quarta-feira, dezembro 22, 2010

NYT Censurado

"NYT" censurado

O "Wall Street Journal" deu primeiro e depois o "NYT" publicou nota, sem destaque, "Força Aérea bloqueia sites que postaram despachos secretos". No texto, informa-se que, ao lado de "Guardian", "Le Monde" e outros 25, um dos sites censurados pelos militares americanos foi o do próprio "NYT". Repercutiu com mais destaque no estatal "China Daily", "Força Aérea bloqueia "NYT'".



“Freedom at land of free”, ou “liberdade na terra do livre”, como talvez dissesse o outro...

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terça-feira, novembro 09, 2010

O negócio da mídia e a sociedade

QUEM FISCALIZA O FISCAL?

Paulo Nogueira, do blog Diário do centro do mundo

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/

Há, na Inglaterra, uma guerra fria entre os políticos e os jornalistas que cobrem política. Os políticos entendem que os jornalistas não receberam mandato da sociedade – votos, em suma – que lhes dê legimitidade nos comentários ou nos debates.

Em seu bom livro sobre jornalismo, My Trade, ou Meu Ofício, Andrew Marr, editor de política da BBC, detém-se longamente nesta discussão. Há alguma coisa nela, feitas as devidas adaptações, que vale para o Brasil.

Quais os limites do jornalismo e dos jornalistas?

Vejamos a Folha de S. Paulo, por exemplo. Ela procura se colocar, em editoriais e em publicidade, como uma espécie de fiscal sagrado dos governos. Tudo bem. Mas é preciso não perder de vista que ela não recebeu essa incumbência da sociedade.

o foi votada. Não foi eleita.

Fora isso, existe fiscal que não é fiscalizado?

Jornalismo é, como todos os outros, um negócio. Em geral, quem investe em jornalismo não está atrás de dinheiro. Os lucros não costumam ser grandes. O que o jornalismo dá é prestígio, influência. Empresários interessados em recompensas mais palpáveis fazem suas apostas em outras áreas. No começo da década de 2000, quando a internet já desaconselhava investimentos em papel no Reino Unido, um empresário russo comprou o jornal inglês The Evening Standard, em grave crise financeira, examente por isso: para ganhar respeitabilidade.

É um jogo antigo.

Na biografia semioficial de Octavio Frias de Oliveira, está publicado um episódio revelador. Nabantino, o antigo dono da Folha, estava desencantado porque se julgara traído pelos jornalistas que fizeram a greve de 1961. (Meu pai era um deles.) Decidiu vender o jornal. Um amigo comum de Nabantino e Frias sugeriu que ele comprasse. “Dinheiro você já tem da granja”, ele disse. “O jornal vai dar prestígio a você.” Na biografia, a coleção de fotos de Frias ao lado de personalidades mostra que o objetivo foi completamente alcançado. Um granjeiro não estaria em nenhuma daquelas fotos.

Sendo um negócio, o jornalismo não está acima do bem e do mal. É natural que prevaleçam, nele, as razões de empresa. Essas razões podem coincidir com as razões nacionais – ou não. Observe o mais carismático – não necessariamente o melhor ou mais escrupuloso – empresário de jornalismo da história do Brasil, Roberto Marinho, da Globo. Quem garante que o que era melhor para ele era o melhor para o país? Roberto Marinho era tão magnânimo a ponto de pôr os interesses nacionais à frente dos pessoais?

Como a sociedade não elegeu empresas jornalísticas, seus donos não têm que dar satisfação a ninguém sobre coisas como o uso dão ao dinheiro que retiram. Se decidem vender o negócio, nada os impede. Essa é a parte boa de você não ter um vínculo ou uma delegação direta da sociedade. Não existem amarras burocráticas para seus movimentos. Mas você não pode ficar com a parte boa e dispensar a outra – a que não lhe garante tratamento privilegiado apenas por ser da imprensa. Liberdade de expressão não é um conceito que tenha valor em si e sim dentro de um contexto. Na Inglaterra, você não pode publicar um artigo que exalte o terror islâmico, por exemplo. Mesmo no célebre Speaker’s Corner – o canto no Hyde Park tradicional por abrigar qualquer tipo de manifestação de gente que suba num caixote ou numa escada – se você louvar Bin Laden é preso assim que pisar no chão.

No Reino Unido, a mídia é acompanhada, como toda indústria. Há, por exemplo, um órgão regulador independente para a tevê e para o rádio, o Ofcom. A independência é vital. Se o Ofcom fosse manipulado por interesses políticos, seria um problema e não uma solução. Também não prestaria para nada se fosse controlado pelas próprias emissoras. Em poucas atividades há tanta autocomplacência como na auto-regulamentação. Outro fator relevante no acompanhamento da mídia entre os britânicos é a existência de grupos de pressão como o Mediawatcher, uma associação de espectadores que esperneia sempre que acha oportuno.

É curioso que não haja nada desse tipo no Brasil. As pressões do público são desogarnizadas, como vimos, por exemplo, no movimento que sugeriu a Galvão Bueno calar a boca.

Jornalismo é um negócio como todo outro. Apenas, em vez de vender sabão, você vende notícias e análises. Isso dá prestígio – mas não pode dar imunidade. Um modelo de acompanhamento semelhante ao britânico – em que não exista manipulação política do governo, como acontece em ditaduras – seria um avanço para o Brasil. Não se pode confundir acompanhamento com censura: os brasileiros ainda têm clara na memória a agressão ao noticiário sofrida na ditadura militar, e sabem o que aconteceu em países como a Rússia. Mas nada disso pode servir de impedimento para uma discussão adulta que eventualmente conduza da auto-regulamentação para uma regulamentação independente nos moldes da britânica.

Há dois grandes desafios aí. Um é vencer a resistência da mídia em sair da área de conforto da auto-regulamentação. Devem prevalecer aí não os interesses particulares e sim os do país. O outro é neutralizar a tentação dos governo de tomar a si um acompanhamento que só faz sentido se for genuinamente independente.


Visto no blog do Luís Nassif.

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terça-feira, junho 15, 2010

Marcha da Maconha e Estado de Exceção

Marcha da Maconha e Estado de exceção


JÚLIO DELMANTO

Sob a acusação de apologia ao crime, a Marcha da Maconha foi proibida pelo terceiro ano consecutivo na cidade de São Paulo.
Após negociação com a polícia, os manifestantes puderam marchar, mas, em nome da liberdade de expressão, sem pronunciar palavras ou mostrar cartazes relativos à legalização da maconha. O evento tem mais importância do que parece, pois nos explica muito sobre nossas Justiça e sociedade.
A Marcha da Maconha se organiza em mais de 300 cidades no mundo, sendo que, no Brasil, estava programada para acontecer em pelo menos 12. Somente São Paulo e Fortaleza a proibiram, sob a frágil acusação supracitada.
No Código Penal, apologia ao crime se caracteriza por defesa de fato criminoso ou de criminoso condenado. Não é esse o caso da manifestação em questão, que defende mudanças na lei para que plantio, comércio e consumo de maconha deixem de ser crime.
Nos últimos 40 anos, somente os EUA gastaram cerca de US$ 1 trilhão na chamada "guerra às drogas". Os resultados dessa estratégia global são pífios no combate ao uso e abuso dessas substâncias.
A proibição traz uma série de efeitos danosos, desde a intervenção estatal sobre condutas privadas até a violência do crime e do próprio Estado, passando por corrupção e encarceramento em massa.
Mas o mandado de segurança impetrado no final do expediente de uma sexta-feira por promotores de São Paulo e prontamente acolhido pelo desembargador Sérgio Ribas, sem tempo para defesa, aponta que a marcha é "um atentado contra a sociedade ordeira", uma vez que incita prática criminosa por meio da "balbúrdia social".
Em nome da ordem, contraria-se o artigo 5º da Constituição, que salvaguarda a livre expressão e a livre manifestação. Em nome da ordem, contraria-se a lei.
Um bom conceito para refletir sobre a atual conjuntura é o de "Estado de exceção". Tradicionalmente invocada como suspensão de direitos num período crítico, a exceção hoje é a regra, caracterizada por uma lei maleável, aplicada seletivamente, e que faz cidadãos abrirem mão de parte de seus direitos em nome de uma democracia maior que nunca chega.
Nas palavras de Giorgio Agamben, é a lei fora dela mesma. Num ambiente em que "perigosos" inimigos são forjados e superestimados de forma a nublar os verdadeiros problemas sociais, torna-se legítima uma política de guerra que se pauta pelo extermínio desses inimigos, hipotecando-se, nesse processo, preceitos básicos do convívio democrático, como o direito de defesa, e leis que se apliquem a todos.
O historiador Carlo Ginzburg cita a existência de um grupo europeu de intelectuais no século 17 chamado "Libertinos Eruditos", que caracterizava a religião como uma mentira útil, sem a qual se desestruturariam as relações sociais.
A proibição das drogas é uma mentira útil a uma certa ordem, que se crê não só imutável como inquestionável. Se queremos uma democracia de fato, não só o caráter mentiroso do proibicionismo deve ser questionado como também a que ele tem sido útil.


JÚLIO DELMANTO, 24, é jornalista, mestrando em História Social pela USP. Participa dos coletivos antiproibicionistas Desentorpecendo a Razão (DAR) e Marcha da Maconha.

Este texto foi publicado na Folha de São Paulo, de 9 de junho de 2010.



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terça-feira, maio 04, 2010

Homem é preso após pregar na rua que homossexualismo é pecado


Um pregador britânico foi preso depois de ter dito durante sermão na rua que homossexualismo é um pecado.

Dale McAlpine foi acusado de causar "alarme, intimidação e angústia" depois que um policial comunitário ouviu o pastor batista mencionar vários "pecados" citados na Bíblia, inclusive blasfêmia, embriaguez e relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, de acordo com o jornal britânico The Daily Telegraph.

Dale McAlpine, de 42 anos, prega nas ruas de Wokington, na região de Cumbria, no noroeste da Inglaterra há anos, e disse que não mencionou homossexualismo quando fazia o sermão do alto de uma pequena escada, mas admitiu ter dito a uma pessoa que passava que acreditava que a prática era contrária aos ensinamentos de Deus.

Segundo o jornal britânico Daily Mail, o policial Sam Adams identificou-se como o agente de ligação entre a polícia e a comunidade gay e transsexual e avisou o pregador, que distribuía folhetos e conversava com as pessoas nas ruas, que ele estava violando a lei. Mas ele continuou pregando e foi levado para a prisão, onde permaneceu por sete horas.

O pregador disse que o incidente foi "humilhante", segundo o Daily Telegraph. "Eu me sinto profundamente chocado e humilhado por ter sido preso em minha própria cidade e tratado como um criminoso comum na frente de pessoas que eu conheço."

"Minha liberdade foi tolhida por rumores vindos de alguém que não gostou do que eu disse, e fui acusado usando-se uma lei que não se aplica", afirmou Dale.

O processo contra McAlpine por supostas declarações públicas contra gays ocorre semanas depois que um juiz britânico disse que não há proteção especial na lei para crenças cristãs.

O juiz decidiu favoravelmente a uma organização que demitiu um terapeuta de casais por se recusar a atender casais gays alegando que isso seria contra seus princípios cristãos.


Notícia da BBC Brasil.


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terça-feira, setembro 01, 2009

Liberdade de Opinião

Liberdade de opinião

RIO DE JANEIRO - Muitos colegas e leitores estão estranhando o fato de mais uma vez eu estar remando contra a maré, embarcando no que consideram uma canoa furada, não fazendo parte da união nacional e do consenso da mídia sobre o caso Sarney.
Os mais comedidos argumentam que, sendo eu colega do próprio na Academia Brasileira de Letras, deveria me dar como impedido de comentar o assunto. Citam o caso do juiz que, sendo amigo de Sarney, censurou um jornal sem se dar como impedido. Acontece que o juiz não deu uma opinião. Deu uma sentença, que tem poder de justiça e, conforme o caso, de polícia. Tal poder não tenho nem pretendo ter.
Mal e porcamente tenho o direito de dar opiniões que não precisam ser necessariamente aceitas pelos outros. Em 1964, durante quase um mês, dei minha opinião sobre o golpe daquele ano, contrariando a unanimidade da mídia de então. Fui expulso do Sindicato de Jornalistas da então Guanabara. E o presidente da ABI recusou atender ao pedido do meu advogado para depor a meu favor no processo que me foi movido pelo então ministro da Guerra, Arthur da Costa e Silva.
Com as duas entidades da classe me considerando um energúmeno, fui condenado pelo delito de opinião -naquela ocasião como agora não tinha o poder de justiça e polícia, aliás, nunca tive poder algum.
O caso que está agitando a política nacional e a mídia está seguindo o trânsito legal e democrático. O Supremo Tribunal, em outra ocasião, determinou que recortes de jornal não fazem prova de atos ilícitos. A Comissão de Ética e mais tarde o plenário do Senado têm todos os elementos para punir culpados ou o culpado. Atender o pedido de emprego de uma neta não é crime previsto no Código Penal de nenhum país regulado por leis e não por ressentimentos.

Texto de Carlos Heitor Cony, na Folha de São Paulo, de 9 de agosto de 2009.

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segunda-feira, abril 27, 2009

O avanço do jornalismo clickstream

O avanço do jornalismo clickstream

Andrew Currah

"A redação estava elétrica", me disse um editor após a descoberta de Shannon Matthews, 9 anos, que esteve desaparecida por 24 dias em fevereiro de 2008. "Minutos após a publicação da história, nós assistimos os cliques subirem como um jorro de petróleo. Em apenas uma hora, nós recebemos 60 mil acessos!"

À medida que jornais e empresas de radiodifusão avançam online, elas estão encontrando novas formas de julgar o que torna grande uma história. Usando as mais recentes tecnologias de "análise da Internet", os editores agora podem monitorar os rastros do "clickstream" - (fluxo de cliques) uma medição do que seus usuários optam por ler, assistir e compartilhar. As redações agora contam com telas planas gigantes suspensas do teto e pequenos aparelhos de mesa que inundam seus funcionários com um fluxo impiedoso de estatísticas da internet. Nunca antes o jornalismo de mercado foi tão visível.

Este admirável mundo novo tem aspectos positivos. As empresas de mídia podem oferecer precisamente propagandas "comportamentais" dirigidas, permitindo aos seus clientes visarem mensagens a grupos bem definidos de usuários. Alguns estão até mesmo utilizando ferramentas de neurociência para medir as fundações subconscientes do clickstream - explorando dados biométricos (atividade das ondas cerebrais, monitoramento dos olhos e resposta da pele) para avaliar a eficácia dos formatos das propagandas online. Em um momento de redução dos orçamentos publicitários, essas inovações podem salvar a pele do setor de mídia.

A nova tecnologia também ajuda as organizações de notícias a aprender como seus clientes gostam de receber suas notícias. A feroz concorrência online está promovendo melhores sites (por meio de vídeos, mapas interativos ou novos mundos virtuais), criando novas formas de interação com o público (por meio de blogs e murais de mensagens) e novos estilos de texto (organizados em torno de hiperlinks e "metadados semânticos"). Também as está forçando a compartilhar e colaborar: no início de março, o "The Guardian" anunciou que estava dando livre acesso para terceiros a toda sua infraestrutura digital. Mais importante, o clickstream fornece aos editores o retorno que os ajuda a reembalar notícias importantes, porém menos populares - como histórias do Afeganistão - para o maior público possível. Isso poderia tornar conteúdo de utilidade pública mais acessível - e todas as notícias mais envolventes e relevantes.

Mas há um lado sombrio óbvio. Em sua sede por retorno, os sites de notícias agora apresentam rankings provocantes, classificando as histórias por "mais clicadas" ou "mais enviadas por e-mail". Com algumas exceções, os rankings são dominados por aquelas que envolvem os aspectos mais bizarros, mais idiossincráticos da existência humana, às custas de assuntos sérios porém abstratos, como o desenvolvimento internacional ou o meio ambiente.

A ironia disso não passou desapercebida pela revista satírica "The Onion", que publicou uma história (piada) em 2007 alegando que a lista das "mais encaminhadas por e-mail" estava "fazendo em pedaços a redação do 'New York Times'". Sob pressão para "produzir artigos com estas qualidades mágicas de 'clicar e enviar'", alegava o artigo, os repórteres ganhadores do Prêmio Pulitzer tinham "pedido transferência para a estação de Viagem e Casa & Jardim", onde o perfil digital deles provavelmente cresceria mais.

Mas esses assuntos, na verdade, são muito sérios. Enquanto os números de circulação dos jornais caem acentuadamente, especialmente nos mercados locais e regionais, é lógico que os publishers se aconcheguem sob o guarda-chuva das histórias populares. Ao refletir os interesses do público, eles podem atrair milhões de olhares e mais anunciantes. Este processo, por sua vez, estreita artificialmente o noticiário em torno de um punhado de histórias "principais" - como Shannon Matthews ou a situação difícil de Jade Goody. Também é mais fácil (e mais barato) rechear seu conteúdo com material pronto das agências de notícias ou de boletins de imprensa. Histórias que precisam ser encontradas, desenvolvidas e verificadas por uma rede internacional permanente de jornalistas são caras em comparação. E o clickstream também pode enviar um forte sinal de fadiga. Isto foi especialmente verdadeiro durante a guerra em Gaza. Enquanto a guerra se arrastava, o tráfego na internet por histórias de Gaza caiu acentuadamente. O conhecimento de que este assunto aparentemente importante afastava os leitores colocou pressão sobre os editores para reduzirem a cobertura do conflito tanto em seus jornais quanto online.

Hoje, apenas um punhado de publishers parece imune a estas tentações -principalmente aqueles cujos custos são subsidiados, como "The Guardian" (via o Scott Trust) e a "BBC" (via a taxa de licença britânica), ou cujo modelo de negócios se apóia no fornecimento de uma análise especializada, como o "Financial Times". A maioria, por outro lado, está exposta a uma mudança sem precedente na demanda por notícias.

Os riscos de seguir cegamente o público estão claros aqui. Como Paul Starr argumentou recentemente no "New Republic", os jornalistas há muito são "nossos olhos no Estado, nossa proteção contra os abusos privados, nossos sistemas de alarme cívico". As novas tecnologias oferecem ótimas oportunidades mas, se mal usadas, podem colocar em risco o futuro da sociedade civil.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Texto da Prospect Magazine, no UOL.

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segunda-feira, abril 13, 2009

ONU aprova resolução contra a difamação de religiões

ADEUS VOLTAIRE

ONU aprova resolução contra a difamação de religiões


DA REUTERS
O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou ontem resolução que recomenda a aprovação de leis contra a difamação de religiões. O texto, proposto pelo Paquistão em nome dos países muçulmanos, foi criticado por governos ocidentais e por uma aliança de grupos ativistas por limitar a liberdade de expressão.
Cerca de 180 organizações religiosas, seculares e de imprensa fizeram campanha contra a resolução, que, afirmam, "pode ser usada para silenciar e intimidar ativistas de direitos humanos, dissidentes religiosos e outras vozes independentes".
A resolução teve apoio de 23 dos 47 membros do Conselho. Onze países rejeitaram o texto, e 13 se abstiveram, entre eles o Brasil.

Texto da Folha de São Paulo, de 27 de março de 2009.


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quinta-feira, novembro 27, 2008

Mianmar condena dissidentes

MIANMAR CONDENA 23 DISSIDENTES A 65 ANOS

Mianmar (a antiga Birmânia) condenou ontem um grupo de 23 dissidentes a penas de 65 anos de prisão. Eles foram processados por "envolvimento em protestos" e "propaganda contra o governo" após participarem das manifestações pacíficas contra aumento de preços e por democracia em setembro de 2007. Os protestos, liderados por monges budistas, foram reprimidos pelos militares, que governam o país desde os anos 60. A ONU estima que ao menos 31 manifestantes foram mortos na ocasião.

Texto da Folha de São Paulo, de 12 de novembro de 2008.


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Holanda punirá "insultos" e "declarações ofensivas" vinculadas à religião

Holanda punirá "insultos" e "declarações ofensivas" vinculadas à religião

Jean-Pierre Stroobants
Correspondente em Bruxelas


As autoridades holandesas vão retirar do seu arsenal penal um artigo que sancionava a blasfêmia. Contudo, este será substituído por um dispositivo que condena a discriminação, os "insultos graves" e as declarações "inutilmente ofensivas" dirigidas a indivíduos, relativas "à sua raça, à sua orientação sexual e à sua religião". Em última instância, a reforma conduz a prever um provável aumento das restrições da liberdade de expressão, num país que já vivenciou diversos episódios tumultuados neste campo, no decorrer dos últimos anos.

Em 2004, o cineasta Theo Van Gogh foi assassinado em Amsterdã por um militante islâmico radical, por ter realizado o filme "Submission" (2004). Ele havia sido taxado de blasfemador pelo seu assassino. Ayaan Hirsi Ali, uma ex-deputada de origem somali, que foi co-roteirista do filme e que desde então vive exilada em Washington, havia sido alvo da mesma acusação. Em 2006, o caso das caricaturas dinamarquesas de Maomé teve uma repercussão particular na Holanda, onde os observadores temeram que ele desencadeasse outros atos de violência.

Censura

Há alguns meses, foi a difusão do filme anti-Islã "Fitna", do deputado populista Geert Wilders que focalizou as atenções. O governo havia mencionado então a idéia de proibir este panfleto. Na esteira deste caso, um caricaturista da imprensa havia sido preso, uma vez que alguns dos seus desenhos haviam sido considerados como "ofensivos" para com os muçulmanos. Era a primeira vez desde 1945 que uma medida de censura desta gravidade era tomada.

Movidas pela preocupação de apaziguar as relações entre os holandeses de origem e a importante comunidade muçulmana, as autoridades haviam acenado em diversas oportunidades com a idéia de restaurar na lei o delito de blasfêmia. Entretanto, o projeto havia se revelado politicamente complexo demais. Isso porque o governo de centro-esquerda, composto por um partido cristão majoritário - o CDA, liderado pelo primeiro-ministro Jan Peter Balkenende -, por protestantes rigoristas, e ainda pelo partido trabalhista PVDA, estava dividido.

Um complicado compromisso, elaborado por Ernst Hirsch Ballin, o ministro democrata-cristão da justiça, foi então negociado. Ele acabou resultando no abandono de um artigo de lei adotado em 1932, e que na origem se destinava supostamente a proteger os cristãos contra uma campanha anti-religiosa lançada pelos setores comunistas. Este dispositivo havia sido abandonado em 1968, em decorrência de um processo cujo alvo era um escritor que havia alardeado a sua atração sexual por um deus que ele comparava com um jumento.

Em contrapartida, Ernst Hirsch Ballin propôs ampliar daqui para frente o alcance da noção de discriminação, de maneira a proteger melhor as crenças religiosas. Simultaneamente, ele assegurou que os humoristas e os jornalistas não deveriam "estar com medo". "Com a exceção de Deus, ninguém tampouco poderá insultar daqui para frente Alá ou Karl Marx", ironiza um dirigente do partido ecologista GroenLinks. "Não há razão alguma que justifique que os crentes devam ser mais bem protegidos do que os não-crentes", considera, por sua vez, um porta-voz do Socialistische partij (partido da esquerda radical). A reforma tem sido igualmente uma causa de preocupação para numerosos juristas.

Texto do Le Monde, no UOL.

Ou seja, com esta lei, a liberdade de expressão será restringida nos Países Baixos. Eu sou crente, em tese parte privilegiada na lei, e não estou certo se ela torna a sociedade melhor ou pior, porque este tipo de restrição provavelmente também restringirá o debate de idéias.


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terça-feira, maio 13, 2008

China lidera a censura à web no mundo

Como a China lidera a censura da Web no mundo
Em tempo para as Olimpíadas, o governo chinês provou-se pioneiro assim como principal exportador de métodos de vanguarda de censura on-line. E firmas ocidentais ainda dão seu apoio ativo a Pequim


Hilmar Schmundt e Wieland Wagner

O senso comum diz que a Internet pode agüentar qualquer coisa. Tentativas de censurá-la são tão fúteis quanto tentar pregar gelatina na parede. Especialistas alegam que, se bloqueado, o fluxo de informação simplesmente encontra outra rota para atingir seu alvo. Pena que a China não esteja ouvindo os especialistas.

"Escudo de ouro" é o termo que as autoridades chinesas usam para o que talvez seja o sistema de censura mais sofisticado do mundo. Os críticos gostam de referir-se a ele como a Grande Muralha Firewall da China (GFC). Qualquer que seja o termo que você escolha, está claro que, nas últimas duas semanas, esta parede virtual venceu seu principal desafio de fogo.

A repressão chinesa no Tibete gerou protestos irados ao redor do mundo desde março, tanto na Internet quanto fora dela. A tocha olímpica provou-se um alvo particular para a ira dos ativistas em favor do Tibete -na República do Povo, contudo, o ciberespaço tornou-se uma zona inteiramente pró-China.

Levados pela mídia estatal, os usuários de Internet da China criaram formas ainda mais criativas de expressar sua raiva contra os manifestantes pró-Tibete. Quase que da noite para o dia, milhões de usuários do Windows Live Messenger acrescentaram um coração vermelho ao lado da palavra "China" aos seus nomes de contato. Um blogueiro escreveu em um portal popular, sina.com, que "a mídia ocidental conseguiu uma coisa positiva: uniu a nós, chineses".

A ira contra os manifestantes culminou em pedidos de blogueiros individuais em portais como o people.com.cn que boicotassem - por exemplo- a Alemanha. ("Boicote a Volkswagen, boicote os produtos alemães, boicote a rede alemã Metro".) Foi aí que, subitamente, as coisas mudaram, no entanto: aparentemente, o sistema não estava tão satisfeito com esses chamados às armas, que então sumiram repentinamente.

A República do Povo virtual segue leis diferentes do resto da Internet. Mas como os sentinelas comunistas do ciberespaço conseguem controlar tão precisamente o fluxo de informação?

Computadores de vigilância formam o esqueleto do sistema de segurança chinês, monitorando a maior parte do volume de comunicação on-line o tempo todo. As máquinas têm o suporte de um exército de censores do governo, estimados em mais de 30.000. Este esforço hercúleo está crescendo, enquanto os usuários de Internet se multiplicam a um número recorde. Em fevereiro, a China oficialmente foi o país com mais usuários de Internet no mundo (221 milhões contra 220,6 milhões de americanos). E o que acontece na China facilmente pode mudar a Internet como um todo. Os especialistas acreditam que o país já exportou seus métodos de censura inovadores para países como Irã e Vietnã.

Dezenas de pesquisadores da mídia agora estão estudando a arquitetura da Grande Muralha 2.0 com uma mistura de horror e fascínio. O que eles estão descobrindo é o quão surpreendentemente dinâmica, sutil e moderna é a censura do século 21.

Uma Web chinesa
Os pesquisadores observaram que a estrutura descentralizada da Internet não é suficiente para protegê-la do controle do governo. O libertário americano John Perry Barlow e seus colegas certa vez alegaram que os governos do mundo industrial "não têm soberania" no ciberespaço, mas Jonathan Zittrain diz que não é o caso. O acadêmico da Universidade de Oxford advertiu sobre "a emergência de uma Internet cada vez mais balcanizada. Em vez de World Wide Web (que significa rede mundial), é mais preciso dizer que temos uma Web saudita, uma uzbeque, uma paquistanesa, uma tailandesa e assim por diante."

O recente artigo de pesquisa de Zittrain chamado "Acesso negado", com colaboradores de universidades de elite como Harvard, Stanford e Cambridge, funciona como Atlas da censura da Internet. Os autores concluem que os métodos dos inspetores chineses são a vanguarda do campo - distintos não pelo uso de controles rígidos, mas por sua flexibilidade e criatividade.

Os Emirados Árabes Unidos podem ser tomados como exemplo contrário: a nação desértica tem leis relativamente claras e bloqueia o acesso a material questionável, como conteúdo sexualmente explícito, de uma forma bastante consistente previsível. Filtros estritos são empregados para impedir o acesso a qualquer site israelense, por exemplo, cujo domínio termina com .il.

Esse estilo estrito de controle de fronteiras é contrário à abordagem chinesa. "A GFC é descentralizada, flexível, discreta e se concentra acima de tudo em palavras-chave", explica Daniel Zinn, aluno de pós-graduação do Departamento de Ciências da Computação da Universidade da Califórnia em Davis. O que isso significa é que, em vez de censurar domínios inteiros, somente páginas individuais contendo palavras definidas são bloqueadas. Freqüentemente, essas palavras estão associadas a três tópicos especialmente sensíveis na China - "Tibete", "Taiwan" e "Tiananmen"- mas há uma série de outros, como "Falun Gong", "Mein Kampf" e "Democracia".

Uma tentativa de carregar uma página da Web suspeita em geral resulta em uma mensagem de erro. Então, a maior parte dos usuários tenta manter sua vida simples evitando termos de pesquisa arriscados. Assim podem surfar em paz.

A autocensura é mais eficiente
Esse jogo de gato e rato que coloca blogueiros contra censores faz parte da diversão para usuários mais rebeldes, que gostam de pensar em novos termos para tópicos politicamente carregados e assim passar a perna nos censores. Então, por exemplo, para encontrar informações sobre o massacre de junho de 1989 na praça de Tiananmen, a pessoa digita a data como código, por exemplo "198 964" (agora, entretanto, até esse código está bloqueado). Algumas vezes, em resposta a termos de pesquisa questionáveis, aparecem na tela pequenos personagens de desenho esbugalhados, com uniforme de polícia -um lembrete que o Big Brother está sempre surfando ao seu lado.

A força da GFC reside em sua imprevisibilidade. Apesar de milhares de censores trabalharem duro, enfrentam milhões de blogueiros. Seria impossível monitorar cada um de seus textos. Portanto, é muito mais eficaz usar sinais sutis para ameaçar usuários de Internet e fazê-los censurarem-se a si próprios.

Outra receita de sucesso é delegar a censura. Fornecedores de serviços de Internet, provedores de conteúdo e cafés de Internet assumiram a tarefa de monitorar páginas questionáveis. Os monitores do governo enviam atualizações às empresas várias vezes por dia, freqüentemente por mensagem de texto via telefone celular. Para evitar conflitos, é mais fácil os provedores exagerarem na cautela e censurarem mais, em vez de menos.

Os que não fazem isso enfrentam punições draconianas -que nem mesmo empresas americanas como Google pode escapar. O motor de busca da Google era inacessível na China até que, relutantemente, criaram uma versão censurada para os usuários chineses (apesar do lema corporativo da Google ser: "Não seja mal".)

O efeito colateral deste bloqueio foi que o motor de busca chinês Baidu conseguiu mais clientes. Essa pode se tornar uma inovação para o governo -ao perceber que a censura também funciona como protecionismo.

E a Google não foi a única: outras firmas globais de tecnologia americanas como Cisco e Microsoft também estão silenciosamente cooperando com os censores chineses. A controvérsia de 2004 sobre o papel da Yahoo na prisão do jornalista chinês Shi Tao ilustra como pode ser fina a linha separando o comércio e a colaboração. A Yahoo transmitiu os detalhes pessoais do jornalista ao governo chinês. Shi, crítico do governo, foi condenado a dez anos de prisão.

O caso de Shi não foi isolado. A organização pela liberdade de imprensa Repórteres Sem Fronteiras publicou números expondo a posição tênue dos usuários de Internet chineses dissidentes. Cerca de 48 dos 63 "ciber-dissidentes" presos em torno do mundo estão na China.

A Câmara dos Deputados americana convocou uma audiência depois do incidente da Yahoo. "Essas empresas nos dizem que vão mudar a China. Em vez disso, a China muda elas", reclamou um congressista.

Os Jogos Olímpicos fornecem ampla razão para os censores refinarem suas técnicas. Diante do grande número de jornalistas estrangeiros esperados em agosto, o governo criou uma espécie de versão paralela da Internet, restaurando o acesso à maior parte do site da BBC e da Wikipedia. O que jornalistas visitantes talvez não saibam, entretanto, é que as versões chinesas desses sites ainda estão bloqueadas.

Enquanto isso, os regulamentos continuam a endurecer. Uma recente mudança foi a determinação que todos os sites que permitem compartilhar vídeos privados estão sujeitos ao licenciamento oficial. Além disso, o Estado tem que ter uma participação majoritária no provedor desses sites. Por quê? Simples: os arquivos de vídeo são muito mais difíceis de filtrar do que os arquivos de texto.

É claro que a Grande Muralha 2.0 não é impossível de romper, como salienta o especialista em mídia de Pequim Andrew Lih -de fato, ninguém diz que é. Ele comenta que "qualquer um que sabe o que está fazendo tem muitas formas de evitar a Grande Firewall".

Os inúmeros truques disponíveis para iludir os censores e os espiões são tópicos perenes de discussão nas salas de bate-papo chinesas. Um dos instrumentos mais amados é o Gladder (de "Great Ladder", ou "grande escada") uma extensão para o "browser" que ajuda os usuários a escalarem a muralha virtual. O nome talvez seja engraçado, mas um blogueiro chinês de Changsha aconselha cautela no que concerne as escapadas de Internet: "Amanhã, o serviço de segurança baterá na sua porta" - uma verdadeira possibilidade que não tem a menor graça.

Tradução: Deborah Weinberg
Texto do Der Spiegel, republicado no UOL (para assinantes).

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sexta-feira, janeiro 25, 2008

BLOG CRIADO ESPECIALMENTE PARA AMEAÇAR JORNALISTA DE MORTE

Essa é a foto que está na capa de um blog criado especialmente para ameaçar de morte o jornalista Ricardo Santos, do Maranhão, que é integrante do SIVUCA, o Sistema de Muvuca na Internet, uma reunião informal de blogueiros cujo único compromisso é o de combater o pensamento único. O grupo foi criado por sugestão minha, no ano passado, e é uma espécie de espaço comunitário. Os integrantes dele não têm qualquer compromisso político ou ideológico uns com os outros. Eu nem sei quantos são os matizes político-ideológicos representados no SIVUCA, pelo simples fato de que não perguntei e não pergunto quando aparecem novos candidatos. O Ricardo Santos, por exemplo, dedica seu blog a divulgar informações que não são do agrado político do grupo ligado ao senador José Sarney. Fui "informado... Leia aqui o restante da matéria!




O texto sobre uma ameaça de morte a um blogueiro maranhense continua no Vi o Mundo.

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sexta-feira, agosto 31, 2007

Os protestantes do século XXI



Lançamento do livro A mídia nas eleições de 2006, organizado pelo prof. Venício A. de Lima, da UnB e do Observatório Brasileiro de Mídia, se transforma em debate sobre porque a campanha da mída conservadora contra a reeleição de Lula não deu certo.

Data: 31/08/2007
Na noite de 30 de agosto, no Sindicato dos Jornalistas no Estado de S. Paulo, foi lançado o livro (Editora Fundação Perseu Abramo) A mídia nas eleições de 2006, organizado pelo professor Venício A. de Lima, da Universidade de Brasília e consultor do Observatório Brasileiro de Mídia. O livro tem apresentação do professor e mais 11 artigos de especialistas no setor, sobre o papel da mídia nas eleições presidenciais do ano passado. Acompanham o livro alguns anexos: as reportagens publicadas na época pela revista Carta Capital; as explicações do diretor executivo de jornalismo da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel; a carta do repórter Rodrigo Vianna, desligado da Globo naquela época, despedindo-se de seus colegas de trabalho (publicada em primeira mão, depois de circular em mensagens na internete, pela Carta Maior em reportagem de Bia Barbosa); e um mapa das votações no primeiro e no segundo turnos.

Além do prof. Venício, estiveram presentes ao lançamento os autores de artigos Renato Rovai, editor da revista Fórum, autor do capítulo “As muitas derrotas da mídia comercial tradicional”; Marcelo Coutinho, diretor executivo do Ibope Inteligência, co-autor de “Os usos das novas mídias na campanha presidencial de 2006; e Kjeld Jakobsen, presidente do Observatório Brasileiro de Mídia, autor de “A cobertura da míodia impressa aos candidatos nas eleições presidenciais de 2006”.

Além de debaterem o livro e seus artigos, os quatro presentes debateram, entre outras, a pergunta feita por Carta Maior sobre “porque em 2006 a campanha da mídia contra a reeleição de Lula não deu certo”. Carta Maior lembrou das vezes em que campanhas conservadoras na mídia “deram certo”: na eleição de 1989, no golpe de 1964, no de 1954 (revertido pelo suicídio do presidente Getúlio Vargas), até mesmo (como lembrou Rovai) na campanha pelas privatizações, durante o governo de FHC, quando criou-se um clima de que tudo o que era público e estatal eram necessariamente ruim.

Houve colocações muito variadas. Todos concordaram que este é um assunto ainda a ser estudado, e que é impossível dar uma explicação cabal e definitiva. Mas aventaram algumas hipóteses. O prof. Venício lembrou o papel das “lideranças intermediárias”, isto é, os líderes de associações de bairros, ongues, sindicatos, etc., que são, agora, “formadores de opinião” tão importantes quanto aqueles que tradicionalmente se julgam donos da “formação de opinião”, os editorialistas, colunistas de jornais, e comentaristas de tevê. Essas “lideranças intermediárias” têm acesso à internete e a uma série de informações alternativas, antes não ou pouco disponíveis, o que pode ter ajudado a contrabalançar o poder da mídia tradicional.

Kjeld Jakobsen lembrou que de fato a vida das pessoas mais pobres, e de um modo geral, melhorou sob o governo Lula, e que isso levou muitas pessoas a pensarem duas vezes antes de simplesmente aderirem à campanha da mídia contra o governo. Lembrou também que a mídia, de um modo geral, tornou-se mais uniformemente conservadora, descolando-se de muitos de seus leitores tradicionais. Lembrouy por exemplo do tempo em que muita gente de esquerda considerava A Folha de S. Paulo um jornal “oficiosamente” à esquerda no espectro do jornalismo brasileiro, e que isso hoje não acontece mais.

Renato Rovai trouxe à baila a idéia de que, além do contrabalanço de informação disponível, havia o fato de que em 2006, ao contrário de 1989, Lula era governo, e isso lhe dá um poder enorme de também gerar informação, além dos poderes inerentes ao Estado brasileiro. Em sua fala lamentou que o governo não tenha avançado mais no sentido de democratização da mídia, curvando-se à pauta do conservadorismo brasileiro neste campo. O jornalista Carlos Tibúrcio, também presente, respondeu, dizendo que era necessário analisar a “correlação de forças” para entender a posição do governo nestas questões.

Mas a nota mais original do debate ficou por conta de Marcelo Coutinho. Depois de dizer que era necessário reconhecer que, apesar de todas as deficiências, o nível de escolaridade no eleitorado brasileiro tinha aumentado muito de 20 anos para cá, lembrou a situação européia ao fim da Idade Média.

Disse que naquela época o quase monopólio de interpretação religiosa detido pela Igreja Católica Romana na Europa foi quebrado pelo protestantismo. E que para a quebra do monopólio foi fundamental a invenção da imprensa no século XV. Hoje, lembrou ele, estaríamos na mesma situação: a pretensão de monopólio de expressão da “opinião pública” por parte da mídia tradicional foi quebrada pela internete, embora o alcance desta esteja longe de ser universal. Mas tão importante quanto reconhecer essa quebra é reconhecer que os atores convencionais, mídia e partidos políticos, ainda não conseguiram responder de modo conveniente e consistente a esse novo quadro cultural, aferrando-se a seus princípios dogmáticos, tanto no plano das idéias quanto no das formulações.

“Internete é diálogo”, lembrou ele. De fato, algo que anda meio longe da nossa mídia convencional, que está menos para polifonia, mesmo que barroca, e muito mais para o uníssono (e ponhamos sono aí) do cantochão gregoriano (É só uma metáfora provocativa, pessoal. Eu adoro cantochão. Na Igreja ou no concerto, é claro, não na mídia).

Da Carta Maior.

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sexta-feira, agosto 17, 2007

Isenção

"Como sabemos, isento é aquele cuja opinião coincide com a nossa"



Juremir Machado da Silva, em sua coluna no Correio do Povo de hoje, 16 de agosto.

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quinta-feira, agosto 02, 2007

O Latuff e a Liberdade de Expressão

Pela charge abaixo, o Latuff foi intimado pela delegada Valéria de Aragão Sádio, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra Propriedade Imaterial, a "prestar esclarecimento". A delegada deve ter os seus motivos, mas isso parece tentativa de intimidação.
Mais no CMI - Centro de Mídia Independente. E em outros sítios pela Internet.


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quinta-feira, julho 26, 2007

Do Observatório da Imprensa: Blogueiros Iranianos Obrigados a se Reregistrarem

Edição 436 de 5/6/2007
www.observatoriodaimprensa.com.br
URL do artigo: www.observatoriodaimprensa.com.br

IRÃ

Blogueiros obrigados a se registrar para evitar bloqueio

Em mais uma medida agressiva à liberdade de expressão, o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad passou a exigir que todos os blogueiros do Irã façam um cadastro em um sítio criado pelo Ministério da Cultura. Para que o blog não seja bloqueado, é necessário que o blogueiro informe dados pessoais, incluindo o login e a senha para atualizar sua página.

A medida foi extremamente criticada pelos blogueiros iranianos - que totalizam quase um milhão no país. Segundo Mehdi Boutorabi, gerente do serviço de hospedagem de blogs Persianblog, cerca de 10% dos blogs são ativos - ou seja, são atualizados constantemente. Sua empresa hospeda mais de 780 mil blogs em língua persa. De acordo com o buscador de blogs Technorati, o farsi - língua nativa do Irã - é um dos 10 idiomas mais usados online.

Em protesto à decisão governamental, Parastoo Dokouhaki, conhecida blogueira que escreve sobre os direitos das mulheres, colocou em seu blog um banner com a frase "Eu não vou registrar meu sítio!". Depois disso, a página foi bloqueada para acesso de dentro do Irã.

Sem liberdade de expressão

A censura no país não atinge apenas os blogs. A maior parte dos jornais críticos ao governo foi fechada, as emissoras de TV por satélite são proibidas e livros são freqüentemente censurados. Por isso os blogs se tornaram um canal de expressão cada vez mais popular na sociedade iraniana.

Reconhecendo a importância crescente da internet, na última eleição presidencial, vários candidatos criaram seus próprios blogs. Ironicamente, o presidente Ahmadinejad lançou o seu no ano passado, em farsi, inglês, francês e árabe, para divulgar suas idéias e manter contato com os iranianos - obviamente, filtrando todos os comentários críticos a seu governo. Informações de Saeed Kamali Dehghan [The Guardian, 7/6/07].


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quinta-feira, junho 21, 2007

Porta-Voz das Trevas

Faltou usar este adjetivo, em relação ao "post" anterior, ou seja, intolerante, homofóbico e porta-voz das trevas.

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Intolerante em Nome de Deus, É Quase a Glória!

Por conta de uma discussão no Blogoleone, acabei me incluindo entre os "intolerantes em nome de Deus". É quase a glória! A coisa é assim: se você discordar da homofilia, você é homofóbico e intolerante. Dá para fazer piada. Como diz alguém, eu não sou homofóbico porque eu não tenho medo de homossexuais (entendeu? "fóbico"...) .
E o "post" indica para ler o manifesto contra o projeto de lei contra a homofobia no Terra, "se você tiver estômago". Essa coisa de estômago forte é o que eu indico para quem quiser acompanhar a política no dia a dia. O "Ainda a Mosca Azul" diz no seu início "política é uma assunto chato, embora fundamental".
Para acompanhar a discussão, e os meus comentários, verifique no Blogoleone.

A Aline Leão, que entrou na discussão, reproduziu o "post" no blog dela, o Cuca Fundida.

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