domingo, agosto 05, 2007

Partidarização

O editorial do jornal Correio do Povo deste sábado passado, dia 4 de agosto, critica a partidarização em que foi transformado o acidente aéreo do dia 17 de julho, com o vôo JJ3054, da TAM. O jornal deplora que desde o início tenham se formado dois pólos em torno do acidente, um a favor do governo, e outro em torno da oposição, de maneira que o sofrimento humano decorrente da tragédia acabou ficando em segundo plano.
Curiosamente, ou invariavelmente, o jornal não aponta o papel da grande imprensa na tal partidarização. A grande imprensa jogou ao lado da candidatura tucana em 2006, e não reconheceu, nem o seu papel nas eleições, nem na sua própria derrota. Agora, fica procurando problemas para "sangrar" o governo federal, verbo que tem sido mais usado.
É isso aí.

Abaixo, cópia do editorial:

O VÔO CEGO DA CLASSE POLÍTICA


A guerra de versões que se estabeleceu no âmbito da comissão constitui um ônus indevido a ser suportado pelos familiares das vítimas e pela Nação, consternada com o trágico acontecimento. É de despertar incredulidade que um infortúnio dessa magnitude possa servir como pano de fundo de injunções partidárias, secundarizando o luto e a dor da perda.

Na apuração do episódio, estabeleceram-se dois pólos. Num está o governo, vendendo a versão de falha humana. Noutro, a oposição, buscando isentar os pilotos e atribuir o acidente a problemas mecânicos ou a defeitos na pista. A versão da falha humana é cômoda para o governo, pois retira total ou parcialmente sua responsabilidade objetiva no acidente, uma vez que é o encarregado da fiscalização das aeronaves e da infra-estrutura dos aeroportos. Por sua vez, a oposição, ao optar pela versão de defeitos no avião ou na pista, pode cobrar do governo suas ações preventivas, gerando-lhe um desgaste.

Desgraçadamente, as paixões políticas estão atropelando a apuração técnica. Quem é do ramo sabe que leva meses para uma investigação responsável e, mesmo assim, não obstante feita por órgãos e autoridades com conhecimentos especializados, nem sempre se pode apontar uma única causa. Por isso, é pura irresponsabilidade dos congressistas o aventamento de meras hipóteses apenas porque elas lhes são favoráveis do ponto de vista partidário ou político.

A maneira como o Congresso e o governo vêm tratando a questão do acidente aéreo com o avião da TAM tem causado desconforto e desconfiança em organismos internacionais. Há, inclusive, possibilidade de sanções virem a ser aplicadas ao país por conta da conduta verificada por órgãos públicos com atribuições na área e por parlamentares. É de se lamentar que o que deveria ser uma oportunidade de se tomarem medidas preventivas, para evitar que outros brasileiros paguem com a vida a inércia no gerenciamento, sirva para movimentar interesses escusos, com motivações menores, num vale-tudo sensacionalista.

Marcadores: , , ,

segunda-feira, julho 23, 2007

ACM - 1

- E aí, viste que morreu o ACM?
- Sim, vi...
- E?...
- Bom, o que posso dizer a princípio é que fico mais feliz do que triste.
- Por que?
- Bom, acho que vou escrever sobre isto no meu blog. Se eu fosse falar agora, daqui a pouco tu ias dizer que é muito blá, blá, blá.

(Isto é apenas uma primeira nota sobre a recente morte do senador da república e cacique político baiano [em 20/07/2007])

Marcadores: , , , ,

domingo, julho 22, 2007

Marco Aurélio Garcia

Vale qualquer coisa para tentar atingir o presidente Lula, até se escandalizar com um gesto supostamente obsceno do assessor da presidência Marco Aurélio Garcia, captado sorrateiramente enquanto este assistia ao Jornal Nacional em seu gabinete.
Interpretaram que com o tal gesto o assessor dizia que a empresa aérea é que iria, vamos dizer assim, se dar mal. Acho que não. Embora eu não possa falar pelo assessor, acho que foi algo como um desabafo, e acho que ele se referia àqueles que estão tentando a todo custo , digamos de novo, fazer o governo se dar mal, com a tragédia acontecida em Congonhas esta semana.

Abaixo, o fradim, personagem do Henfil, que gostava de usar o tal gesto obsceno, pescado via Diário Gauche.

Marcadores: , , , , , , , ,

quinta-feira, julho 19, 2007

O Recente Desastre Aéreo e a Política

O desastre desta semana com o vôo JJ3054 da TAM, em Guarulhos gerou muito calor na Internet. E também fora dela.
Um conhecido meu tão logo me viu, tratou de culpar o governo federal, pois segundo ele, um depoimento de um superintendente da Infraero teria dito que a reforma da pista de Congonhas não havia sido finalizada como deveria, pois foi apressada "por pressões políticas". Meu conhecido é um anti-petista de carteirinha. Foi militante do PDT, e sabe (eu acho que ele reconhece) que o PT cresceu em Porto Alegre, em boa parte, ocupante parte do espectro político que o PDT ocupava. Ele mesmo já me disse que o PT, isso antes da presidência Lula, parecia muito com o antigo PTB, aquele que existiu de 1946 a 1964, até ser extinto pelo governo militar.
Mas várias pessoas culparam o governo federal pelo acidente (veja uma crítica a um colunista da Folha de São Paulo, por exemplo, no sítio do Paulo Henrique Amorim, o Conversa Afiada, e outra no Blog Entrelinhas). Pode até ser que de fato o governo federal de fato tenha sido culpado, mas vamos aguardar as investigações. Pode ter sido falha humana (dos pilotos), pode ter sido avaria na eletrônica do avião, há mais de uma hipótese. Por isso a investigação precisa acontecer.
A revista Veja, não sei se na semana passada, ou na anterior já denunciava que Congonhas operava acima do seu limite, mas nem por isso levantou a hipótese de fechar o aeroporto. Ao contrário do que eu esperaria da Veja, ela forneceu até conselhos para aliviar o tráfego do Congonhas. Dirigir mais vôos para Guarulhos e Viracopos, dirigir parte do tráfego internacional para o Galeão-Tom Jobim que está operando atualmente abaixo de sua capacidade.
Enfim, vamos aguardar.

Marcadores: , ,

sábado, junho 02, 2007

Greve dos Municipários de Porto Alegre

Hoje houve nova passeata dos municipários de Porto Alegre, que estão em greve há alguns dias. Passaram fazendo barulho e congestionando o trânsito na Avenida Siqueira Campos, no final da tarde.
Li recentemente em outro blog, um texto atribuído ao jornalista Políbio Braga, cujo título é "A Greve dos Municipários de Porto Alegre é Política". E comentei, respondendo a outro comentário, sobre uma outra nota aqui no blog sobre a greve dos municipários, que toda greve que envolva entes estatais é, pelo menos em parte, política. Assim dizer que a greve dos municipários é política, é mais ou menos como dizer que colorado não pode torcer para o Grêmio, isto é, uma coisa relativamente óbvia. Acredito que o Políbio Braga queira dizer que o PT é que é o responsável pela greve, visando as eleições do ano que vem. Pode até ser verdade. Com a palavra as lideranças dos municipários. Mas, se for verdade que a greve seja instrumentalizada pelo PT, eu diria que é mérito do partido, que se torna importante para os grevistas, e que consegue impedir greves quando administra a prefeitura. E é sinal que os outros partidos fracassam nisso.
Se não for verdade a minha ilação, a partir do texto do Políbio, eu estou dando uma baita bola fora.
Se for verdade a minha ilação, mas falso que os municipários estejam sendo instrumentalizados pelo PT, aí é o Políbio que está dando "uma barrigada" no jargão jornalístico.
E não dá para esquecer que o próprio Políbio é um ente político bastante ativo aqui na capital. Ele faz parte desta amorfa frente anti-petista que existe na política gaúcha. E já foi secretário do ex-prefeito Collares na década de 1980.

Marcadores: , , , ,

quinta-feira, maio 31, 2007

Paulo Santana Comenta Renan Calheiros: O Azar do Senador

O texto abaixo foi publicado no jornal Zero Hora, de terça-feira, dia 29 de maio. Soube dele por um colega de serviço. Pela fineza do texto, acho que vale a pena copiá-lo aqui.

O azar do senador

Ontem, fiquei penalizado com o senador Renan Calheiros (PMDB), presidente do Senado.

No seu discurso de explicações por se ter envolvido na Operação Navalha, ele disse que entregava o dinheiro para pagamento de uma pensão alimentícia de seu encargo para um lobista de uma construtora por entender que era uma maneira discretíssima para tratar de uma questão pessoal de delicada privacidade.

Então o senador mandava dinheiro para a empreiteira todos os meses. E o lobista da empreiteira que ergue obras para o governo, Cláudio Gontijo, repassava o envelope com os R$ 16 mil para a jornalista com quem o senador tivera uma filha.

Era tudo muito discreto. Como o senador queria.

***

Apesar de que seria muito mais discreto que o senador todos os meses passasse um cheque e o depositasse na conta da mãe de sua filha.

Só que a Polícia Federal (ou a revista Veja) monitorava todos os meses a entrega do dinheiro à pensionista no recinto da empreiteira.

***

Eu fiquei com compaixão do senador Renan Calheiros porque é a primeira vez na história da República que um mensalão tem origem num bolso de político. O dinheiro era da propriedade do senador.

E ineditamente acontecia o contrário da rotina: o político entregava o dinheiro todos os meses para a empreiteira.

O usual é a empreiteira entregar dinheiro para políticos, como parte do superfaturamento de obras.

É completamente inusual o que acontecia com o senador Renan Calheiros: ele mandava dinheiro para a empreiteira.

Diga-se a bem da verdade que o lobista da empreiteira, Cláudio Gontijo, confessou que repassava todos os meses o dinheiro para a mãe da filha do senador, a administradora da pensão alimentícia.

Eu fiquei com pena do senador Renan Calheiros porque ele tinha de prestar a pena perpétua da pensão alimentícia, mensalmente, mandando dinheiro para uma empreiteira.

As empreiteiras que fazem obras para o governo, freqüentemente superfaturam essas obras. E não raro dotam de propinas os políticos que facilitam esse superfaturamento e a entrega incompleta e defeituosa das obras.

Pois no caso do senador Renan Calheiros, foi o contrário: ele teve um azar homérico, o amigo dele, a única pessoa em que ele confiava para entregar o dinheiro de forma discreta para a pensionista era, por acaso, lobista de uma empreiteira.

***

Por isso me penalizou o senador. Um senador mandando dinheiro todos os meses para uma empreiteira, realmente, é um ato surpreendente.

Mas que azar do senador, o dinheiro era repassado todos os meses para a pensionista, num envelope, no recinto da empreiteira, conforme confessou o lobista da empreiteira. E justamente a acusação contra o senador surgiu na revista Veja no auge da empreiteira Gautama sendo flagrada na propinagem a políticos.

Que azar do senador.

Estou para dizer que o único dinheiro que entrou no recinto daquela empreiteira em todos os tempos, que não era proveniente de obras, foi esse dinheiro por dezenas de meses enviado pelo senador.

É muito azar do senador. E embora todo o país tivesse acreditado ontem no senador, me restou uma pena pelo azar dele.

Logo nesta hora grave, mandar dinheiro vivo para empreiteira, em vez de enviá-lo por cheque pelo banco, foi muito azar do senador.

E o cúmulo do azar do senador: nem a revista Veja nem a Polícia Federal monitoraram a entrega em dezenas de meses do dinheiro pelo senador ao lobista da empreiteira.

É muito azar do senador.

http://www.clicrbs.com.br/jornais/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&edition=7838&template=&start=1§ion=Colunas+e+Charges&source=a1515829.xml&channel=9&id=&titanterior=&content=&menu=23&themeid=§ionid=&suppid=&fromdate=&todate=&modovisual=

Marcadores: , , , ,

Tucanos e Privatização

Pois o Blog Entrelinhas informa que o governador José Serra está se preparando para privatizar mais quatro rodovias estaduais de São Paulo. Então, relembra o Luís Magalhães, editor do blog, não fazia sentido os tucanos reclamarem que Lula mentia, quando dizia que Alckmin, se eleito, privatizaria Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobrás.

Marcadores: , , , , , , ,

segunda-feira, maio 28, 2007

Renan Calheiros

O senador Renan Calheiros está aí, jogado às feras.
A revista Veja, ao investir contra o senador, coloca a questão se o senador não estaria utilizando dinheiro ilícito para sustentar uma filha que gerou fora de seu casamento. Pela reportagem, é uma menina, atualmente com 3 anos de idade. E a reportagem indica o nome da mãe: Mônica Veloso, pelo que foi dito, ex-apresentadora da emissora local (de Brasília) da TV Globo.
Seria o caso de perguntar por quê a revista não fez uma reportagem parecida com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Talvez no caso do ex-presidente, a redação da revista tenha chegado à conclusão que este era uma assunto da vida privada do ex-presidente. E que ele tinha recursos para sustentar o menino. É curioso, este blogueiro teve condições de perguntar a pelo menos cinco pessoas se elas sabiam que o ex-presidente tinha um filho fora do casamento com Dona Ruth. Nenhuma sabia. Pois é. O ex-presidente, então senador da república, gerou um filho em 1991, com a também jornalista Miriam Dutra. Quem publicou algo sobre este menino (sim, é um menino) foi a revista Caros Amigos, uma revista que não faz parte da nossa imprensa grande, e com posições políticas contrárias às do ex-presidente. Também o ator e produtor Juca de Oliveira levantou a lebre, em uma das peças que ele produziu e em que atuou nos anos 1990. Lá pelas tantas, a personagem de Juca, um senador da república corrupto, levanta a voz para dizer algo como "eles não falam nada do filho do Fernando Henrique...".
Com o rolo todo em volta do senador Renan Calheiros, sabemos que ele assumiu a paternidade desta sua filha. Sobre Fernando Henrique, não sabemos.

Marcadores: , , , , ,

sábado, maio 26, 2007

Alckmin, Serra, ...

O "post" anterior falou do ex-governador Geraldo "Choque de Gestão" Alckmin. E se fala que talvez os aliados de José Serra estejam interessados em minar a imagem do governo anterior.
Alguns dos comentaristas políticos simpáticos a Serra, quando ele se candidatou, e posteriormente se elegeu governador, que ele teria condições, como governador do estado mais desenvolvido economicamente no país, de mostrar ao restante do país do que ele seria capaz como administrador, e de chegar como um candidato imbatível nas eleições presidenciais de 2010. Está certo que só se passaram cinco meses desde a posse, mas ainda não foi possível ver a eficácia do potencial administrador que o governador José Serra pode ser. A propósito, vale lembrar que José Serra se elegeu prefeito em 2004, dizendo que governaria a prefeitura de São Paulo pelo mandato completo, e rompeu a palavra empenhada para se eleger governador. Talvez agora, o governador José Serra não pareça ser o administrador que seus aliados esperavam que fosse, porque imagina, como gosta de brincar o jornalista Paulo Henrique Amorim, que José Serra já é o presidente eleito, faltando apenas acontecer a posse, em 2010.
O Paulo Henrique Amorim espinafra o governador José Serra, em alguns textos, no seu saite, como "Cadê o Governador?" , ou "O Jeito Serra de Governar" . Vale a pena conferir.

Marcadores: , , , , , , ,

Do que Nos Livramos Elegendo Lula

Esta é mais uma notícia meio velhinha, de 18 de maio passado, mais que continua repicando em minha cabeça, então vamos comentá-la.
No blog Entrelinhas, o jornalista Luiz Antônio Magalhães comenta editoriais nos dois maiores jornais de São Paulo, a Folha e o Estadão, em que ambos comentam que o investimento feito durante 15 anos, no valor de R$ 1,5 bilhão de reais, com ajuda de bancos internacionais para despoluição do rio Tietê, de nada adiantou, e que o nível de poluição atual é semelhante ao do início dos anos 1990. Magalhães comenta também duas coisas interessantes. O governo de José Serra não contestou os editoriais. Os jornais culpam a população, e não o governo estadual pela poluição do rio.
O "post" comenta ainda como o Governo José Serra está lidando com a herança de seu antecessor, do mesmo partido, e ex-candidato à presidência Geraldo "Choque de Gestão" Alckmin. "Na segurança, os dados eram falsos e hoje sabe-se que havia muito mais assalto a banco do que o antigo governo registrava; a linha 4 do Metrô vinha sendo feita na base das gambiarras, em uma irresponsabilidade que culminou na tragédia da rua Capri; na Educação, a "aprovação continuada" já foi logo descontinuada pela equipe de Serra. Na verdade, difícil mesmo é achar um setor em que houve continuidade em relação ao que vinha sendo feito no governo anterior.", escreve ele, finalizando com "essa estranha relação entre Serra e Alckmin ainda vai dar muito o que falar..." .

Para ver o texto completo, visite o Blog Entrelinhas.

Marcadores: , , , , ,

sexta-feira, maio 25, 2007

Diário Oficial do PSDB

Para conferir porque o jornal Folha de São Paulo é o diário oficial dos tucanos, confira o sítio do Luiz Carlos Azenha.

Marcadores: , , , , , , , ,

sexta-feira, maio 18, 2007

Jornalistas Processam Político

Nota rápida publicada hoje, 17 de maio, no jornal Correio do Povo: o ex-governador e ex-candidato a presidente da república Anthony Garotinho foi condenado pela Justiça a indenizar os jornalistas Paulo Motta e Maia Menezes, do jornal O Globo. Os jornalistas acionaram o ex-governador acusando-o de perseguidor, ofensivo e calunioso, quando ele lançou acusações contra os jornalistas, por meio de programas que rádio, quando os jornalistas lançaram reportagens denunciando problemas nos programas sociais do governo do Estado do Rio de Janeiro, quando Garotinho era governador. Segundo a nota do Correio do Povo, o ex-governador deve pagar uma indenização de 35 mil reais para cada jornalista, mais correções.
Ou seja, jornalistas podem processar políticos.

Marcadores: , , ,

Manchetes Que Nunca Veremos (2): "83% da População Aprova o Governo Lula"

Esta seria uma manchete velha. São conclusões possíveis a partir daquela pesquisa CNT/Sensus divulgada há um mês atrás. Estou aproveitando o gancho do "post" anterior.
Neste caso, 83,8% é total dos entrevistados que consideram o governo Lula ótimo, bom ou regular. Como muitas escolas aprovam alunos com conceitos semelhantes a estes, está feita a associação.
Esta é muitas outras manchetes possíveis a partir daquela pesquisa são alvo de especulação do Luiz Carlos Azenha, em seu sítio, o Vi o Mundo.

Marcadores: , , , , , , ,

Manchetes Que Nunca Veremos (1): "Governo Yeda Expulsa Dell do Rio Grande"

Até porque para anunciar uma manchete assim, seria necessário distorcer bastante a verdade. Mas silenciosamente a montadora de computadores Dell implantou uma fábrica no estado de São Paulo, e deve transferir para lá a maior parte da sua operação brasileira. Segundo a empresa, lá ela estará próxima do principal mercado brasileiro, no próprio estado de São Paulo, e logisticamente bem posicionada, próxima ao aeroporto internacional de Viracopos, em Campinas.
Mas qual seria a manchete se tal evento acontecesse em um governo dirigido pelo PT?


Marcadores: , , , , , , ,

terça-feira, maio 08, 2007

Homem-Aranha 3 - Softpower e Hardpower

E a propósito do Homem-Aranha, há um momento em que o super-herói fica, por uma fração de segundos, em frente a uma imensa bandeira dos Estados Unidos. Esta fração de segundo com o Homem-Aranha e o pavilhão estadunidense juntos seria um exemplo bem acabado do antigo poder de sedução que os Estados Unidos ofereciam para o mundo. Não que este poder de sedução tenha acabado, pois como diz um professor meu, nós continuamos em grande parte a assistir filmes produzidos por Hollywood; ouvir ou dançar, ou ambas as coisas, "rock 'n roll" (talvez o meu professou escrevesse roquinrol, ou roquinrou...), e vestir calças "jeans" e camisetas de algodão (esta maneira de vestir começou a ser propagada no final dos anos 1950, e como? pelos filmes de Hollywood!) .
O cientista político, e antigo assessor do Governo Federal dos Estados Unidos, Joseph Nye, afirma em seus livros que os Estados Unidos são a maior superpotência que existe atualmente, mas que para manter esta liderança, o país precisa utilizar ao máximo o "softpower", isto é, chamar outros países para parcerias, colaboração, desenvolvimento conjunto, e usar o mínimo de "hardpower", ou seja, intervenções militares puras e simples, intimidações, acusações e outros que tais. Eu certamente concordo com ele em muito do que diz.
E é justamente isto que parece tornar a exibição do pavilhão estadunidense em um filme algo anacrônico para a assistência que não seja cidadã dos Estados Unidos. Se em algum momento, a bandeira dos Estados Unidos esteve ligada a sistemas legais, busca por justiça, etc, desde a invasão do Iraque, e da criação do campo de detenção de Guantánamo, isto se desvaneceu. A invasão do Iraque foi baseada em falsos argumentos, e os detidos em Guantánamo vivem num limbo legal (casualmente quando o Papa Bento XVI encaminha a Igreja Católica para apagar qualquer tradição ligada ao limbo, aquele lugar para onde, segundo alguns, iriam as crianças que morrem sem consciência do pecado humano, mas também sem batismo. Ao renunciar a esta tradição o Papa se aproxima do senso comum da crença das igrejas protestantes em matéria de destino de crianças após a morte. Mas isto talvez seja assunto para um outro "post"), e lá estão detidos, alguns há sete anos, sem julgamento e condenações formais, porque o Departamento de Justiça resolveu rotulá-los de "combatentes inimigos ilegais". E recentemente o Departamento de Justiça encaminhou pedido ao judiciário para restringir o acesso de advogados aos detidos em Guantánamo, limitando o número de visitas, tendo acesso à correspondência trocada entre detidos e advogados, e restringindo o acesso a evidências que possam ser usadas como peças de acusação.
Pobre bandeira norte-americana. Pobre Homem-Aranha. Podiam não pagar este mico.
Talvez o diretor devesse ter duas versões para o filme. Uma com a cena para o público interno (para aqueles que acreditam de todo o coração que o país ainda representa justiça para o mundo. Ainda há pessoas que percebem que o país está perdendo, perdeu credibilidade com o governo Walker Bush.), e uma sem a cena para o resto do mundo. O Homem-Aranha vai salvar Nova York, mas não precisa do pavilhão para lhe fazer companhia naquela hora...

Marcadores: , , , , , , , , ,