segunda-feira, março 01, 2010

Os Jogos Olímpicos de Inverno e os malefícios da monopolização


Terminaram ontem os Jogos Olímpicos de Inverno, que foram realizados na cidade de Vancouver, no Canadá. Foram duas semanas em que pudemos acompanhar pela televisão uma série de atividades realizadas na neve, ou no gelo do inverno do hemisfério norte, enquanto aqui no Brasil, derretíamos de calor (no Rio de Janeiro, no período, foram registradas temperaturas acima de 40ºC, e sensação térmica ao redor de 50!).


Nós só pudemos acompanhar os Jogos Olímpicos de Inverno porque a TV Globo perdeu os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de Verão de Londres, em 2012, para a TV Record. Como a transmissão dos Jogos de Inverno fazia parte do pacote, a Record também os transmitiu.


Os Jogos Olímpicos de Inverno se realizam desde a década de 1920, e desde 1994 (em Lillehammer, Noruega) não ocorrem mais no mesmo ano dos Jogos Olímpicos de Verão. O Brasil envia delegação aos Jogos Olímpicos de Inverno desde 1992 (Albertville, França). Por enquanto, nossos atletas estão fazendo figuração, não tendo trazido nenhuma medalha dos Jogos de Inverno, o que faz algum sentido, uma vez que, como diz a canção de Jorge Ben, somos um país tropical. A neve que eventualmente cai em algum rincão isolado do sul do país não chega a se acumular, e ser suficiente para a prática das modalidades esportivas que tivemos oportunidade de assistir. Mas há atletas esforçados que se dirigem à Argentina e ao Chile, ou mesmo que se radicam em países frios do hemisfério norte, para a prática de esportes de inverno. E sobre países tropicais e Jogos Olímpicos de Inverno, quem não assistiu àquele simpático filme da Disney, “Jamaica Abaixo de Zero” (“Cool Runnings”, 1993)? O filme foi sobre a participação da heróica delegação jamaicana nos Jogos de 1988, em Calgary, no Canadá. Nestes Jogos de 2010, a cerimônia de abertura testemunhou a participação de delegações do Brasil, Peru, Colômbia, Portugal, México, e África do Sul, entre outros. E, claro, da Jamaica.


O fato de nossos atletas não serem competitivos o suficiente para trazerem medalhas não nos impede de apreciarmos os jogos. Muita gente gosta de assistir, por exemplo, à competição de patinação artística, mesmo sem ter um atleta em especial para torcer. Meu filho gosta de assistir jogos de hóquei no gelo, tanto pela rapidez das jogadas, quanto pela violência admitida nos jogos. E as descidas de esqui pelas montanhas são bem impressionantes.


Mas tudo isso estaria fora de nosso alcance se a TV Globo tivesse mantido seus direitos de transmissão. A TV Globo já foi praticamente um monopólio na televisão brasileira. Hoje sua parcela de mercado é menor, mas ela ainda age como se fosse um monopólio. No momento ela tem menos parcela de mercado do que tinha a vinte anos atrás, e a televisão aberta ocupa menor parcela relativa em nossos interesses. Sofre a competição da Internet e da televisão por assinatura entre outras coisas (DVD, videogame, …). E a TV Globo obviamente não teria interesse em transmitir os Jogos Olímpicos de Inverno, pois estes possivelmente lhe trariam menos audiência que os “produtos” que ela oferece em seu chamado horário nobre, que são as novelas e o Jornal Nacional. Assim tivemos transmissões pela TV Record, e pela sua subsidiária, a Record News. E pudemos acompanhar os Jogos de Inverno. Mas me pareceu que a melhor transmissão foi da SportTV, subsidiária da Rede Globo. Mas só para quem tivesse TV por assinatura.


Como este virtual monopólio foi quebrado, pudemos acompanhar os Jogos de Inverno. Para quem gosta, foram muito bons.


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terça-feira, novembro 17, 2009

TV deixa de ser item mais importante entre os jovens

TV deixa de ser item mais importante entre os jovens

A TV, o eletrodoméstico de maior penetração no país, já não é considerado o item mais importante do dia a dia para a população jovem (de até 34 anos), segundo resultado de pesquisa feita pelo Ibope sobre hábitos de consumo de meios de comunicação.
Para a faixa etária de dez a 17 anos,o computador com acesso a internet é o aparelho mais relevante (com 82% no ranking de prioridade), seguido pela TV (65%) e telefone celular (60%). Dos 18 aos 24 nos, o líder do ranking passa a ser o telefone celular (78%), com computador ligado à rede (72%) e TV (69%) em sequência, o que tem pequenas diferenças em relação ao próximo grupo, dos 25 aos 34: celular (81%), TV (73%) e computador (65%). Na média geral da população, a TV fica na liderança da pesquisa, com77% de preferência.
Para Dora Câmara, diretora comercial do Ibope, os resultados também são explicados por um processo de convergência: quanto mais jovem a população, maior é a capacidade de acomodar os meios de comunicação de forma simultânea.
"Metade dos jovens de 12 a 19 anos costuma acessar a internet enquanto veem TV ou ouvem rádio", diz.
Apesar disso, 82% dos 800 entrevistados preferem consumir um meio de cada vez. Dora brinca que, apesar da evolução dos meios, "o homem ainda é versão 1.0", o que de certa forma explica essa preferência. "Estamos cada vez mais midiáticos, mas isso não significa que abandonaremos os meios mais antigos. Apenas incorporamos os novos em nossa rotina", diz Dora.


Trecho da coluna Toda Mídia, na Folha de São Paulo, de 26 de outubro de 2009.


As emissoras de TV deveriam ficar preocupadas.


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sábado, agosto 01, 2009

Teles móveis usam Copa no Brasil para pressionar a Anatel

Teles móveis usam Copa no Brasil para pressionar a Anatel

Para evitar suposto colapso na rede durante o evento, as operadoras de celular reivindicam frequências da TV paga

Anatel duvida de panes, mas sinaliza repartição das frequências; disputa pode prejudicar o consumidor, segundo associação das TVs

JULIO WIZIACK
DA REPORTAGEM LOCAL

As teles móveis estão usando a Copa do Mundo, que acontecerá no Brasil em 2014, como forma de pressionar a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para antecipar a divisão das frequências hoje em posse das TVs pagas e evitar um suposto colapso nas redes de celular no país.
As frequências são as "avenidas" por onde as operadoras enviam seus sinais (voz e dados). Quanto mais "veículos" trafegam por elas, menor a velocidade e, no limite, é preciso que a Anatel libere mais "ruas" (frequências) para garantir a qualidade do serviço.
Representadas pela Acel, a associação do setor, as teles móveis afirmam que as TVs pagas dispõem de faixas ociosas de frequência e pedem uma repartição pela Anatel. Motivos: o número de assinantes da TV fechada é de cerca de 620 mil, ante os 158 milhões da telefonia celular, sendo que os usuários de internet pela rede móvel dobram a cada ano.
Ainda segundo a Acel, durante a Copa, essa rede corre o risco de entrar em colapso com o excesso de tráfego de dados se a distribuição das frequências não ocorrer logo. Em 2006, na Copa da Alemanha, a rede teve de suportar um tráfego de 15 trilhões de bites em telefonemas e acessos à internet por um mês -o equivalente a 100 milhões de livros enviados. No Brasil, estima-se que esse fluxo será pelo menos 30% maior.
"Com a chegada de jornalistas e representantes das delegações de diversos países, vamos ter problemas", diz Luiz Otávio Marcondes, diretor de assuntos regulatórios da Claro e integrante da Acel.
A TIM afirmou que será afetada antes disso, apenas com o tráfego nacional. Janilson Bezerra, gerente de infraestrutura da operadora, afirma que, em 2011, São Paulo será a primeira capital a enfrentar dificuldades. Segundo ele, 4,3 milhões de clientes da TIM na cidade navegarão abaixo de 500 Kbps se os clientes somarem 8,6 milhões. "Isso se não houver mais frequências." Bezerra não quis revelar quantos clientes a TIM tem em São Paulo.
Essa discussão ocorreu há cerca de 20 dias, em Brasília, durante um evento promovido pela GSM Association, que representa as principais companhias móveis do mundo. Metade dos participantes eram técnicos da Anatel, e as teles tentavam convencê-los da necessidade de dispor de 140 MHz das TVs pagas (que hoje detêm 190 MHz). Com isso, as móveis somariam 500 MHz, ainda 60% abaixo do que elas dizem precisar dispor até 2013, quando, ainda segundo elas, 90 milhões de brasileiros estarão conectados à internet móvel.

Tentativa de golpe
Alexandre Annenberg, presidente da ABTA, a associação das TVs pagas, considera essa manobra um "crime contra a concorrência". "Eles querem nos tirar da competição na banda larga e estão usando a Copa como pretexto", afirma Annenberg. "Esse é um evento previsto daqui a cinco anos, tempo que, comercialmente, as teles levariam para disponibilizar o 4G (quarta geração). O que elas querem é pressionar a agência para reservar já a frequência de 2,5 GHz [hoje utilizada pela TV paga] para o LTE [Long Term Evolution], tecnologia que o mundo está escolhendo para implementar o 4G," diz.
A ABTA defende a convivência no Brasil entre o LTE e o WiMax (tecnologia que permite a oferta de banda larga por micro-ondas, usadas pelas TVs pagas). Annenberg afirma que as TVs pagas só esperam a certificação dos equipamentos pela Anatel para oferecer o serviço pelas frequências que, segundo a Acel, estariam ociosas.
"É uma alternativa de baixo custo que poderia ampliar o número de competidores no mercado de banda larga, especialmente em regiões de difícil acesso," diz Annenberg. "No fundo, o que as teles querem é nos tirar desse negócio. A agência não pode permitir, porque isso fere a concorrência e prejudica o consumidor."
Segundo o gerente de Engenharia do Espectro da Anatel, Marcos de Souza Oliveira, há duas possibilidades em estudo. A primeira prevê a retirada de 80 MHz das TVs pagas, que seriam transferidos para duas operadoras móveis. Seria possível ainda destinar esse total a uma entidade independente, que repartiria essa frequência entre as operadoras a ela vinculadas. A decisão final sai até o final deste ano.
A Folha apurou com técnicos da Anatel que a agência duvida da possibilidade de um colapso nas redes das operadoras móveis. Para eles, se isso for verdade, significa que as teles não fizeram os investimentos que disseram à agência terem feito até o momento.

Notícia da Folha de São Paulo, de 14 de julho de 2009.

É um assunto de muito interesse para os consumidores.


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quarta-feira, março 04, 2009

Telefonia no Brasil está entre as mais caras

Telefonia no Brasil está entre as mais caras

País aparece entre os 40 últimos em ranking de comprometimento da renda com serviços fixo e móvel feito com 150 países

Na banda larga, Brasil ocupa o 77º lugar no ranking de preços; país cai para o 60º posto em índice que mede desenvolvimento no setor

MARCELO NINIO
DE GENEBRA

Os serviços de telefonia e internet no Brasil estão entre os mais caros no mundo, segundo um estudo que a ONU divulga hoje. No ranking de 150 países da UIT (União Internacional de Telecomunicações), o Brasil aparece entre os 40 em que o uso de telefones fixos e celulares consome a maior fatia da renda per capita.
O acesso à telefonia foi um dos critérios usados pela organização para elaborar o Índice de Desenvolvimento em Tecnologia de Informação e Comunicação, que avalia os avanços no setor entre 2002 e 2007. O Brasil caiu seis posições em relação ao índice anterior e agora ocupa o 60º lugar.
Tomando como referência o preço de um pacote básico, a UIT chegou à conclusão de que o uso do celular no Brasil é um dos mais caros, consumindo o equivalente a 7,5% da renda média per capita do país. Numa escala crescente de custo, o país ocupa a 114ª posição. A telefonia fixa morde uma fatia menor da renda do brasileiro (5,9%), mas também coloca o país entre os últimos, no 113º lugar.
Entre os mais baratos, empatam Hong Kong (China), Dinamarca e Cingapura, onde o uso do celular é responsável por só 0,1% da renda média. O contraste para o Brasil também é notável em relação a vizinhos como Argentina, onde a conta do celular é bem menor (2,5% da renda per capita).
A internet de banda larga, considerada pela UIT importante ferramenta para o desenvolvimento econômico, tem um preço elevado no Brasil. De acordo com o estudo, seu custo mensal equivale a 9,6% da renda média per capita brasileira.
Com isso, o Brasil fica em 77º lugar na escala de preços, posição intermediária no ranking de 150 países, mas abaixo dos demais membros do Bric, o grupo dos grandes emergentes: Rússia (37º), Índia (73º) e China (75º), onde o acesso à internet de banda larga custa proporcionalmente menos.
No índice geral de desenvolvimento, a UIT justifica a queda de seis posições do Brasil observando que houve pouco avanço nos três critérios utilizados: acesso, uso e capacidade.

Celular x fixo
O estudo da UIT registra verdadeira explosão no número de celulares no planeta, que no fim de 2008 atingiu a marca de 4 bilhões, mais de três vezes o de telefones fixos (1,3 bilhão).
"No mundo em desenvolvimento, os telefones celulares revolucionaram a telecomunicação e atingiram uma penetração de 61% no fim de 2008, contra quase zero, dez anos antes", afirma o relatório.
O Brasil é parte dessa revolução. Enquanto o número de linhas fixas caiu de 21,7 para 20,5 para cada cem brasileiros entre 2002 e 2007, o de celulares mais que triplicou no mesmo período, de 19,5 para 63,1.
No setor de internet, as cifras são mais modestas. De 2002 para 2007, o percentual de lares brasileiros com computador passou de 14,2% para 20,8%. O acesso à internet, que em 2002 estava em apenas 10,3% dos lares, em 2007 chegou a 15,4%.
O número ainda está longe dos do mundo desenvolvido, onde a média de lares conectados supera 70%. Ainda assim, no Bric, o Brasil só perde para a China, que pulou de 10,2% dos lares com computador em 2002 (5% com web) para 39,1% em 2007 (16,4% conectados).

Texto da Folha de São Paulo, de 2 de março de 2009.

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terça-feira, outubro 07, 2008

Câmara trava renovação de concessão de TV

Câmara trava renovação de concessão de TV

Estão parados desde 13 de agosto os processos de renovação das principais concessões de TV do país, vencidas há um ano. Naquela data, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados aprovou a realização de uma audiência pública para discutir os critérios de renovação.
Enquanto essa audiência não ocorrer, os processos não poderão prosseguir. A audiência ainda não foi marcada. Por causa das eleições municipais, só deverá ocorrer em novembro.
Estão vencidas desde 5 de outubro de 2007 as concessões da Globo em São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte e Recife, as da Band, Record, Gazeta e Cultura em São Paulo e mais dez TVs importantes.
A audiência pública foi pedida a deputados por entidades como a CUT e a ONG Intervozes, que no ano passado lideraram movimento por transparência nas concessões.
Serão chamados para a audiência na CCTCI representantes das emissoras, do Ministério das Comunicações e das entidades que pediram o evento.
A idéia dos líderes das entidades é cobrar das TVs, na audiência, um balanço sobre o cumprimento de artigos da Constituição, como o que prevê programação com "preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas", além de tentar comprometê-las com esses princípios para os próximos 15 anos.

Trecho da coluna Outro Canal, de Daniel Castro, na Folha de São Paulo, de 1º. de outubro de 2008.


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quinta-feira, junho 21, 2007

TV na Venezuela

O blog Na Periferia do Império informa que a TV estatal venezuelana, da "ditadura" de Hugo Chávez promoveu discussão entre estudantes a favor e contra o governo, mais os policiais encarregados da possível repressão às manifestações. Inclusive indicando linques, onde vídeos da discussão podem ser vistos (na verdade, este blogueiro teve grande dificuldade de entender o espanhol dos venezuelanos).
Possivelmente a TV estatal venezuelana está copiando as idéias da TV brasileira onde estudantes a favor e contra o governo estão continuamente debatendo, discutindo. As nossas televisões estão continuamente mostrando todos os lados e todas as opiniões a respeito da ocupação da USP.

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quinta-feira, junho 07, 2007

O Incrível Exército Blogoleone

A partir desta semana, por convite do Jean Scharlau, estou colaborando com o blog O Incrível Exército Blogoleone, junto com um monte de gente que já fazia parte do Sistema de Muvuca na Internet, o SIVUCA. Provavelmente toda esta gente está à minha esquerda politicamente, mas como fui convidado, estou lá. Confira!

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sábado, junho 02, 2007

RCTV

E para uma emissora "fechada", como desinformou parte da grande mídia brasileira, até que a RCTV vai muito bem.
Como sabia qualquer um que não tivesse tomado contato com o assunto através da grande mídia brasileira, a RCTV está distribuindo parte de sua programação pelo YouTube, é o que informa a Folha Online. A Folha Online é parte do conteúdo exclusivo do Universo Online - UOL, e pertence ao grupo de comunicações brasileiro que publica a Folha de São Paulo. E como desinformar é o que importa, a manchete da Folha Online avisa que a RCTV "dribla" Chávez e mantém transmissões via Internet.
Ou seja, até este blog anda informando melhor que a Folha Online, pois já havia sido noticiado aqui que a RCTV NÃO seria fechada, mas teria cassado o seu direito de emitir sua programação pelo espectro de ondas concedido pelo Governo Venezuelano.
Será que o Paulo Henrique Amorim tem razão quando chama a grande mídia brasileira de conservadora e golpista?

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O Senado Brasileiro e o Governo Chávez

E leio no Diário Gauche que a Comissão de Relações Exteriores do Senado enviou mensagem ao Governo Venezuelano pedindo reconsideração sobre a cassação da concessão da RCTV.
Com a sutileza que lhe é característica o presidente Chávez informou que era mais fácil ao Brasil voltar a ser colônia portuguesa, que o Governo Venezuelano rever a concessão da RCTV. E aí os nossos presidentes do Senado e da Câmara se sentiram ofendidos, e reclamaram, gerando uma pequena crise diplomática.
Me parece que a Comissão de Relações Exteriores do Senado não deveria dar palpites de questões administrativas da Venezuela. Talvez pudesse encaminhar algo aos representantes brasileiros no recém inaugurado Parlamento do Mercosul. Mesmo assim a questão é complicada.
Podemos lembrar que recentemente a autoridade federal de comunicação dos Estados Unidos advertiu fortemente uma rede de lá por exibir o mamilo de um seio da cantora Janet Jackson em um intervalo do jogo final do campeonato daquele futebol deles.
E será que o Governo dos Estados Unidos não poderia tirar do ar a rede ABC, por exemplo, se seus executivos tivessem se envolvidos em um golpe de estado por lá. Ou o governo da França não poderia tirar do ar o Canal Plus (emissora de TV francesa) se esta tentasse derrubar o presidente francês?
Como diz o velho ditado, "quem fala o que quer, se arrisca a ouvir o que não quer".

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quarta-feira, maio 30, 2007

Do RS Urgente: ZH Explica o Fechamento da RCTV

“Imagine se, de uma hora para a outra, você não pudesse mais ver os desenhos e as novelas de que gosta. Ou se sua mãe e seu pai não pudessem mais assistir ao jornal que curtem. Foi o que aconteceu na Venezuela. O presidente do país, Hugo Chávez, mandou desligar o maior canal de TV deles – chamado RCTV. Na noite de domingo, o programa que estava passando parou de aparecer na TV e entrou no lugar um novo programa, de um canal do governo. A empresa que comanda a RCTV diz que Chávez fez isso porque não gosta que falem mal dele. Por causa disso, Chávez acabou com um direito de todas as pessoas – de saber o que está acontecendo no seu país e no mundo. Agora, as outras TVs, os jornalistas, as rádios e os jornais da Venezuela estão com medo de que aconteça a mesma coisa com eles”.

Isto me faz lembrar Jabor citando Nelson Rodrigues, "eu só conheço duas coisas infinitas, o universo, e a estupidez humana, se bem que do universo eu tenho as minhas dúvidas".
No caso da Zero Hora explicando o caso da RCTV para crianças é difícil acreditar em tanta má fé. Deve ser muita estupidez mesmo.

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segunda-feira, maio 28, 2007

70% Desaprovam Retirada do Ar da RCTV na Venezuela

A grande mídia brasileira tem dito que 70% dos venezuelanos são contra a retirada do ar da RCTV. Pois um despacho da Reuters , publicados no UOL, qualifica esta maioria de venezuelanos a favor da continuação da televisão no ar. A maioria das pessoas que gostaria que a RCTV permanecesse no ar, gostaria que ela permanecesse no ar, por causa de suas novelas, e não por riscos à liberdade de expressão.
É mais ou menos, se o caso fosse aqui, e a concessão cassada fosse da Rede Globo, que o pessoal reclamasse porque ia ficar sem o Fábio Assunção e a Camila Pitanga na novela das 8, que passa às 9, e não porque ia ficar sem William Bonner e a Fátima Bernardes no Jornal Nacional. Como talvez dissesse o Tutty Vasques, faz sentido.
Mas se o problema é só este, o pessoal da RCTV pode continuar produzindo novelas e vender para um dos outros três canais privados que continuam existindo na Venezuela, ou para os dois canais estatais.

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domingo, maio 27, 2007

O Fim da RCTV

Hoje, à meia-noite, ou, se preferirem, a partir do primeiro minuto desta segunda-feira, será extinta a concessão da RCTV, a Rádio Caracas Television, uma das mais populares emissoras de televisão da Venezuela. A concessão venceu e o governo venezuelano não teve interesse em renovar a concessão.
Muitos falarão sobre liberdade de expressão, liberdade de imprensa, no limite vão falar até das centenas de profissionais desempregados. Mas a concessão é dada ou retirada pelo governo do país. O fato de comumente a concessão ser tomada como um bem privado, sujeito a todo tipo de negociação, não a torna um bem privado, é um bem do povo, gerenciado pelo governo, concedido para uso da iniciativa privada.
A RCTV ainda poderá existir, criar programas, transmitir sua programação via cabo, mas não poderá emitir sua programação pelo sinal de televisão aberto como fazia antes. Este espectro de ondas será utilizado por um novo canal estatal.

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sábado, maio 26, 2007

Tabus, Censura, Auto-Censura, ...

Deu no blog Periferia do Império -> Deu no The New York Times: primeira capa com foto de soldados norte-americanos feridos no Iraque. Como diz o Periferia do Império, parece surrealismo, mas é a realidade, só em 23 de maio passado, após três do primeiro ataque, três anos de ocupação, mais de 3.000 soldados americanos mortos, mais de 64.000 iraquianos mortos entre civis e militares, segundo o saite Iraq Body Count, um dos grandes jornais norte-americanos coloca em sua capa uma foto de um resultado de um ataque de resistentes iraquianos.
O que será que a Sociedade Interamericana de Imprensa, a SIP, que sempre está tão preocupada com a liberdade de imprensa na Venezuela, por exemplo, diria sobre isso?


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Piratas

E falando em rádio pirata, não dá para esquecer que há cerca de um mês atrás, o blog Dialógico, informou que algumas as concessões de algumas emissoras estavam vencidas. Entre elas a Rádio Gaúcha de ondas médias, desde 2003; a rádio Guaíba de ondas médias, também desde 2003; a Rádio Atlântida FM de Porto Alegre, desde 2005, entre outras. Confira no Dialógico.


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sexta-feira, maio 25, 2007

Diário Oficial do PSDB

Para conferir porque o jornal Folha de São Paulo é o diário oficial dos tucanos, confira o sítio do Luiz Carlos Azenha.

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sábado, maio 19, 2007

Negócios

"generally speaking, the business of the American people is business" ("geralmente falando, o negócio do povo americano são os negócios")

Frase atribuída ao presidente norte-americano Calvin Coolidge (governou entre 1923 e 1929).

O jornal Correio do Povo publicou domingo passado, 13 de maio de 2007, uma notícia a respeito de projeto de lei do deputado Carlos Eduardo Cadoca (PMDB-PE), com intuito de dispensar de visto de entrada no Brasil os cidadãos dos Estados Unidos. O projeto estaria sob análise das Comissões de Relações Exteriores e de Defesa nacional, e de Constituição e Justiça, com proposta de exame para terça-feira, dia 15. Esta proposta tem apoio das empresas de turismo e de órgãos públicos ligados ao turismo, segundo o jornal.
Há também uma declaração do presidente da Associação da Indústria de Hotéis do RS - ABIH, José Reinaldo Ritter, que a "liberação deste entrave burocrático facilitará o ingresso de turistas americanos no país, gerando mais recursos para o turismo e a hotelaria". E o jornal continua dizendo que o dirigente empresarial afirma que a reciprocidade existente poderia ser dispensada em favor de causas maiores (crescimento do turismo neste caso, com geração de empregos e entrada de divisas). A notícia afirma ainda que a liberação de vistos para brasileiros que vão aos Estados Unidos poderia vir numa etapa posterior.
Este blogueiro pesquisou o portal da Câmera dos Deputados, à procura do tal projeto e sua votação, mas não obteve sucesso. Não encontrou nenhum projeto de lei em análise que isentasse cidadãos dos Estados Unidos da necessidade de vistos para entrar no Brasil.
Contudo também é opinião deste blogueiro que o Congresso brasileiro não deveria passar projetos de lei que contrariem o princípio de reciprocidade que há muito tempo orienta a entrada de estrangeiros no Brasil. É uma maneira também de defender os interesses dos cidadãos brasileiros interessados em viajar ou migrar, de maneira que haja respeito no trato com estes viajantes. Ou seja, o interesse de uma pequena quantidade de empresários não pode prevalecer sobre o dos cidadãos em geral.
Quanto ao argumento que "a liberação de vistos para brasileiros que vão aos Estados Unidos poderia vir numa etapa posterior" é pura falácia. Os Estados Unidos estão procurando dificultar cada vez mais o acesso de estrangeiros ao seu território, incluindo o acesso de cidadãos dos países tidos como desenvolvidos. Ou seja, a menos que mude muito a política dos Estados Unidos para o acesso ao seu território, coisa que não parece visível no horizonte, ou mesmo além do horizonte, DE MANEIRA NENHUMA SERÁ FACILITADA A ENTRADA DE BRASILEIROS NOS ESTADOS UNIDOS!

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sexta-feira, maio 18, 2007

Manchetes Que Nunca Veremos (2): "83% da População Aprova o Governo Lula"

Esta seria uma manchete velha. São conclusões possíveis a partir daquela pesquisa CNT/Sensus divulgada há um mês atrás. Estou aproveitando o gancho do "post" anterior.
Neste caso, 83,8% é total dos entrevistados que consideram o governo Lula ótimo, bom ou regular. Como muitas escolas aprovam alunos com conceitos semelhantes a estes, está feita a associação.
Esta é muitas outras manchetes possíveis a partir daquela pesquisa são alvo de especulação do Luiz Carlos Azenha, em seu sítio, o Vi o Mundo.

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Manchetes Que Nunca Veremos (1): "Governo Yeda Expulsa Dell do Rio Grande"

Até porque para anunciar uma manchete assim, seria necessário distorcer bastante a verdade. Mas silenciosamente a montadora de computadores Dell implantou uma fábrica no estado de São Paulo, e deve transferir para lá a maior parte da sua operação brasileira. Segundo a empresa, lá ela estará próxima do principal mercado brasileiro, no próprio estado de São Paulo, e logisticamente bem posicionada, próxima ao aeroporto internacional de Viracopos, em Campinas.
Mas qual seria a manchete se tal evento acontecesse em um governo dirigido pelo PT?


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segunda-feira, maio 14, 2007

Mediação

Boa parte daquilo que apreendemos da realidade, boa parte do conhecimento que chega a nós e acrescenta à nossa experiência é intermediado pelos meios de comunicação de massa, a mídia. Mas esta intermediação usualmente não é neutra, como estes meios de comunicação gostariam de nos fazer acreditar. E muitas vezes quer ostensivamente dirigir nossa apreensão. A charge abaixo ilustra isto.

É possível ler um desenvolvimento maior do tema, no Diário Gauche.



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quarta-feira, abril 25, 2007

Do Observatório da Imprensa: Debate sobre Transgênicos

Edição 423 de 6/3/2007
www.observatoriodaimprensa.com.br
URL do artigo: www.observatoriodaimprensa.com.br

DEBATE EMPERRADO
Mídia omite decisões judiciais sobre transgênicos

Maurício Tuffani

Apesar do gancho oferecido pelo confronto entre a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) e o Greenpeace Brasil, a chamada grande imprensa brasileira não fez, ao longo dos últimos dez dias, referência alguma a uma importante reportagem veiculada pela revista norte-americana Science em sua edição de 23 de fevereiro: três tribunais federais dos Estados Unidos exigiram estudos de impacto ambiental para plantios experimentais de sementes transgênicas.

Não é o caso de desconhecimento geral da reportagem "U.S. Courts Say Transgenic Crops Need Tighter Scrutiny" [Cortes dos EUA afirmam que sementes transgênicas precisam de exame mais rigoroso] (Science 23/2/2007: Vol. 315. no. 5815, pág. 1069). Editada pela AAAS (American Association for the Advancemente of Science), a revista, que é semanal e se dedica especialmente à publicação de artigos de cientistas, mantém a seção de reportagens "News of the week", cujos textos são compreensíveis pelo público não-especializado.

Além do website da Science, a reportagem foi divulgada no Brasil, na quarta-feira (28/2) - dessa vez com o texto integral - para jornalistas, ambientalistas e especialistas em meio ambiente por e-mail do atento David Hathaway, da ONG AS-PTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa), ferrenha opositora dos transgênicos. Nem assim teve repercussão.

Plantios experimentais

Assinada pelo jornalista Dan Charles, a matéria comenta as decisões de cortes federais distritais em San Francisco, na Califórnia (12/2/2007), na capital Washington (5/2) e no Havaí (agosto de 2006), todas elas referentes a ações propostas pela organização não-governamental Center for Food Safety contra aprovações de plantios experimentais de sementes transgênicas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o ministério da agricultura do país).

A primeira sentença suspendeu a aprovação pelo USDA do plantio da alfafa Roundup Ready, desenvolvida pela Monsanto e pela Forage Genetics International, destinada a dar resistência ao herbicida glifosato. Em sua sentença, o juiz federal distrital Charles Breyer afirmou, segundo a reportagem, que o USDA violou o National Environmental Protection Act (Lei Nacional de Proteção Ambiental) por não ter exigido previamente estudo de impacto ambiental e que essa missão se agravara pelo fato de já existirem plantios de soja e de milho transgênicos resistentes ao glifosato.

Will Rostov, procurador da ONG e autor das três ações, qualificou a decisão como "mais um prego no caixão" da abordagem omissa do USDA em relação à regulamentação. O advogado Stanley Abramson, que trabalha para diversas empresas de biotecnologia, anunciou que vai recorrer das três decisões em cortes superiores.

O segundo veredicto, diz a matéria, anulou a aprovação do USDA de plantios em uma área de 163 hectares em Madras, no Oregon, de sementes para gramados (turf grass), e a terceira sentença referiu-se ao licenciamento pelo ministério de plantios, também experimentais, de variedades de cana-de-açúcar e de milho desenvolvidas para produzir fármacos "sem considerar as numerosas espécies ameaçadas do estado".

Equilíbrio e bom senso

Para quem vem acompanhando a questão dos alimentos transgênicos na mídia, não é estranha a omissão a essa reportagem, pois o tema se tornou uma guerra de desinformação. Com o perdão pela autocitação e pelo comodismo de não querer escrever a mesma coisa com outras palavras, quase nada mudou desde que eu disse quatro anos atrás, em outro artigo:

"Dependendo da fonte, o leitor, telespectador ou ouvinte estará convencido de que já está provado que os produtos transgênicos são inofensivos à saúde e ao meio ambiente, ou justamente do contrário; também estará convencido de que o Brasil pode `perder o bonde da História´ para impulsionar sua agricultura e ganhar mercados se não cultivar esses alimentos, ou de que o país poderá se beneficiar da preferência de consumidores europeus que rejeitam essa inovação da genética.

"Diversas metáforas e comparações têm sido usadas por ambos os lados: os contrários aos transgênicos sendo mostrados em pé de igualdade àqueles que em 1904 promoveram a grande revolta contra a vacina da varíola no Rio de Janeiro; e os favoráveis a esses alimentos comparados como os pesquisadores otimistas que apoiaram o uso do inseticida DDT, hoje proibido em vários países por seus efeitos danosos à saúde e ao meio ambiente." ("Os transgênicos e a guerra da desinformação", 13/4/2003, Boletim Galileu)

Raros têm sido na mídia os apelos ao bom senso e ao equilíbrio nesse tema. Raramente são publicadas reportagens ou artigos elaborados com consciência da complexidade que ele envolve, em seus aspectos científicos, ambientais, econômicos, sociais e até geopolíticos. Na contramão dessa tendência, a Folha de S.Paulo publicou no domingo (4/3), no caderno "Mais!", duas ótimas resenhas do seu colunista Marcelo Leite, que estão disponíveis na web no post "Transgênicos na estante", em seu blog Ciência em Dia.

Ausência de participação

Uma importante contribuição para um verdadeiro debate sobre os alimentos transgênicos no Brasil está disponível desde junho do ano passado. Trata-se do artigo "Transgênicos e percepção pública da ciência no Brasil" (Ambiente & Sociedade, vol.9, nº 1, Campinas, jan/jun 2006), de Julia S. Guivant, professora do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina e coordenadora do Núcleo em Sustentabilidade e Redes Agroalimentares (NISRA).

Em seu artigo, a pesquisadora da UFSC analisa diversas pesquisas sobre percepções de consumidores, produtores, cidadãos em relação ao uso de alimentos transgênicos, estabelecendo comparações entre as desenvolvidas no Brasil, na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos. Segundo ela, "a falta de pesquisas, o seu número limitadíssimo é aqui considerado uma evidência para caracterizar a trajetória da polêmica no Brasil, com uma significativa ausência de participação pública nos debates sobre transgênicos".

O artigo da professora Julia S. Guivant poderia pelo menos servir para arejar as cabeças dos chamados formadores de opinião.


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