terça-feira, outubro 26, 2010

Nosso projeto, minha história

Nosso projeto, minha história

SÃO PAULO - Os debates entre Dilma Rousseff e José Serra tendem a ser provas de resistência à paciência do espectador. Protegidos por regras que restringem ao máximo a participação de jornalistas e reduzem ao mínimo a exposição a questões e temas espinhosos, os candidatos travam duelos marcados por uma enorme chatice tecnocrática.
Quem, no entanto, consegue atravessar o mar de números, siglas e promessas cruzadas, até chegar às famigeradas "considerações finais" de cada um, pode notar que existe, sim, uma diferença fundamental entre a petista e o tucano: Dilma se despede como aquela que "representa" o "nosso projeto", referindo-se ao governo Lula, do qual é uma peça, ou a protagonista acidental; Serra, por sua vez, conclui oferecendo ao eleitor a "minha história de vida" -biografia, valores, trajetória político-administrativa.
No caso de Dilma, o "nós" ocupa o primeiro plano -este é o seu trunfo e o biombo atrás do qual ela procura esconder suas vulnerabilidades. No caso de Serra, o "eu", inflado, toma a frente da mensagem política, ou se confunde com ela, como quem dissesse "la garantia soy yo", o resto se ajeita depois.
Dito de outra forma: a candidatura de Dilma é maior que a própria candidata, enquanto o candidato Serra é maior que a sua candidatura. Mas não apenas isso.
Caso se confirme o favoritismo petista, ninguém sabe ao certo, nem a própria Dilma, o que será do "projeto" quando Lula sair de cena. A campanha de Dilma celebra o presente, muito mais do que aponta soluções para o futuro.
Mas, com Serra, poucas vezes o país assistiu a uma campanha tão marcadamente personalista, o que, por ironia, o aproxima da tradição populista, que os tucanos -"técnicos", "racionais"- tanto gostam de criticar. Serra, com sua egotrip, sempre acreditou que poderia chegar à Presidência sem assumir compromissos com ninguém; desobrigou assim os aliados de assumirem qualquer compromisso com ele.

Texto de Fernando de Barros e Silva, na Folha de São Paulo, de 20 de outubro de 2010.


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segunda-feira, setembro 27, 2010

O mal a evitar

A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.

Texto publicado na seção "Notas e Informações" da edição de 26/09/2010

Editorial do jornal O Estado de São Paulo, de 26 de setembro de 2010, domingo passado.

Neste editorial, o centenário jornal paulista afirma que apoia o candidato José Serra para presidente do Brasil. Pessoalmente acho ótimo. O jornal sempre teve um perfil conservador, e demonstra isso, quando apoia o candidato “para evitar um grande mal ao país”.

Baseado no fato que nos dois mandatos do presidente Lula nós tivemos economia crescendo, salário mínimo crescendo em termos reais, maior inclusão de jovens no ensino superior, entre outras coisas, é de se pensar se este é o mal a ser evitado, com a vitória do candidato José Serra.

O jornal vê méritos no candidato. Dos, digamos, quatro com maior visibilidade na grande mídia, o candidato José Serra é o último em quem eu pensaria em votar.

Mas, como eu disse, acho ótimo que o jornal manifeste sua afeição por um dos candidatos.





Uma análise mais qualificada sobre o editorial do Estadão no blog La Vieja Bruja.

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sábado, agosto 14, 2010

Serra faz campanha em Washington?

Serra faz campanha em Washington?


O QUE JOSÉ SERRA está tentando fazer? Em sua campanha pela Presidência do Brasil, ele acusou a Bolívia de cumplicidade no tráfico de drogas e criticou Lula por tentar mediar a disputa entre Washington e o Irã, e por recusar (em companhia da maioria dos demais países sul-americanos) reconhecimento ao governo de Honduras, "eleito" sob uma ditadura.
Por algum tempo ele optou por não aderir à campanha internacional de Washington contra a Venezuela, mas agora Serra e seu candidato a vice, Índio da Costa, também adentraram aquele pútrido pântano, alegando que a Venezuela "abriga" as Farc (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas), o principal grupo guerrilheiro que combate o governo da Colômbia.
Que conste: a despeito de uma década de alegações, Washington ainda não conseguiu apresentar publicamente um traço de prova de que o governo de Chávez de fato apoie as Farc.
A única "prova" de que existe em domínio público vem de laptops e outros equipamentos de computação supostamente capturados pelas Forças Armadas colombianas em sua incursão ao território do Equador em março de 2008.
Blogueiros de direita como Reinaldo Azevedo repetem o mito de mídia de que a Interpol teria confirmado a autenticidade desses arquivos supostamente capturados, mas um relatório da Interpol nega enfaticamente essa possibilidade. Tudo que temos é a palavra das Forças Armadas colombianas -organização que sabidamente assassinou centenas de adolescentes inocentes e os vestiu como guerrilheiros.
Será que Serra realmente deseja que o Brasil compre brigas com todos os seus vizinhos a fim de se colocar desafiadoramente do lado errado da história? E isso apenas para se tornar o maior aliado direitista de Washington? Sim, caso Serra não tenha percebido, os Estados Unidos, sob o governo Obama como sob o governo Bush, só têm governos de direita como aliados no hemisfério: Canadá, Panamá, Colômbia, Chile, México. Existe um motivo para isso: a política norte-americana com relação à América Latina não mudou sob Obama.
Mesmo de um ponto de vista puramente maquiavélico -deixando de lado qualquer ideia de fazer da região ou do mundo um lugar melhor-, a estratégia "Serra Palin" faz pouco sentido. O Brasil tinha boas relações com Bush e pode ter boas relações com Obama sem incorrer nessa espécie desonrosa de servidão.
O Brasil não é El Salvador, país cujo governo vive sob chantagem por ameaças de enviar de volta ao seu território os milhares de emigrantes salvadorenhos que vivem nos Estados Unidos. E nem El Salvador tomou a estrada que Serra está percorrendo.
Não é apenas na Venezuela e na Bolívia que os Estados Unidos investem dezenas de milhões de dólares para adquirir influência política. Em 2005, como reportou este jornal, os Estados Unidos bancaram um esforço para mudar a lei brasileira de maneira a reforçar a oposição ao Partido dos Trabalhadores.
Washington tem grande interesse no resultado da eleição deste ano porque procura reverter as mudanças que tornaram a América Latina, no passado o "quintal" dos Estados Unidos, mais independente que nunca em sua história. José Serra está fazendo com que esse interesse cresça a cada dia.

TRADUÇÃO DE PAULO MIGLIACCI

Texto de Mark Weisbrot, na Folha de São Paulo, de 6 de agosto de 2010.


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sexta-feira, julho 30, 2010

Serra vai queimar FHC

Serra vai queimar FHC

O alinhamento eleitoral se completou. Serra moveu-se para a direita -segundo a mesma coreografia do contragosto que costuma executar nessas ocasiões. Dilma pretende continuar na moita -idealmente, até o segundo turno, se não houver como evitá-lo.
É comum ouvir que Serra tem de carregar o fardo da impopularidade dos anos FHC.
Mas não se costuma ouvir o quanto essa herança ajuda a candidatura de Serra. E, para tirar Dilma da toca, Serra terá de queimar sem piedade o capital acumulado pela marca FHC.
A hegemonia tucana dos anos FHC foi construída sobre os slogans da "responsabilidade" e da "confiabilidade". É esse o branding da aliança demo-tucana, é o seu principal patrimônio eleitoral.
A ideia, claro, sempre foi a de fazer do polo petista o lugar da "irresponsabilidade". E nisso pelo menos a força demo-tucana se faz sentir até hoje. Mesmo depois de oito anos de governo, o PT continua atemorizado pela ideia de não parecer "confiável".
Um negativo disso aconteceu no único episódio até agora em que a campanha de Dilma saiu da defensiva: quando tentou colar em Serra a intenção de acabar com o Bolsa Família. A resposta do candidato simplesmente desnorteou a campanha governista. Serra trucou e retrucou: disse que dobraria o número de famílias atendidas pelo programa. Aí veio uma espantosa e inesperada reação da campanha de Dilma: essa não seria uma proposta realista e factível! O slogan de campanha de Serra parece anódino -"O Brasil pode mais". Mas pode bem não ser. Serra começa a dizer com todas as letras que o governo Lula é tímido. Que Dilma é uma candidata sem ideias novas, sem visão de futuro. Que, como no caso de sua proposta de ampliação do Bolsa Família, é possível "fazer muito mais". Na saúde, na educação e na segurança, principalmente.
Perguntado sobre os recursos para implantar sua proposta relativa ao Bolsa Família, Serra recorreu ao velho truque do quanto o país paga de juros. Basta pagar menos juros.
Nisso, só faz seguir na trilha aberta pela atuação demo-tucana no episódio recente do aumento do salário mínimo pelo Congresso. A oposição "confiável" e "responsável" ajudou a derrotar o projeto de Lula e a aprovar um aumento maior e mais extensivo. E jogou o resultado nas costas do próprio Lula, que acabou sancionando um aumento que dizia antes ser impossível.
Serra não tem nada a perder senão a eleição. Vai queimar todo o estoque de "confiabilidade" herdado dos anos FHC.
Sem medo de ser tachado de "irresponsável" ou "populista". Afinal, "isso é coisa do PT".

Texto de Marcos Nobre, na Folha de São Paulo, de 27 de julho de 2010.

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sexta-feira, maio 15, 2009

Governador José Serra condecora o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter

Enfim

A condecoração de governo dada por José Serra a Jimmy Carter é o primeiro ato de reconhecimento oficial brasileiro a este ex-presidente dos EUA, que age mundo afora em auxílio à democracia e em defesa do acesso a dados e documentos oficiais. Rosalyn e Jimmy Carter fizeram muito contra a tortura, a arbitrariedade das prisões e as extradições durante a ditadura no Brasil.

Esta notinha é parte da coluna de Jânio de Freitas, na Folha de São Paulo, de 10 de maio de 2009.

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quinta-feira, novembro 13, 2008

Falcões do serrismo

Falcões do serrismo

SÃO PAULO - Ficou estabelecido por aí, nos ares do tempo, que os petistas abrigam cupinchas, e os tucanos têm assessores; que o PT aparelha, e o PSDB emprega; que um, quando vence nas urnas, põe a democracia em risco; que a vitória do outro exprime a saúde da democracia contra a tara totalitária do primeiro. A lista é vasta.... e tediosa.
A alguns, esses contrastes podem soar simplistas e caricatos. Talvez sejam mesmo. Mas estão na ordem do dia. Tome-se o exemplo ainda fresco das eleições municipais.
Todos sabem, José Serra saiu delas vitorioso. Como grão-tucano, ele tem muitos assessores. Emprega muita gente. Alguns deles -para falar na língua de Delúbio, que os petistas entendem- são auxiliares não contabilizados. Trabalham por amor à causa do governador. Engrossam o Partido do Serra na mídia, de vento em popa rumo a 2010.
Um luminar não contabilizado do serrismo soprou ao governador e ele achou que deveria dizer o seguinte no discurso da vitória, ao lado de Kassab, domingo passado: "Ganharam no Brasil a pluralidade e a diversidade. Perderam o monopólio e aqueles que sonham com o monopólio". E completou a grande idéia com insinuações sobre o mundo sombrio de George Orwell.
A cascata tucana deu cria. Pululou por jornais e blogs até parar na revista. Ora, a tese de que outro resultado eleitoral ameaçaria a democracia entre nós não passa de delírio reacionário. Qual o perigo? Há pobres demais comendo no país? Desejos totalitários? Mas quem falava em 2006, de boca cheia, em "acabar com aquela raça"?
Afora isso, é fato que o PT sofreu um revés nas urnas, à luz do que esperava. Mas parece precipitado dizer que Lula foi derrotado. O que se viu na campanha foi uma legião, da oposição inclusive, procurando tirar lasca da sua popularidade. Não funcionou em São Paulo.
Vamos repetir: o serrismo saiu da eleição por cima. Mas em uma semana já ofereceu um mau presságio do que ele poderá se tornar nas garras da direita que o parasita.

Texto de Fernando de Barros e Silva, na Folha de São Paulo, de 3 de novembro de 2008.


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sexta-feira, maio 16, 2008

Os chapéus de Gaspari


OS CHAPÉUS DE ELIO GASPARI

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1123

. O colonista de "Livros" da Folha (da Tarde *) e do Globo, Elio Gaspari, usa muitos chapéus.

. O chapéu da família Marinho.

. O chapéu da família Frias.

. O chapéu tucano.

. O chapéu contra a privataria, embora jamais tenha falado do Daniel Dantas ...

(Clique aqui para ler por que o PiG não fala mal de Dantas. Note que a irmã de Dantas financiou uma empresa da filha de Serra)

. O chapéu anti-Lula.

. O chapéu "independente".

. O chapéu contra a tortura.

. O chapéu Golbery.

. O chapéu contra a ditadura.

. O chapéu Geisel.

. O chapéu Harvard.

. O chapéu Jorge Paulo Lehman.

. O chapéu Heitor Aquino Ferreira.

. O chapéu Companhia das Letras.

. O chapéu família Moreira Salles.

. O chapéu comunista.

. O chapéu americano.

. É por isso que não se entende o que ele diz.

. É uma charada.

. É por isso que ele se especializa em fazer denúncias em tom grave – sobre questões irrelevantes.

. É que ele se embaralha com tanto chapéu.

. É o malabarista que joga muitas garrafas para cima – e, de vez em quando, uma cai no chão ...

. É porque, na verdade, todos esses chapéus são um disfarce.

. Gaspari só usa um chapéu.

. O chapéu do Serra.

. Gaspari é o único conselheiro em que Serra confia.

. Eles se falam três vezes por dia (de preferência de madrugada, porque os dois não dormem à noite) (*2).

. Todos os políticos de São Paulo sabem disso: Gaspari é o Governo Serra na sombra.

. Só a Folha não sabe disso.

. Ou não quer saber.

. Serra é o único político que comprou a ficha do Gaspari.

. Como demonstrou no romance-reportagem "Castelo de Âmbar", Mino Carta revelou que Gaspari pretende governar o Brasil.

. Como não conseguiu governar o Brasil ainda, Gaspari resolveu governar o passado do Brasil.

. E deu uma visão – ainda incompleta e muito peculiar – do passado recente do Brasil.

. E deu a versão "Heitor Aquino" daquilo que Gaspari chama de "ditadura".

. Gaspari vai co-presidir o Brasil com o presidente eleito José Serquércia.

. Vai ser o Dick Cheney do presidente eleito

. A ligação Gaspari-Serra é antiga.

. No governo do Farol de Alexandria, quando o presidente eleito queria derrubar Pedro Malan para ser o Ministro da Fazenda – Serra quer sempre derrubar alguém ... –, Gaspari defendeu o Governo tucano, menos o que chamava de "ekipeconômica".

. Malan.

. Era preciso derrubar Malan.

. Agora, é preciso derrubar Geraldo Alckmin.

. Por isso, o Conversa Afiada convida o amigo leitor a jogar fora tudo o que o PiG disser que Serra disse de Alckmin.

. Basta ler o Gaspari.

. Ali está o verdadeiro Serra, na sua essência mais pura.

. Neste domingo, por exemplo, Serra/Gaspari diz que Alckmin vai desistir, porque não adianta ser candidato de um partido rachado.

Este é mais um texto do Paulo Henrique Amorim, no seu Conversa Afiada. Paulo Henrique Amorim parece estar numa cruzada para brigar com quase todo mundo no meio jornalístico. Curiosamente quando o vejo (o Paulo Henrique Amorim) na TV Record ele não parece tão independente de seus empregadores, como quando atua em seu saite na Web.

Estou colocando este texto aqui como uma espécie de contraponto, pois eu gosto muito de ler o que escreve o Elio Gaspari, tanto que não perco as suas colunas na Folha de São Paulo, às quartas e aos domingos. Muitas vezes copio o conteúdo total ou parcial destas colunas para cá. Eu tendia a achar que Gaspari seria uma unanimidade (não, eu não concordo com Nelson Rodrigues que toda unanimidade seja burra, embora dizer que toda unanimidade é burra dá uma frase de efeito legal).

Vejo agora que Gaspari não é esta unanimidade. Está feito o registro.

A foto do Gaspari também veio da página do Paulo Henrique Amorim.

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quinta-feira, maio 31, 2007

Tucanos e Privatização

Pois o Blog Entrelinhas informa que o governador José Serra está se preparando para privatizar mais quatro rodovias estaduais de São Paulo. Então, relembra o Luís Magalhães, editor do blog, não fazia sentido os tucanos reclamarem que Lula mentia, quando dizia que Alckmin, se eleito, privatizaria Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobrás.

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sábado, maio 26, 2007

Alckmin, Serra, ...

O "post" anterior falou do ex-governador Geraldo "Choque de Gestão" Alckmin. E se fala que talvez os aliados de José Serra estejam interessados em minar a imagem do governo anterior.
Alguns dos comentaristas políticos simpáticos a Serra, quando ele se candidatou, e posteriormente se elegeu governador, que ele teria condições, como governador do estado mais desenvolvido economicamente no país, de mostrar ao restante do país do que ele seria capaz como administrador, e de chegar como um candidato imbatível nas eleições presidenciais de 2010. Está certo que só se passaram cinco meses desde a posse, mas ainda não foi possível ver a eficácia do potencial administrador que o governador José Serra pode ser. A propósito, vale lembrar que José Serra se elegeu prefeito em 2004, dizendo que governaria a prefeitura de São Paulo pelo mandato completo, e rompeu a palavra empenhada para se eleger governador. Talvez agora, o governador José Serra não pareça ser o administrador que seus aliados esperavam que fosse, porque imagina, como gosta de brincar o jornalista Paulo Henrique Amorim, que José Serra já é o presidente eleito, faltando apenas acontecer a posse, em 2010.
O Paulo Henrique Amorim espinafra o governador José Serra, em alguns textos, no seu saite, como "Cadê o Governador?" , ou "O Jeito Serra de Governar" . Vale a pena conferir.

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quinta-feira, maio 24, 2007

Laerte Braga: USP - UMA LIÇÃO DE LUTA QUE TEM O TAMANHO DO BRASIL

Um aluno do segundo ano do curso de História da USP levou a mãe para visitar a reitoria ocupada da Universidade. Mostrou que os banheiros estavam limpos, que não havia drogas, que os jardins de tão bem cuidados receberam elogios do jardineiro responsável. A mãe de Luís, nome do estudante gostou do que viu.



Um antigo militantes dos tempos que José Serra foi presidente da UNE espantou-se com a ausência de rock and roll , drogas e sexo. O movimento não tem a cara de nenhum partido, acusa as lideranças estudantis de negociarem por baixo dos panos com a reitora e se volta contra o decreto do governador José Serra que retira a autonomia das universidades estaduais no manejo de verbas consignadas no orçamento estadual.



É a mão direita do tucanato. Está visível.



O movimento acabou por estender-se para além dos limites da reitoria. Hoje desperta atenção de todo o País. Numa certa medida tem impedido que as distorções do que de fato acontece sejam corriqueiras na mídia. Nem mesmo a GLOBO, apesar de tentar de todas as maneiras, tem conseguido rotular os estudantes com o velho epíteto de “baderneiros”.



José Serra está numa encruzilhada. O governador acha que é Deus, confunde truculência com eficiência, e neste momento percebe que em sua arrogância insensível comprou uma grande confusão.



Vários campi de universidades estaduais já estão em greve, o movimento se alastra entre servidores e professores e os ultimatos têm sido renovados desde segunda-feira. A reitoria já perdeu o controle e a autoridade sobre o que quer que seja, tamanha a subserviência ao governador e a Polícia aguarda a tal hora de invadir e cumprir um mandado judicial de reintegração de posse.



Os estudantes que ocupam a sede da reitoria da USP conseguiram varar a fronteira da desinformação. Numa certa medida e guardadas as devidas proporções o movimento traz algumas lembranças de 1968 na Europa, sobretudo na França. Há grupos de limpeza, de alimentação, de segurança e até o cigarro é proibido em áreas internas. Quem quiser fumar tem que fazê-lo em áreas abertas.



A estrutura de resistência guarda semelhanças, também respeitadas as proporções, com a organização da guerra do general de campo Nguyen von Giap (Ago), o grande comandante militar do Vietnã contra os então norte-americanos.



Essa forma de luta ano passado surpreendeu o exército de Israel. Em julho quando anunciaram um ataque em massa contra o Hezbollah acabaram tendo que recuar e a única massa foi o recuo.



Não existem caras visíveis entre os estudantes, as lideranças se manifestam em assembléias o que faz com que as decisões sejam sempre coletivas.



O resultado disso? Uma bananosa sem tamanho para José Serra. Acostumado a não ser contestado, agindo de modo presunçoso, arrogante e autoritário, Serra mostra a sua mão direita, fascista e tucana.



Não sabe como fazer para justificar o decreto fascista em que o seu governo se apropria dos recursos das universidades estaduais e começa o arremate do caminho para a privatização dessas instituições.



O mercado como dizem.



De repente seres humanos reagem e recusam a se deixar transformar em seres/consumidores, pior, instrumentos do grande capital internacional. A educação voltada para as vitrines dos caras que acham que o mundo se resume a robôs e a viver e trabalhar, cada um se virando e reagindo de um jeito num contexto de farsa, corrupção e violência, de aceitação. Existe o que faz, existe o que deixa.



Serra não contava com isso. O antigo líder estudantil deixa visível a imensa contradição que existe entre um passado trocado pelas benesses do poder e a luta pela sobrevivência de valores que nem Serra e nem a reitora da USP sabem mais o que é.



A reitoria da USP ocupada é um instante de extraordinário vigor do movimento estudantil e se estende como lição e exemplo a todo o conjunto de forças que lutam contra o modelo falido e corrupto de gente como Serra.



Ao lado da questão política, a existencial, que também é política e não se curva a essa conversa de pesquisa para desenvolver um papel higiênico ideal. Ou uma caçapa que absorva todas as bolas da corrupção na sinuca podre do bom mocismo que apenas esconde a verdadeira face dessa gente.



Hoje, 23 de maio, o País assiste a manifestações pela reforma agrária. Protestos contra a política econômica do governo Lula. A mostra viva que lutar é possível e que o modelo não deixa alternativa que não a mostrada pelos estudantes que ocupam a reitoria da USP. Ou pelos trabalhadores e camponeses que ocupam ruas em várias cidades do Brasil.



É uma reação ao projeto Roça de Cana que joga o Brasil de volta ao século XIX, e consagra o mundo de plástico nas chuvas de pastas da hipocrisia dita institucional. Transcende aos limites da reitoria da USP. Ou das praças, avenidas e estradas onde acontecem as manifestações.



Na USP os estudantes tocam músicas de Raul Seixas, o “Apesar de Você” de Chico Buarque de Holanda, e o hino da resistência em 1968 – “para não dizer que não falei de flores – de Geraldo Vandré. Ecoam por todo o País, onde ainda existam corações e almas dispostos a sobreviver à avalanche da violência e da barbárie capitalista.



Os estudantes que ocupam a reitoria da USP são a mão da liberdade e da característica humana que, pelo menos em tese, existe em cada um de nós. Foi por isso que o estudante Luís levou a mãe até lá. Para mostrar que saída existe.



Se a Polícia invadir, é possível, esses caras raciocinam com a borduna, haja visto o que está acontecendo no Rio e foi denunciado pela Anistia Internacional (935 mortos pela violência desde 1º de fevereiro), o movimento permanece.



O que se vê é apenas a mão direita de José Serra. Do tucanato. E ainda quer ser presidente. A verdade é que presidente, governadores, prefeitos, executivos de empresa, diretores de arapucas, hoje, são apenas domadores que pela via do chicote tentam intimidar e calar pessoas e suas consciências. A grande jaula do mercado.



O movimento dos estudantes é maior que eles e a própria USP. Tem o tamanho do Brasil.



Acho que nem eles imaginavam que chegariam a tanto. Chegaram.

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sábado, maio 19, 2007

Serra

Foto de Diego Padgurschi na Folha de São Paulo.



Charge do Agê, no blog Entrelinhas.

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sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Cratera de 20 Metros de Diâmetro se Abre na Cidade da Guatemala

Pois o Universo Online informa que uma cratera de 20 metros de diâmetro se abriu na Cidade da Guatemala, capital do país centro americano de mesmo nome. A notícia informa que a cratera pode ter mais de 150 metros de profundidade, e que surgiu possivelmente por problemas de drenagem do terreno.
Isto indica que o ex-governador Geraldo Alckmin, e o governador José Serra, já podem ficar mais tranqüilos. O buraco decorrente das obras do metrô de São Paulo não foi falta de fiscalização do governo do estado. Como surgiu um buraco bem parecido em um lugar tão distante, e fora do Brasil, presumivelmente ambos sejam decorrentes de um ataque coordenado de extra-terrestres.
Aguarda-se para breve o surgimento de novas crateras em outros continentes.

A matéria do UOL: http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2007/02/23/ult1807u35034.jhtm

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sábado, fevereiro 17, 2007

Mais AeroSerra

Na sua coluna no IG, Paulo Henrique Amorim comenta mais sobre a compra do "AeroSerra". Além de questionar a forma da aquisição do avião do governo do estado de São Paulo, ele relembra a maneira como certos jornais trataram o avião presidencial, que foi jocosamente tratado de "AeroLula", e pergunta se o avião do governo do estado de São Paulo também será apelidado e jocosamente tratado. Ele cita os artigos de O Estado de São Paulo, A Folha de São Paulo, e O Globo. Ou seja, como o velho ditado, "mata a cobra e mostra o pau".

Texto do Paulo Henrique: Como Serra "Comprou" o "AeroSerra" .

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