Ainda a Mosca Azul

Porque política é um assunto muito chato mas é fundamental. Início: 06/04/2006.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Expansão da tecnologia diminui quantidade de empregos, diz economista

Profissões que não podem ser robotizadas como Jornalismo, Direito e Administração serão cada vez mais disputadas, segundo estudo.

Está difícil encontrar um emprego atualmente? A culpa é dos robôs, de acordo com uma tese do economista David Autor, da universidade norte-americana Massachusetts Institute of Technology (MIT), que analisou os efeitos dos avanços tecnológicos em relação a atividades de alta e baixa qualificação.

Segundo ele, os robôs estão substituindo os seres humanos em funções onde são exercidas tarefas repetitivas, como na área indústrial, de serviços bancários e de saúde.

Seus resultados foram discutidos no site Good Magazine. Para ele a quantidade de empregos voltados para trabalhadores instruídos e de classe média estão desaparecendo lentamente desde os anos 70. "A triste realidade ... a classe média está desaparecendo principalmente porque a tecnologia está tornando as habilidades desta classe quase que obsoletas", analisou.

o especialista ainda destacou que a tecnologia influenciará lentamente outras atividades, fazendo com que empregadores precisem cada vez menos de profissionais não qualificados ou iletrados.

No entanto, o estudo ainda apresenta algumas ressalvas. Mesmo que a tecnologia possa substituir funcionários com altos salários, as empresas ainda precisarão de pessoas bem qualificadas que saibam usar os sistemas tecnológicos implantados. Mesmo nas linhas de produção, existirá a necessidade de manter empregados que saibam consertar os equipamentos caso quebrem ou apresentem algum problema. Além disso, a tecnologia precisará ser inventada - e construída - antes de ser comercializada.

Por outro lado, existem também profissões que não podem ser robotizadas, como Jornalismo, Direito e Administração, por exemplo, o que poderia encorajar parte da população a se voltar mais para estes tipos de trabalho.

Nós poderíamos estar exagerando um pouco? Nossas casas são um excelente exemplo de como tudo não pode ser legado aos robôs. Claro, que eles podem dobrar as nossas roupas ou sincronizar produtos domésticos para facilitar o cotidiano. Entretanto, mesmo assim, eles exigem alguma intervenção do usuário e, certas tarefas, os robôs simplesmente não podem executar.

Se por um lado a tecnologia criou novos empregos, ela também afetou diversas atividades, o que não significa que ela seja a única culpada pela redução nos postos de trabalho nos Estados Unidos (EUA), por exemplo. Como diz o jornal The Economist, tais avanços talvez possam incentivar as crianças a permanecer na escola.

Seja qual for o futuro, ainda haverá espaço para seres humanos e robôs trabalharem juntos em harmonia.

(Elizabeth Fish)


Texto publicado no IDGNow!

Comentário: O otimismo dos três últimos parágrafos não me pareceu convincente.



Marcadores: automação, desemprego, mundo do trabalho, precarização do trabalho, relações de trabalho, robôs, tecnologia, trabalho

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quinta-feira, maio 27, 2010

Empresa mais antiga tende a pagar melhores salários e empregar mais, aponta IBGE

Empresa mais antiga tende a pagar melhores salários e empregar mais, aponta IBGE

PEDRO SOARES
DO RIO


Quanto mais tempo uma empresa sobrevive e se insere em seu mercado de atuação, aumentam suas chances de pagar melhores salários e empregar mais pessoas, sinaliza pesquisa do IBGE divulgada nesta quarta-feira.

É que as firmas na maioridade, com 18 anos ou mais, representavam, em 2008, 55% de todos dos salários pagos por empresas no país, apesar de, em números absolutos, corresponderem a apenas 16%. No caso do emprego, a participação dessas empresas era de 38%.

Na outra ponta, empresas com até 4 anos de vida tinham um peso de apenas 20% no pessoal ocupado total, enquanto sua participação no conjunto de organizações era de 38% --reflexo do grande número de firmas tocadas por uma única pessoa.

Segundo o IBGE, o numero total de empresas e outras organizações privadas cresceu 4,2% de 2007 para 2008. Nasceram 991 mil firmas naquele ano. Por outro lado, deixaram de estar ativas outras 804 mil. Já o pessoal ocupado avançou 4,8% --1,7 milhão de pessoas-- e o rendimento real aumentou 3,5%.

Pelos dados do Cadastro Central de Empresas do IBGE, o país tinha 4,6 milhões de firmas e outras associações privadas e públicas (estatais, fundações e autarquias) em 2008. Elas ocupavam, ao todo, 44,6 milhões de pessoas --dos quais 6,2 milhões de sócios e proprietários e 38,4 milhões de empregados.

Essas empresas injetaram na economia do país R$ 700 bilhões de reais em 2008 em salários e outras remunerações, cuja média era de R$ 1.413 (ou 4,3 salários mínimos na época).

Concentração regional

Mais rica região do país, o Sudeste concentrava 52% das empresa, 55% dos empregos gerados e 63,4% dos salários e remunerações pagas. Sozinho, o Estado de São Paulo representava 33% do total de pessoas ocupadas e 42% do rendimento global dos trabalhadores das firmas instaladas em todo o país.


Notícia da Folha.com (antiga Folha Online).

Marcadores: Brasil, capital e trabalho, trabalho

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segunda-feira, outubro 26, 2009

Onda de suicídios leva França a discutir cultura 'pós-privatizações'

Uma onda de suicídios numa das maiores empresas francesas vem levando o país a discutir o "choque cultural" entre os valores tradicionais do funcionalismo público do país e o foco na competição adotado após processos de privatização.

Após o 25º suicídio de um funcionário da France Telecom em apenas 20 meses, o governo francês fixou nesta semana um prazo para que grandes empresas do país adotem medidas contra o estresse no trabalho.

A própria empresa, privatizada em 2004, anunciou a suspensão de seus processos de restruturação e de realocação obrigatória de funcionários após os 25 suicídios, além de 15 outras tentativas de empregados de tirar suas próprias vidas.

Para analistas, o fenômeno é consequência desse "choque cultural" que opõe a visão tradicional que atribuía ao funcionalismo público um caráter social e as novas políticas comerciais agressivas, que privilegiam o aumento constante das vendas e da rentabilidade.

Abertura
O primeiro "choque" empresarial sofrido pela France Telecom ocorreu em 1998, com a abertura do mercado francês de telecomunicações à concorrência, por determinação de uma diretiva europeia.

A segunda grande transformação foi em setembro de 2004, quando a empresa foi privatizada, 115 anos após ter sido nacionalizada.

Os empregados da operadora histórica de telefonia, que foram funcionários públicos durante mais de um século, se transformaram nos últimos anos em agentes comerciais e passaram a sofrer pressões constantes da direção em relação ao desempenho das vendas.

Para enfrentar a concorrência, a direção da empresa criou um plano de restruturação que vem obrigando os funcionários a mudar de serviço, desempenhar novas funções e serem transferidos para outras áreas geográficas.

Após o 25° suicídio em menos de dois anos, além de 15 tentativas de outros empregados de pôr fim à vida, a direção da France Telecom anunciou a suspensão de todas as reestruturações até o dia 31 de dezembro.

Em setembro, o grupo já havia anunciado o congelamento, também até o final do ano, da transferência obrigatória de trabalhadores para outras regiões.

Funcionários supérfluos
Muitos técnicos, que instalavam e faziam a manutenção das linhas telefônicas, se tornaram supérfluos devido às mudanças tecnológicas e também em razão do fato de o país ter atingido um nível de cobertura da rede que não necessitava mais a instalação de várias novas linhas, diz o economista Thomas Coutreau, que lida com questões de saúde no emprego no ministério francês do Trabalho.

"Eles se tornaram agentes comerciais sem preparo nenhum para a atividade. O trabalho deles não era vender qualquer coisa a qualquer preço. Eles viam antes sua função como um serviço público, algo que tinha valor para a sociedade. A cultura comercial de privilegiar vendas os deixou desestabilizados", diz o economista.

O mal-estar dos empregados também foi ampliado pela instauração de uma competição individual, em relação a metas de vendas. "Isso minou a solidariedade entre os colegas", afirma Coutreau.

"Há 30 ou 40 anos, não havia suicídios no trabalho. O surgimento disso está ligado à desestruturação da solidariedade entre trabalhadores. Ela foi esmagada pela avaliação individual dos desempenhos", diz o psicanalista Christophe Dejours, co-autor do livro "Suicídio e Trabalho, o que fazer?".

Os empregados que ocupam cargos de chefia na France Telecom também sofrem pressões da alta direção para demitir funcionários que não têm bom desempenho. O grupo demitiu 22 mil trabalhadores entre 2005 e 2008.

O psicanalista se diz cético em relação à utilidade dos questionários sobre o estresse no trabalho enviados nesta semana pela France Telecom aos seus empregados. A medida foi aprovada pelos sindicatos. "Essa pesquisa não diz o que é preciso fazer realmente", afirma.

Comoção
Os suicídios na companhia comoveram a sociedade francesa e levaram a direção da France Telecom, que se recusa a demitir seu presidente, Didier Lombard, a substituir o número dois do grupo, Louis-Pierre Wenes.

Para o economista Coutreau, a crise na France Telecom não teria alterado a imagem dos franceses em relação à empresa. "Muitos se identificam com esses problemas porque vivem pressões semelhantes no trabalho", diz ele.

"Mas alguns pensam que os ex-funcionários públicos não sabiam o que era a vida profissional e não aguentam a competição no mercado de trabalho", afirma.

Entre os países ricos, a França possui uma das mais altas taxas anuais de suicídios, de 19,6 por 100 mil habitantes.

Texto da BBC, no UOL.

Marcadores: França, privatizações, relações de trabalho, suicídio, trabalho

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quarta-feira, setembro 30, 2009

"Só uma minoria é feliz no trabalho"

Só uma minoria é feliz no trabalho, descobre filósofo

Alain de Botton diz ser impossível não haver insatisfações na vida profissional

Escritor suíço explora os significados de vários ofícios em obra que gerou troca de ofensas on-line com crítico do "The New York Times"

MARIANNE PIEMONTE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE LONDRES

Nem Proust, nem Sêneca. O tema do novo livro do filósofo e escritor suíço Alain de Botton, 40, é mais mundano: o trabalho. E "Os Prazeres e Desprazeres do Trabalho" chega ao Brasil nesta semana após uma discussão nada filosófica.
Uma crítica pouco elogiosa no "The New York Times" levou de Botton a escrever no blog do jornalista Caleb Crain uma resposta que terminava com a frase: "Odiarei você até minha morte. Observarei você com interesse e "schadenfreude" (felicidade com a desgraça alheia, em alemão)".
Em entrevista à Folha, na sua casa-escritório em Londres, De Botton riu do episódio. "Não me arrependo das palavras, mas sim de ter respondido pela internet; ficou público. Em outro tempo, o encontraria numa festa e diria "você é um idiota". Ninguém saberia." Fechado esse capítulo, nos dez que compõem "Os Prazeres e Desprazeres do Trabalho" De Botton busca os significados de vários ofícios. Em um episódio, segue a trajetória de um atum do oceano Índico até a mesa de uma família em Bristol (norte da Inglaterra).
Um trecho descreve o desespero de um pescador que golpeia com um porrete a cabeça de um peixe de 50 kg. "Cretino, você já viveu o bastante", diz. Era o primeiro atum que ele pegava em oito dias e seis crianças o esperavam em casa.
Mal lançara o livro, já estava, a convite da British Airways, no aeroporto de Heathrow, em Londres, onde morou por sete dias como "escritor-residente" para criar sua próxima obra, "A Week at the Airport: A Heathrow Diary" (uma semana no aeroporto - o diário de Heathrow). A seguir, a entrevista.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif

FOLHA - Que importância tem o dinheiro na felicidade no trabalho?
ALAIN DE BOTTON
- Dinheiro é uma forma de amor. Não adianta alguém dizer "gosto muito de você". Apenas quando você ouve "ok, vou lhe pagar 1 milhão de libras" você sente que é necessário. É difícil compreender que você é importante quando é mal pago, mesmo se disserem que você é ótimo.

FOLHA - Felicidade e trabalho podem conviver?
DE BOTTON
- A pergunta é se amor e trabalho podem estar juntos. Minha resposta é: sim, na teoria. Existem pessoas que são felizes no emprego, mas são uma minoria. Não há razão, em tese, para que você seja infeliz no trabalho, mas há várias, na prática, para que a vida no escritório seja difícil. Se o cara que senta ao seu lado é um idiota, você vai odiar o trabalho, por melhor que ele seja. É impossível passar pela vida profissional sem pelo menos uma série de insatisfações, questionamentos e crises.

FOLHA - Desde o começo de 2008, 23 funcionários da France Telecon (empresa de telefonia francesa) se suicidaram. O que pensa disso?
DE BOTTON
- O capitalismo moderno sugere que os seres humanos são apenas commodities, mercadorias que se pega e pelas quais se paga um preço. Mas há uma grande diferença entre pessoas e algodão ou petróleo. As pessoas podem cometer suicídio. Você contrata uma pessoa inteira, não apenas um cérebro ou um braço. Isso precisa ser reconhecido pelos capitalistas.

FOLHA - Como foi sua experiência como escritor-residente no aeroporto de Heathrow?
DE BOTTON
- Aeroportos me interessam porque é neles que melhor está representado o mundo moderno. Lemos sobre o mundo globalizado, conectado e high-tech, e ali isso está em ação. Foi um prazer sentar e observar como tudo funciona. As pessoas vinham falar comigo sobre seus medos e pensamentos. Me senti como um padre no confessionário. "Não suporto mais; quero abraçar uma árvore, preciso de um pedaço de natureza", disse um cara que viajava há cinco dias.


OS PRAZERES E DESPRAZERES DO TRABALHO

Autor: Alain de Botton
Tradução: Hugo Langone
Editora: Rocco
Quanto: R$ 42,50 (328 págs.)

Da Folha de São Paulo, de 22 de setembro de 2009.

Marcadores: trabalho

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quinta-feira, julho 16, 2009

França: Trabalhadores demitidos ameaçam explodir fábrica

Trabalhadores demitidos na França ameaçam explodir fábrica de peças

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Cerca de 360 trabalhadores demitidos da fabricante de autopeças New Fabris, em Chatellerault, na França, fechada em junho, ocuparam ontem a empresa e ameaçaram explodir o local. Eles exigem das montadoras Renault e PSA Peugeot Citroën, principais clientes da New Fabris, indenização de 30 mil euros (US$ 42 mil) para cada um pela demissão.
O delegado da CGT (Confederação Geral do Trabalho), Guy Eyermann, disse à emissora France Info que botijões de gás ligados entre si serão explodidos se não houver acordo até o próximo dia 31.
Segundo os trabalhadores, cilindros ligados com um cordão inflamável foram instalados há cerca de dez dias na parte externa da fábrica.
"Se Renault e PSA se recusarem a nos dar a indenização, isso poderá explodir", disse Eyermann.
Os trabalhadores foram demitidos após a liquidação judicial da empresa, que esteve sob o controle do grupo italiano Zen por seis meses. No próximo dia 20, eles devem reunir-se com o ministro da Indústria do país.
Ainda ontem, porém, o risco foi descartado pela assessora do governo local de Chatellerault (305 km a sudoeste de Paris), Anne Frackowiak. Ela afirmou que o diretor da fábrica havia confirmado que os botijões estavam vazios.
As montadoras Renault e PSA Peugeot Citroën disseram que não cabe a elas o pagamento de eventual indenização, e sim aos acionistas e à administração judicial.
O episódio em Chatellerault segue uma série de atos de violência deflagrados na França desde o agravamento da crise global. Neste ano, executivos de empresas como Sony, Caterpillar e Molex foram feitos reféns na França por trabalhadores demitidos em razão da crise.


Com agências internacionais

Notícia da Folha de São Paulo, de 14 de julho de 2009.

E dizem que o pessoal do MST aqui no Brasil é radical...


Marcadores: direito ao trabalho, direitos do trabalhador, França, relações de trabalho, trabalho

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sexta-feira, novembro 23, 2007

Vergonha para os Gaúchos

No meu outro blog, eu costumo brincar bastante com nós, gaúchos. Eventualmente a brincadeira pesa um pouco, mas tudo bem, são coisas que acontecem, pois nós realmente gostamos de enaltecer a nós mesmos, às vezes às raias do ufanismo.
Pois nos últimos dias, duas coisas aconteceram em nosso estado para nos humilhar. A primeira foi a descoberta de um possível escândalo de corrupção no Detran, órgão do governo estadual.
A segunda foi a notícia, divulgada na semana passada, que a fiscalização do Ministério do Trabalho encontrou 36 pessoas, 29 homens, 4 mulheres e 3 crianças, em situação análoga à escravidão em uma propriedade rural, no município de Cacequi. Estas pessoas estavam sem seus direitos trabalhistas, e consumindo ração para cavalos, desde que o estoque de feijão e arroz do grupo havia acabado. Além disso a consumida era de uma sanga contaminada, onde também eram lavados implementos agrícolas.
Nós, gaúchos, gostamos de pensar de nós mesmos como "educados politicamente". Deve ser por isso, que o deputado estadual mais votado foi o sr. Paulo Borges (ex-PFL), o rapaz que apresentava a meteorologia no principal canal de TV aqui do estado. E como deputada federal mais votada tivemos a deputada Manuela D'Ávila (PCdoB), que obviamente foi a mais votada não por sua beleza e juventude, mas porque quando votamos para deputado federal somos todos comunistas, embora sejamos liberais quando votamos para deputado estadual.
E gostamos de pensar que nossos políticos são mais honestos e mais éticos (seja lá o que isso signifique) que os dos outros estados. Mas de repente tivemos que encarar que parece que há políticos desonestos por aqui também.
E gostamos de pensar que somos mais educados e sofisticados que os demais brasileiros. Agora vimos que submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão não privilégio de latifundiários nos confins da selva amazônica, ou na aridez da caatinga. Temos que encarar que isso também acontece no interior do Rio Grande do Sul.
Uma vergonha!

Marcadores: direito ao trabalho, direitos do trabalhador, exploração, gaúchos, relações de trabalho, trabalho

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sexta-feira, maio 11, 2007

Cerâmicas Decorite

A empresa de cerâmicas Decorite, sediada em Eldorado do Sul, decretou auto-falência.
Nos seus áureos tempos, a empresa chegou a ter mais de 800 funcionários. Agora os cerca de 200 remanescentes, muitos com anos de empresa, e certamente com dificuldades de encontrar novas colocações (afinal o tal mercado diz que quem tem mais de 35 anos é velho, embora a previdência oficial estabeleça que só é velho quem tenha mais de 65), querem a retomada das instalações para produzirem cerâmicas organizados em cooperativa de trabalhadores.

Via Blog do Jean Scharlau.

Marcadores: direitos humanos, relações de trabalho, trabalho

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quarta-feira, março 14, 2007

Vinícius Torres Freire: O Mundo da Cana-de-Açúcar - Folha de São Paulo, 11/03/2007

VINICIUS TORRES FREIRE

Álcool, crescimento e pobreza

Progresso da indústria e da ciência do álcool convive com o mundo do lavrador que corta 8 toneladas de cana por dia

O LAVRADOR de Ribeirão Preto recebe em média R$ 2,50 por tonelada de cana cortada. Menos que o de Piracicaba, onde a tonelada vale R$ 3. Os canaviais de Ribeirão Preto pertencem à grande propriedade. Suas terras mais planas permitem o uso de máquinas. As empresas, mais capitalizadas, dispõem de dinheiro para comprá-las.
Em Piracicaba, as terras são mais íngremes; as fazendas, menores.
Nos anos 80, o lavrador fazia cinco toneladas de cana por dia. A mecanização da colheita o obrigou a ser mais produtivo. O corta-cana derruba agora oito toneladas por dia. Para abater toda essa cana, precisa dar 8.000 golpes com seu facão.
Uma lei paulista determina que os canavieiros reduzam a área de cana queimada, atividade poluente e cada vez mais perdulária. A palha que não é queimada tem uso econômico. Em breve, poderá virar álcool também.
A cana queimada facilita o corte manual. Cortar a cana "crua" é economicamente inviável e ainda mais desumano. Mas, em 2021, a queimada estará proibida. A lei e a capitalização da indústria da cana reduzem rapidamente a queimada e, assim, o emprego do corta-cana. Quem sobra, deve competir com a máquina. Mas a mecanização é inevitável.
O trabalhador deve cortar a cana rente ao chão, encurvado. Usa roupas mal-ajambradas, quentes, que cobrem o corpo, para que não seja lanhado pelas folhas da planta. Mas se acidenta mesmo assim. Se corta com o facão, tem lesões por esforço repetitivo. O excesso de trabalho causa a "birola": tontura, desmaio, cãibra, convulsão. A fim de agüentar dores e cansaço, toma drogas e soluções de glicose, quando não farinha mesmo. Têm havido mais mortes por exaustão nos canaviais.
Se o corta-cana de produtividade média trabalha no regime "5x1" (cinco dias de trabalho por um de folga), recebe uns R$ 500 por mês.
Cerca de 50% dos trabalhadores do Brasil ganham menos que isso. Algumas estatísticas, ainda imprecisas, dizem que 70% dos trabalhadores da indústria da cana têm emprego formal. No Brasil, os empregados protegidos pela lei e pela seguridade social não passam de 50% do total.
A indústria alcooleira resultou de um plano estatal de criar um setor econômico e uma tecnologia nova.
Perdulário, estatista e sem fiscalização (é da ditadura, de 1975), ainda assim o programa desenvolveu pela primeira vez no Brasil a integração sistemática de pesquisa científica, empresa rural e industrial.
O setor da cana faz hoje uns 3,5% do PIB. Exporta US$ 8 bilhões. Gera toda a energia elétrica que consome e ainda vende excedentes. A indústria de São Paulo contrata cientistas e engenheiros para desenvolver máquinas e equipamentos mais eficientes para as usinas de álcool. Mas agora também equipa a indústria de celulose, papel e mineração, além de usinas elétricas. A pesquisa privada e pública na área agrícola (cana, laranja, eucalipto etc.) desenvolve a bioquímica e a genética no país.
O progresso do setor poderia ser um modelo nacional para a pesquisa e a indústria de software, materiais, remédios, teles e internet ou mesmo reciclagem de lixo. Mas há vasta inércia e silêncio sobre tais assuntos. Assim como nada se ouve sobre a miséria do corta-cana no mundo maravilhoso do etanol.



http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1103200707.htm

Marcadores: alcool, álcool, cana, combustíveis, etanol, trabalho

posted by José Elesbán at 2:37 AM 0 comments

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