sábado, junho 02, 2007

Guantánamo

O jornal Correio do Povo de hoje, primeiro de junho, noticia a morte de um prisioneiro em Guantánamo, de nome Al Amri.
A notícia também apareceu no Blog do Bourdoukan, onde é informado ainda que, com este, já são quatro os prisioneiros mortos em Guantánamo.
Mais uma vergonha para os Estados Unidos. Eventualmente aqui no Brasil, e em muitos outros países, a polícia, ou alguns elementos dos corpos policiais, cometem execuções, mas são extra-judiciais, isto é, não há lei que ampare uma execução.
Mas estes quatro homens mortos em Guantánamo estavam lá há anos, sem acusação, nem julgamento, e submetidos a torturas. Se bem que o secretário de justiça(!) dos Estados Unidos, Alberto González informa que os "interrogatórios duros" com os prisioneiros não são tortura. Talvez ele deva recomenda à ONU para que longa exposição a temperaturas extremas, quentes ou frias, simulação de afogamento, humilhação sexual, privação do sono, alimentação forçada aos prisioneiros em greve de fome, sejam liberados como métodos de interrogatório lícito para as polícias de todo o mundo.

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quinta-feira, maio 10, 2007

Seja Legal com os Estados Unidos...



"Seja legal com os Estados Unidos, ou levaremos a democracia para seu país."

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terça-feira, maio 08, 2007

Homem-Aranha 3 - Softpower e Hardpower

E a propósito do Homem-Aranha, há um momento em que o super-herói fica, por uma fração de segundos, em frente a uma imensa bandeira dos Estados Unidos. Esta fração de segundo com o Homem-Aranha e o pavilhão estadunidense juntos seria um exemplo bem acabado do antigo poder de sedução que os Estados Unidos ofereciam para o mundo. Não que este poder de sedução tenha acabado, pois como diz um professor meu, nós continuamos em grande parte a assistir filmes produzidos por Hollywood; ouvir ou dançar, ou ambas as coisas, "rock 'n roll" (talvez o meu professou escrevesse roquinrol, ou roquinrou...), e vestir calças "jeans" e camisetas de algodão (esta maneira de vestir começou a ser propagada no final dos anos 1950, e como? pelos filmes de Hollywood!) .
O cientista político, e antigo assessor do Governo Federal dos Estados Unidos, Joseph Nye, afirma em seus livros que os Estados Unidos são a maior superpotência que existe atualmente, mas que para manter esta liderança, o país precisa utilizar ao máximo o "softpower", isto é, chamar outros países para parcerias, colaboração, desenvolvimento conjunto, e usar o mínimo de "hardpower", ou seja, intervenções militares puras e simples, intimidações, acusações e outros que tais. Eu certamente concordo com ele em muito do que diz.
E é justamente isto que parece tornar a exibição do pavilhão estadunidense em um filme algo anacrônico para a assistência que não seja cidadã dos Estados Unidos. Se em algum momento, a bandeira dos Estados Unidos esteve ligada a sistemas legais, busca por justiça, etc, desde a invasão do Iraque, e da criação do campo de detenção de Guantánamo, isto se desvaneceu. A invasão do Iraque foi baseada em falsos argumentos, e os detidos em Guantánamo vivem num limbo legal (casualmente quando o Papa Bento XVI encaminha a Igreja Católica para apagar qualquer tradição ligada ao limbo, aquele lugar para onde, segundo alguns, iriam as crianças que morrem sem consciência do pecado humano, mas também sem batismo. Ao renunciar a esta tradição o Papa se aproxima do senso comum da crença das igrejas protestantes em matéria de destino de crianças após a morte. Mas isto talvez seja assunto para um outro "post"), e lá estão detidos, alguns há sete anos, sem julgamento e condenações formais, porque o Departamento de Justiça resolveu rotulá-los de "combatentes inimigos ilegais". E recentemente o Departamento de Justiça encaminhou pedido ao judiciário para restringir o acesso de advogados aos detidos em Guantánamo, limitando o número de visitas, tendo acesso à correspondência trocada entre detidos e advogados, e restringindo o acesso a evidências que possam ser usadas como peças de acusação.
Pobre bandeira norte-americana. Pobre Homem-Aranha. Podiam não pagar este mico.
Talvez o diretor devesse ter duas versões para o filme. Uma com a cena para o público interno (para aqueles que acreditam de todo o coração que o país ainda representa justiça para o mundo. Ainda há pessoas que percebem que o país está perdendo, perdeu credibilidade com o governo Walker Bush.), e uma sem a cena para o resto do mundo. O Homem-Aranha vai salvar Nova York, mas não precisa do pavilhão para lhe fazer companhia naquela hora...

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sábado, março 10, 2007

Clóvis Rossi: Minhas Perguntas a Bush - Folha de São Paulo, 09/03/2007

CLÓVIS ROSSI

Minhas perguntas a Bush

SÃO PAULO - O Itamaraty e o governador José Serra não gostaram do relatório dos EUA sobre violações aos direitos humanos no Brasil. É direito deles, mas não dá para dizer que o relatório mente.
Eu, se fosse ministro ou governador de São Paulo, preferiria usar as perguntas que a Human Rights Watch faria ao presidente George Walker Bush durante sua visita ao Brasil. Duas delas:
1 - "De acordo com um relatório divulgado pela Human Rights Watch na semana passada, o governo dos EUA é responsável por desaparecimentos forçados ao manter suspeitos detidos em prisões secretas fora dos EUA. O relatório identifica 38 "desaparecidos" cujo paradeiro permanece desconhecido.
Quando é que os Estados Unidos vão revelar o destino e o paradeiro de todos os prisioneiros mantidos em prisões secretas pela CIA desde 2001?".
2 - "Em fevereiro, o Brasil e muitos outros países da América Latina assinaram a recém-adotada Convenção contra Desaparecimentos Forçados. Os EUA se recusaram a assiná-la. Por que os EUA não apóiam essa tentativa de combater uma internacionalmente reconhecida violação dos direitos humanos?"
Faria também uma cobrança em relação aos prisioneiros da chamada "guerra ao terror", mantidos ilegalmente em Guantánamo, em uma situação que Franz Kafka teria dificuldades de imaginar.
É assim: um tribunal federal decidiu, há 15 dias, que estrangeiros presos nesse pedaço de Cuba não têm direito ao amparo judicial porque Guantánamo não é dos Estados Unidos. Ou seja, os EUA criam um encrave em território cubano e "escondem" lá certos presos, que ficam, por isso, no limbo judicial, o que joga no lixo o "devido processo" de que tanto se orgulhava a democracia norte-americana e cuja ausência tanto criticam em outros países, com razão, aliás.



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sexta-feira, março 09, 2007

José Simão Comenta a Visita de Bush ao Brasil - Folha de São Paulo, 08/03/2007

E uma amiga minha vai botar a vassoura atrás da porta pro Bush ir embora logo! Apelo à nação: todo mundo com a vassoura atrás da porta! Fora Bush! Vassoura Atrás da Porta! É uma medida muito mais prática. Chega de protestos!
E diz que o encontro do Belzebush com o Lulalelé não vai ser um acontecimento. Vai ser um ALCOOLtecimento! E já que eles vão discutir álcool, a véia marvada, por que eles não se encontram no boteco da esquina?
E acabo de receber a foto do local de nascimento do Bush: 'Connecticut welcomes you! Birthplace of George W. Bush. We Apologise'.
'Bem vindos a Connectituc. Local de nascimento de George W. Bush. DESCULPEM-NOS'. Desculpem-nos pelos transtornos. Rarará! "

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Enquanto Isso, no Consulado dos Estados Unidos no Recife... - Folha de São Paulo, 08/03/2007

Estados Unidos negam visto à brasileira que falaria na ONU

FABIANE LEITE
DA REPORTAGEM LOCAL

A brasileira Janaína Regina da Conceição, 30, que iria dar um testemunho na ONU em Nova York anteontem sobre como adquiriu o HIV após ser vítima de violência, teve o visto negado pelo consulado dos EUA em Recife.
Janaína foi convidada por uma importante ONG internacional, a Action Aid, que cobriria todos os custos da viagem. Ela faria parte do lançamento de uma campanha para alertar sobre a relação entre violência e Aids. Janaína foi forçada a se prostituir por uma mulher que a adotou e foi vítima de estupro durante a adolescência.
"Mal me olharam, perguntaram se estudava e trabalhava, eu disse que não e apenas responderam que eu não tinha qualificação para viajar", relata Janaína sobre sua entrevista no consulado dos EUA em Recife.
Procurada pela Folha, a embaixada dos EUA no Brasil diz que Janaína não apresentou provas de vínculos no Brasil e que por isso o visto foi negado.
O lançamento da campanha ocorreu na última terça, durante a 51ª Sessão da Comissão sobre o Status das Mulheres.
Janaína vive em um abrigo para soropositivos em Recife com os filhos de quatro e seis anos e o caso de suposta discriminação foi alardeado pela ONG Gestos.
Segundo Adlene Andrade, responsável pela comunicação social da ONG, recebido o convite logo após o Carnaval, foi marcada uma entrevista para o dia 27 de fevereiro. No mesmo dia o visto foi negado. "Quando você pensa que deu um passo à frente, aí lhe dão um empurrão", afirmou Janaína.
Na sexta passada mais de 20 ONGs, brasileiras e internacionais, enviaram carta à secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, protestando contra a negativa do visto.
A embaixada dos EUA diz que chegou a dar uma segunda chance para Janaína apresentar os documentos necessários, mas ela não teria comparecido com os papéis -o que a Gestos nega. A ONU disse que não comentaria o caso.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0803200713.htm


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Logo Após o Departamento de Estado Divulgar Seu Relatório Anual sobre Direitos Humanos no Mundo,...

... o Angeli divulga uma charge na Folha de São Paulo (de 08/03/2007):



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quinta-feira, março 08, 2007

George Walker Bush Vem Aí

E amanhã, Dia Internacional da Mulher, o presidente dos Estados Unidos da América, Geroge Walker Bush, chega ao Brasil para uma visita de cerca de 20 horas. Depois de pernoitar em São Paulo, segue na sexta-feira para o Uruguai.
Nesta visita por cinco países da América Latina (além de Brasil, estão previstas visitas ao Uruguai, conforme já dito, Colômbia, Guatemala e México), vagas promessas de negócio, como desenvolvimento de projetos conjuntos em etanol no Brasil, acordos de negócios com o Uruguai, acordos de colaboração bilateral com a Colômbia, bem como conversas com seu parceiro de NAFTA, o México, e seu possível parceiro (no CAFTA ) Guatemala.
A princípio, de certo mesmo para o Brasil, apenas o transtorno no trânsito para os paulistanos, haja visto o portentoso aparato de segurança montado para proteger o presidente da potência da América do Norte.
Curiosamente, os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos parecem que criaram uma forte ligação pessoal entre eles, a despeito da discordância do Brasil em assuntos como Guerra do Iraque, ou subsídios agrícolas. E, como diz o José Simão, nenhum deles fala inglês, nem português! E apesar do Brasil ser presidido por um esquerdista. Ou talvez isso seja um indício que o presidente Lula não é esquerdista!
Certo também é que muitas manifestações contra o presidente Bush deverão tentar acompanhá-lo.
É a segunda visita do presidente Walker Bush ao Brasil. Na primeira, ele passou por aqui a caminho a reunião dos países do continente em Buenos Aires, e desfrutou de uma churrascada na Granja do Torto (como o Jorge Lorenzetti disse que não assava churrasco para o presidente desde 2004, provavelmente não foi ele que assou o tal churrasco).
Espero que o os presidentes Lula e Walker Bush tenham m bom tempo juntos, e que as tais "reuniões de trabalho" sejam proveitosas.

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domingo, fevereiro 18, 2007

NED e USAID

Dois textos muito interessantes sobre o NED - National Endowment for Democracy (ou "Fomento Nacional para a Democracia") e a USAID - United States Agency for International Developement (isto é, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), e de como estas instituições são utilizadas pelos Estados Unidos da maneira como eles entendem democracia, e que, claro, favoreçam os interesses dos Estados Unidos.

No blog do Luiz Carlos Azenha:
NED: http://viomundo.globo.com/site.php?nome=PorBaixoPano&edicao=624
USAID e NED: http://viomundo.globo.com/site.php?nome=PorBaixoPano&edicao=584
Política Externa Americana: http://viomundo.globo.com/site.php?nome=MinhaCabeca&edicao=625

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segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Helicópteros Viram Alvo no Iraque

O Correio do Povo deste domingo, 11 de fevereiro, comenta a queda de seis helicópteros no Iraque nos últimos dias. Segundo a notícia, mais de 60 aparelhos já teriam sido abatidos desde o início da invasão em 2003.
Alguns dos aparelhos derrubados seriam modelos já defasados, com sistemas de defesa obsoletos. Mas alguns já eram máquinas mais modernas, com sofisticados sistemas anti-mísseis. Assim, é aventada a hipótese de que a resistência à ocupação tenha tido acesso a mísseis com tecnologia ainda mais moderna, como mísseis russos, ou iranianos.
Curiosamente a notícia não especula sobre coisas mais prosaicas, como, por exemplo, o helicóptero de uma "empresa de segurança privada" derrubado possivelmente por tiros de metralhadora de grosso calibre, como já foi divulgado neste blog.

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Farsa?...

Pequena nota no Correio do Povo deste sábado, dia 10 de fevereiro, informa que a ligação entre a Al-Qaeda e o regime de Saddam Hussein, um dos argumentos para justificar a invasão ao Iraque pelos Estados Unidos, foi arquitetada pelo escritório do então sub-secretário de defesa Douglas Feith, e nunca foi confirmada.
A notinha cita o nome do auditor do Pentágono autor da denúncia, Thomas Gimble, e termina com uma declaração do senador Carl Levin, presidente da Comissão das Forças Armadas, dizendo que "este relatório é uma condenação devastadora dos serviços de Feith".

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sábado, fevereiro 03, 2007

Guerra no Iraque

A Guerra do Iraque entra no seu 4º ano.
A edição de 24 de janeiro passado da Folha de São Paulo informa que "um helicóptero civil que pertencia a uma empresa de segurança dos Estados Unidos foi abatido ontem no centro de Bagdá. As cinco pessoas a bordo morreram. A aeronave foi derrubada com rajadas de metralhadora PKC sobre uma região sunita densamente povoada." E chamam a atenção nesta nota duas coisas. Uma a precisão de informarem que o helicóptero foi abatido com tiros de metralhadora PKC, o que me fez ir procurar que tipo de arma era esta. E descobri. Veja na foto abaixo. (URL da foto: http://www.strategypage.com/militaryforums/480-1773.aspx )
A outra coisa é que, normalmente, quando falam em "empresa de segurança" é um eufemismo para uma companhia de mercenários que pode ser regulamentada sob a legislação dos Estados Unidos. Isto permite, por exemplo, que os "funcionários" destas empresas andem, nos territórios em que isto lhes é permitido, com fuzis automáticos. Aqui no Brasil, por exemplo, só soldados das forças armadas, e as policiais (e estes com algumas restrições) podem portar fuzis legalmente. No início da ocupação americana no Iraque, causou certa comoção quando um grupo de "civis" americanos foram emboscados, se não me engano, em Fallujah, e mortos, e seus corpos carbonizados. E ainda os restos mortais deles foram pendurados numa ponte. O grupo de "civis" eram "funcionários" de uma "empresa de segurança".

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