segunda-feira, maio 11, 2009

Os Estados Unidos têm uma tradição de torturas

Os Estados Unidos têm uma tradição de torturas

Noam Chomsky

Os relatórios de tortura divulgados pela Casa Branca provocaram choque, indignação e surpresa. O choque e a indignação são compreensíveis - especialmente em relação ao Relatório do Comitê do Senado para os Serviços Armados, sobre o Tratamento de Detentos, que recentemente deixou de ser classificado como sigiloso.

Conforme o relatório revela, no verão de 2002, interrogadores em Guantánamo passaram a sofrer pressões cada vez mais intensas dos escalões superiores da cadeia de comando no sentido de estabelecer um vínculo entre o Iraque e a Al Qaeda. O waterboarding (prática de tortura que consiste em provocar uma sensação de afogamento, despejando água sobre o rosto, coberto por um pano, de um prisioneiro imobilizado sobre uma tábua ou mesa), entre outros tipos de tortura, finalmente gerou as "evidências" por parte de um detento, que foram utilizadas para ajudar a justificar a invasão do Iraque no ano seguinte por Bush-Cheney.

Mas por que a surpresa com os relatórios de tortura? Mesmo sem o inquérito, fazia sentido supor que Guantánamo fosse uma câmara de tortura. Para onde mais enviar prisioneiros de forma que eles estivessem fora do raio de ação da lei - aliás, um local que Washington está usando em violação a um tratado que foi imposto à Cuba sob a mira de armas? É difícil levar a sério a lógica da segurança que foi apresentada.

Um motivo mais abrangente para haver pouca surpresa é o fato de a tortura ser uma prática rotineira desde o início da conquista do território nacional, e para além deste território, à medida que as aventuras imperiais do "infant empire" (império na sua fase inicial) - como George Washington chamava a nova república - estendiam-se até as Filipinas, ao Haiti e a outros países.

Além do mais, a tortura era o menos grave dentre os diversos crimes de agressão, terror, subversão e estrangulamento econômico que ensombreceram a história dos Estados Unidos, assim como ocorreu no que se refere à história de outras grandes potências. As atuais revelações de torturas expõem mais uma vez o conflito entre "aquilo que representamos" e "aquilo que fazemos".

A reação foi veemente, mas sob certos aspectos isso gera algumas questões. Por exemplo, o colunista do "New York Times" Paul Krugman, um dos mais eloquentes e contundentes críticos das más ações de Bush, escreve que no passado nós éramos "uma nação de ideais morais", e que nunca antes de Bush "os nossos líderes traíram tão flagrantemente tudo o que a nossa nação representa".

Para dizer o mínimo, essa visão generalizada é uma versão bem distorcida da história. É um artigo de fé, quase uma parte do credo nacional, a noção de que os Estados Unidos são corretos, ao contrário de outras grandes potências, do passado e do presente - a ideia que é chamada de "excepcionalismo norte-americano".

Uma correção parcial disso pode ser a história recém-publicada pelo jornalista britânico Godfrey Hodgson, "The Myth of American Exceptionalism" ("O Mito do Excepcionalismo Norte-Americano"). Hodgson conclui que os Estados Unidos são "apenas um grande, mas imperfeito, país entre outros".

O colunista Roger Cohen, do "International Herald Tribune", ao comentar o livro no "New York Times", concorda que as evidências sustentam a avaliação de Hodgson, mas discorda de um ponto fundamental: segundo ele Hodgson não conseguiu entender que "os Estados Unidos nasceram a partir de uma ideia, e, portanto, o país tem necessariamente que levar essa ideia à frente".

A ideia é revelada pelo nascimento dos Estados Unidos como uma "cidade no topo de uma montanha", escreve Cohen, uma "ideia inspiradora" que mora "nas profundezas da psiquê norte-americana".

Em suma, o erro de Hodgson consiste em aceitar "as distorções da ideia norte-americana nas décadas recentes". Voltemo-nos agora para a "ideia" dos Estados Unidos.

A frase inspiradora "cidade em uma montanha" foi criada por John Winthrop em 1630, que a tomou emprestada dos Evangelhos, e que delineia o futuro glorioso de uma nova nação "comandada por Deus".

Um ano antes a sua Colônia da Baía de Massachusetts criou o seu Grande Selo. Ele mostra um índio com um pergaminho saindo da boca. No pergaminho estão escritas as palavras: "Venham e nos ajudem". Assim, os colonos britânicos eram humanistas benévolos, que respondiam aos apelos dos nativos miseráveis para que fossem salvos de seu amargo destino pagão.

Essa proclamação inicial de "intervenção humanitária", para usar o termo atualmente popular, mostrou-se bastante semelhante às suas sucessoras, deixando horrores ao longo do seu percurso.

As vezes há inovações. No decorrer dos últimos 60 anos, vítimas de todo o mundo enfrentaram aquilo que o historiador Alfred McCoy descreve como "a revolução da CIA na ciência da dor", no seu livro de 2006 "A Question of Torture: CIA Interrogation, from the Cold War to the War on Terror" ("Uma Questão de Tortura: Interrogatórios da CIA, da Guerra Fria à Guerra Contra o Terror").

A atividade de tortura é frequentemente transferida para subsidiárias. Mas o waterboarding é um dos métodos utilizados há décadas que aparece com poucas modificações em Guantánamo.

A cumplicidade com a tortura destaca-se com frequência na política externa dos Estados Unidos. Em um estudo feito em 1980, o cientista político Lars Schoultz descobriu que o auxílio financeiro dos Estados Unidos "tende a fluir desproporcionalmente para governos latino-americanos que torturam os seus cidadãos,... para os violadores relativamente ostensivos dos direitos humanos fundamentais".

O estudo de Schoultz e outros que chegaram a conclusões similares precedem a era Reagan, quando não valia a pena estudar o tópico porque as correlações eram demasiadamente evidentes. E essa tendência continua até o presente sem nenhuma modificação significante.

Não é de se surpreender que o presidente nos aconselhe a olhar para frente, e não para trás - uma doutrina conveniente para aqueles que empunham os porretes. Mas aqueles que são espancados tendem a enxergar o mundo de forma diferente, para grande irritação nossa.

Entre os impérios, o "excepcionalismo" é provavelmente quase universal. A França exaltava a sua "missão civilizadora" enquanto o ministro francês da Guerra pedia o "extermínio da população nativa" da Argélia.

A nobreza britânica era uma "novidade no mundo", declarou John Stuart Mills, enquanto rogava que a sua potência angelical não postergasse mais a conclusão da sua campanha de libertação da Índia. O clássico ensaio de Mills, "A Few Words about Non-Intervention" ("Umas Poucas Palavras Sobre Não Intervenção"), foi escrito logo após a revelação pública das atrocidades horríveis cometidas pela Grã-Bretanha ao suprimir a rebelião de 1857.

Tais ideias "excepcionalistas" não são apenas convenientes para o poder e o privilégio. Elas são também perniciosas. Um dos motivos para isso é que elas mascaram os crimes reais em andamento. O massacre My Lai durante a Guerra do Vietnã foi apenas uma nota de rodapé para as atrocidades muito maiores dos programas de pacificação pós-Tet. A invasão de uma sala em Watergate que derrubou um presidente dos Estados Unidos foi sem dúvida criminosa, mas o furor provocado por ela desviou a atenção de crimes incomparavelmente piores perpetrados nos Estados Unidos e no exterior - o bombardeio do Camboja, para mencionar apenas um exemplo horrível. É muito comum que atrocidades seletivas exerçam essa função.

A amnésia histórica é um fenômeno muito perigoso, não só porque ela mina a integridade moral e intelectual, mas também porque cria as fundações para os crimes que serão cometidos adiante.

Texto do The New York Times, no UOL.


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sexta-feira, março 20, 2009

Iraque: 6 anos de ocupação

Ocupação do Iraque completa seis anos fora de foco

Violência diminuiu, mas problemas persistem; com crise, governo e opinião pública nos EUA deixam conflito em segundo plano

ANDREA MURTA
DE NOVA YORK

A ocupação do Iraque pelos EUA, iniciada com um ataque na madrugada de 20 de março de 2003 com bombas e mísseis ao sul de Bagdá, completa hoje seis anos. Mas desta vez, após tantos protestos e atenção da mídia, a crise econômica ofuscou a guerra no noticiário, e a data parece quase esquecida.
Em dois discursos em Los Angeles ontem, o presidente dos EUA, Barack Obama, não citou o aniversário, concentrando-se na economia. Tampouco houve perguntas da plateia a respeito. Em manchetes dos principais jornais, blogs e TVs, nada de destaque ao Iraque. E Bagdá tampouco fez cerimônias sobre a ocasião.
A ausência foi notável, já que, pelo horário de Washington, a guerra começou na noite de 19 de março de 2003.
Não é só a recessão que causou o desprestígio. Ajudou na obliteração das notícias do front o declínio da violência, creditado pelo Pentágono ao aumento das tropas no Iraque a partir de 2006 e à aliança com milícias sunitas.
Além disso, é uma estratégia de Obama transferir atenção, assim como tropas e recursos, do Iraque ao Afeganistão. A ação no Iraque já custou US$ 657 bilhões aos cofres públicos americanos (segundo valores aprovados pelo Congresso). Com as mudanças, Obama projeta reduzir os gastos, contando com US$ 144 bilhões deste ano fiscal, US$ 130 bilhões em 2010 e US$ 50 bilhões depois.
Os números trazem notícias relativamente boas. As média diária de mortes de civis iraquianos em ataques e confrontos é hoje 10. É mais do que no início da guerra, mas menos do que o pico de 72 em 2006, segundo o site Iraq Body Count.
Os saldo total, porém, bate em 91 mil. No caso dos militares americanos, as baixas chegam a 4.259. E, se a violência diminuiu significativamente em Bagdá, a insurgência sunita continua forte no norte do país.
De toda forma, o Iraque não está estável. O país enfrenta dificuldades políticas e econômicas, e o risco de as disputas desembocarem em mais violência não está fora do quadro.
"O processo político é cheio de tensões e contradições, e a situação no Iraque vai se deteriorar se não progredirmos politicamente", disse o legislador sunita Osama al Nujafi à Associated Press. Na economia, uma complicação recente é a crise no Orçamento: cortes severos foram necessários depois que o preço do barril de petróleo caiu do pico de US$ 150 em meados de 2008 para US$ 50.
Ante o quadro, o Exército dos EUA espera sair do Iraque sem deixar o país no caos. A ideia é tirar as tropas de combate até setembro de 2010 e todos os soldados até o fim de 2011.
Para muitos iraquianos, é pouco. "O Iraque nunca vai ver a estabilização até que todas as tropas de ocupação saiam. Não vimos nenhuma mudança do último aniversário até agora", disse Salah al Obeidi.

Texto da Folha de São Paulo, de 20 de março de 2009.


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sábado, junho 02, 2007

Guantánamo

O jornal Correio do Povo de hoje, primeiro de junho, noticia a morte de um prisioneiro em Guantánamo, de nome Al Amri.
A notícia também apareceu no Blog do Bourdoukan, onde é informado ainda que, com este, já são quatro os prisioneiros mortos em Guantánamo.
Mais uma vergonha para os Estados Unidos. Eventualmente aqui no Brasil, e em muitos outros países, a polícia, ou alguns elementos dos corpos policiais, cometem execuções, mas são extra-judiciais, isto é, não há lei que ampare uma execução.
Mas estes quatro homens mortos em Guantánamo estavam lá há anos, sem acusação, nem julgamento, e submetidos a torturas. Se bem que o secretário de justiça(!) dos Estados Unidos, Alberto González informa que os "interrogatórios duros" com os prisioneiros não são tortura. Talvez ele deva recomenda à ONU para que longa exposição a temperaturas extremas, quentes ou frias, simulação de afogamento, humilhação sexual, privação do sono, alimentação forçada aos prisioneiros em greve de fome, sejam liberados como métodos de interrogatório lícito para as polícias de todo o mundo.

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quinta-feira, maio 10, 2007

Seja Legal com os Estados Unidos...



"Seja legal com os Estados Unidos, ou levaremos a democracia para seu país."

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terça-feira, maio 08, 2007

Homem-Aranha 3 - Softpower e Hardpower

E a propósito do Homem-Aranha, há um momento em que o super-herói fica, por uma fração de segundos, em frente a uma imensa bandeira dos Estados Unidos. Esta fração de segundo com o Homem-Aranha e o pavilhão estadunidense juntos seria um exemplo bem acabado do antigo poder de sedução que os Estados Unidos ofereciam para o mundo. Não que este poder de sedução tenha acabado, pois como diz um professor meu, nós continuamos em grande parte a assistir filmes produzidos por Hollywood; ouvir ou dançar, ou ambas as coisas, "rock 'n roll" (talvez o meu professou escrevesse roquinrol, ou roquinrou...), e vestir calças "jeans" e camisetas de algodão (esta maneira de vestir começou a ser propagada no final dos anos 1950, e como? pelos filmes de Hollywood!) .
O cientista político, e antigo assessor do Governo Federal dos Estados Unidos, Joseph Nye, afirma em seus livros que os Estados Unidos são a maior superpotência que existe atualmente, mas que para manter esta liderança, o país precisa utilizar ao máximo o "softpower", isto é, chamar outros países para parcerias, colaboração, desenvolvimento conjunto, e usar o mínimo de "hardpower", ou seja, intervenções militares puras e simples, intimidações, acusações e outros que tais. Eu certamente concordo com ele em muito do que diz.
E é justamente isto que parece tornar a exibição do pavilhão estadunidense em um filme algo anacrônico para a assistência que não seja cidadã dos Estados Unidos. Se em algum momento, a bandeira dos Estados Unidos esteve ligada a sistemas legais, busca por justiça, etc, desde a invasão do Iraque, e da criação do campo de detenção de Guantánamo, isto se desvaneceu. A invasão do Iraque foi baseada em falsos argumentos, e os detidos em Guantánamo vivem num limbo legal (casualmente quando o Papa Bento XVI encaminha a Igreja Católica para apagar qualquer tradição ligada ao limbo, aquele lugar para onde, segundo alguns, iriam as crianças que morrem sem consciência do pecado humano, mas também sem batismo. Ao renunciar a esta tradição o Papa se aproxima do senso comum da crença das igrejas protestantes em matéria de destino de crianças após a morte. Mas isto talvez seja assunto para um outro "post"), e lá estão detidos, alguns há sete anos, sem julgamento e condenações formais, porque o Departamento de Justiça resolveu rotulá-los de "combatentes inimigos ilegais". E recentemente o Departamento de Justiça encaminhou pedido ao judiciário para restringir o acesso de advogados aos detidos em Guantánamo, limitando o número de visitas, tendo acesso à correspondência trocada entre detidos e advogados, e restringindo o acesso a evidências que possam ser usadas como peças de acusação.
Pobre bandeira norte-americana. Pobre Homem-Aranha. Podiam não pagar este mico.
Talvez o diretor devesse ter duas versões para o filme. Uma com a cena para o público interno (para aqueles que acreditam de todo o coração que o país ainda representa justiça para o mundo. Ainda há pessoas que percebem que o país está perdendo, perdeu credibilidade com o governo Walker Bush.), e uma sem a cena para o resto do mundo. O Homem-Aranha vai salvar Nova York, mas não precisa do pavilhão para lhe fazer companhia naquela hora...

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terça-feira, março 20, 2007

Fernando Canzian: O Bagaço da Cana - Folha de São Paulo, 12/03/2007

FERNANDO CANZIAN

O bagaço da cana

SÃO IMENSAS as possibilidades que a decisão norte-americana e de outros países sobre o álcool combustível abrem ao Brasil. Com maior potencial no mundo para produzir o etanol e há 30 anos no ramo, o país tem condições de ganhar muito dinheiro e empregos na área.
Como calculou o colega Mauro Zafalon, especialista desta Folha em quase tudo o que pasta ou cresce no campo, se todos os países do mundo resolvessem adicionar 10% de álcool à gasolina, o consumo de etanol chegaria a 130 bilhões de litros por ano.
Brasil e EUA, responsáveis por 72% do álcool produzido no mundo (lá de milho, aqui de cana), juntos não chegam a 40 bilhões de litros por ano. Com três milhões de hectares de cana para o álcool, o Brasil tem ainda outros 22 milhões totalmente adequados para o cultivo. Já os EUA estão no limite.
Na ponta do consumo, os norte-americanos vão adicionar 20% de álcool à gasolina até 2017. O Brasil já usa 23% (de cada quatro veículos "a gasolina", quase um é movido a álcool). A União Européia ratificou plano para adicionar 10% até 2020, e o Japão só não o faz formalmente porque não tem garantias de abastecimento.
Ao contrário do passado, quando o Proálcool deixou motoristas de tanques vazios, a decisão sobre os biocombustíveis agora tem outras razões além do preço e de dependência de petróleo. Tornou-se questão política/ecológica.
Mesmo a polêmica sobretaxa norte-americana sobre o álcool (válida até 2009) perderá sentido rapidamente se o produto virar commodity internacional.
As possibilidades são imensas. Assim como as chances de distorções e problemas que a busca indiscriminada por lucros e mercados pode causar.
Na semana passada, o "Jornal Nacional" mostrou uma das várias faces do problema: tratores invadindo áreas de mananciais no interior de São Paulo, na madrugada, derrubando árvores centenárias e entupindo nascentes de riachos.
Áreas planas, de preferência, para o plantio da cana e colheita com máquinas, sem homens, como vai se tornando praxe nesse mercado.
Em São Paulo, que produz dois terços do álcool/açúcar do país, mais da metade da colheita ainda é feita com queimadas. Isso sem falar nas condições de trabalho nos canaviais.
Embora Lula diga que o Brasil poderá fazer algo que "nunca na humanidade" (estamos indo longe) foi feito, como "despoluir o mundo", o que os números e ações de seu governo revelam é que o enfoque principal era outro -o biodiesel. Os míseros R$ 4 milhões federais para pesquisas em álcool em mais de dez anos dão uma boa noção de quão precários são os outros controles nessa área.


FERNANDO CANZIAN é repórter especial da Folha.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1203200706.htm

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sábado, março 10, 2007

Clóvis Rossi: Minhas Perguntas a Bush - Folha de São Paulo, 09/03/2007

CLÓVIS ROSSI

Minhas perguntas a Bush

SÃO PAULO - O Itamaraty e o governador José Serra não gostaram do relatório dos EUA sobre violações aos direitos humanos no Brasil. É direito deles, mas não dá para dizer que o relatório mente.
Eu, se fosse ministro ou governador de São Paulo, preferiria usar as perguntas que a Human Rights Watch faria ao presidente George Walker Bush durante sua visita ao Brasil. Duas delas:
1 - "De acordo com um relatório divulgado pela Human Rights Watch na semana passada, o governo dos EUA é responsável por desaparecimentos forçados ao manter suspeitos detidos em prisões secretas fora dos EUA. O relatório identifica 38 "desaparecidos" cujo paradeiro permanece desconhecido.
Quando é que os Estados Unidos vão revelar o destino e o paradeiro de todos os prisioneiros mantidos em prisões secretas pela CIA desde 2001?".
2 - "Em fevereiro, o Brasil e muitos outros países da América Latina assinaram a recém-adotada Convenção contra Desaparecimentos Forçados. Os EUA se recusaram a assiná-la. Por que os EUA não apóiam essa tentativa de combater uma internacionalmente reconhecida violação dos direitos humanos?"
Faria também uma cobrança em relação aos prisioneiros da chamada "guerra ao terror", mantidos ilegalmente em Guantánamo, em uma situação que Franz Kafka teria dificuldades de imaginar.
É assim: um tribunal federal decidiu, há 15 dias, que estrangeiros presos nesse pedaço de Cuba não têm direito ao amparo judicial porque Guantánamo não é dos Estados Unidos. Ou seja, os EUA criam um encrave em território cubano e "escondem" lá certos presos, que ficam, por isso, no limbo judicial, o que joga no lixo o "devido processo" de que tanto se orgulhava a democracia norte-americana e cuja ausência tanto criticam em outros países, com razão, aliás.



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sexta-feira, março 09, 2007

José Simão Comenta a Visita de Bush ao Brasil - Folha de São Paulo, 08/03/2007

E uma amiga minha vai botar a vassoura atrás da porta pro Bush ir embora logo! Apelo à nação: todo mundo com a vassoura atrás da porta! Fora Bush! Vassoura Atrás da Porta! É uma medida muito mais prática. Chega de protestos!
E diz que o encontro do Belzebush com o Lulalelé não vai ser um acontecimento. Vai ser um ALCOOLtecimento! E já que eles vão discutir álcool, a véia marvada, por que eles não se encontram no boteco da esquina?
E acabo de receber a foto do local de nascimento do Bush: 'Connecticut welcomes you! Birthplace of George W. Bush. We Apologise'.
'Bem vindos a Connectituc. Local de nascimento de George W. Bush. DESCULPEM-NOS'. Desculpem-nos pelos transtornos. Rarará! "

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Enquanto Isso, no Consulado dos Estados Unidos no Recife... - Folha de São Paulo, 08/03/2007

Estados Unidos negam visto à brasileira que falaria na ONU

FABIANE LEITE
DA REPORTAGEM LOCAL

A brasileira Janaína Regina da Conceição, 30, que iria dar um testemunho na ONU em Nova York anteontem sobre como adquiriu o HIV após ser vítima de violência, teve o visto negado pelo consulado dos EUA em Recife.
Janaína foi convidada por uma importante ONG internacional, a Action Aid, que cobriria todos os custos da viagem. Ela faria parte do lançamento de uma campanha para alertar sobre a relação entre violência e Aids. Janaína foi forçada a se prostituir por uma mulher que a adotou e foi vítima de estupro durante a adolescência.
"Mal me olharam, perguntaram se estudava e trabalhava, eu disse que não e apenas responderam que eu não tinha qualificação para viajar", relata Janaína sobre sua entrevista no consulado dos EUA em Recife.
Procurada pela Folha, a embaixada dos EUA no Brasil diz que Janaína não apresentou provas de vínculos no Brasil e que por isso o visto foi negado.
O lançamento da campanha ocorreu na última terça, durante a 51ª Sessão da Comissão sobre o Status das Mulheres.
Janaína vive em um abrigo para soropositivos em Recife com os filhos de quatro e seis anos e o caso de suposta discriminação foi alardeado pela ONG Gestos.
Segundo Adlene Andrade, responsável pela comunicação social da ONG, recebido o convite logo após o Carnaval, foi marcada uma entrevista para o dia 27 de fevereiro. No mesmo dia o visto foi negado. "Quando você pensa que deu um passo à frente, aí lhe dão um empurrão", afirmou Janaína.
Na sexta passada mais de 20 ONGs, brasileiras e internacionais, enviaram carta à secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, protestando contra a negativa do visto.
A embaixada dos EUA diz que chegou a dar uma segunda chance para Janaína apresentar os documentos necessários, mas ela não teria comparecido com os papéis -o que a Gestos nega. A ONU disse que não comentaria o caso.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0803200713.htm


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Logo Após o Departamento de Estado Divulgar Seu Relatório Anual sobre Direitos Humanos no Mundo,...

... o Angeli divulga uma charge na Folha de São Paulo (de 08/03/2007):



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quinta-feira, março 08, 2007

George Walker Bush Vem Aí

E amanhã, Dia Internacional da Mulher, o presidente dos Estados Unidos da América, Geroge Walker Bush, chega ao Brasil para uma visita de cerca de 20 horas. Depois de pernoitar em São Paulo, segue na sexta-feira para o Uruguai.
Nesta visita por cinco países da América Latina (além de Brasil, estão previstas visitas ao Uruguai, conforme já dito, Colômbia, Guatemala e México), vagas promessas de negócio, como desenvolvimento de projetos conjuntos em etanol no Brasil, acordos de negócios com o Uruguai, acordos de colaboração bilateral com a Colômbia, bem como conversas com seu parceiro de NAFTA, o México, e seu possível parceiro (no CAFTA ) Guatemala.
A princípio, de certo mesmo para o Brasil, apenas o transtorno no trânsito para os paulistanos, haja visto o portentoso aparato de segurança montado para proteger o presidente da potência da América do Norte.
Curiosamente, os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos parecem que criaram uma forte ligação pessoal entre eles, a despeito da discordância do Brasil em assuntos como Guerra do Iraque, ou subsídios agrícolas. E, como diz o José Simão, nenhum deles fala inglês, nem português! E apesar do Brasil ser presidido por um esquerdista. Ou talvez isso seja um indício que o presidente Lula não é esquerdista!
Certo também é que muitas manifestações contra o presidente Bush deverão tentar acompanhá-lo.
É a segunda visita do presidente Walker Bush ao Brasil. Na primeira, ele passou por aqui a caminho a reunião dos países do continente em Buenos Aires, e desfrutou de uma churrascada na Granja do Torto (como o Jorge Lorenzetti disse que não assava churrasco para o presidente desde 2004, provavelmente não foi ele que assou o tal churrasco).
Espero que o os presidentes Lula e Walker Bush tenham m bom tempo juntos, e que as tais "reuniões de trabalho" sejam proveitosas.

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domingo, fevereiro 18, 2007

NED e USAID

Dois textos muito interessantes sobre o NED - National Endowment for Democracy (ou "Fomento Nacional para a Democracia") e a USAID - United States Agency for International Developement (isto é, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), e de como estas instituições são utilizadas pelos Estados Unidos da maneira como eles entendem democracia, e que, claro, favoreçam os interesses dos Estados Unidos.

No blog do Luiz Carlos Azenha:
NED: http://viomundo.globo.com/site.php?nome=PorBaixoPano&edicao=624
USAID e NED: http://viomundo.globo.com/site.php?nome=PorBaixoPano&edicao=584
Política Externa Americana: http://viomundo.globo.com/site.php?nome=MinhaCabeca&edicao=625

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segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Helicópteros Viram Alvo no Iraque

O Correio do Povo deste domingo, 11 de fevereiro, comenta a queda de seis helicópteros no Iraque nos últimos dias. Segundo a notícia, mais de 60 aparelhos já teriam sido abatidos desde o início da invasão em 2003.
Alguns dos aparelhos derrubados seriam modelos já defasados, com sistemas de defesa obsoletos. Mas alguns já eram máquinas mais modernas, com sofisticados sistemas anti-mísseis. Assim, é aventada a hipótese de que a resistência à ocupação tenha tido acesso a mísseis com tecnologia ainda mais moderna, como mísseis russos, ou iranianos.
Curiosamente a notícia não especula sobre coisas mais prosaicas, como, por exemplo, o helicóptero de uma "empresa de segurança privada" derrubado possivelmente por tiros de metralhadora de grosso calibre, como já foi divulgado neste blog.

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Farsa?...

Pequena nota no Correio do Povo deste sábado, dia 10 de fevereiro, informa que a ligação entre a Al-Qaeda e o regime de Saddam Hussein, um dos argumentos para justificar a invasão ao Iraque pelos Estados Unidos, foi arquitetada pelo escritório do então sub-secretário de defesa Douglas Feith, e nunca foi confirmada.
A notinha cita o nome do auditor do Pentágono autor da denúncia, Thomas Gimble, e termina com uma declaração do senador Carl Levin, presidente da Comissão das Forças Armadas, dizendo que "este relatório é uma condenação devastadora dos serviços de Feith".

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sábado, fevereiro 03, 2007

Guerra no Iraque

A Guerra do Iraque entra no seu 4º ano.
A edição de 24 de janeiro passado da Folha de São Paulo informa que "um helicóptero civil que pertencia a uma empresa de segurança dos Estados Unidos foi abatido ontem no centro de Bagdá. As cinco pessoas a bordo morreram. A aeronave foi derrubada com rajadas de metralhadora PKC sobre uma região sunita densamente povoada." E chamam a atenção nesta nota duas coisas. Uma a precisão de informarem que o helicóptero foi abatido com tiros de metralhadora PKC, o que me fez ir procurar que tipo de arma era esta. E descobri. Veja na foto abaixo. (URL da foto: http://www.strategypage.com/militaryforums/480-1773.aspx )
A outra coisa é que, normalmente, quando falam em "empresa de segurança" é um eufemismo para uma companhia de mercenários que pode ser regulamentada sob a legislação dos Estados Unidos. Isto permite, por exemplo, que os "funcionários" destas empresas andem, nos territórios em que isto lhes é permitido, com fuzis automáticos. Aqui no Brasil, por exemplo, só soldados das forças armadas, e as policiais (e estes com algumas restrições) podem portar fuzis legalmente. No início da ocupação americana no Iraque, causou certa comoção quando um grupo de "civis" americanos foram emboscados, se não me engano, em Fallujah, e mortos, e seus corpos carbonizados. E ainda os restos mortais deles foram pendurados numa ponte. O grupo de "civis" eram "funcionários" de uma "empresa de segurança".

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