sexta-feira, janeiro 29, 2010

Não vai dar no Jornal Nacional: Aparece uma vala comum na Colômbia com 2 mil cadáveres

Os corpos sem identificação foram depositados pelo Exército a partir de 2005

do jornal espanhol Público, sugerido por um leitor anônimo

por Antonio Albiñana, Bogotá, 26/01/2010

No pequeno povoado de Macarena, região de Meta, 200 quilômetros ao sul de Bogotá, uma das zonas mais quentes do conflito colombiano, está sendo descoberta a maior vala comum da história recente da América Latina, com uma cifra de cadáveres enterrados sem identificação, que poderia chegar a 2.000 segundo diversas fontes e os próprios residentes. Desde 2005 o Exército, cujas forças de elite estão baseadas nos arredores, depositou atrás do cemitério local centenas de cadáveres com a ordem para que fossem enterrados sem nome.

Trata-se do maior túmulo de vítimas de um conflito de que se tem notícia no continente. Seria preciso ir ao Holocausto nazista ou à barbárie de Pol Pot no Camboja para encontrar algo desta dimensão.

O jurista Jairo Ramírez é o secretário do Comitê Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos na Colômbia e acompanhou uma delegação de parlamentares ingleses ao lugar faz algumas semanas, quando começou a se descobrir a magnitude da cova de Macarena. "O que vimos foi estarrecedor", declarou ao Público. "Infinidade de corpos e na superfície centenas de placas de madeira de cor branca com a incrição NN e com datas desde 2005 até hoje".

Desaparecidos

Ramírez acrescenta: "O comandante do Exército nos disse que eram guerrilheiros, baixas em combate, mas as pessoas da região dizem que são líderes sociais, camponeses e defensores comunitários que desapareceram sem deixar rastro".

Enquanto a Promotoria anuncia investigações "a partir de março", depois das eleições legislativas e presidenciais, uma delegação parlamentar espanhola integrada por Jordi Pedret (PSOE), Inés Sabanés (IU), Francesc Canet (ERC), Joan-Josep Nuet (IC-EU), Carles Campuzano (CiU), Mikel Basabe (Aralar) e Marian Suárez (Eivissa pel Canví) chegou ontem à Colômbia para estudar o caso e fazer um informe para o Congresso e a Eurocâmara. Para investigar a situação da mulher como vítima e os sindicalistas (somente em 2009 foram assassinados 41), também vão trabalhar em outras regiões do país.

Mais de mil covas

O horror de Macarena trouxe de volta o debate sobre a existência de mais de mil covas comuns de cadáveres sem identificar na Colômbia. Até o final do ano passado, os legistas haviam contados cerca de 2.500 cadáveres, dos quais haviam conseguido identificar 600 para entregar os corpos a seus familiares.

A localização destes cemitérios clandestinos foi possível graças a declarações dos chefes de médio escalão dos paramilitares desmobilizados, anistiados pela controvertida Lei de Justiça e Paz que garante a eles pena simbólica em troca da confissão de seus crimes.

A últimas destas declarações foi de John Jairo Rentería, o Betún, que acaba de revelar à Promotoria e aos familiares das vítimas que ele e seus sequazes enterraram "mais ou menos 800 pessoas" na fazenda Villa Sandra, em Porto Asís, região de Putumayo. "Era preciso esquartejar as pessoas. Todas as Autodefesas [grupo paramilitar] tinham que aprender isso e muitas vezes se fazia com as pessoas vivas", confessou o chefe paramilitar ao promotor de Justiça e Paz.

Notícia do Vi o Mundo.


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segunda-feira, janeiro 12, 2009

Estados Unidos sabiam que exército colombiano assassinava civis

EUA sabiam que Exército colombiano matava civis

Documentos oficiais afirmam que assassinatos eram conhecidos desde 1994

Ex-embaixador afirma que Washington não tinha como intervir; para ministro da Defesa colombiano, não se deve "inflar problema"

DA REDAÇÃO

A CIA e diplomatas de alto escalão dos Estados Unidos sabiam desde 1994 que as forças de segurança colombianas operavam como esquadrão da morte, cooperavam com grupos paramilitares de tráfico de drogas e estimulavam a política dos "falsos positivos" -o assassinato de civis inocentes para inflar o número de baixas inimigas obtidas pelos militares.
As informações estão em documentos oficiais tornados públicos ontem na internet pela ONG National Security Archive, da Universidade George Washington, nos EUA.
"Nós sabíamos. Não sabíamos de todos os detalhes, mas quando falávamos com os militares sobre esses rumores, eles os negavam ruidosamente", declarou o ex-embaixador norte-americano em Bogotá Myles Frechette a uma rádio da capital colombiana.
"Nessa época, 1994, a ajuda militar [à Colômbia] foi quase proibida pelo Congresso americano por causa das violações dos direitos humanos nos anos anteriores, e o foco da ajuda era para combater o narcotráfico."
"Não tínhamos muito a dar ao Exército", continuou Frechette, dizendo que, por isso, "não tínhamos como exigir que nos informassem nem cortar ajuda militar, porque não havia dinheiro envolvido". Ainda assim, segundo o ex-embaixador, a situação foi denunciada ao então presidente colombiano, Ernesto Samper (1994-1998).

Defesa
Ao comentar a divulgação dos documentos, o atual ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou que é preciso "ter cuidado com quem quer inflar o problema além do que realmente é".
O ministro não fez comentários sobre o conteúdo dos documentos, mas defendeu as políticas de defesa dos direitos humanos do governo do presidente Álvaro Uribe.
Santos afirmou haver "tolerância zero com qualquer violação dos direitos humanos" e que "não há Exército em todo o mundo que tenha tido mais treinamento, mais capacitação em matéria de direitos humanos [que o colombiano]". "O Estado e a Justiça estão diante desse problema. Nosso objetivo, neste ano de 2009, é que nenhum culpado fique impune."

Investigação
Os registros jogam luz sobre uma prática -cuja investigação foi iniciada em outubro pelo governo colombiano- que influenciou o comportamento de comandantes militares durante anos e que acabou levando a execuções extrajudiciais.
Em setembro do ano passado, os corpos de pelo menos 19 jovens foram encontrados num cemitério no norte da Colômbia. A versão do Exército foi de que eles haviam sido mortos em combate, após serem aliciados ou sequestrados por grupos narcotraficantes. Mas surgiram suspeitas pelo fato de os jovens terem morrido apenas um ou dois dias após as notificações de desaparecimento.
O comandante do Exército colombiano, general Mario Montoya -ponte entre o Pentágono e as Forças Armadas da Colômbia- renunciou ao cargo, pressionado pela repercussão do escândalo.
Montoya estimulou por muito tempo a ideia de usar a contagem de corpos para medir o progresso do Exército na luta contra as guerrilhas. Os militares recebiam bonificações pelo sucesso das operações.


Com agências internacionais

O texto é da Folha de São Paulo, de 9 de janeiro de 2009.


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terça-feira, novembro 11, 2008

Assassinato de Civis pressiona governo Uribe

Escândalo militar pressiona governo Uribe

Ministro da Defesa fala hoje no Senado sobre execução de civis; presidente chama ativista de ONG de "cúmplice das Farc"

DA EFE

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o comandante do Exército colombiano, general Mario Montoya, vão comparecer a sessão em uma comissão do Senado hoje para se explicar sobre a escalada do escândalo dos "falsos positivos" -civis assassinados por militares, mas apresentados mais tarde como guerrilheiros ou paramilitares mortos em combate.
O escândalo veio à tona quando se soube que 19 jovens, tidos como desaparecidos, foram contabilizados como baixas inimigas. Pelo episódio, o presidente Álvaro Uribe afastou 27 oficiais e suboficiais, incluindo três generais na semana passada. A Procuradoria está apurando mais de mil casos de execuções sumárias no último ano.
A oposição quer que Santos, homem forte de Uribe, assuma a "responsabilidade política" pelo escândalo e renuncie.
Irritado com um relatório da Human Rights Watch (HRW) que acusa Bogotá de atrapalhar investigações sobre paramilitares, Uribe chamou o diretor da ONG José Miguel Vivanco de "cúmplice e defensor" das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Vivanco foi expulso da Venezuela há dois meses após divulgar um informe crítico do governo.
Outro foco de pressão sobre Uribe, lideranças indígenas decidiram fazer nova marcha contra governo e pretendem protestar em Bogotá.

Texto da Folha de São Paulo, de 4 de novembro de 2008.


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