vendo formiga trabalhar! Rarará!
E os radares nas estradas? É tanta foto, tanto flash explodindo, que parece o tapete vermelho de Hollywood. Estradas viram tapete vermelho de Hollywood. Você se sente uma celebridade! Aliás, uma amiga minha modelo que vai desfilar no SP Faxion Bixa tem um book. Como toda modelo, ela tem um book. Só que ela tem um book no Detran. É foto dela falando no celular, foto dela com uma latinha de cerveja na mão, foto dela avançando o sinal e foto do carro sem ela. É que ela abaixou pra beijar o pingolim do namorado! Rarará! E um amigo meu diz que fez 80 novos amigos no feriadão. Setenta e nove eram cobradores de pedágio! Rarará!
E sabe o que quer dizer Opep? Operário Presidente Encontra Petróleo!
É mole? É mole, mas sobe. Ou, como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heróica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que aqui em Sampa, na Vila Seixas, tem uma avícola chamada Frangos e Frangas. Rarará! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Comensal": companheiro que come uma vez por mês. A vizinha! Rarará! O lulês é mais fácil que o inglês.
Nóis sofre, mas nóis goza.
Hoje, só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
E vai indo que eu não vou!

Coluna do José Simão, na Folha de São Paulo, 21/11/2007.

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quarta-feira, novembro 21, 2007

Trecho de Entrevista de Oded Grajew

O que mais chama a atenção na cidade?


A marca do Brasil é a desigualdade. E São Paulo representa bem os problemas dessa desigualdade, em tudo, inclusive na distribuição e nas opções de cultura, de lazer. Por quê? Porque o processo político brasileiro produz desigualdade, porque a população fica alheira ao processo. Hoje a maioria é eleita com recursos financeiros. Quem para os políticos nas campanhas ´a classe econômica dominante. E quem paga a campanha é quem tem poder sobre os políticos, que fazem política para quem os pagou. Aqueles que fazem política para os pobres são em número marginal. A cidade, por exemplo, é pensada para quem tem carro, não para quem depende de transporte público.


Trecho de entrevista de Oded Grajew, empresário, criador da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, e fundador do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, à revista CartaCapital, na edição de 19 de setembro de 2007, n. 462.


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terça-feira, novembro 20, 2007

20 de novembro, Dia da Consciência Negra

Lembrando a execução de Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro de 1695.

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segunda-feira, novembro 19, 2007

IGUALDADE DIANTE DA LEI

O Rio Grande do Sul era um estado antipático. Tinha mania de ser diferente. Nós, os gaúchos, achávamo-nos mais cultos, mais politizados, mais éticos, mais machos e mais honestos do que os demais brasileiros. Era insuportável. Gerava um estigma. Parecia um bairrismo exacerbado ou um complexo de inferioridade transformado em pretensa superioridade. Os outros ficavam com tanta raiva que pegavam do nosso pé. Por causa disso, viramos piada do Casseta & Planeta, o humor mais rastaqüera do país. Sejamos claros, não dava para continuar assim. Tivemos a época do PMDB ético, com Pedro Simon no papel de vestal indignada, mas sem jamais romper com o PMDB nacional ou tomar-lhe o controle. Tivemos o tempo do PT representante do bem supremo contra o mal absoluto. Disso só restou uma vaga memória do Orçamento Participativo, jamais adotado pelo governo federal e que ajudou a enterrar a candidatura de Ségolène Royal na França. O Rio Grande do Sul era a ovelha negra da Nação. Éramos um estado ressentido e melancólico.
Não bastasse tudo isso, a cada eleição votávamos contra o candidato ganhador à Presidência da República. Quando FHC vencia, ficamos com Lulla. Quando Lulla finalmente venceu, desistimos dele. Somos excelentes estrategistas. Visto que os governos nunca resolveram essa tendência a estar na contramão da história, a sociedade civil decidiu tomar providências radicais. Em pouco tempo, em função de atitudes ousadas de algumas pessoas, entramos no eixo. Estamos cada vez mais parecidos com o restante do Brasil. Finalmente, embora com muito atraso, estamos nos tornando iguais aos outros perante a lei e, especialmente, quanto ao descumprimento das leis. Nesse sentido, temos muito a agradecer ao Macalão e agora aos larápios do Detran. Acabou-se o mito da honestidade gaúcha. Já podemos dizer com orgulho que roubamos como todo mundo.
É importante, em termos de identidade nacional, acertar o passo com o restante do Brasil. Afinal, o culto à diferença indicava uma incapacidade de adaptação à cultura dominante, aos nosso valores mais arraigados e disseminados e, fundamentalmente, uma vontade de separação. Jogávamos futebol como os uruguaios e os argentinos, dançávamos como norte-americanos e nos comportávamos como puritanos ingleses ou alemães. A falta de escândalos em nossos organismos públicos chegava a ser indecente, quase uma mediocridade. Além disso, prejudicava amplamente a nossa mídia, privada de bons fatos para publicar, ficando sempre a reboque das patifarias das grandes capitais. Os gatunos do Detran deviam ser condecorados por desonra ao mérito. Depois da Revolução Farroupilha, nossa derrota tão comemorada, o Rio Grande do Sul permanecia meio de lado na Federação. Era preciso reintegrá-lo na marra. Está feito.
A lista dos mais vendidos da Feira do Livro também comprovou a nossa tendência atual a estar em sintonia com o Brasil. Não queremos ser menos medíocres do que ninguém. Pega mal. Podemos respirar aliviados: nunca mais seremos chamados de mais cultos, politizados, machos, éticos e honestos do país. Somos, enfim, iguais a todo mundo. Pagamos e recebemos propinas com a mesma desenvoltura. Cansamos de bancar o Joãozinho do passo certo. De uma vez por todas, acertamos o passo. Aprendemos a passar no caixa. Nosso valores são os mesmos de nossos compatriotas: 10%.

Texto de Juremir Machado da Silva, no Correio do Povo (para assinantes), de 13 de novembro de 2007.

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domingo, novembro 18, 2007

Muitas efemérides em novembro

Muitas atividades impedem uma atualização eficiente deste blog.

Dia 7, foram os 90 anos da Revolução Soviética.
Dia 9, foram 18 anos (18 anos!) da queda do Muro de Berlim.
Dia 10, foram 70 anos do golpe do Estado Novo, por sinal, pouco explorados para um ano de aniversário "redondo". Talvez seja chato lembrar que o nosso "Pai dos Pobres" deu um golpe de estado que instituiu uma ditadura de fato e de direito no Brasil. Afinal foi o Doutor Getúlio aquele que anos mais tarde iria imolar a própria vida "pelo bem da nação", quando um golpe se armava contra ele.
Dia 11, foram 89 anos do final da Primeira Guerra Mundial. A Alemanha estava exaurida, e não tinha mais condições de sustentar o esforço de guerra. Como o armistício ocorreu antes que o exército alemão começassse a recuar em todas as frentes, isso deu margens para a idéia da "sabotagem interna", e abrindo possibilidade para os grupos reacionários alemães, o mais eficiente, o nacional-socialismo, o nazismo de Hitler.
Dia 15, 118 anos da implantação da república no Brasil. A proclamação da república no Brasil já gerou bastante debate. Principalmente quando se completaram 100 anos da república, em 1989. Naquela época se falou que a república foi proclamada através de um golpe de estado. E foi mesmo. Mas isso não significa que a república não tivesse legitimidade no Brasil. Afinal o Partido Republicano existia no parlamento por bastante tempo quando a república foi proclamada. Os Inconfidentes queriam uma república, não uma monarquia. Curiosa a este respeito a revista Veja. Em 1989, na comemoração dos 100 anos da república, a Veja publicou uma edição especial, simulando uma revista Veja publicada na semana de 15 de novembro de 1989. Um trabalho espetacular. E, se não me engano, na Carta ao Leitor, o suposto editor da revista Veja de 1889 anunciava que a república trazia consigo a promessa de expansão das liberdades públicas e dos direitos da cidadania. Nesta semana (esta semana de 15 de novembro de 2007), a mesma revista Veja traz uma capa enaltecendo Dom Pedro II, o imperador deposto pela república. Não consegui ler a revista, mas a capa sinaliza uma mudança e tanto.

Então é isso. São dias siginificativos. Eu gosto de História, mas estas datas de 9, 10 e 11 eu vi em um colunista da revista eletrônica Baguete. A data do final da Primeira Guerra e a data da queda do Muro de Berlim eu não me lembrava.

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Deus é brasileiro. O Diabo também.

Fui surpreendido, como todos, pela descoberta das gigantescas reservas de petróleo e gás no litoral. Nas expectativas mais pessimistas, elas aumentam o estoque petrolífero brasileiro em 30%. Nas projeções mais otimistas, colocariam o país no mesmo patamar da Venezuela. Em qualquer caso, as implicações são imensas: elevam o Brasil da autosuficiência para a condição de exportador de hidrocarbonetos, numa conjuntura de imensa valorização do petróleo.

O anúncio da descoberta foi feito em meio à crise de abastecimento energético. Astrólogos acreditam em coincidências. Cientistas políticos, não. Embora utilizemos ferramentas analíticas com mais ou menos o mesmo nível de precisão de Saturno na casa da Lua. É claro que o governo deu recado aos investidores e à opinião pública: a de que o crescimento econômico continuará, apesar das dificuldades atuais.

As perspectivas brasileiras são fascinantes: exportador de biocombustíveis e de petróleo, enorme potencial hidrelético (a ser ampliado pelas novas usinas no Rio Madeira), pesquisas na área nuclear (incluindo o submarino). Poucos países têm tanta segurança energética. No porte do Brasil, só a Rússia, pois EUA, Índia e China são extremamente deficitários em energia e dependem das importações que com freqüência vêm de regiões instáveis. E ainda vamos sediar a Copa do Mundo, liderar a OMC, participar como convidados do G-8 e da OCDE e eventulamente virar membros do Conselho de Segurança da ONU. Deus é brasileiro.

As reservas recém-descobertas seguem o padrão nacional: estão em águas muito profundas, de acesso difícil e caro. Isso significa que levará alguns anos até que sejam viáveis economicamente. A Petrobras estima que apenas em 2012, provavelmente levará mais. Em qualquer caso, significa que o atual governo, e seu sucessor, continuarão a enfrentar o problema de escassez de energia, sobretudo a de gás, com tudo que isso representa para a tensão com a Bolívia.

Mas o que me preocupa, no médio prazo, é como o Brasil gastará as enormes riquezas recém-descobertas. Se me permitem a paráfrase do grande filósofo político Paulinho da Viola, encontrar uma Venezuela ou uma Arábia Saudita no litoral é vendaval. Países petrolíferos quase sempre são exemplos de desperdício, corrupção, gastos inúteis e projetos faraônicos.

Outros países da América Latina entraram na euforia de reservas de petróleo que pareciam imensas e ao fim, não eram. Paraguai e Bolívia foram à guerra por causa de miragem do tipo. O México dos anos 70 implementou uma política econômica tão desastrosa por conta da esperança petrolífera que teve que decretar moratória da dívida externa poucos anos depois.

Claro, o Brasil não é um emirado do Oriente Médio e aqui há uma sociedade civil muito mais articulada e mobilizada. Graças a Deus, porque precisaremos muito dela para a fiscalização e o deabate sobre o que este país fará com os petrodólares que fluirão para cá daqui a alguns anos.


Texto de Maurício Santoro, no seu blog Todos os Fogos o Fogo.

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terça-feira, novembro 13, 2007

Liberdade para Ana Virgínia - 2

"Não sei se a Ana Virgínia administrou dosagem errada do remédio, acredito que o filho tenha tido uma crise que nunca antes teve. Acontece com todo o tipo de pessoa que recebe tratamento que controla o metabolismo do cérebro, como o caso de diabéticos que podem ter crises convulsivas até dormindo.
Também não sabemos se foi uma aprisionada que a agrediu. O que sabemos, conforme relatos, foi que uma colega de sela a achou desfalecida no chão.
São tantas perguntas sem respostas! A justiça portuguesa nada fornece alegando segredo.
Está na hora de nossos consolidados do Itamaraty fazerem mais do que participarem de festas de embaixadas, não acha?"

As palavras acima são comentários da Luma, a respeito da blogagem coletiva em favor da Ana Virgínia.

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Do Conversa Afiada: CANSEI: CHEGA DE CPMF !

CANSEI: CHEGA DE CPMF !

08/11/2007 10:38h


Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 730


. O excelente economista Márcio Pochmann, presidente do IPEA, me convenceu de forma inequívoca.

. Ligo imediatamente para o D’Urso e para o Arthur Virgílio: não quero mais saber de CPMF.

. É um absurdo esse imposto insaciável.

. Que destrói o tecido social e persegue a “Caixa Dois”, que, como se sabe, não passa de uma peça de dramaturgia de Juca de Oliveira.

. Ainda que, segundo o Pochmann, a CPMF responda por 4% do total da carga tributária do país.

. 4% ?

. Inaceitável !

. Sufocante !

. Vou perder o sono esta noite !

. Continua Pochmann:

“... valeria muito mais a discussão respeito da escassez de tributos sobre riqueza e herança, bem como sobre a debilidade dos tributos diretos e indiretos no país. Por exemplo: como pode o tributo nacional sobre a terra perder 29,4% da receita, em termos reais de 1999 a 2006 ?”, pergunta Pochmann, no Globo, pág. 7.

. Tô nessa !, Pochmann.

. Vamos aumentar a progressividade dos impostos, vamos cobrar imposto sobre herança (que Roberto Marinho impediu que entrasse na Carta de 88, mas essa é outra história) e cobrar imposto sobre o uso da terra.

. Aí, sim, joga-se essa CPMF no lixo, porque eu preciso dormir !

Em tempo: o colaborador do Conversa Afiada, Zé Scafi, em seu humilde pinochismo, serve-se de um e-mail encaminhado ao blog para dizer porque é contra esse descalabro chamado CPMF. Diz Scafi: "foi criada pelo PSDB, é usada pelo PT e é gerida por BANCOS".


Do Conversa Afiada.

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sábado, novembro 10, 2007

Relator da ONU ganha réplica do 'Caveirão'

Presente foi interpretado como provocação por alguns grupos

O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para Execuções Sumárias, Arbitrárias e Extrajudiciais, Philip Alston, recebeu uma réplica do "Caveirão" — veículo blindado usado pela polícia do Rio de Janeiro — como presente do comandante do 16º Batalhão de Olaria, Marcos Jardim. Ele visitou o batalhão para recolher informações sobre as operações no Complexo do Alemão, que deixaram mortas mais de 60 pessoas desde o início da ação Cerco Amplo, em junho. Jardim negou que o presente tenha sido uma provocação aos movimentos de direitos humanos.

— Lamento muito pelos "policiólogos", muitos deles usuários de drogas, que alimentam o crime. Essa viatura não mata, e sim salva vidas. Essa foto vai entrar para a história — disse, referindo-se ao momento em que entregou a réplica ao relator especial.

Notícia da Zero Hora.com .

Comentário pessoal: é claro que foi uma provocação do comandante Marcos Jardim. Sem dúvidas o "caveirão" salva a vida de policiais. Por outro lado, ajuda a ceifar a vida de traficantes que deveriam ser presos e julgados, e de civis que acabarem, digamos, ficando no caminho das balas. Se o comandante não quisesse fazer uma provocação, apenas receberia o representante da ONU e manifestaria como e porquê os policiais do batalhão agem como agem, sem o tal "presente".

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Policial Morto em Cerco a Traficante


Os jornais grandes aqui de Porto Alegre noticiam em capa a prisão do traficante Joel Almeida. A prisão ocorreu depois de horas de tensão e tiroteio, no qual ficaram feridos dois policiais, e foi morto o policial militar Emerson Ventura.
Acho tremendamente lamentável a morte de qualquer pessoa, especialmente se esta pessoa morrer de forma violenta e prematura. Isto já foi manifestado aqui na Mosca Azul. A morte do policial Emerson Ventura é tanto mais lamentável pois ele faleceu no cumprimento do dever, recentemente havia concluído seu curso de Direito, e possivelmente tinha um grande futuro pela frente. É um destino que foi abreviado, cortado. Os policiais se encaminhavam ao abrigo do traficante para executar mandato de prisão.
Algumas coisas merecem ser lembradas. A polícia pareceu duplamente despreparada. Não executou um trabalho de inteligência eficiente, investigando as condições do esconderijo do traficante, e foi recebida à bala. Segundo neste caso, a nossa polícia parece carente de recursos básicos. É de se notar que o traficante apesar de se esconder numa região miserável de Porto Alegre, se utilizava de um sistema de vigilância eletrônica.
Outra coisa que foi informada pelo jornal Correio do Povo (http://www.correiodopovo.com.br, para assinantes) é que os habitantes da vila em que o traficante foi capturado, o incentivavam e aplaudiam enquanto ele era levado para a viatura que o conduziria à prisão. É a velha cisão entre pobres e polícia, motivo pelo qual muita gente apóia os tiroteios em favelas no Rio de Janeiro, quando eles, os tiroteios, saem no noticiário. A polícia não se mostra capaz de patrulhar as zonas mais pobres das regiões metropolitanas das grandes cidades brasileiras, e quando aparece, assemelha-se a um exército de ocupação de terra estrangeira. Aí como certos moradores acabam por apoiar os "bandidos", as pessoas "de bem", que acham que a polícia deve servir a elas, apóiam a brutalidade policial na favela.
Assim, espero que as polícias possam policiar melhor as regiões mais pobres de nossas cidades. O tal policiamento comunitário que vez por outra alguém fala.
Também espero que nossas forças policiais recebam melhor suporte para que possam fazer seu trabalho com o menor dano possível à população (dano zero é o alvo). Isto inclui equipamentos, treinamento, e salários dignos.
Por fim, espero que o Governo do Estado possa amparar a família do policial Emerson Ventura.

Na foto, o policial Emerson Ventura, morto no confronto. Esta foto estava na capa do jornal Zero Hora (http://www.flip.zerohora.com/flip/), possivelmente dos arquivos da Brigada Militar. Por sinal, o jornal Zero Hora está com saite novo, tecnicamente muito impressionante. No caso, só falta o jornal admitir seu viés classista na maneira de informar...

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"Chinelagem no RS"

"O problema é político. Essa turma não deve ser interditada apenas porque saqueia o estado. Sempre o fizeram, ora bolas. Devem ser interditados porque são ruinosos à democracia – e por isso sustentaram a ditadura, onde começou o enriquecimento -, ao interesse público, à distribuição de renda, à justiça, à história. Sim, à história. É uma turma bagaceirérrima, muito pouco afeita ao cultivo, ao compromisso teórico, e olha que já são bem nascidos, que já tiveram bibliotecas em casa. Ou alguém acha que a ilustrada e charmosa secretária de cultura leu a luz de velas? Não."


Parte de texto da Katarina, no blog Palestina do Espetáculo Triunfante, onde ela comenta a respeito do recente escândalo no Detran do Rio Grande do Sul. Mais lá.

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quarta-feira, novembro 07, 2007

Do RS Urgente: Amigos para Sempre

Indagado sobre as fraudes no Detran que, segundo as investigações da Polícia Federal, iniciaram no seu governo, o ex-governador Germano Rigotto (PMDB) tirou o corpo fora e jogou a batata quente no colo de seu ex-secretário da Segurança, José Otávio Germano (PP). Segundo Rigotto, Germano tinha autonomia para lidar com esses assuntos. O ex-secretário, por sua vez, disse que não sabia de nada e que ficou surpreso com o envolvimento de ex-assessores no esquema. José Otávio Germano divulgou nota oficial garantindo que não tem nada a ver com o peixe. Na mesma linha, a governadora Yeda Crusius (PSDB) também se disse surpreendida pelo episódio e, agora, promete reformular o Detran. Então é isso, um grupo agia com autonomia no Detran sem que ninguém soubesse de nada. Está tudo explicado.

Comentário pessoal: Não acho estranho que o ex-governador Rigotto, ou a governadora Yeda não tenham sabido do que acontecia no Detran. Delegaram tarefas aos secretários, e estes criaram os organogramas que lhes convinham. Estranho é que tanta gente estrilava quando o presidente Lula afirmava que não sabia de nada sobre o chamado "mensalão", agora ache que é totalmente justificável a atual governadora e o ex-governador tirarem o corpo fora.

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Bolsa Família e o MST

Interessante a matéria publicada pela Folha ontem, sobre o esvaziamento do MST, tendo em vista a implantação do Bolsa Família.

Levantamento da Folha com base em dados do Ministério do Desenvolvimento Social e da CPT (Comissão Pastoral da Terra) mostra que o número de famílias que invadiram terras no Brasil caiu de 65.552, em 2003, para 44.364, em 2006 -queda de 32,3%.Nesse mesmo período, a quantidade de famílias sem terra acampadas despencou de 59.082 para 10.259 -uma diminuição de 82,6%. O único número que se manteve estável foi o de invasões, que oscilou de 391 em 2003 para 384 em 2006.
Segundo especialistas, isso significa que as famílias remanescentes têm de invadir mais propriedades para suprir a ausência das que deixaram os movimentos de sem-terra.Essa retração também foi acompanhada por uma diminuição do número de movimentos de trabalhadores sem terra -de 28, em 2003, para 17, em 2006. Ou seja, 11 organizações desapareceram durante o primeiro mandato de Lula, segundo dados do professor Bernardo Mançano, da Unesp.No ano passado, 10,9 milhões de casas brasileiras receberam o Bolsa Família, programa assistencial que paga entre R$ 15 e R$ 95 por família. Em 2003, eram 3,6 milhões. Os recursos destinados ao programa passaram de R$ 570,1 milhões para R$ 7,5 bilhões no período.Mas, para obter o benefício, a família precisa preencher um cadastro informando as características de seu domicílio (número de cômodos, tipo de construção, tratamento da água, esgoto e lixo) e cumprir algumas condições (manter as crianças na escola, seguir o calendário de vacinação e a agenda pré e pós-natal para as gestantes e mães em amamentação). São exigências que dificultam muito a concessão a famílias acampadas, que não têm endereço.
Da Folha de São Paulo (para assinantes) via Depósito do Maia.

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terça-feira, novembro 06, 2007

Quem exporta ditadura colhe tempestade


Este é o símbolo do partido que defende a divisão da Bélgica, com o norte - onde se fala holandês - dando origem a um novo país, que incluiria Bruxelas. O meu maior prazer ao escrever neste site é de interagir com tantos leitores de qualidade. Primeiro o Hans Bintje me ensinou a recuperar o gramado do fundo de casa. Agora, a partir do vídeo do estudante que foi preso por fazer uma pergunta 'fora do script', na Universidade da Flórida, ele escreveu:

"O vídeo do estudante preso ao fazer perguntas "inconvenientes" para John Kerry me rendeu uma caixa de garrafas de champagne.
Foi uma aposta macabra, feita ainda na década de noventa, depois de uma palestra do professor Renato Janine Ribeiro a respeito do livro "O processo civilizador", escrito por Norbert Elias.

Esse livro tem dois volumes, mas basta ler o primeiro para se ter uma boa noção da teoria. Os críticos dizem que Elias é otimista em relação ao processo civilizador, mas quem ler o livro com atenção vai perceber que o autor também previu os refluxos.

Afinal, "O processo civilizador" foi escrito na década de 30 e o autor não estava alheio aos eventos que aconteciam, a origem da matança da Segunda Guerra Mundial. A leitura de "O processo civilizador" fica ainda mais interessante se for feita em conjunto com outro livro, "O coração das trevas", de Joseph Conrad. A adaptação feita para o cinema, transposta para a Guerra do Vietnã por Coppola em "Apocalypse Now", é uma coreografia sanguinária, mas Conrad foi ainda mais fundo, indo até a origem das "trevas".

E a origem das trevas não estava nas selvas do Congo - a ação no livro de Conrad se passa na África - mas no coração de Bruxelas, capital da civilizada Bélgica. A História é irônica: décadas mais tarde, essa cidade iria se transformar na sede da União Européia. Será que isso é uma mera coincidência?

De lá partiam as ordens para um sistema de exploração colonial tão cruel que chegou a chocar os próprios ingleses, eles mesmos donos de um império "onde o Sol nunca se punha". Contudo, afora a opulência material da Bruxelas contemporânea, quase nada no povo belga faz lembrar esse passado tão sombrio. O Congo serviu como uma "válvula de escape" para os malucos do país - tanto para quem dava as ordens em Bruxelas, quanto para quem procurava executá-las na África.

Fechada essa válvula e outras tantas que ainda permitiam um mínimo de coesão social na Bélgica, o país está prestes a se desintegrar. Os problemas não foram resolvidos, agravaram-se e chegou-se no ponto de ruptura.

Tomara que seja pacífica.

A aposta macabra foi que, a medida em que os países que constituem o chamado "quintal" dos EUA fossem se democratizando, a política interna daquela nação iria se tornar cada vez mais autoritária. Na época, ninguém acreditou nisso, mas eu tinha em mente os efeitos que a perda do "insignificante" Congo estava fazendo na "poderosa" Bélgica.

Os belgas ainda tiveram sorte de que os congoleses não imigraram em massa para o país, como aconteceu com os latino-americanos - em especial, os mexicanos - que foram para os EUA. Mas a insistência no "está tudo bem", mesmo quando os problemas estavam se agravando, é semelhante. Na Bélgica, se houver a ruptura, ela vai se dar de maneira mais ou menos turbulenta, como há séculos ocorre na região.

Nenhum problema de fato será solucionado, mas haverá a sensação de alívio pela "retirada do bode da sala". Nos EUA, dada a condição de superpotência, tudo será mais sério e mais grave. Sem condições de "exportar ditaduras" - e, portanto, de dar vazão ao autoritarismo que existe na classe dirigente - o próprio povo estadunidense começa a se tornar vítima da violência.


De início, as prisões serão montadas em lugares distantes - Guantanamo, por exemplo - a tortura será autorizada e, numa espiral de insanidade, estudantes do país serão presos por perguntarem aquilo que não devem questionar. Como a auto-crítica foi desautorizada, os problemas irão se agravar. E mais violência virá. A principal dificuldade nesse caso é a falta de um "Tancredo Neves" estadunidense que possibilite uma transição pacífica, dentro do sistema vigente, para um regime mais democrático.

Eu pensei que a elite que comanda o país já tivesse providenciado uma personagem semelhante, mas certamente John Kerry nem os outros canditados democratas e republicanos se prestam a esse papel. Mas eu "ganhei" a aposta macabra - haja álcool para afogar a tristeza!"


Meu comentário:

Apesar da autonomia política, tem aumentado a fricção entre Flandres, uma região historicamente ligada à Holanda, e a Bélgica "francesa", que aparece em cinza no mapa acima.

Caro Hans, eu estou para escrever um artigo com o título "A Revolução Será nos Estados Unidos". Republicanos e democratas falam a mesma coisa, as divergências são mínimas.

O sistema partidário do país já não dá conta de atender à demanda de tantos interesses represados. Ou aparece um Tancredo ou isso aqui vai explodir. Quanto à Bélgica, você mandou sua mensagem no dia 20 de setembro. Nesta sexta-feira, dia 21, está na capa do New York Times: "Belgas, sem rumo e divididos, sentem uma nação se apagando". O líder do Bloco Flemish, de extrema-direita, prega o separatismo. "Só temos em comum um rei, o chocolate e a cerveja", disse ele ao Times a respeito dos belgas que falam francês.



Texto do Vi o Mundo.

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segunda-feira, novembro 05, 2007

Liberdade para Ana Virgínia - Nós e os Outros

É notável esta campanha pela libertação Ana Virgínia, uma brasileira presa em Portugal acusada de causar a morte de seu próprio filho quando viajava por lá. Pessoalmente eu acredito que realmente aconteceu o que me tem sido passado pelos diversos blogues e saites brasileiros.
Contudo é importante notar a capacidade de mobilização gerada, creio, a partir da família desta brasileira. São brasileiros em busca de outros brasileiros que os apóiem em sua busca por justiça, em busca da liberdade para sua filha.
Eu gostaria de ver uma mobilização destas para que, por exemplo, as diversas polícias brasileiras prendessem mais, produzissem mais inquéritos que levassem à condenação de criminosos, e matassem menos (como a polícia americana naqueles filmes em que a policia é mostrada como boazinha, eu penso principalmente na série C.S.I. [a de Las Vegas, a série original e inicial], onde peritos que se têm como cientistas buscam todas as evidências para condenar o criminoso, ou, eventualmente libertar suspeitos que são de fato inocentes).
Eu também gostaria de ver uma mobilização destas para que o nosso trânsito matasse menos. Para isto poderíamos começar permitindo que quem fosse pego dirigindo alcoolizado acima do limite permitido, ou sob influência de droga ilícita, fosse indiciado por tentativa de homicídio.
As generalizações em geral são más porque simplificadoras, mas me parece que em geral, nós brasileiros temos muito cuidado com a nossa vida e daqueles que nos são próximos, e pouco ou nenhum com a vida daqueles que nos são estranhos.

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Liberdade para Ana Virgínia

Hóje é dia de blogagem coletiva pela libertação da brasileira Ana Virgínia, brasileira, presa em Portugal.
Pelo que pude entender, Ana viajou com seu filho de 6 anos para Portugal, para visitar o país e conhecer a residência do namorado. Lá chegando, o filho passou por uma crise de saúde, e Ana errou na dose de remédio ministrada, vindo a criança a falecer, fato este que gerou profundo transtorno emocional na mãe, tendo esta tentado se suicidar. Contudo a tentativa de suicídio fracassou, a polícia portuguesa interveio, e indiciou Ana por assassinato de seu filho, tendo ela sido recolhida a uma prisão. Nesta prisão ela foi submetida a maus-tratos por parte de suas colegas de cela, tendo que ser levada para uma clínica para ser submetida a tratamento. O estado português não foi capaz de garantir a integridade física de sua prisioneira.
Mais detalhes podem ser encontrados no Blog da Luma, onde eu descobri o relatado acima. Há uma petição online, encaminhada ao Presidente da República, e ao Ministro da Justiça, pedindo que eles intercedam por Ana Virgínia junto ao governo português. E há um saite mantido pelos familiares de Ana Virgínia.



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domingo, novembro 04, 2007

8% para os ricos, 0,5% para os miseráveis: isto é o lulismo


[...] "Desde o final da década de 1990, o Brasil vem transferindo anualmente de 5 a 8% de todo o Produto Interno Bruto na forma de sustentação da renda mínima para os ricos [cerca de 20 mil famílias, segundo o autor].

De outro lado, ganhou maior dimensão, desde 2001, a difusão de programas de complementação de renda mínima para os segmentos miseráveis da população. A cada ano, menos de 0,5% do PIB nacional tem sido transferido para mais de 10 milhões de famílias que vivem em condições de extrema pobreza.

Percebe-se, assim, que mesmo na esfera das políticas públicas, as resistências ao enfrentamento da desigual repartição da renda se fazem presentes".


Trecho final de um longo e excelente artigo do professor Marcio Pochmann (licenciado do Instituto de Economia da Unicamp, e presidente do IPEA), intitulado O país dos desiguais, publicado na edição brasileira de outubro de 2007 da publicação Le Monde Diplomatique.


Via Diário Gauche.

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quinta-feira, novembro 01, 2007

Alunos da UERGS Fizeram Manifestação Hoje

Os alunos da UERGS, a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, fizeram uma manifestação hoje, dia 31 de outubro, no centro de Porto Alegre, no início da tarde. As imagens abaixo foram produzidas pelo blogueiro, quando a passeata se encaminhava para a 53a. Feira do Livro de Porto Alegre.
Dentro dos planos de recuperação das finanças do governo do estado, a UERGS, e os seus alunos, também têm sido penalizados.



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CPMF e Impostos

A Letícia comenta no texto sobre CPMF, produzido pelo Congresso em Foco, e copiado aqui no blog, que ela esqueceu a CPMF.
Bah, Letícia, não esqueça!
O texto do Marcos Magalhães é para nos lembrar de verificar quanto de impostos é possível arrecadar, e o que queremos fazer com eles.
Quando comecei a "blogar", um dos primeiros "posts" que publiquei foi justamente uma pequena divagação a respeito da campanha da ACLAME, que bradava "Chega de Tanto Imposto!" . Eu comentava lá questões sobre carga tributária, dívida pública, etc, etc, ... (a propósito, o André Passos, no Paidéia Gaúcha, recentemente nos relembrou que dois conselheiros da ACLAME atualmente fazem parte do Governo Yeda, o secretário de logística Daniel Andrade, e o secretário de justiça, Daniel Schüller. Como sabemos, o governo Yeda quer aumentar alíquotas de imposto).
Quando estava no oposição, o PT era contra o imposto, agora que é governo está a favor. Quando era governo o PSDB era contra a CPMF, agora, na oposição, é contra, o que significa que nem um nem o outro pensava no imposto em si, mas em fustigar o governo de plantão.
Eu sou a favor de Bolsa-Família, Sistema Único de Saúde, universidades federais públicas, Pró-Uni, e outras coisas do tipo, e sei que os impostos que pago são para custear isto. Eu desejaria que a carga tributária fosse menor, mas o que cortaremos para que ela fique menor, como perguntaria o ex-ministro Pedro Malan? eu ouço falar em metas de diminuição de custeio da máquina administrativa. Gostaria de saber o quanto se deve cortar, se é que se deve cortar mesmo, e não aumentar o número de fiscais para diminuir a sonegação, por exemplo. Também penso que uma diminuição, ou um alongamento da dívida pública, daria espaço para a diminuição da carga tributária.
Enfim são especulações.
Não dá, cara Letícia, para reduzir a discussão à CPMF e ao DRU.

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