sábado, setembro 29, 2007

Bobagens e Inutilidades - 1

Andei lendo a revista IstoÉ, emprestada por um amigo. Não chega a ser assim uma Brastemp, mas é muito, mas muito mesmo, menos editorializada do que a Veja.
Foi a edição de 5 de setembro passado. Capa com o operador Marcos Valério na capa.
A revista dá bastante voz a Marcos Valério, que aproveita para jogar bastante coisa no ventilador.
Possivelmente seja o ponto de partida do barulho em torno do "mensalão tucano" (alguns jornalistas amenizam para "mensalão mineiro", isenção total. Uma rádio aqui em Porto Alegre chamava o dossiê Anti-Serra, o dos "aloprados" de "dossiê Cuiabá, isenção total), em torno do Senador Eduardo Azeredo, então candidato a governador.
A IstoÉ já foi assunto do Observatório da Imprensa, por crises na redação, demissões, não pagamento de salários, etc. Crise econômica numa empresa capitalista de notícias que os jornalistas acham que não é notícia.
Mas com toda a crise, está com uma qualidade editorial melhor que a Veja.
Opinião deste blogueiro, sujeita a contestação, ora pois!


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sexta-feira, agosto 31, 2007

Os protestantes do século XXI



Lançamento do livro A mídia nas eleições de 2006, organizado pelo prof. Venício A. de Lima, da UnB e do Observatório Brasileiro de Mídia, se transforma em debate sobre porque a campanha da mída conservadora contra a reeleição de Lula não deu certo.

Data: 31/08/2007
Na noite de 30 de agosto, no Sindicato dos Jornalistas no Estado de S. Paulo, foi lançado o livro (Editora Fundação Perseu Abramo) A mídia nas eleições de 2006, organizado pelo professor Venício A. de Lima, da Universidade de Brasília e consultor do Observatório Brasileiro de Mídia. O livro tem apresentação do professor e mais 11 artigos de especialistas no setor, sobre o papel da mídia nas eleições presidenciais do ano passado. Acompanham o livro alguns anexos: as reportagens publicadas na época pela revista Carta Capital; as explicações do diretor executivo de jornalismo da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel; a carta do repórter Rodrigo Vianna, desligado da Globo naquela época, despedindo-se de seus colegas de trabalho (publicada em primeira mão, depois de circular em mensagens na internete, pela Carta Maior em reportagem de Bia Barbosa); e um mapa das votações no primeiro e no segundo turnos.

Além do prof. Venício, estiveram presentes ao lançamento os autores de artigos Renato Rovai, editor da revista Fórum, autor do capítulo “As muitas derrotas da mídia comercial tradicional”; Marcelo Coutinho, diretor executivo do Ibope Inteligência, co-autor de “Os usos das novas mídias na campanha presidencial de 2006; e Kjeld Jakobsen, presidente do Observatório Brasileiro de Mídia, autor de “A cobertura da míodia impressa aos candidatos nas eleições presidenciais de 2006”.

Além de debaterem o livro e seus artigos, os quatro presentes debateram, entre outras, a pergunta feita por Carta Maior sobre “porque em 2006 a campanha da mídia contra a reeleição de Lula não deu certo”. Carta Maior lembrou das vezes em que campanhas conservadoras na mídia “deram certo”: na eleição de 1989, no golpe de 1964, no de 1954 (revertido pelo suicídio do presidente Getúlio Vargas), até mesmo (como lembrou Rovai) na campanha pelas privatizações, durante o governo de FHC, quando criou-se um clima de que tudo o que era público e estatal eram necessariamente ruim.

Houve colocações muito variadas. Todos concordaram que este é um assunto ainda a ser estudado, e que é impossível dar uma explicação cabal e definitiva. Mas aventaram algumas hipóteses. O prof. Venício lembrou o papel das “lideranças intermediárias”, isto é, os líderes de associações de bairros, ongues, sindicatos, etc., que são, agora, “formadores de opinião” tão importantes quanto aqueles que tradicionalmente se julgam donos da “formação de opinião”, os editorialistas, colunistas de jornais, e comentaristas de tevê. Essas “lideranças intermediárias” têm acesso à internete e a uma série de informações alternativas, antes não ou pouco disponíveis, o que pode ter ajudado a contrabalançar o poder da mídia tradicional.

Kjeld Jakobsen lembrou que de fato a vida das pessoas mais pobres, e de um modo geral, melhorou sob o governo Lula, e que isso levou muitas pessoas a pensarem duas vezes antes de simplesmente aderirem à campanha da mídia contra o governo. Lembrou também que a mídia, de um modo geral, tornou-se mais uniformemente conservadora, descolando-se de muitos de seus leitores tradicionais. Lembrouy por exemplo do tempo em que muita gente de esquerda considerava A Folha de S. Paulo um jornal “oficiosamente” à esquerda no espectro do jornalismo brasileiro, e que isso hoje não acontece mais.

Renato Rovai trouxe à baila a idéia de que, além do contrabalanço de informação disponível, havia o fato de que em 2006, ao contrário de 1989, Lula era governo, e isso lhe dá um poder enorme de também gerar informação, além dos poderes inerentes ao Estado brasileiro. Em sua fala lamentou que o governo não tenha avançado mais no sentido de democratização da mídia, curvando-se à pauta do conservadorismo brasileiro neste campo. O jornalista Carlos Tibúrcio, também presente, respondeu, dizendo que era necessário analisar a “correlação de forças” para entender a posição do governo nestas questões.

Mas a nota mais original do debate ficou por conta de Marcelo Coutinho. Depois de dizer que era necessário reconhecer que, apesar de todas as deficiências, o nível de escolaridade no eleitorado brasileiro tinha aumentado muito de 20 anos para cá, lembrou a situação européia ao fim da Idade Média.

Disse que naquela época o quase monopólio de interpretação religiosa detido pela Igreja Católica Romana na Europa foi quebrado pelo protestantismo. E que para a quebra do monopólio foi fundamental a invenção da imprensa no século XV. Hoje, lembrou ele, estaríamos na mesma situação: a pretensão de monopólio de expressão da “opinião pública” por parte da mídia tradicional foi quebrada pela internete, embora o alcance desta esteja longe de ser universal. Mas tão importante quanto reconhecer essa quebra é reconhecer que os atores convencionais, mídia e partidos políticos, ainda não conseguiram responder de modo conveniente e consistente a esse novo quadro cultural, aferrando-se a seus princípios dogmáticos, tanto no plano das idéias quanto no das formulações.

“Internete é diálogo”, lembrou ele. De fato, algo que anda meio longe da nossa mídia convencional, que está menos para polifonia, mesmo que barroca, e muito mais para o uníssono (e ponhamos sono aí) do cantochão gregoriano (É só uma metáfora provocativa, pessoal. Eu adoro cantochão. Na Igreja ou no concerto, é claro, não na mídia).

Da Carta Maior.

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quinta-feira, agosto 23, 2007

Assessor do Presidente Pode Estar Envolvido em Desvio de Verbas no Congresso

Calma! Isso não aconteceu. Esta manchete é ficcional. É apenas um exercício de imaginação se tivesse acontecido no governo federal o que aconteceu recentemente no governo do Rio Grande do Sul.
Uma assessora da governadora Yeda Crusius, Santa Izabel Paludo, foi indiciada no desvio de verbas da Assembléia Legislativa estadual, no chamado "escândalo do selo", aonde um funcionário da Assembléia, Ubirajara Macalão, teria superfaturado compra de selos, e desviado parte destes selos. Santa Izabel, antiga funcionária da Assembléia, estava lotada no Gabinete da Governadora, e é ligada ao PHS - Partido Humanista da Solidariedade, pequena agremiação que faz parte da base de apoio à governadora.

Veja mais no RS Urgente, ou no Diário Gauche.



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domingo, julho 22, 2007

Marco Aurélio Garcia

Vale qualquer coisa para tentar atingir o presidente Lula, até se escandalizar com um gesto supostamente obsceno do assessor da presidência Marco Aurélio Garcia, captado sorrateiramente enquanto este assistia ao Jornal Nacional em seu gabinete.
Interpretaram que com o tal gesto o assessor dizia que a empresa aérea é que iria, vamos dizer assim, se dar mal. Acho que não. Embora eu não possa falar pelo assessor, acho que foi algo como um desabafo, e acho que ele se referia àqueles que estão tentando a todo custo , digamos de novo, fazer o governo se dar mal, com a tragédia acontecida em Congonhas esta semana.

Abaixo, o fradim, personagem do Henfil, que gostava de usar o tal gesto obsceno, pescado via Diário Gauche.

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sexta-feira, julho 20, 2007

Pequena Mídia : Por quê vê-se tão pouco essas imagens na televisão?

sábado, julho 14, 2007

Ainda a RCTV e a TV por Assinatura - Brasil e Venezuela

O Correio do Povo desta quinta-feira, dia 12 de julho, publica uma notinha curiosa, ainda tendo a RCTV como assunto. Informa o jornal que a RCTV continuará transmitindo sua programação via TV por assinatura, como aliás, era previsto, enquanto continua procurando meios legais de recuperar sua concessão na TV aberta. A notinha conclui informando que "só 30% da população tem acesso à TV por assinatura".
Há duas coisas interessantes aqui. A primeira e mais evidente é que a RCTV não foi fechada, como alguns apregoam. Continua a transmitir, seja por canais por assinatura, seja via Internet.
A segunda é que me parece que ainda que "só 30% da população" venezuelana tenha acesso à TV por assinatura, isto é muito mais que no Brasil. Números podem mentir muito, mas vou usar alguns aqui para não deixar a discussão no vazio. O sítio da Associação Brasileira de TV por Assinatura - ABTA informa que no final do ano passado havia cerca de 4,7 milhões de assinaturas de TV no Brasil e mais 1,1 milhão de assinatura de acesso à Internet provido por operadoras associadas à ABTA. E segundo o sítio do IBGE, no Brasil há algo próximo de 52 milhões de residências. Segundo estes números, numa análise primária, só um pouco mais de 10% da população brasileira tem acesso à TV por assinatura.

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sexta-feira, julho 13, 2007

Teologia Neoliberal ou Teologia de Mercado - 2

Já que falamos no governo FHC, não custa lembrar que naquele governo, uma desregulamentação mal conduzida do fornecimento de energia elétrica levou ao apagão elétrico de 2001, aqui no Brasil. Que obrigou os brasileiros a terem que economizar energia elétrica, e pagar sobre-taxa de energia (!) para compensar as distribuidoras pelo consumo menor que o previsto quando foi feita a privatização parcial da distribuição de energia elétrica. Nesse caso, o mercado aceitou uma ajudinha do governo para manter a sua margem de lucro.
Não sei, mas acredito que não haja registro de apresentador do Jornal da Globo na época condenando a desregulamentação e privatização do fornecimento de energia, que causou prejuízos aos consumidores.

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Teologia Neoliberal ou Teologia de Mercado

Curioso! Ontem, 11 de julho, após muito tempo pude assistir ao Jornal da Globo.
Quando o jornal resolveu noticiar a crise energética na Argentina, o apresentador, William Waack, resolveu culpar o Governo Kirchner e sua política de estatizações e regulamentações de mercado como culpados pela crise energética.
Programação de TV, como vi o Juca de Oliveira falar algum dia em uma entrevista, é o intervalo entre dois comerciais, inclusive o telejornal, para manter o espectador atento. E telejornais são ótimos para mostrar um acontecimento, mas muito ruins para tentar analisá-los, e péssimos para dar opinião. Parênteses: como eu digo e repito, eu gostava de ver os comentários do falecido Paulo Francis, pela erudição e humor dele, apesar de discordar francamente das posições políticas; parece que o Francis sempre tinha algo para dizer. Fechado o parênteses, voltemos ao Waack, foi muito marcante, numa reportagem de uns três minutos (não, eu não estava medindo; três minutos é chute), vir de bate-pronto com culpa do governo Kirchner por isto e aquilo.
Em favor de Kirchner podemos dizer que ele concordou em pagar mais pelo gás boliviano, mas a Bolívia se mostrou incapaz de entregar gás na quantidade necessária, e como aconteceu por aqui no governo FHC durante o apagão elétrico de 2001, as chuvas não vieram em volume suficiente para que as hidrelétricas argentinas trabalhassem com força total. Além disso, o governo Kirchner está comprando energia elétrica brasileira, e só não compra mais, porque não há linhas de transmissão em quantidade suficiente. Ou seja, há uma série de fatores que levaram à crise, que fatalmente desabará sobre o governo Kirchner. Mas sair dizendo simplesmente que é culpa da intervenção no mercado, faça-me o favor!

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segunda-feira, julho 09, 2007

Do Observatório da Imprensa: A Grande Mídia Vê a Reforma Agrária

Edição 440 de 3/7/2007
www.observatoriodaimprensa.com.br
URL do artigo: www.observatoriodaimprensa.com.br

MÍDIA E REFORMA AGRÁRIA
Crítica de gastos, improdutividade e desmatamento

Ronaldo Pereira Santos

Durante os últimos dois meses, vimos três titãs da mídia nacional mirar na política de distribuição de terra e apoio à produção agrícola. O Globo retratou, em matéria do dia 07/05, "O desmatamento dos pequenos", onde mostra como os agricultores vêm se virando ante aos problemas ambientais na Amazônia. Já a revista Veja (edição 2013, de 20/06, na seção "Contexto") afirma haver "muita devastação (ambiental) para pouca renda". Finalmente, a Folha de S.Paulo (25/6), fechou as cortinas do tema ao levar o leitor pela linha editorial da gastança com cada família assentada.

Nos três casos, a imagem dos assentamentos e da política de inclusão social - por meio da agricultura familiar - fica minimamente "rabiscada". Claro que não por ela em si, mas como sua gestão vem sendo efetuada.

Por trás de qualquer reportagem sempre há pontos discordantes, mal-explicados ou mesmo polêmicos - o que pode gerar confusão e desinformação. Sabidamente, a reforma agrária não é vista com simpatia por boa parte da população: está associada a baderna, violência, invasões, pobreza, assistencialismo etc. Assim, estaria a um passo da vala comum onde jazem os desmandos políticos, mau uso do dinheiro público e impunidade. Fica, assim, a triste impressão de não valer a pena distribuir terra e créditos.

Crítica pela crítica?

Cabe a pergunta: até que ponto - para mais, ou mesmo para menos - as realidades publicadas nestas reportagens mostram o retrato fiel da reforma agrária no Brasil?

A verdade por trás dos dados:

1.

Caro demais

O valor (31 mil reais por família assentada) apontado pela Folha mostra, num primeiro momento, que há dinheiro escorrendo pelo ralo no programa de reforma agrária. A imagem piora quando o texto afirma que o valor é suficiente para manter um casal com três filhos por 27 anos no Bolsa-Família. Ora, tal afirmação é controversa - ainda que aritmeticamente verdadeira. Uma das principais críticas ao Bolsa-Família é exatamente o assistencialismo. A política de reforma agrária tem o diferencial de oferecer a possibilidade da produção como fruto do seu trabalho, e não a dependência eterna por uma "esmola", dita por muitos.

Vale ressaltar que, desconsiderada a inadimplência, boa parte do valor investido em uma família retorna aos cofres; isto é, funciona como empréstimo, e não doação, e o fundo perdido é apenas a menor parte do montante. Portanto, o investimento feito em um agricultor que de fato cultive a terra é algo que precisa ser celebrado. Defender o uso equilibrado e econômico do erário é salutar, mas não esqueçamos que os assentamentos são chamados de "favelas rurais", exatamente pelo abandono e falta de recursos. A lógica seria, então, a crítica pela crítica? (o governo acabou de estimular, em 27/06, mais críticas: noticiou em 20% as verbas adicionais para os pequenos produtores).

Matemática joga contra

O dado da Folha indica outro fato mais relevante. Numa comparação simples, observa-se que, na verdade, há uma otimização dos gastos do governo atual: nos anos FHC, uma família custava cerca de 40 mil reais (criticado abertamente, inclusive, pelo ex-presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma (Incra) no governo tucano, Xico Graziano, em artigo de 2003).

Uma das explicações para esta redução é a priorização do uso das terras da própria União, o que, evidentemente, reduz os gastos com indenizações. Claramente, este argumento pode ser verificado no número de hectares distribuídos no país - com larga margem de vantagem na Amazônia -, onde a União é dona da maior parte das terras.

2.

Improdutivo

O quesito produtividade é sempre controverso. Neste aspecto, é bom que se frise, a agricultura familiar tem, em um dos seus pilares, a qualidade dos alimentos, e não somente a quantidade. Os textos disponíveis apontam que pelo menos mais da metade dos alimentos da mesa do brasileiro vêm da agricultura familiar. Ainda, pela alta diversificação, possui inserção fundamental na cadeia agroalimentar. Por outro lado, a matemática joga contra. Os números de Veja indicam que a quantidade de produtos por hectare está longe da média mínima esperada.

Foco preservacionista

Veja

errou, exagerou? Não. Embora haja ilhas com bons índices de produção, os pequenos ainda produzem abaixo do esperado. O que precisa ser mudado é a idéia de que a agricultura familiar não combina com tecnologia de ponta. Sim, há opões sustentáveis e tecnologicamente avançadas.

3.

Devastação ambiental

Já os problemas ambientais, mostrados em O Globo, são de fato verdadeiros. Há um nível relevante de desmatamento provocado pelos pequenos agricultores na Amazônia, já estimado em 15% da região. Outro aspecto real é a lentidão e baixo número de assentamentos que estão legalmente licenciados sob a ótica ambiental (O Globo e Veja).

Infelizmente, não são somente os agricultores os responsáveis pelos problemas ambientais. A falta de sintonia, ainda existente, entre os órgãos públicos estaduais de meio ambiente e o próprio Incra, põe pedras no caminho dos licenciamentos. Basta lembrar que há estados cobrando pelos trâmites administrativos do licenciamento valores similares a empreendimentos com alto nível de impacto ambiental (louvem-se outros estados em que a taxa é dispensada). Tal pensamento precisa ser reavaliado, pois há alguns anos a reforma agrária praticada na Amazônia tem um foco mais preservacionista.

Pauta semanal

Algo que precisa ficar bem claro é que, primeiramente, a reforma agrária é um programa totalmente diverso em cada canto do país. As condições de clima e solo, processo de colonização, cultura agrícola, dinâmica socioeconômica e perfil político de cada estado são totalmente diferentes (a Folha chama a atenção para este fato). Parece óbvio para quem passou nas aulas de geografia na 5a série, não é? Nem tanto. A notícia sobre a reforma agrária sempre soa como homogênea e verdade geral.

Infere-se dos textos que não foi intenção usarem do recurso comparativo. Ainda assim, confrontar os números da reforma agrária dos gaúchos e de Roraima, por exemplo, seria uma falta de bom senso sem tamanho. Portanto, cada caso deve ser visto com seus matizes e cenários - sem extrapolações.

Na última campanha eleitoral, o tema não foi pauta nem para mídia nem para os candidatos a presidente. Perdemos boa chance de expor idéias e colher do futuro chefe do Brasil o que fazer se eleito. A imprensa também comeu mosca.

Uma leitura atenta das mídias locais mostra que a reforma agrária aparece como ponto de pauta pelo menos uma vez na semana. Nos veículos nacionais, entretanto, sua veiculação é mais demorada. Algo especial agora?

Avanço para a sociedade

Para quem entende da matéria, fica fácil estabelecer um paralelo de importância. A reforma agrária é, sem dúvida, um dos assuntos de maior importância de um país com o perfil e origem como o nosso. Boa parte dos problemas estruturais da sociedade, como um todo, têm origem no meio rural; e como bem enfatiza José Graziano "... a equação agrária do século 21 requer um projeto de desenvolvimento legitimado por toda a sociedade" - o que inclui a imprensa. Assim, a julgar pela massa de "sem-terras" e disponibilidade de áreas para distribuir - é justificável que discorrer a respeito nunca soará desatualizado.

Por mais social e relevante que seja para o país, a agricultura dos pequenos não tem o peso que deveria - se comparado com o "outro (pesado) lado da balança": a agricultura comercial. A exposição deste último é justificável (?), já que gera os famosos dividendos para o PIB brasileiro.

Em suma: o Brasil se interessa mais pelas toneladas de carne exportadas do que se há o mesmo produto no açougue ao lado para o almoço.

Fica a sugestão, para a imprensa, de que há farto material a ser explorado nos números da agricultura no Brasil - muito além do lugar-comum da grilagem e desvio de verbas públicas. Que tal averiguar a incompatibilidade entre agricultura familiar e agricultura de resultados? Há necessidade de se discutir a fundo os índices de produtividade, que ainda são da década de 70; pôr em xeque a questão qualidade versus quantidade dos alimentos; há um vasto campo de reportagens, também, a respeito da indústria das licenças ambientais; e mesmo discutir se há ou não latifúndio predominante no país e suas implicações para a agricultura nacional.

Finalmente, ainda que a reforma agrária não tenha seu espaço na grande imprensa nacional, sua inclusão nas discussões de O Globo, Veja e Folha indica um avanço para a sociedade: assunto de interesse de todos e não somente dos interioranos. Pena que, ainda, sob perfil negativo.


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quinta-feira, junho 21, 2007

TV na Venezuela

O blog Na Periferia do Império informa que a TV estatal venezuelana, da "ditadura" de Hugo Chávez promoveu discussão entre estudantes a favor e contra o governo, mais os policiais encarregados da possível repressão às manifestações. Inclusive indicando linques, onde vídeos da discussão podem ser vistos (na verdade, este blogueiro teve grande dificuldade de entender o espanhol dos venezuelanos).
Possivelmente a TV estatal venezuelana está copiando as idéias da TV brasileira onde estudantes a favor e contra o governo estão continuamente debatendo, discutindo. As nossas televisões estão continuamente mostrando todos os lados e todas as opiniões a respeito da ocupação da USP.

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quinta-feira, junho 07, 2007

O Incrível Exército Blogoleone

A partir desta semana, por convite do Jean Scharlau, estou colaborando com o blog O Incrível Exército Blogoleone, junto com um monte de gente que já fazia parte do Sistema de Muvuca na Internet, o SIVUCA. Provavelmente toda esta gente está à minha esquerda politicamente, mas como fui convidado, estou lá. Confira!

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quarta-feira, maio 30, 2007

Do RS Urgente: ZH Explica o Fechamento da RCTV

“Imagine se, de uma hora para a outra, você não pudesse mais ver os desenhos e as novelas de que gosta. Ou se sua mãe e seu pai não pudessem mais assistir ao jornal que curtem. Foi o que aconteceu na Venezuela. O presidente do país, Hugo Chávez, mandou desligar o maior canal de TV deles – chamado RCTV. Na noite de domingo, o programa que estava passando parou de aparecer na TV e entrou no lugar um novo programa, de um canal do governo. A empresa que comanda a RCTV diz que Chávez fez isso porque não gosta que falem mal dele. Por causa disso, Chávez acabou com um direito de todas as pessoas – de saber o que está acontecendo no seu país e no mundo. Agora, as outras TVs, os jornalistas, as rádios e os jornais da Venezuela estão com medo de que aconteça a mesma coisa com eles”.

Isto me faz lembrar Jabor citando Nelson Rodrigues, "eu só conheço duas coisas infinitas, o universo, e a estupidez humana, se bem que do universo eu tenho as minhas dúvidas".
No caso da Zero Hora explicando o caso da RCTV para crianças é difícil acreditar em tanta má fé. Deve ser muita estupidez mesmo.

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sexta-feira, maio 25, 2007

Diário Oficial do PSDB

Para conferir porque o jornal Folha de São Paulo é o diário oficial dos tucanos, confira o sítio do Luiz Carlos Azenha.

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quinta-feira, maio 24, 2007

Manifestações de 23 de Maio de 2007

Por acaso, calhou da televisão estar sintonizada no Jornal da Globo, no momento do noticiário nacional. E lá vem o Sr. William Waack com a velha cantilena: "baderneiros", "violentos", "defensores de privilégios".
Nestas manifestações de 23 de maio, no Pará, a Via Campesina e o Movimento dos Atingidos por Barragens ocuparam a usina hidrelétrica de Tucuruí, inclusive a sala principal de controle, e o Sr. Waack informa que os manifestantes inclusive brincavam com a série de botões que controlam a usina. Mas curiosamente, a usina não parou de funcionar e fornecer energia. O Jornal da Globo relembrou que a Via Campesina foi responsável pela depredação da fazenda da Aracruz Celulose usada para pesquisas.
Todo aquele papinho de, com pouca sutileza, criminalizar movimentos sociais e reivindicatórios.

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sexta-feira, maio 18, 2007

Manchetes Que Nunca Veremos (2): "83% da População Aprova o Governo Lula"

Esta seria uma manchete velha. São conclusões possíveis a partir daquela pesquisa CNT/Sensus divulgada há um mês atrás. Estou aproveitando o gancho do "post" anterior.
Neste caso, 83,8% é total dos entrevistados que consideram o governo Lula ótimo, bom ou regular. Como muitas escolas aprovam alunos com conceitos semelhantes a estes, está feita a associação.
Esta é muitas outras manchetes possíveis a partir daquela pesquisa são alvo de especulação do Luiz Carlos Azenha, em seu sítio, o Vi o Mundo.

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Manchetes Que Nunca Veremos (1): "Governo Yeda Expulsa Dell do Rio Grande"

Até porque para anunciar uma manchete assim, seria necessário distorcer bastante a verdade. Mas silenciosamente a montadora de computadores Dell implantou uma fábrica no estado de São Paulo, e deve transferir para lá a maior parte da sua operação brasileira. Segundo a empresa, lá ela estará próxima do principal mercado brasileiro, no próprio estado de São Paulo, e logisticamente bem posicionada, próxima ao aeroporto internacional de Viracopos, em Campinas.
Mas qual seria a manchete se tal evento acontecesse em um governo dirigido pelo PT?


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segunda-feira, maio 14, 2007

Mediação

Boa parte daquilo que apreendemos da realidade, boa parte do conhecimento que chega a nós e acrescenta à nossa experiência é intermediado pelos meios de comunicação de massa, a mídia. Mas esta intermediação usualmente não é neutra, como estes meios de comunicação gostariam de nos fazer acreditar. E muitas vezes quer ostensivamente dirigir nossa apreensão. A charge abaixo ilustra isto.

É possível ler um desenvolvimento maior do tema, no Diário Gauche.



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terça-feira, maio 08, 2007

Do Conversa Afiada: Saiu a Escalação da CPI do Apagão

SAIU A ESCALAÇÃO DA CPI DO APAGÃO

03/05/2007 11:29h

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 360



. O PSDB foge da CPI do Apagão como o diabo da Cruz. (Clique aqui <http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2007/05/03/voo_controlado_773505.html> para ver o entusiasmo da oposição em preencher os cargos da CPI do Apagão).



. A Oposição se lembra de alguns casos exemplares.



. Garibaldi Alves, relator da CPI do Fim do Mundo (ex-Bingos), não se elegeu governador do Rio Grande do Norte.



. Delcidio Amaral, presidente da CPI dos Correios (e que fez jogo duplo, pois é do PT e jogava na oposição também), perdeu a eleição para governador de Mato Grosso do Sul.



. Eduardo Suplicy, senador pelo PSDB de São Paulo, mas inscrito no PT, comportou-se como um valente oposicionista em todas as CPIs, e quase não se reelege senador.



. Sem esquecer do caso mais espetacular, o do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgilio.



. Virgilio prometeu “dar uma surra” no Presidente Lula e teve 5% dos votos para Governador do Amazonas ...



. A oposição está com medo da CPI do Apagão, que como procurei demonstrar aqui, será também a CPI do Seguro (quem paga o seguro às vitimas do desastre da Gol ?)



(Clique aqui <http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/429001-429500/429460/429460_1.html> para ler sobre a questão do seguro depois da comprovação de que o transponder do Legacy estava desligado).



. Mas, talvez, os “analistas” não tenham entendido a questão: a CPI do Apagão (ou CPI do Seguro) não era apenas uma reivindicação da oposição.



. Essa foi e é, antes de tudo, uma bandeira da mídia conservadora (e golpista).



. Assim, sugiro uma composição extra-parlamentar da CPI do Apagão:



. Presidente de Honra: Ali Kamel, da Rede Globo.



. Kamel tomou a decisão de não noticiar no Jornal Nacional a queda do avião da Gol, para se concentrar numa edição do Jornal Nacional que mostrasse o dinheiro dos aloprados – e levasse – como levou – a eleição para o segundo turno.



. Relatora da Comissão: Eliane Cantanhêde, da Folha de S. Paulo, que chegou a ir aos Estados Unidos para entrevistar os pilotos do Legacy e perguntar se a culpa era dos controladores ...



. Para sentar no lugar habitualmente ocupado por ACM Neto, dessa vez poderia ir Miriam Leitão, que faria suas intervenções do aeroporto, por celular, para explicar aos ouvintes da CBN porque ia chegar atrasada ao próximo compromisso.



. Para sentar no lugar habitualmente ocupado por Rodrigo Maia, deveria ir William Bonner, para descrever as agruras de um passageiro em particular: Homer Simpson, ao voltar ao Brasil.



. Para vice-presidente da Comissão seria convidado o repórter Expedito Filho, do Estadão, especialista em auscultar a opinião anônima de líderes de controladores, sobretudo quando ameaçassem paralisar o país.



. O delegado Bruno (por onde anda o delegado Bruno ?) seria encarregado de guardar os documentos da CPI e garantir que não vazassem para a imprensa.



. Essa CPI, essa sim, chegará à verdade dos fatos e poderá garantir que os direitos da minoria serão respeitados.



. Par falar nisso: como fica o Supremo Tribunal Federal que, por 11 a zero, mandou instalar a CPI da Câmara para garantir os direitos da minoria, se a minoria foge da CPI como o Ministro Marco Aurélio de Mello foge dos holofotes da televisão ?





http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/429501-430000/429941/429941_1.html <http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/429501-430000/429941/429941_1.html>



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segunda-feira, maio 07, 2007

Apagões

Apagão Aéreo, Apagão da imprensa, Apagão da oposição. Veja a seguir um texto de Paulo Henrique Amorim, muito afim...

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Da Agência Carta Maior: Apagão da Imprensa




DEBATE ABERTO

O apagão da imprensa

A CPI do Apagão Aéreo parece não ter empolgado jornais e revistas. Os meios de comunicação limitam-se a denunciar sua composição como expressão de farsa. Há um visível desencanto com a oposição parlamentar. Talvez possamos falar em um luto midiático.

O tom é de comedimento. A CPI do Apagão Aéreo parece não ter empolgado jornais e revistas semanais. Os meios de comunicação limitam-se a denunciar sua composição como expressão de farsa. Há um visível desencanto com o comportamento da oposição parlamentar. O pragmatismo de setores do PSDB não é compatível com o tipo ideal editado ao longo dos dois últimos anos? Talvez possamos, simplificando tema caro ao pensamento freudiano, falar em um luto midiático. Reação à perda de uma generalização abstrata, a um ente que seria o braço político de devaneios editoriais. Investimento libidinal sem contrapartida. Páginas e tempos perdidos.


Em tom de lamento, o jornalista Fernando Rodrigues registra, em seu blog, o ar nebuloso que marca o início da mais recente CPI instalada na Câmara Federal. Assinala que “A oposição ficou de mãos abanando. A base lulista tem 16 das 24 vagas da comissão.Houve uma patética tentativa do PSDB, que quis lançar um candidato para a presidência da CPI. Perdeu. O PFL desejava ir ao Supremo para dar uma embananada no processo, mas os tucanos foram contra. Por enquanto, a CPI está servindo para mostrar e explicitar mais uma vez o apagão da oposição no Congresso”.

A tristeza de Fernando é partilhada pela jornalista Eliane Cantanhêde, em sua coluna, na edição de sexta, 4 de maio, da Folha de S. Paulo. “Foi-se o tempo em que as CPIs eram lugar de honra para investigar e produzir efeitos” O choro prolonga-se por quase todos os articulistas da grande imprensa. Editoriais já não reproduzem o frenesi de outrora, quando tudo era contado com som e fúria, Embora o significado do esforço fosse ocultado com presteza.

O que será que não aprenderam com a história? Vamos tentar, nesse pequeno artigo, lançar luz sobre o passado recente. Iluminar o norte dos considerados “formadores de opinião". Pessoas de hábitos refinados e ética fluida precisam perceber que a realidade também escorre liquefeita.

Já deveríamos saber que, quando o senso comum da mídia se confunde com a opinião de setores supostamente esclarecidos, a lucidez está perdida. Se todo o processo histórico é reduzido à folhetinização de escândalos, ao espetáculo de comissões parlamentares e acareações sem sentido, a trama não guarda qualquer relação com moralização de costumes públicos ou preocupação efetiva com os rumos da política econômica.

As fraturas éticas e o aliancismo equivocado do Partido dos Trabalhadores serviram, nos dois últimos anos do primeiro mandato de Lula, como pretextos para a ofensiva de forças conservadoras a um governo que, apesar da agenda adotada, conseguiu reduzir a miséria de forma expressiva. Em 2004, segundo a FGV, a redução teria atingido 8%. Comparemos esses números com os obtidos pelo neoliberalismo que, por oito anos, balizou corações e mentes de tucanos e demos do ex-PFL. Não há registros dessa comparação em editorias de economia.

O triste foi ver a grita moralista unir reacionários conhecidos a esquerdistas combativos nas páginas de política. O que o método separou, o discurso uniu. O que os últimos ignoraram foi que ação política movida a ressentimentos e balizada pela moral privada não educa politicamente. Constrói atalhos para o retrocesso. A práxis de holofote é a única possível em tempos do que, com rara precisão, Zygmunt Bauman definiu como modernidade líquida? Essa é uma indagação que precisa ser respondida por atores que ocupam inequívoca centralidade no mundo contemporâneo. E não há como respondê-la sem definir a imprensa como lugar epistemológico.

Como destacou, à época, Marilena Chauí, “não é digno politicamente não colaborar com um governo que está sob ataque". No centro da peroração de seus detratores não havia qualquer preocupação com a qualidade institucional.

O móbil da burguesia patrimonialista e seu colosso midiático não era outro senão a velha luta de classes, a preservação de estruturas arcaicas que impedem a promoção da cidadania em uma sociedade fracionada.

Ser portador de uma agenda republicana é compreender a complexidade do momento. Render-se aos clamores de segmentos médios, expressos nas páginas dos jornais, não revela inteireza ética, mas oportunismo político e atração inequívoca pela ética do consumidor. Assim morrem as mariposas. E se reproduzem editores.

Não é nosso objetivo propor que se passe uma borracha em todos os erros cometidos. O transformismo da direção partidária, seu deslocamento das bases e alianças com legendas de direita foram um balde de água fria na militância forjada ao longo de 25 anos de luta. Mas não joguemos a criança fora junto com a água suja da bacia. Nesse período, o Partido dos Trabalhadores e suas bases sociais fizeram o país avançar politicamente como nenhuma outra força de esquerda havia logrado antes.

Seria sensato ignorar tal massa crítica e, por decreto, tal como fizeram tantos articulistas, falar em ciclo encerrado? Os críticos deveriam seguir as simplificações do discurso jornalístico ou buscar outros caminhos? Não seria mais correto tentar recompor a base de centro-esquerda do atual bloco de poder? Ao furor inquisitório não é prudente exercer a crítica dialética? Ainda mais quando sabíamos que, naquele estágio, a crise antecipou o processo sucessório. Um jornal não pode ser lido com o mesmo órgão que produz seus relatos: o fígado. Isso é elementar.

O oligarca e o publisher não estavam preocupados em apurar o “valerioduto” até as últimas conseqüências, muito menos financiamentos ilegais de campanha. Se o fizessem, veriam expostas suas próprias entranhas. O que o incomodava de fato, e acirrava seus ataques, eram números como os que o IBGE divulgou em meados de 2006. Dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) registravam recuperação do rendimento médio da população, em queda desde 1997. Não deu chamada em dobra superior.

O nível de ocupação atingiu 56,3%, o maior desde 1996. O Índice de Gini demonstrava queda na concentração de renda, com metade da população que ganhava os menores rendimentos obtendo ganho real de 3,2%.O melhor resultado nos últimos 24 anos. Adicionemos a isso o Bolsa-Família, programa de renda familiar básica, que atende a oito milhões de famílias. Notemos, ainda, que esse não era, como continua não sendo, um governo de esquerda, até por sua composição de origem. Por injunções várias, além do transformismo, não pôde assumir plenamente as velhas bandeiras. E, no entanto, desesperou, e ainda desespera, as forças conservadoras. Por que será?

A realidade mostrou como a persistência e o acirramento da crise levaram ao vazio político. Ocioso dizer quem pode dele se beneficiar. Basta lembrar quem lucrou com aumento de tiragem e/ou de audiência.

Aos lúcidos sobrou uma saída. Abandonar palavras de ordem vazias e adotar uma postura crítica. Bem distante do socialismo de salão. Bem longe dos distintos colunistas e seu público alvo: os inconformados da classe média que, perplexos e espumantes, vêem o país mudar, incorporando novos atores. Eis o filão ao qual se apegam Fernandos, Elianes, Mervais, Noblats, Doras e Josias. Uma trilha tão desgastada como repetida. Uma total ausência de plano de vôo.

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