Ainda a Mosca Azul

Porque política é um assunto muito chato mas é fundamental. Início: 06/04/2006.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Quem é Uribe

Ignorar a história, uma saída rasteira – por Wálter Fanganiello Maierovitch

Condenar a guerrilha sem levar em conta o contexto na qual surgiu é jogo sujo

Na campanha eleitoral em curso, o candidato tucano José Serra volta, como em 2002, a tentar colar no PT e, por tabela, em Lula e na concorrente Dilma, a imagem de apoiadores das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC). Serra ignora a história da Colômbia, país onde a violência tornou-se endêmica desde a morte por tuberculose do frustrado Simón Bolivar, em dezembro de 1829.

O ex-governador de São Paulo faz tábula rasa do longo arco temporal em que as Farc eram uma organização insurgente, nascida em 20 de junho de 1964 e diante de uma heroica resistência campesina ao plano genocida elaborado pelos EUA e chamado Latin American Security Operation. Esse plano competiu ao exército colombiano, com assessoria norte-americana. Algo muito comum na historiografia da Colômbia: para matar Pablo Escobar, os americanos treinaram policiais colombianos e os direcionaram, com recursos tecnológicos made in USA, até o esconderijo do narcotraficante. A matança ficou por conta da mão do gato, no caso, os soldados colombianos.

A Serra, nesta campanha presidencial, só interessa as Farc da dupla Álvaro Uribe e George W. Bush. Com o Plano Colômbia (iniciado no governo Bill Clinton) e com a morte de Manuel Marulanda, apelidado de Tirofijo, houve a quebra de unidade de comando das Farc, perda de disciplina nas frentes e luta intestina pela sucessão.

Deu-se o conflito entre as alas lideradas pelo antropólogo Alfonso Cano e pelo combatente Mono Jojoy, uma espécie de general de campo e promotor da busca de recursos financeiros sujos, isto é, provenientes do tráfico de cocaína operado por uma miríade de cartelitos, que substituíram os grandes cartéis dos tempos de Escobar, de Gacha, dos Ochoa e dos irmãos Orejuela.

Antes do Plano Colômbia, conforme revelado pela Central Intelligence Agency (CIA), as fontes de arrecadação das Farc, por ordem de importância, eram as seguintes: sequestro de pessoas para fim de extorsão, abigeato (furto de gado), "taxa"de proteção aos produtores de café e milho e arrecadação de "imposto de circulação" gerado pela venda de folha de coca nos mercados. Hoje, segundo divulgam os 007 da Drug Enforcement Administration (DEA), as Farc arrecadam 1% do movimento financeiro operado pelo tráfico internacional de cocaína. Como fazem esse cálculo, só a unidade de propaganda imperialista e anti-Farc saberia informar.

Certa vez, Andrés Pastrana, já sequestrado pelas Farc e antecessor de Uribe, reclamou, em pronunciamento como presidente recém-eleito, como o seu país era objeto de análises equivocadas no exterior: "A Colômbia padece de duas guerras nitidamente diferentes. Aquela do narcotráfico contra o país e o mundo. E aquela da guerrilha contra um modelo econômico, social e político, que é injusto, corrupto e gerador de privilégios".

Com relação ao narcotráfico, Pastrana não se referia às Farc, com as quais procurou negociar um plano de paz e estabeleceu zonas desmilitarizadas. Apesar das críticas do governo Clinton, pela voz do general Barry MacCafrey, czar das drogas da Casa Branca e autor do Plano Colômbia, o conservador presidente Pastrana, filho do ex-presidente Misael, precisava conquistar confiança como negociador. Numa Colômbia que, em 1953, atraiu guerrilheiros de esquerda para o chamado pacto de "Paz, Justiça e Liberdade" e, às ordens do general Gustavo Rojas Pinilla, acabou por fuzilar, em três meses, 10 mil dos que haviam deposto as armas.

Pastrana, ao mencionar o narcotráfico, estava a se referir ao escândalo do seu antecessor, Ernesto Samper Pizano, que recebeu dinheiro dos cartéis da cocaína para a campanha presidencial, e à força adquirida por essas organizações criminosas durante a presidência de César Gaviria Trujillo (hoje associado a Fernando Henrique num projeto de legalização de todas as drogas proibidas pela Convenção das Nações Unidas). Nesse período, até Pablo Escobar se elegeu deputado.

Tendo em vista a trajetória da família Uribe, com laços estreitos com o narcotráfico, e como bem definiu, em 1881, o embaixador argentino na Colômbia, "este é um país onde matar um opositor ideológico não é considerado verdadeiro crime comum, e sim apenas o desenvolvimento natural de uma tática política".

A origem remota das Farc não escapou à pena brilhante de Gabriel García Márquez. Na obra Cem Anos de Solidão ele descreve a chacina, em 1928, de Ciénaga, de responsabilidade da estadunidense United Fruit. Os bananeiros da zona de Santa Marta se negaram a carregar os trens parados na estação ferroviária de Ciénaga, destinados a levar bananas para New Orleans. Os trabalhadores exigiam repouso semanal, melhores condições sanitárias, pagamento do salário em dinheiro, em vez de vales só aceitos em comércios da United Fruit. O exército foi acionado pela companhia americana e, antes do término do prazo para o carregamento dos vagões, abriu fogo e matou uma centena de bananeiros. Após isso, a United Fruit passou a se chamar Frutera de Sevilla e, em 1980, Chiquita Banana, Del Monte e Dole.

À tragédia de Ciénaga reagiu Jorge Eliécer Gaitán, líder da União Nacional da Esquerda Revolucionária (Unir). Gaitán tornou-se o candidato à Presidência, nas eleições de 1950. Era candidato imbatível, com maciço apoio popular. Acabou assassinado em 9 de abril de 1948, num complô armado pela CIA, que temia a expansão comunista, apesar de Gaitán nunca ter sido comunista e de ter se transferido até para o Partido Liberal.

Efetivamente, a violência colombiana é endêmica. No século XIX, por exemplo, a Colômbia republicana enfrentou duas guerras com o Equador, oito guerras civis internas de amplitude nacional e 14 guerras civis regionais. Os partidos, Conservador e Liberal, desde 1848 monopolizaram a vida política com programas diferentes, mas em permanente união na defesa do latifúndio, das elites, dos paramilitares e contra a formação de sindicatos.

Os conservadores tinham por lema "Deus, pátria e família". Os liberais, aparentemente progressistas, proclamavam a fórmula francesa da igualdade, liberdade e fraternidade. A forte Igreja Católica colombiana pendeu para os conservadores e fechava os olhos à exploração do trabalho. Gaitán foi a renovação liberal e o denominado "gaitanismo"lograva unir os pobres nas cidades e nos campos. Depois do assassinato de Gaitán, começaram as grandes resistências camponesas e o nascimento das Farc.

Uribe é desde sempre um governante empenhado a qualquer custo na manutenção do status quo. Quando governador de Antioquia, Uribe inventou o Conviver, uma segurança privada que promoveu o extermínio dos opositores. No fim do seu mandato, Antioquia já estava, com o aval de Uribe, sob controle dos paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Durante anos, os grandes cartéis de cocaína, com Gonzalo Rodríguez Gacha à frente, financiaram os paramilitares contra as Farc. Gacha foi considerado pela revista Forbes, no fim dos anos 80, o homem mais rico do mundo, bem à frente de Escobar.

Este texto foi publicado na edição 607 da revista CartaCapital. Visto no blog do Luís Nassif.

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sexta-feira, maio 28, 2010

Escândalo de grampos ilegais se aproxima do presidente da Colômbia

Escândalo de grampos ilegais se aproxima do presidente da Colômbia

FLÁVIA MARREIRO
ENVIADA ESPECIAL A BOGOTÁ

"Minha filha foi convertida em um instrumento de tortura psicológica, controle social e violência política", diz a jornalista Claudia Julieta Duque, que protagonizou um dos casos mais dramáticos do chamado "escândalo do grampo" na Colômbia. Há cinco anos ela teve de sair do país com a filha, então com 10 anos, depois que seguidas chamadas prometiam "queimá-la viva".

Documentos em poder do Ministério Público colombiano desde o ano passado indicam que Julieta Duque, protegida pelo Estado, era perseguida por agentes do também estatal DAS (Departamento Administrativo de Segurança) --ligado à Presidência. Ás vésperas da eleição presidencial, a investigação sobre esquema ilegal de gravações telefônicas e quebra de sigilos bancários feito pelo órgão de inteligência subordinado a Álvaro Uribe avança e envolve cada vez mais funcionários de alto escalão do governo e do gabinete da Presidência.

Em outro revés para o governo, a ONU divulgou ontem relatório sobre outro escândalo, o dos 'falsos positivos': as execuções de civis por militares, que apresentavam seus corpos como 'baixa de guerra' em troca de bonificações por desempenho ou folgas.

Além de jornalistas --16, segundo informe da ONG Repórteres Sem Fronteira lançado ontem--, a operação teve como alvo opositores, como o candidato a presidente Gustavo Petro (Polo Democrático, esquerda), e defensores de direitos humanos, como José Miguel Vivanco, da Human Rights Watch. Mas o grupo de vítimas com maior voltagem política é o dos magistrados da Corte Suprema de Justiça, que investiga os nexos entre políticos, a maioria ligados ao governo, com paramilitares. Até sessões do tribunal foram gravadas, segundo os documentos da Procuradoria.

Nesta semana, Uribe foi arrolado como testemunha na investigação do Ministério Público do tema. Seu secretário, Bernardo Moreno, está sendo investigado por ter se reunido com agentes e funcionários atualmente presos ou investigados pelo escândalo. O secretário de imprensa, César Mauricio Velásquez, também está citado nas investigações.

Um dos agentes presos resolveu aderir ao programa de proteção a testemunhas e sustenta que as ordens para os grampos vinham da Casa de Nariño, o palácio presidencial. Vários documentos apreendidos têm a inscrição "enviar ao presidente". No caso da Corte Suprema e de alguns dos grampeados, a Unidade Administrativa Especial de Informação e Análise Financeiro (UIAF), do Ministério da Fazenda, também produziu relatórios sobre movimentações financeiras. Nesta semana, o Ministério Público acusou formalmente o chefe do setor, Mario Aranguren, de comandar uma "unidade criminosa". Ele renunciou.

Ontem, Uribe negou mais uma vez que tenha ordenado os grampos e as operações de difamação --todos já atacados nominalmente por ele em discursos.

Calvário

O caso da jornalista Julieta Duque é emblemático porque além de aparecer na lista de grampos ilegais, ela também foi vítima de uma operação --documentada-- de amedrontamento e ameaças. Tudo começou há cinco anos, quando ela começou a fazer reportagens sobre supostas ações do DAS para desviar uma investigação sobre a morte de um humorista no começo da década.

Em dezembro, a revista "Semana" de Bogotá, publicou um documento em papel timbrado do DAS que descrevia passo a passo como os agentes deveriam agir para ameaçá-la por telefone. Julieta Duque já contava, nesta época, com proteção policial. Em uma das chamadas, o agente prometia "queimar viva sua filha", "espalhar seus dedos pela casa". Foi então que ela decidiu deixar o país.

Em entrevista à Folha, Julieta Duque diz que não tem esperança os candidatos à Presidência na dianteira nas pesquisas --Juan Manuel Santos (governista) e Antanas Mockus (Partido Verde)-- tenham como prioridade a investigação do escândalo. "Em todo caso, com Mockus haveria um pouco mais de esperança, mas não confio tampouco." Jornalista da rádio Nizkor, especializada em direitos humanos, ela afirma que os anos do governo Uribe transformaram os críticos do governo --incluindo jornalistas-- em "inimigos".

"Uribe levou o país a uma reorientação afetiva, em que nossa nova redefinição como colombianos foi estar unidos em torno de um inimigo comum e único: as Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia]. Assim, todos que pensavam de maneira diferente do presidente foram convertidos em inimigos."

Pela primeira vez em oito anos, Julieta Duque passou cinco meses inteiros na Colômbia, depois de pular de país em país por causa das ameaças. "Consegui, creio que consegui, ficar em meu país. E essa foi minha maior luta, de modo que estou satisfeita, depois de tudo."


Notícia da Folha.com .

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quinta-feira, abril 01, 2010

Colômbia discute a necessidade de criação de acordo humanitário entre Farc e governo

Colômbia discute a necessidade de criação de acordo humanitário entre Farc e governo

A libertação de Pablo Emilio Moncayo, mantido refém pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) durante 12 anos, colocou mais uma vez o tema do intercâmbio humanitário no centro do debate político colombiano.

“Caminhar significa avançar, e assim, vamos seguir caminhando até que se chegue a um acordo humanitário”, foram as primeiras palavras do professor Gustavo Moncayo, enquanto o helicóptero Cougar da Força Aérea do Brasil trazia seu filho de volta. O cabo do Exército, sequestrado em dezembro de 1991, foi solto por meio de um acordo unilateral promovido pelo grupo não-governamental Colombianas e Colombianos pela Paz, liderado pela senadora Piedad Córdoba.

No entanto, esta foi a última libertação feita dessa forma pelas Farc, que exigem que daqui em diante prisioneiros da guerrilha sejam entregues em troca de reféns. A necessidade do estabelecimento de um acordo humanitário – impossibilitado ao longo dos anos por divergências do lado do governo e do grupo – se faz necessária. Ainda restam 21 militares e um número desconhecido de civis em cativeiro.

Desde o primeiro mandato, o presidente Álvaro Uribe se disse disposto a trocar reféns por guerrilheiros encarcerados, porém, com duas condições principais: os libertados não poderiam voltar à luta armada e nenhum acordo humanitário pode ser feito por meio da desmilitarização de uma zona do país.

Este último ponto contrasta com a posição dos guerrilheiros, que sempre pediram a desmilitarização dos municípios de Pradera e Florida, além da libertação de membros extraditados, como Simón Trinidad e Anayibe Rojas Valderrama, codinome “Sonia”, que cumprem penas nos Estados Unidos.

“O governo não se opõem ao acordo humanitário, sempre e quando não vise devolver delinquentes às Farc. Um acordo tem como condição que os integrantes das Farc que saiam da cadeia não voltem ao crime”, afirmou Uribe essa semana.

Alguns analistas colombianos enxergam nas palavras do presidente o desejo de concluir seu mandato com uma grande libertação de reféns. No entanto, para outros, a condição acima exposta pelo presidente não é nova. O que há de diferente é a conjuntura.

De acordo com Leon Valencia, analista político do think tank Nuevo Arco Iris, existem vários fatores que favorecem a aproximação entre as Farc e o governo e que “eventualmente poderiam desembocar em um acordo humanitário e até em uma negociação para alcançar a paz”.

O analista reconhece que a atual administração está chegando ao fim e não poderia ser acusada de estar fazendo campanha política ou de ser tolerante com o terrorismo.

A pressão internacional é outro fator importante, pois o conflito colombiano afeta países vizinhos e os custos da guerra se tornaram insustentáveis, frente aos cortes feitos no Plano Colômbia pelos EUA. “É preciso ser realista, não é possível continuar gastando tanto dinheiro, mais de 6% do PIB, em defesa, deve-se buscar saídas práticas”, disse.

Voz civil

A sociedade civil colombiana, por sua vez, se emociona com o drama dos sequestrados, ainda mais pelo envolvimento de personagens famosos, como a ex-senadora Ingrid Betancourt, mantida em cativeiro durante seis anos. Com isso, o apoio ao acordo humanitário é grande.

“Alguém sabe quantos acordos humanitários foram feitos entre Israel e Palestina? E isso que são povos que se odeiam, por múltiplos motivos religiosos e políticos. Na selva, quando se está acorrentado e escuta-se que há pontos imutáveis, pensa-se que imutável é a árvore à qual se está preso”, disse o ex-governador do estado de Meta, Alan Jara, sequestrado por oito anos e integrante do Colombianas e Colombianos Pela Paz.

A organização, um coletivo de acadêmicos, organizações pela defesa dos direitos humanos, movimentos sociais e intelectuais de diferentes ideologias, propõe a reunião de governo e guerrilha para dialogar e buscar uma saída negociada para o conflito colombiano

Porém, o trabalho nem sempre foi visto com bons olhos. A líder do grupo, a senadora Córdoba, chegou a ser atacada e insultada frente às suspeitas de que seria próxima demais da guerrilha. Em janeiro de 2008, um grupo de passageiros a atacou verbalmente e fisicamente em um aeroporto de Bogotá.


Este texto é originário do Operamundi.


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segunda-feira, março 08, 2010

Ativistas vivem 'insegurança permanente' na Colômbia, diz ONU

Ativistas vivem 'insegurança permanente' na Colômbia, diz ONU

Hernando Salazar

De Bogotá para a BBC Mundo

Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para as ameaças contra ativistas de defesa dos direitos humanos na Colômbia, deixando-os em uma situação de "insegurança permanente".

O documento do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU chama a atenção sobre a "vigilância ilegal por parte dos serviços de intelgiência do Estado, as detenções arbitrárias, as incursões em sedes de ONGs e o roubo de informações".

"Algumas das violações dos direitos humanos dos ativistas são atribuídas às guerrilhas, a novos grupos armados ilegais e a organizações paramilitares que, segundo os próprios ativistas, não foram desmanteladas", diz o relatório.

"As ameaças geram um clima de terror dentro da comunidade dos defensores dos direitos humanos e impedem o seu papel legítimo."

Governo

O documento critica as medidas de proteção adotadas pelo governo colombiano para proteger os ativistas, destacando que "há deficiências no sistema de alertas" sobre graves violações dos direitos humanos e "insuficiente resposta para a impunidade".

O relatório, no entanto, admite que houve "recentes pronunciamentos tranquilizadores por parte das mais altas autoridades do país, reconhecendo o trabalho legítimo dos defensores dos direitos humanos".

O governo colombiano ainda não se pronunciou sobre o relatório, mas anteriormente já disse que os abusos não fazem parte de uma política estatal. As autoridades também afirmaram que houve uma queda no número de assassinatos de sindicalistas e jornalistas, e um aumento dos recursos para proteger ativistas ameaçados.

As ONGs elogiaram o relatório.

"Este é um dos informes da ONU que mais foi fundo em relação à gravidade da situação", disse à BBC Gustavo Gallón, diretor da Comissão Colombiana de Juristas, uma das principais organizações de defesa dos direitos humanos do país.

Notícia da BBC Brasil.


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sexta-feira, janeiro 29, 2010

Não vai dar no Jornal Nacional: Aparece uma vala comum na Colômbia com 2 mil cadáveres

Os corpos sem identificação foram depositados pelo Exército a partir de 2005

do jornal espanhol Público, sugerido por um leitor anônimo

por Antonio Albiñana, Bogotá, 26/01/2010

No pequeno povoado de Macarena, região de Meta, 200 quilômetros ao sul de Bogotá, uma das zonas mais quentes do conflito colombiano, está sendo descoberta a maior vala comum da história recente da América Latina, com uma cifra de cadáveres enterrados sem identificação, que poderia chegar a 2.000 segundo diversas fontes e os próprios residentes. Desde 2005 o Exército, cujas forças de elite estão baseadas nos arredores, depositou atrás do cemitério local centenas de cadáveres com a ordem para que fossem enterrados sem nome.

Trata-se do maior túmulo de vítimas de um conflito de que se tem notícia no continente. Seria preciso ir ao Holocausto nazista ou à barbárie de Pol Pot no Camboja para encontrar algo desta dimensão.

O jurista Jairo Ramírez é o secretário do Comitê Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos na Colômbia e acompanhou uma delegação de parlamentares ingleses ao lugar faz algumas semanas, quando começou a se descobrir a magnitude da cova de Macarena. "O que vimos foi estarrecedor", declarou ao Público. "Infinidade de corpos e na superfície centenas de placas de madeira de cor branca com a incrição NN e com datas desde 2005 até hoje".

Desaparecidos

Ramírez acrescenta: "O comandante do Exército nos disse que eram guerrilheiros, baixas em combate, mas as pessoas da região dizem que são líderes sociais, camponeses e defensores comunitários que desapareceram sem deixar rastro".

Enquanto a Promotoria anuncia investigações "a partir de março", depois das eleições legislativas e presidenciais, uma delegação parlamentar espanhola integrada por Jordi Pedret (PSOE), Inés Sabanés (IU), Francesc Canet (ERC), Joan-Josep Nuet (IC-EU), Carles Campuzano (CiU), Mikel Basabe (Aralar) e Marian Suárez (Eivissa pel Canví) chegou ontem à Colômbia para estudar o caso e fazer um informe para o Congresso e a Eurocâmara. Para investigar a situação da mulher como vítima e os sindicalistas (somente em 2009 foram assassinados 41), também vão trabalhar em outras regiões do país.

Mais de mil covas

O horror de Macarena trouxe de volta o debate sobre a existência de mais de mil covas comuns de cadáveres sem identificar na Colômbia. Até o final do ano passado, os legistas haviam contados cerca de 2.500 cadáveres, dos quais haviam conseguido identificar 600 para entregar os corpos a seus familiares.

A localização destes cemitérios clandestinos foi possível graças a declarações dos chefes de médio escalão dos paramilitares desmobilizados, anistiados pela controvertida Lei de Justiça e Paz que garante a eles pena simbólica em troca da confissão de seus crimes.

A últimas destas declarações foi de John Jairo Rentería, o Betún, que acaba de revelar à Promotoria e aos familiares das vítimas que ele e seus sequazes enterraram "mais ou menos 800 pessoas" na fazenda Villa Sandra, em Porto Asís, região de Putumayo. "Era preciso esquartejar as pessoas. Todas as Autodefesas [grupo paramilitar] tinham que aprender isso e muitas vezes se fazia com as pessoas vivas", confessou o chefe paramilitar ao promotor de Justiça e Paz.

Notícia do Vi o Mundo.


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terça-feira, setembro 22, 2009

Uribe conspirou para depor Chávez?

Ex-agente confirma que Colômbia planejou derrubar Chávez

De acordo com o ex-chefe de informática do serviço de Inteligência da Colômbia Rafael García, o governo do presidente Álvaro Uribe elaborou "uma conspiração" contra o líder venezuelano, Hugo Chávez, que incluiu o envio de paramilitares e planejava o assassinato de personalidades.

O procurador-geral interino da Colômbia, Guillermo Mendoza, disse nesta segunda-feira à emissora de rádio "RCN" que as declarações de García "conduziram a diversas investigações, acusações e até sentenças condenatórias", mas que em "outras ocasiões nada foi encontrado".

Em entrevista ao "Canal Uno" de televisão, García alegou que faziam parte do plano para derrubar e assassinar Chávez o ex-diretor do Departamento Administrativo de Segurança (DAS) Jorge Noguera, preso por supostas conexões com paramilitares, e o Bloco Norte das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).

"Houve toda uma conspiração contra o governo venezuelano, no qual até onde sei, participaram facções do Bloco Norte e do DAS, também estimuladas pelo ex-ministro (do Interior) Fernando Londoño", disse.

O ex-funcionário do DAS acrescentou que houve a participação, além disso, de alguns venezuelanos, como criadores de gado da fronteira entre os países.

Dentro do plano também estava a "sabotagem das cadeias de produção da Venezuela", que "provocaram uma greve em 2002 que causou ao país um enorme dano", disse.

Entre os planos, segundo García, havia o de "assassinar personalidades, com o objetivo de causar alvoroço na sociedade venezuelana".

"Muitos explosivos foram passados por funcionários do próprio DAS no posto de fronteira de Paraguachón na minha frente, eu os vi quando passaram", acrescentou.

Os principais alvos do grupo, de acordo com García, eram o presidente Chávez, o ex-vice-presidente José Vicente Rangel, o ex-ministro do Interior Jessi Rodríguez Chacón, e o procurador-geral, Isaias Rodríguez.

O ex-chefe de informática já tinha feito denúncias sobre um suposto complô do DAS e dos paramilitares contra o Governo venezuelano, mas os detalhes e nomes dos envolvidos só eram conhecidos pela Promotoria.

Mendoza explicou que apenas um testemunho não pode, por si só, ser o suficiente para que o caso seja considerado como verdadeiro, e outras fontes deverão ser ouvidas.

A versão de García coincide com a dada por Hugo Chávez na cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) em agosto, na Argentina, sobre um plano elaborado na Colômbia contra ele.

Fonte: EFE


Origem: Vermelho via Blogoleone.

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segunda-feira, setembro 21, 2009

Tudo por um terceiro mandato?

Inteligência mapeou votos, afirma revista

DA REDAÇÃO

A aprovação do referendo para autorizar a segunda reeleição consecutiva do presidente Álvaro Uribe foi precedida de nova revelação de espionagem, no fim de semana, supostamente ligada ao trâmite de aprovação do projeto.
Em sua edição mais recente, a revista "Semana" trouxe revelação de que o DAS, agência de Inteligência do país, mantém esquema de grampos de magistrados, congressistas e candidatos presidenciais.
Segundo funcionários do próprio DAS ouvidos pela revista sob anonimato, o esquema visava mapear os votos dos grampeados sobre o projeto de convocação da consulta.
Em fevereiro, a agência já havia sido envolvida em escândalo do tipo. Tanto à época como agora, um dos grampeados é o ministro da Corte Suprema de Justiça Iván Velásquez, responsável por julgar envolvimentos de aliados de Uribe com paramilitares.
Ontem, o diretor do DAS, Felipe Muñoz, disse estar colaborando com a Promotoria na investigação das novas denúncias e afirmou que existem empresas que atuam paralelamente ao Estado em esquemas de escutas ilegais.
Muñoz exortou todos os funcionários do DAS a fazerem denúncias caso recebam ordens à margem da cúpula do organismo.
No domingo, o ex-presidente da Colômbia César Gaviria (1990-94) acusou o governo de fazer do DAS uma "máquina de delinquência" a seu serviço.

Texto da Folha de São Paulo, de 2 de setembro de 2009.


Marcadores: Álvaro Uribe, Colômbia, re-reeleição, terceiro mandato, Uribe

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quarta-feira, agosto 26, 2009

Com presença na Colômbia, EUA visam rotas do petróleo

Com presença na Colômbia, EUA visam rotas do petróleo


Aumento da presença militar no país aliado segue roteiro gestado há pelo menos cinco anos, ainda sob Bush; estratégia altera cenário de segurança na Amazônia

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA
ESPECIAL PARA A FOLHA

O projeto de instalar e ampliar as instalações militares dos EUA no território da Colômbia foi elaborado durante o governo do presidente George W. Bush, diante da perspectiva de fechamento da Forward Operating Location (FOL), isto é, da base militar instalada em Manta, no Equador, previsto para 2009.
Desde que o presidente Rafael Correa anunciou que não renovaria o acordo com os EUA, o Comando Sul das Forças Armadas americanas passou a excogitar a transferência da FOL, instalada em Manta, para a base aérea de Palanquero, em Puerto Salgar, cerca de 190 km ao norte de Bogotá.
Essa base aérea pode albergar mais de 2.000 homens e possui uma série de radares, além de cassinos, restaurantes, supermercados, hospital e teatro. E a pista do aeroporto, a mais longa da Colômbia, tem 3.500 metros de longitude, 600 metros maior que a de Manta, e permite a partida simultânea de até três aviões.
Os EUA terão assim um ponto de apoio, no centro da Colômbia, ainda melhor que o de Manta, com o Forward Operating Location, com a instalação de três bases militares nas localidades de Malambo, na costa do Caribe, Palanquero, próxima a Bogotá, e de Apiay, na Amazônia, na região fronteiriça com o Brasil e conhecida como Cabeça de Cachorro.

Novo componente
Em 2004, com a Iniciativa Andina Antidrogas, Bush já havia expandido o Plano Colômbia como um dos aspectos da estratégia dos EUA para assegurar sua presença militar na América do Sul e, em particular, na Amazônia. E o Congresso americano aprovou a duplicação do número de soldados estacionados na Colômbia, que subiu de 400 para 800; o de mercenários (ex-militares) empregados pelas companhias militares, mediante as quais o Pentágono terceiriza as funções militares, aumentou de 400 para 600.
Esses militares e mercenários americanos adestram e apoiam os cerca de 17 mil soldados que executaram o Plano Patriota, ampla ofensiva de contrainsurgência nas selvas no sul da Colômbia. Com razão, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, em sua obra "Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes", apontou "a crescente presença de assessores militares americanos e a venda de equipamentos sofisticados às Forças Armadas colombianas, pretensamente para apoiar os programas de erradicação das drogas, mas que podem ser, fácil e eventualmente, utilizados no combate às Farc e ao ELN", como um componente relativamente novo na questão de segurança da Amazônia.
Embora o governo dos EUA apresente o combate ao narcotráfico e ao terrorismo para justificar a concessão anual de US$ 700 milhões à Colômbia, a maior parte como assistência militar, um dos seus principais objetivos é proteger os oleodutos, sobretudo o de Caño Limón, já explodido cerca de 79 vezes, a fim de assegurar os suprimentos futuros de petróleo e inspirar confiança aos investidores estrangeiros.
É nessa região, a do oleoduto de Caño Limón, operado pela Occidental Petroleum e pela Royal Dutch/Shell, em Arauca, onde se concentra a maior parte dos assessores militares dos EUA e ocorrem as maiores violações de direitos humanos.

Militarização
Em 2009, a ajuda militar concedida à Colômbia, desde 2004, deve alcançar os US$ 3,3 bilhões. E assim, com os recursos dos EUA, o Exército da Colômbia se tornou o maior e o mais bem equipado, relativamente, da América do Sul. Com população de 44 milhões de habitantes, a Colômbia possui um contingente militar de cerca de 208,6 mil efetivos, enquanto o Brasil, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados e mais de 190 milhões de habitantes, tem um contingente de somente 287.870, e a Argentina, com 40 milhões de habitantes e um território de 2,7 milhões de quilômetros quadrados, tem um efetivo de apenas 71.655.
A Colômbia, com um PIB de US$ 320,4 bilhões (2007 est.), de acordo com a paridade do poder de compra, destina 3,8% aos gastos militares, enquanto o Brasil, cujo PIB é de US$ 1,838 trilhões (2007 est.), gasta apenas 1,5%, e a Argentina, com um PIB de US$ 523,7 bilhões (2007 est.), gasta apenas 1,1%.
Em 2005, o Congresso estipulou para a região uma ajuda econômica de US$ 9,2 milhões e cerca de US$ 859,6 milhões para assistência militar. Entretanto, desde o lançamento do Plano Colômbia, no ano 2000, o Exército colombiano recebeu US$ 4,35 bilhões para combater as guerrilhas, e os soldados e policiais cometeram crescente número de assassinatos e abusos de direitos humanos -durante um período de cinco anos, que terminou em junho de 2006, o número de execuções extrajudiciais aumentou em mais de 50% em relação ao período anterior.

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA é cientista político, professor titular (aposentado) da Universidade de Brasília e autor de várias obras, entre as quais "Formação do Império Americano (Da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque)".


Texto publicado na Folha de São Paulo, de 9 de agosto de 2009.

Marcadores: Amazônia, Colômbia, Estados Unidos, política externa dos Estados Unidos

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Bases na Colômbia não são o que parecem

Bases na Colômbia não são o que parecem

ANDRES OPPENHEIMER

O que mais surpreende sobre o crescente protesto sul-americano contra a decisão colombiana de permitir "bases militares dos EUA" em seu território é que talvez não haja nada de concreto em curso quanto a isso e sim um simples erro sério de relações públicas por parte das autoridades colombianas.
Eu, por exemplo, fiquei surpreso ao ouvir entrevista do ministro chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, na qual ele declarou que "não haverá um centímetro de território colombiano no qual venha a existir uma base militar dos EUA". Alguns importantes países sul-americanos expressaram preocupações sobre as supostas "bases militares americanas" na Colômbia e querem discutir a questão na próxima cúpula da Unasul (União de Nações Sul-Americanas).
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, declarou que não participará da conferência, porque a Colômbia deve ser alvo de um ataque coordenado, com relação a essa questão. O anfitrião Equador rompeu relações com a Colômbia devido a um ataque de tropas colombianos a um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano, em 2008.
Uribe partiu em um périplo pelos países da região, em um esforço de último minuto para explicar a natureza das negociações sobre cooperação militar que continuam em curso entre os EUA e a Colômbia.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse ter "alertado" seus colegas da região "sobre o perigo que essas novas bases militares gringas representam para a Venezuela". Os presidentes de Equador, Bolívia e Nicarágua imediatamente ecoaram os avisos de Chávez. Mas o que surpreendeu a Colômbia é que países mais moderados, a começar pelo Brasil, tenham expressado preocupação semelhante.
"Mas, se não se trata de bases militares dos EUA, o que temos?", perguntei a Bermúdez. Segundo o ministro, Colômbia e EUA estão discutindo um acordo para aumentar a cooperação militar americana principalmente para questões de vigilância e inteligência, com o objetivo de combater os traficantes de drogas e narcoguerrilheiros que operam na Colômbia. Mas, ao contrário do que ocorre nas bases americanas em Manta (Equador), Guantánamo ou na Europa, sobre as quais os EUA têm jurisdição, na Colômbia os soldados americanos não operarão nenhuma base.
"Serão bases colombianas, comandadas e operadas por colombianos, nas quais haverá acesso regulado de pessoal americano", disse Bermúdez. Uma lei federal dos EUA dispõe que o número de soldados do país estacionados na Colômbia não pode passar de 800 militares e 600 prestadores civis de serviços. No ano passado, havia 71 militares e 400 civis contratados pelos EUA estacionados na Colômbia.
Sob o acordo proposto, as tropas americanas serão convidadas a operar em pelo menos sete bases militares colombianas. Mas não existem planos para elevar o contingente americano no país. Minha opinião: caso os governos dos EUA e da Colômbia estejam dizendo a verdade -e suspeito que estejam, já que o acordo estará sujeito a severa vigilância por parte de um Congresso americano cético quanto a esse tipo de empreitada-, então o que temos é um grande erro na maneira pela qual as negociações sobre cooperação militar foram anunciadas.
A Colômbia deveria ter criado um rótulo para o acordo proposto, a fim de impedir seus críticos de falarem sobre "bases militares dos EUA" em seu território. Deveria ter criado um rótulo como "programa de convidados militares" ou "exercício militar expandido", semelhante ao adotado para o acordo sob o qual a Venezuela autorizou um exercício naval russo em seu território em 2008.
Além disso, Uribe deveria comparecer à reunião da Unasul. Ele já provou no passado que se sai bem diante de audiências hostis, especialmente em cúpulas presidenciais. Lá, Uribe poderia dizer aos seus colegas: "Está bem, vamos discutir os acordos militares de todo mundo, entre os quais os tratados militares da Venezuela com a Rússia e o Irã, ou a ajuda de Venezuela e Equador aos guerrilheiros das Farc".
Caso os países sul-americanos desejem conduzir uma discussão franca sobre os acordos militares na região (os públicos e os secretos), é bom que o façam. Isso beneficiaria a todos.

ANDRES OPPENHEIMER é colunista do "Miami Herald". Este artigo foi distribuído pela Tribune Media Services.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Texto publicado na Folha de São Paulo, de 7 de agosto de 2009.

A conferir...embora verossímil


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sábado, agosto 22, 2009

Conosco não

“Nunca admitimos nem admitiremos atividades militares, de nenhum tipo, dos americanos em nosso território. Não podemos esquecer que o México é a fronteira dos EUA com América Latina, uma fronteira que estamos defendendo com dignidade há séculos.”

Felipe Calderón, Presidente do México, sobre a possibilidade do México ter operações conjuntas com os Estados Unidos para repressão ao tráfico de drogas, na Folha de São Paulo, de 18 de agosto de 2009. A pergunta tinha como referência a Colômbia, e a cessão de bases militares aos Estados Unidos.

O presidente Felipe Calderón é um político do campo conservador, de direita, mas parece conhecer o lugar do México no mundo.

Acredito que os mexicanos não esquecem que os Estados Unidos lhes tomaram entre um quarto e um terço de seu território durante o século XIX (Texas primeiro, depois novo México, Arizona, Califórnia, Nevada, Utah e Colorado). Além disso fizeram desembarque de tropas em Vera Cruz (sul do México) durante a Revolução Mexicana (1910-1917).

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domingo, julho 26, 2009

Temporada de caça ao hipopótamo na Colômbia

Está aberta a caça aos hipopótamos de Pablo Escobar

Marie Delcas
Em Bogotá (Colômbia)

Na foto, um grupo de militares colombianos exibe, triunfante, o cadáver de "Pepe". Era realmente preciso matá-lo? A polêmica é grande. Nem guerrilheiro nem traficante, Pepe era só um hipopótamo em fuga. Ele foi abatido, com o aval das autoridades ambientais do departamento de Antioquia (noroeste) em 16 de junho. A foto foi publicada em 10 de julho.

Desde então, ecologistas, defensores dos animais, editorialistas e cidadãos se mobilizaram na Colômbia para salvar Matilda, a fêmea de Pepe, e seu bebê, Hip. Duas instituições - o zoológico da cidade de Pereira e um parque de diversões de Bogotá - se apresentaram como aptos a capturar os animais. Mas apanhá-los não é fácil, e cuidar deles custa caro.

Hipopótamos nos Andes? É a Pablo Escobar, morto em 1993, que a Colômbia deve seus paquidermes. Nos anos 1980, o mafioso, à altura de seu poder, adaptou sua propriedade, a Hacienda Napoles, para abrigar dezenas de animais selvagens importados clandestinamente da África. Com a morte do "patrão", o governo assumiu o controle das terras e distribuiu os animais pelos diferentes zoológicos da região. Todos, exceto os hipopótamos que, por serem pesados demais para serem transportados, foram abandonados à sua sorte. E a sua libido.

Segue uma série de bebês hipopótamos que crescem e, por sua vez, têm filhotes: 22 animais pastam hoje nos verdes prados da fazenda. Dois anos atrás, o intrépido Pepe e sua companheira fugiram para descobrir as águas turbulentas do grande rio Magdalena.

Morte "muito colombiana"
As autoridades ambientais justificam a permissão de "caça controlada" dada, invocando os perigos que os animais errantes representam aos pescadores e às plantações. Mas "nenhum incidente sério foi registrado em dois anos", lembra o editorial de "El Tiempo".

O principal jornal do país considera que o governo calculou mal o impacto "de uma solução para o problema dos hipopótamos". O cronista Daniel Sampler denuncia a morte "muito colombiana" de Pepe em um país "que resolve seus problemas com tiros de fuzil".

Na internet, os internautas expressam sua indignação. "Os homens são bem mais perigosos para o planeta do que os hipopótamos", lembra um. "Se tivéssemos de matar tudo que fosse perigoso, não sobraria muita gente neste país", acrescenta outro.

Na terça-feira (14), uma manifestação estava prevista diante do ministério do Meio Ambiente em Bogotá. Cecília B. se espanta: "Quando o exército apresenta como troféu de caça o cadáver de um guerrilheiro ou de um criminoso, ninguém se comove".

Tradução: Lana Lim

Notícia do Le Monde, no UOL.

Marcadores: Colômbia, hipopótamo

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ÁLVARO URIBE RECEBE CHANCELER DE GOVERNO GOLPISTA

ÁLVARO URIBE RECEBE CHANCELER DE GOVERNO GOLPISTA


Segundo o ministro Carlos López, o presidente colombiano disse, em encontro na segunda que só veio a público ontem, "simpatizar" com o governo de Roberto Micheletti por seu "respeito à ordem constitucional, à separação dos Poderes e aos direitos humanos". Em nota, Bogotá disse que recebeu de maneira informal uma comissão hondurenha "no âmbito do processo de facilitação da situação em Honduras, liderado pelo presidente Óscar Arias".

Notícia da Folha de São Paulo, de 23 de julho de 2009.

De alguma maneira a notícia não chega a ser totalmente surpreendente.

Marcadores: Álvaro Uribe, Colômbia, Golpe de Estado em Honduras, Honduras, Uribe

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domingo, maio 24, 2009

Senado colombiano aprova referendo para Uribe tentar terceiro mandato

Senado colombiano aprova referendo sobre 2ª reeleição

Texto precisa ser negociado com Câmara e aprovado pela Justiça antes de convocação

Caso iniciativa governista supere essas barreiras, população decidirá se o popular Uribe poderá buscar terceiro mandato em 2010


DA REDAÇÃO

O Senado da Colômbia, de controle governista, aprovou ontem a convocação de referendo para permitir ao presidente Álvaro Uribe concorrer a um terceiro mandato. A votação, a última de quatro no plenário, foi marcada por insinuações de compras de voto por parte da oposição.
Uribe, popular presidente conservador no poder desde 2002, aproxima-se ainda mais de uma nova candidatura em 2010, mas no caminho até as urnas o texto do referendo terá de ser compatibilizado com o aprovado na Câmara, em dezembro, e passar ainda pelo crivo da Corte Constitucional.
A tropa de choque uribista, encabeçada pelo ministro do Interior, Fabio Valencia, agora parte para convencer uma comissão de deputados, liderada por um opositor à ideia, a aceitar o texto do Senado, que permite três eleições seguidas para mandatos de quatro anos.
O referendo da Câmara abre caminho para Uribe disputar só em 2014 por conta de detalhe no texto: cita presidentes que "cumpriram" dois mandatos, e não "eleitos" duas vezes.
Espera-se que o presidente vença as resistências -Uribe tem maioria na Casa-, apesar dos sinais de que há aliados querendo barganhar mais.
No Senado, os governistas tentaram votar o texto na semana passada, mas não houve quórum, em meio a exigências de pequenos partidos aliados por mais cargos. Nos últimos dez dias, a base também perdeu mais cinco senadores acusados de ligação com paramilitares -o escândalo da parapolítica já tirou 30% dos nomes da Casa-, e não houve condições de empossar todos os suplentes.
Ontem, os dois principais partidos de oposição, o esquerdista Pólo Democrático e o centrista Partido Liberal, acusaram Uribe de jogar sujo e deixaram o plenário. Ainda assim, o projeto passou com 62 votos a favor e 5 contra (ao todo, são 102 integrantes). "O senhor [ministro Valencia] não pode ir de cadeira em cadeira [negociar apoio]. A votação é suja", disse o senador liberal Héctor Helí.

Cronograma e escândalos
Para os uribistas, a preocupação é o cronograma, porque o referendo terá de ocorrer até novembro, seis meses antes da eleição, em maio de 2010, para que Uribe possa concorrer.
A Corte Constitucional tem até 120 dias para dar aval ao referendo, e, se isso ocorrer, Uribe convocará a votação por decreto. Paralelamente, a autoridade eleitoral investiga irregularidades no financiamento da campanha que recolheu 5 milhões de assinaturas para propor o referendo em 2008.
Por via das dúvidas, enquanto Uribe evita dizer publicamente que quer um terceiro mandato, dois uribistas pregam lealdade a ele, mas já alistaram suas "candidaturas-reserva". A principal delas é a de Juan Manuel Santos, que anunciou anteontem que deixará no sábado o crucial Ministério da Defesa.
Em termos de apoio popular, o referendo não teria problemas, apesar dos sucessivos escândalos envolvendo o governo. Pesquisa Gallup deste mês relata que 59% dos colombianos votariam na consulta, e 84% desse grupo diria "sim" a um novo mandato a Uribe.
O mais recente e grave escândalo envolvendo Uribe investiga interceptações telefônicas ilegais feitas pela agência de inteligência a juízes, políticos e jornalistas na eleição de 2006, a primeira reeleição de Uribe.
No ano passado, Uribe teve de responder justamente pela acusação de ter comprado voto para passar a mudança de 2006, após uma ex-deputada confessar ter sido aliciada e ser condenada pela Justiça.

Com agências internacionais

Notícia da Folha de São Paulo, de 20 de maio de 2009.

Marcadores: Álvaro Uribe, Colômbia, reeleição, Uribe

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quarta-feira, maio 06, 2009

Violência atinge indígenas na Colômbia

Tráfico expulsa índios da selva colombiana

Por SIMON ROMERO

NUNCIDO, Colômbia - Subindo e descendo os rios do oeste da Colômbia, um novo tipo de exército criminoso está se aprofundando na selva isolada, lutando com guerrilheiros pelo controle do comércio de cocaína e obrigando milhares de indígenas a fugir.
É o tipo de pesadelo muito comum na longa guerra da Colômbia: agricultores aterrorizados por atiradores que tentam dominar o interior.
Enquanto a guerra pelo controle do tráfico se intensifica nas fronteiras do país, com novos combatentes desejando ocupar rotas de tráfico e áreas de plantação de coca onde os índios extraem uma magra subsistência, aumenta o já alto número de baixas entre os indígenas. Pelo menos 27 grupos estão em risco de extinção por causa do conflito de 40 anos no país, segundo a ONU, e grupos de direitos humanos temem que a nova violência esteja penetrando ainda mais nas antigas terras indígenas.
Na região de selva de Chocó, mais de cem atiradores chegaram enquanto Johnny Caisamo colhia bananas. Os homens o espancaram, depois ameaçaram afogá-lo nas águas turvas do rio Cedro.
"Eles queriam saber onde os guerrilheiros estavam acampados", disse Caisamo, 18, um dos muitos índios emberas que narram recentes espancamentos, estupros ou ameaças de grupos armados. "Eles disseram que me matariam se eu não colaborasse."
As batalhas se desenrolam longe de grandes cidades como a capital, Bogotá, onde um governo confiante aplaude os recentes avanços militares contra rebeldes de esquerda e a desmobilização de milhares de paramilitares. Em outra região, as autoridades recentemente ajudaram um grupo indígena, os arhuacos, a recuperar terras de combatentes paramilitares.
A Colômbia tem cerca de 3 milhões de refugiados internos -perde apenas para o Sudão, segundo a ONU-, e seus indígenas suportam a maior parte do sofrimento. O último deslocamento dos emberas foi causado por um pânico coletivo depois de relatos de que os Rastrojos, um exército criminoso, violentou duas garotas emberas no início de março e matou um homem embera antes de queimar seu corpo diante de sua família. Testemunhas disseram que os atiradores foram de aldeia em aldeia, espancando, torturando e detendo temporariamente alguns líderes emberas para obter informações sobre os rivais dos atiradores, a facção Cimarrón do Exército de Libertação Nacional, o ELN, grupo rebelde que domina a área há anos.
Em Chocó, os emberas que fugiram no primeiro trimestre quase se igualam aos 2.400 deslocados em 2008, disse Luis Enrique Murillo, comissário de paz local.
Na última manifestação do conflito, novos grupos paramilitares como os Rastrojos, que se originaram como um sindicato de tráfico de cocaína ao redor da cidade de Cali, surgiram dos grupos desmobilizados. Às vezes eles usam alguns combatentes de grupos que formaram anos atrás para combater as guerrilhas de esquerda, mas também recrutam novos combatentes, segundo analistas.
Hoje esses grupos armados, despidos de suas antigas inclinações ideológicas, forjam alianças com rebeldes em algumas partes do país, enquanto iniciam conflitos em outras, como nesta região de Chocó. De qualquer modo, seu objetivo é o mesmo: dominar as áreas de plantação de coca e as rotas para enviar cocaína para o exterior, principalmente para os EUA.
O conflito encontrou nova vida em áreas como Chocó, em parte por causa dos sucessos do governo em outras áreas. Enquanto projetos de erradicação financiados pelos americanos reduziram a plantação de coca em certas áreas, o cultivo em Chocó aumentou 32% em 2007, segundo a ONU.
Em Puerto Meluk, porto fluvial cheio de bares e lojas que vendem substâncias químicas usadas para processar cocaína, refugiados emberas cozinhavam em um pântano que cheirava a esgoto e contaram histórias semelhantes às de rio acima: surras e ameaças em suas aldeias, depois o deslocamento.
Em uma casa, 11 famílias se amontoavam. Enrique Manyoma, 42, plantador de milho, contou sobre sua fuga da aldeia de Incirá. "Esta é minha filha, Marta Cecília", disse Manyoma, apontando para uma criança. "Ela nasceu aqui há oito dias. Enquanto os homem armados estiverem na selva, não acho que sua casa será em Incirá", lamentou.

Colaborou Jenny Carolina González em Bogotá

Texto do The New York Times, na Folha de São Paulo, de 4 de maio de 2009.


Marcadores: Colômbia, tráfico de drogas, violência, violência política

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terça-feira, março 17, 2009

Cúpula de milionários

CÚPULA DE MILIONÁRIOS

No alto da home page do espanhol "El País", ontem, "Cúpula de milionários na Colômbia", mais a explicação "Os homens mais ricos da América Latina se reúnem com as suas famílias na cidade de Cartagena para analisar o impacto da crise em seus negócios". Abrindo o texto, "poucas vezes o aeroporto de Cartagena viu aterrissar tanto avião privado".
De início, "pretendia-se manter em segredo os nomes dos 15 magnatas", mas vazou. O anfitrião é o colombiano Julio Santo Domingo. Entre os presentes, "o venezuelano Gustavo Cisneros, os argentinos Paolo Rocca, Federico Braun e Alfredo Román e os chilenos Andrónico Luksic e Alvaro Saieh. Também estão os brasileiros João Roberto Marinho, David Feffer e Antonio Moreira Salles".

Trecho da Coluna Toda Mídia, de Nelson de Sá, na Folha de São Paulo, de 11 de março de 2009.

Marcadores: América Latina, Colômbia, milionários

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terça-feira, março 10, 2009

Estado colombiano pede perdão por massacre de 1990

Estado colombiano pede perdão por massacre de 1990

Qua, 04 Mar, 07h26

Por ordem a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Estado colombiano pediu desculpas publicamente hoje por "não adotar as precauções regulares" que teriam evitado o desaparecimento de 37 pessoas e a morte de outras seis nas mãos de paramilitares em 1990. O massacre, ocorrido em 14 de janeiro de 1990 no povoado de Pueblo Bello, no Departamento (Estado) de Antioquia, a cerca de 440 quilômetros de Bogotá, foi cometido por paramilitares, segundo dados do tribunal.

"Lamentamos não ter escutado suas vozes antes e tê-los feito trilhar (os familiares das vítimas) este longo caminho para alcançar a justiça", disse o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, durante um ato ao qual compareceram parentes de algumas das vítimas. Altos funcionários também estavam presentes na cerimônia, na sede do Ministério do Exterior.

Em nome do Estado, Santos reconheceu a responsabilidade por "não adotar as precauções regulares para controlar" a região onde ocorreram os crimes. Depois de abrir um processo no final dos anos 1990, a Corte Interamericana de Direitos Humanos emitiu uma sentença em 31 de janeiro de 2006, na qual ordenou o Estado colombiano a reconhecer sua responsabilidade internacional "por haver descumprido suas obrigações de garantir os direitos à vida, à integridade pessoal e à liberdade dessas pessoas" assassinadas.

A corte também ordenou o pagamento de indenizações de mais de US$ 5 milhões aos parentes das vítimas. Parte do dinheiro já foi pago desde que a sentença foi proclamada e a importância do ato de hoje é que "o Estado reconheceu sua responsabilidade" pelo que aconteceu, disse Gustavo Gallón, diretor da organização não-governamental Comissão Colombiana de Juristas, que representou as vítimas na Corte Interamericana. Dentre as 43 vítimas, entre mortos e desaparecidos, em sua maioria camponeses dedicados à agricultura e à pecuária, estavam três menores.

Ataque

Segundo a sentença, "o propósito (do grupo paramilitar) era realizar um ataque na corregedoria de Pueblo Bello para sequestrar um grupo de pessoas, supostamente colaboradores da guerrilha, com base em uma lista que tinham". A acusação do grupo insurgente nunca foi comprovada, acrescentou o tribunal. "Levamos 19 anos sofrendo e sendo deslocados de nossos lugares de origem, 19 anos de luta e hoje temos uma vitória", disse, depois da cerimônia, Eliana Romero, mãe de Fermín Agresott Romero, de 19 anos e um dos desaparecidos.

Os familiares pediram em várias ocasiões aos representantes do governo que sigam trabalhando para encontrar o lugar onde possam estar os corpos de seus entes queridos. Desde o massacre, apenas seis pessoas, das 60 investigadas, foram condenadas, das quais duas cumpriram a pena imposta, segundo a Comissão Colombiana de Juristas.

Notícia do Yahoo!.

Marcadores: Colômbia, guerra civil, violação de direitos humanos, violência política

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segunda-feira, janeiro 12, 2009

Estados Unidos sabiam que exército colombiano assassinava civis

EUA sabiam que Exército colombiano matava civis

Documentos oficiais afirmam que assassinatos eram conhecidos desde 1994

Ex-embaixador afirma que Washington não tinha como intervir; para ministro da Defesa colombiano, não se deve "inflar problema"

DA REDAÇÃO

A CIA e diplomatas de alto escalão dos Estados Unidos sabiam desde 1994 que as forças de segurança colombianas operavam como esquadrão da morte, cooperavam com grupos paramilitares de tráfico de drogas e estimulavam a política dos "falsos positivos" -o assassinato de civis inocentes para inflar o número de baixas inimigas obtidas pelos militares.
As informações estão em documentos oficiais tornados públicos ontem na internet pela ONG National Security Archive, da Universidade George Washington, nos EUA.
"Nós sabíamos. Não sabíamos de todos os detalhes, mas quando falávamos com os militares sobre esses rumores, eles os negavam ruidosamente", declarou o ex-embaixador norte-americano em Bogotá Myles Frechette a uma rádio da capital colombiana.
"Nessa época, 1994, a ajuda militar [à Colômbia] foi quase proibida pelo Congresso americano por causa das violações dos direitos humanos nos anos anteriores, e o foco da ajuda era para combater o narcotráfico."
"Não tínhamos muito a dar ao Exército", continuou Frechette, dizendo que, por isso, "não tínhamos como exigir que nos informassem nem cortar ajuda militar, porque não havia dinheiro envolvido". Ainda assim, segundo o ex-embaixador, a situação foi denunciada ao então presidente colombiano, Ernesto Samper (1994-1998).

Defesa
Ao comentar a divulgação dos documentos, o atual ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou que é preciso "ter cuidado com quem quer inflar o problema além do que realmente é".
O ministro não fez comentários sobre o conteúdo dos documentos, mas defendeu as políticas de defesa dos direitos humanos do governo do presidente Álvaro Uribe.
Santos afirmou haver "tolerância zero com qualquer violação dos direitos humanos" e que "não há Exército em todo o mundo que tenha tido mais treinamento, mais capacitação em matéria de direitos humanos [que o colombiano]". "O Estado e a Justiça estão diante desse problema. Nosso objetivo, neste ano de 2009, é que nenhum culpado fique impune."

Investigação
Os registros jogam luz sobre uma prática -cuja investigação foi iniciada em outubro pelo governo colombiano- que influenciou o comportamento de comandantes militares durante anos e que acabou levando a execuções extrajudiciais.
Em setembro do ano passado, os corpos de pelo menos 19 jovens foram encontrados num cemitério no norte da Colômbia. A versão do Exército foi de que eles haviam sido mortos em combate, após serem aliciados ou sequestrados por grupos narcotraficantes. Mas surgiram suspeitas pelo fato de os jovens terem morrido apenas um ou dois dias após as notificações de desaparecimento.
O comandante do Exército colombiano, general Mario Montoya -ponte entre o Pentágono e as Forças Armadas da Colômbia- renunciou ao cargo, pressionado pela repercussão do escândalo.
Montoya estimulou por muito tempo a ideia de usar a contagem de corpos para medir o progresso do Exército na luta contra as guerrilhas. Os militares recebiam bonificações pelo sucesso das operações.


Com agências internacionais

O texto é da Folha de São Paulo, de 9 de janeiro de 2009.


Marcadores: assassinato de civis, Colômbia, Estados Unidos, guerra civil, política externa dos Estados Unidos

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terça-feira, novembro 11, 2008

Colômbia: Chefe do exército renuncia e representante da Human Rights Watch compara governo de Uribe ao de Pinochet

Chefe do Exército renuncia por escândalo na Colômbia

General Montoya, próximo a Uribe, era pressionado por execuções sumárias de civis

Oposição pede saída do ministro da Defesa; caso de jovens de Bogotá mortos por militares trouxe à tona prática de forjar baixas


FLÁVIA MARREIRO
DA REPORTAGEM LOCAL

Ponte entre o Pentágono e as Forças Armadas da Colômbia, o comandante do Exército colombiano, general Mario Montoya, renunciou ao cargo ontem pressionado pelo escândalo dos "falsos positivos" -o assassinato de civis inocentes para inflar o número de baixas inimigas obtidas pelos militares.
Montoya, 59, anunciou sua saída horas antes de comparecer a uma comissão do Senado onde, ao lado do ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, prestaria explicações sobre a crise que começou em setembro com a divulgação de 19 casos de "falsos positivos" -jovens do entorno de Bogotá recrutados para morrer.
A Procuradoria Geral da Colômbia investiga mais de mil casos de execuções sumárias de civis por militares. A prática foi descrita como "sistemática" pela alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, no fim de semana e foi apontada em relatórios de ONGs de Bogotá e do exterior.
O presidente Álvaro Uribe aceitou a renúncia e nomeou no posto o general Oscar González, que liderava o comando Caribe Nº 1 (norte). Por conta do escândalo, Uribe já havia afastado 27 oficiais e suboficiais na semana passada, após realizar uma investigação interna. Montoya, que disse não saber sobre a apuração interna, já havia se antecipado ao presidente e dispensado três coronéis dias antes.
O volume de casos de falsas baixas inimigas divulgados na imprensa somado à pressão da oposição para que o Montoya e Santos assumissem a responsabilidade política pela crise aumentaram os rumores de que o general cairia -até para conter os ataques ao ministro, um dos homens-fortes de Uribe. Os relatos, chocantes, falam de recrutamento até de doentes mentais para a prática, numa operação que combinava "limpeza social" e proteção de paramilitares aliados.
"A queda do general era esperada porque eram cada vez mais fortes as críticas de vários setores políticos, principalmente da oposição, e também da sociedade", disse à Folha Alejo Velázquez, cientista político da Universidade Nacional da Colômbia. "Mas os casos não são novos, de modo que é preciso valorizar a decisão de afastar envolvidos desta vez."

Ponte com EUA
A saída de Montoya ocorre no momento em que Uribe ainda tenta fazer lobby em Washington para aprovar o acordo de livre-comércio bilateral. Os democratas, que tendem a ampliar o domínio que já têm no Congresso, apontam as violações de direitos humanos praticadas por Bogotá como motivo tanto para votar contra o tratado como para reduzir a ajuda militar bilionária ao país.
Montoya é um homem conhecido em Washington. Foi um dos negociadores dos pacotes de ajuda dos EUA. Sob seu comando desde 2006, e com ajuda financeira e tecnológica americana, os militares acossaram as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) como nunca. Ele também colheu os louros da "Operação Xeque", que liberou a refém Ingrid Betancourt em julho.
Se a operação foi criticada, depois, por usar símbolo da Cruz Vermelha para enganar os guerrilheiros, o general, que conhece Uribe desde os anos 90, tem sobre si acusações graves. Em setembro, o "Washington Post" publicou trechos de depoimentos de um paramilitar preso que acusava Montoya de agir com grupos ilegais em Medellín no comando de execuções. Líderes de ONGs da região fazem as mesmas acusações, citadas também num relatório da CIA vazado em 2007.

Texto da Folha de São Paulo, de 5 de novembro de 2008.

Atacado, ativista compara Uribe a Pinochet

DA REDAÇÃO

Após ser acusado de ser "cúmplice" das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) pelo presidente Álvaro Uribe, o ativista chileno José Miguel Vivanco, diretor da ONG Human Rights Watch (HRW), comparou o atual governo colombiano ao regime Augusto Pinochet (1973-1990).
"Cometem-se por ano tantas violações de direitos humanos [na Colômbia] como todas as ocorridas durante a ditadura Pinochet no Chile", disse ele, em entrevista a uma rádio de Santiago.
Uribe criticou Vivanco depois da divulgação de um relatório da ONG que acusa Bogotá de atrapalhar investigações sobre paramilitares e políticos.
Vivanco foi expulso da Venezuela há dois meses após divulgar um informe crítico do governo Hugo Chávez.

Outro texto da Folha de São Paulo, de 5 de novembro de 2008.

Marcadores: Álvaro Uribe, Colômbia, Uribe

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Assassinato de Civis pressiona governo Uribe

Escândalo militar pressiona governo Uribe

Ministro da Defesa fala hoje no Senado sobre execução de civis; presidente chama ativista de ONG de "cúmplice das Farc"

DA EFE

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o comandante do Exército colombiano, general Mario Montoya, vão comparecer a sessão em uma comissão do Senado hoje para se explicar sobre a escalada do escândalo dos "falsos positivos" -civis assassinados por militares, mas apresentados mais tarde como guerrilheiros ou paramilitares mortos em combate.
O escândalo veio à tona quando se soube que 19 jovens, tidos como desaparecidos, foram contabilizados como baixas inimigas. Pelo episódio, o presidente Álvaro Uribe afastou 27 oficiais e suboficiais, incluindo três generais na semana passada. A Procuradoria está apurando mais de mil casos de execuções sumárias no último ano.
A oposição quer que Santos, homem forte de Uribe, assuma a "responsabilidade política" pelo escândalo e renuncie.
Irritado com um relatório da Human Rights Watch (HRW) que acusa Bogotá de atrapalhar investigações sobre paramilitares, Uribe chamou o diretor da ONG José Miguel Vivanco de "cúmplice e defensor" das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Vivanco foi expulso da Venezuela há dois meses após divulgar um informe crítico do governo.
Outro foco de pressão sobre Uribe, lideranças indígenas decidiram fazer nova marcha contra governo e pretendem protestar em Bogotá.

Texto da Folha de São Paulo, de 4 de novembro de 2008.


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quarta-feira, outubro 29, 2008

Colômbia: mais indígenas mortos em marcha de oposição à Uribe

Após novas mortes, indígenas obtêm adesões na Colômbia

Dois participantes de marcha anti-Uribe perdem as vidas em confronto com polícia

Estudantes e central sindical declaram apoio a protestos, que demandam mais terras; governo acusa Farc de estar por trás de manifestações

FABIANO MAISONNAVE
DE CARACAS

Dois manifestantes que participariam de uma grande marcha indígena contra a violência e a falta de terras morreram anteontem durante enfrentamentos com a polícia colombiana. O protesto de 10 mil pessoas, iniciado na semana passada, recebeu nas últimas horas o apoio de estudantes e sindicatos e tem provocado uma intensa troca de acusações entre o movimento e o governo do presidente Álvaro Uribe.
Os dois mortos faziam parte de um grupo de 200 indígenas e camponeses que, segundo a Organização Nacional Indígena da Colômbia (Onic), se integrariam à grande marcha na cidade de Villa Rica (sudoeste), amanhã. Eles fecharam a rodovia Panamericana, uma das mais importantes do país, dando início ao confronto com um esquadrão antidistúrbios.
A polícia nega envolvimento nas mortes e diz que podem ter sido provocadas pela explosão de uma bomba caseira.
Até sábado, quando devem chegar a Cali, os indígenas terão percorrido cerca de 100 km desde a cidade de Piendamó. O protesto está sendo feito numa das faixas da Panamericana -eles se comprometeram a não bloqueá-la totalmente.
Em reação às mortes, estudantes entraram em choque com a polícia após bloquear várias ruas na região do aeroporto internacional de Bogotá. Já a Central Unitária dos Trabalhadores (550 mil filiados) prometeu marchas pelo país em apoio aos indígenas e a uma greve de cortadores de cana.
Até o fim de semana, os manifestantes esperam reunir 20 mil pessoas em Cali, onde exigirão a presença de Uribe.
Porta-vozes do governo têm feito duras acusações contra o movimento. O diretor da Polícia Nacional, Oscar Naranjo, disse que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) estão por trás da mobilização, enquanto o ministro de Proteção Social, Diego Palacio, afirmou que o objetivo é "desestabilizar" Uribe.
"Neste país, quem se opõe ao governo é considerado terrorista e conspirador. Diante disso, respondemos com uma marcha pacífica. Nossa mobilização não tem interesses obscuros", disse ontem à Folha Luis Fernando Arias, secretário-geral da Onic, em entrevista por telefone desde Santander de Quilichao, cidade onde se encontrava a marcha.
Segundo a Onic, 1.273 indígenas foram assassinados desde que Uribe assumiu, em 2002. A organização afirma que existem no país 1,35 milhão de indígenas, 3% da população.
Sobre o problema de falta de terras, Arias disse que, dos 27 milhões de hectares destinados aos indígenas na Colômbia, 23 milhões estão sob preservação. "As terras para o cultivo agrícola são muito poucas, porque a maior parte está na mão dos latifundiários deste país."
A Onic também exige a adesão à Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, aprovada em 2007. O país foi o único da América Latina a não aprovar o documento.

Texto da Folha de São Paulo, de 23 de outubro de 2008.


Marcadores: Álvaro Uribe, Colômbia, repressão de movimentos sociais, Uribe

posted by José Elesbán at 11:14 PM 0 comments

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