sábado, agosto 07, 2010

Ex-espiões alertam Obama para ataque de Israel ao Irã

Ex-espiões alertam Obama para ataque de Israel ao Irã

05 de agosto de 2010 | 19h 03

RENATO MARTINS - Agência Estado

O grupo Profissionais Veteranos da Inteligência pela Sanidade (Vips) enviou uma carta ao presidente dos EUA, Barack Obama, "alertando para a probabilidade de que Israel vá atacar o Irã tão cedo quanto neste mês, e isso provavelmente levaria a uma guerra mais ampla".

A carta diz ao presidente que "isso pode ser detido, mas somente se você agir rapidamente para prevenir um ataque israelense com uma condenação pública dessa medida antes que ela ocorra". O documento acrescenta que "mudança de regime, e não armas nucleares iranianas, é a preocupação primária de Israel".

O documento também diz que "se o temor declarado de Israel, de que uma ou duas armas nucleares no arsenal iraniano seriam algo que mudaria o jogo, seria de se esperar que os líderes israelenses dariam pulos de alegria diante da possibilidade de ver metade do urânio levemente enriquecido do Irã ser embarcado para o exterior".

Ao invés disso, acreditam os membros do grupo, Israel descarta como ''um truque'' o acordo tripartite negociado por Turquia e Brasil para embarcar metade do urânio levemente enriquecido do Irã para longe do controle de Teerã.

Programa nuclear

A carta diz ainda que a liderança israelense está na expectativa de um memorando que a comunidade de inteligência dos EUA estaria preparando para atualizar a Estimativa de Inteligência Nacional de 2007, que diz que "nós julgamos com alta confiança que, no outono de 2003, Teerã suspendeu seu programa de armas nucleares". Segundo os integrantes do Vips, uma de suas fontes diz que o novo memorando deverá reafirmar o conteúdo daquela estimativa, ou seja, de que o Irã não tem um programa nuclear militar.

O grupo avalia que o anúncio, na semana passada, de que funcionários dos EUA vão se reunir com os iranianos no próximo mês para retomar conversações sobre maneiras de "arranjar um enriquecimento maior do urânio levemente enriquecido do Irã para o reator de pesquisas médicas de Teerã foi bem-vindo por todos, menos os líderes de Israel".

Argumento

Para os autores da carta, um acordo "enfraqueceria grandemente o argumento mais assustador de Israel para atacar o Irã" e, por isso, "cresce o incentivo em Tel Aviv para que os israelenses ataquem antes que tal acordo seja alcançado".

Um dos autores da missiva é Phil Girardi, que foi da Diretoria de Operações da CIA por 20 anos. O grupo foi formado no começo de 2003, com o objetivo de denunciar as distorções que o governo do então presidente George W. Bush fazia das análises dos serviços de inteligência norte-americanos para justificar a invasão do Iraque.


Do Estadão via blog do Luís Nassif.

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sexta-feira, agosto 06, 2010

Horror!




Angeli, provavelmente a respeito de uma sentença de morte por lapidação no Irã, na Folha de São Paulo, de 5 de agosto de 2010.

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quinta-feira, maio 27, 2010

Erguer pontes...

É preciso aprender a erguer pontes sobre o abismo

NOVA YORK

A mediação do Brasil e da Turquia em um acordo para retirar do Irã a maior parte do urânio de baixo nível de enriquecimento (LEU, na sigla em inglês) é importante, seja ele implementado ou não. O motivo é que é um presságio do mundo pós-ocidental emergente.
A predominância anglo-saxã ainda não terminou, mas está em declínio. Washington reagiu negativamente, dizendo que havia esboçado um acordo para seguir com uma quarta rodada de sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU. Mas as sanções falharam no passado, e a reação levanta a questão de por que um arranjo que parecia aceitável quando negociado por diplomatas americanos em outubro passado já não é mais.
A violência infligida a sua própria população pelo regime iraniano depois da eleição roubada de 12 de junho do ano passado foi inadmissível, mas ainda é verdade que o isolamento e o confronto só beneficiam a ala linha-dura do Irã, que acha fácil contornar a retórica americana do "eixo do mal". Afinal, quanto mais o Irã puder ser retirado de sua atual posição de pária, melhor para as forças reformistas de lá. Elas são jovens e estão famintas por contato com o mundo.
A Turquia e o Brasil são potências regionais emergentes com interesses econômicos em expansão no Irã e crescentes ambições diplomáticas. Seu envolvimento agradou ao governo iraniano, que gosta de se posicionar como líder de uma nova ordem mundial. O posicionamento é um agravante para o Ocidente, mas, neste caso, isso não importa, se o objetivo central puder ser alcançado: criar espaço para o diálogo e a remoção do urânio de 3,5% de pureza que o Irã tem produzido nas centrífugas de Natanz.
O acordo retoma em grande parte um outro negociado pelos EUA em 2009 e que desandou. A única diferença significativa é que agora o Irã tem mais LEU, com o resultado de que os 1.200 kg a serem levados para a Turquia representariam uma proporção menor do estoque, embora ainda mais da metade.
Não acho que isso importe muito porque o Irã, se honrar o acordo, estará demonstrando uma disposição para trabalhar com a comunidade internacional e remover grande parte do LEU necessário para fazer o urânio altamente enriquecido usado em uma bomba.
Diante da antiga duplicidade e da intransigência iranianas, é recomendável prudência. Mas eu sinto no intenso ceticismo inicial do Ocidente um desprezo mal disfarçado pelos esforços do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e do premiê turco, Recep Tayyip Erdogan.
Isso é um erro. Exatamente porque o Irã investiu muito em suas relações com a Turquia e o Brasil, agora relutará em fazer de bobos os dois líderes e recuar.
O presidente dos EUA, Barack Obama, enfrenta uma decisão delicada. Seu coração sempre foi favorável a uma reaproximação com o Irã. Ele vê, acertadamente, que o impasse americano-iraniano de 31 anos é obsoleto e prejudicial. Mas a fúria tem varrido o Congresso, cujos representantes prometeram sanções "esmagadoras" e "paralisantes" contra Teerã.
Grande parte do esforço dos EUA foi dedicado ao lobby para que o CS da ONU produza um acordo sobre sanções de seus cinco membros permanentes, com poder de veto -EUA, Reino Unido, França, Rússia e China-, mais Alemanha. Em vez de dizer que a pressão funcionou, na forma da aparente disposição iraniana a se desfazer do LEU, o governo Obama parece ter optado por uma linha dura. Isso foi tentado sob o governo Bush e não deu em nada.
O Irã demonstrou que, de modo geral, é imune às sanções. Se elas falharem mais uma vez em mudar o comportamento iraniano, Obama enfrentará a pergunta: e agora? Ele sabe que EUA e Ocidente não podem suportar uma terceira guerra com um país muçulmano.
Por isso o acordo brasileiro-turco vale a pena. Obama disse à ONU no ano passado que os EUA queriam terminar com a unilateralidade, mas precisavam que os outros países assumissem responsabilidades. "Os que costumavam censurar os EUA por agirem sozinhos agora não podem ficar de lado e esperar que os EUA solucionem sozinhos os problemas do mundo", ele declarou, acrescentando: "Juntos, devemos construir novas coalizões para superar antigas divisões -coalizões de fés e credos diferentes; de norte e sul, leste, oeste, preto, branco e marrom".
Novas coalizões para superar antigas divisões? Para mim, soa como Brasil e Turquia unindo-se para ajudar o Irã e os EUA a superar o abismo que os separa. Isso, por sua vez, ofereceria a possibilidade de aprofundar a paz no Oriente Médio e a segurança global.

Texto do The New York Times, reproduzido na Folha de São Paulo, de 24 de maio de 2010.


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Ao ignorar o acordo com o Irã, Obama se afunda em mais um fracasso

Ao ignorar o acordo com o Irã, Obama se afunda em mais um fracasso

Roger Cohen
Em Nova York (EUA)

John Limbert, que foi refém em Teerã, agora é responsável por assuntos iranianos no Departamento de Estado. Ele deu uma boa descrição das caricaturas que afligem as não-relações entre os EUA e o Irã.

Os americanos veem os iranianos como “evasivos, falsos, fanáticos, violentos e incompreensíveis”. Os iranianos, por sua vez, veem os americanos como “beligerantes, hipócritas, ateus, imorais, materialistas, calculistas”, sem mencionar provocadores e exploradores.

Esse é o marco zero na relação mais traumatizada da Terra e a mais atormentadora. Atormentadora porque o Irã e os EUA são inimigos não naturais, pois têm tanto onde concordar, se quebrarem o gelo. Limbert, construtor de pontes, passou metade da vida tentando transmitir essa mensagem. Nunca conseguiu. A história venenosa atrapalha. Assim como os que lucram com o veneno.

Como se fosse necessária mais uma ilustração da relação de desconfiança, esta acaba de ser fornecida pelo acordo do Brasil e Turquia sobre o urânio pouco enriquecido do Irã, a reação rabugenta dos EUA e a aparente determinação dos Grandes Poderes, liderados pelo governo Obama, de se afundar mais no fracasso.

Achei que Obama estava disposto a pensar o Irã de forma diferente. Parece que não. Os presidentes precisam liderar as principais iniciativas de política externa, e não serem reativos a considerações políticas internas, neste caso a ira incandescente no Capitólio em relação ao Irã em ano de eleição.

Vou começar pelo último ponto. O Brasil e a Turquia representam o mundo pós-Ocidental emergente, que vai continuar emergindo; a secretária de Estado Hillary Clinton, portanto, deve ser menos rápida no gatilho em matar os “esforços sinceros” de Brasília e Ancara com fracos elogios.

A capacidade do Ocidente de impor soluções às questões globais, como o programa nuclear do Irã, foi erodida. Os EUA, envolvidos em duas guerras em países muçulmanos sem conclusão, não pode arcar com uma terceira. A primeira década do século 21 delineou os limites do poder norte-americano. É grande, porém não é mais determinante.

Muitos americanos, inclusive os radicais do “Tea Party”, ficam revoltados com isso e latem contra os lobos. Eles vão descobrir que os fatos são os fatos.

Falando em fatos, serei meio teatral agora. O Irã vem produzindo, sob inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), urânio enriquecido a 5% (LEU). Se o Irã quiser produzir uma arma nuclear, esse LEU teria que ser enriquecido para grau de bomba (mais de 90%).

A ideia por trás do acordo americano em Genebra em outubro era levar uma boa parte do LEU para fora do Irã, para reforçar a confiança, criar espaço de negociação e remover o material que pudesse ser subvertido. Em troca, o Irã receberia combustível atômico para o reator de pesquisa médica em Teerã.

O Irã, usa uma prática de bazar: diz sim, talvez e não, enfurecendo Obama. O país dos aiatolás agora queria que o LEU fosse armazenado em solo iraniano sob controle da AIEA, que fosse transferido para lá em fases e que a troca de combustível fosse simultânea. Esqueça, disse Obama.

Bem, a Turquia e o Brasil agora restauraram os principais elementos do acordo de outubro: um único carregamento de 1.200 kg de LEU para um ponto fora do Irã (na Turquia) e um prazo de um ano –essencial para o início de maiores negociações- entre este depósito iraniano e a importação do combustível.

E qual foi a resposta dos EUA? Promover “fortes sanções” (talvez não mais “destruidoras”) contra o Irã na ONU, e insistir em uma suspensão do enriquecimento que não estava no acordo de outubro (de fato, este foi o centro da diferença de Obama para a doutrina Bush).

Obama de fato poderia ter dito: “A pressão funciona! O Irã hesitou nas vésperas das sanções da ONU. Voltou para nossa oferta. Precisamos ser prudentes, devido ao passado iraniano de duplicidade, mas isso é um progresso. O isolamento serve aos radicais iranianos.”

Não é de espantar que Ahmet Davutoglu, ministro de relações exteriores turco, esteja com raiva. Acredito nele quando diz que Obama e as autoridades norte-americanas estimularam a Turquia no início do ano a reanimar o acordo: “O que eles queriam que fizéssemos era promover a confiança no Irã para que aceitasse a troca. Fizemos nossa parte.”

Sim, a Turquia fez sua parte. Eu sei, os 1.200 kg agora representam uma proporção menor do LEU do Irã do que em outubro, e não é mais claro que o combustível virá da conversão do LEU depositado. Mas isso não é nada quando você está tentando construir uma frágil ponte entre os iranianos “falsos” e os americanos “provocadores” no interesse da segurança mundial.

As reações da França e da China –de apoio cauteloso- fizeram sentido. Os americanos não fizeram nenhum, ou somente na luz do forte defesa do Congresso por sanções “esmagadoras”. Maiores sanções não vão mudar o comportamento nuclear do Irã; negociações, talvez. Somente posso esperar que a reação americana tenha sido uma jogada de abertura.

No ano passado, na ONU, Obama pediu uma nova era de responsabilidade compartilhada. “Juntos, precisamos construir novas coalizões que superem nossas divisões”, declarou. Turquia e Brasil responderam –e foram esnobados. Obama fez suas próprias palavras iluminadas parecerem vazias.


Texto do International Herald Tribune, republicado no UOL.

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quinta-feira, março 18, 2010

Israel ignora a atual proximidade entre judeus e árabes

Benjamin Netanyahu ignora a atual proximidade entre judeus e árabes

Bernhard Zand


Raramente em ocasiões anteriores judeus e árabes estiveram tão unidos frente à ameaça iraniana. Mas o governo de Israel está ignorando deliberadamente esta oportunidade histórica de fazer com que o processo de paz progrida. De fato, o governo de Benjamin Netanyahu parece estar satisfeito com a situação atual


Uma das doutrinas fundamentais perenes relativas ao conflito do Oriente Médio afirmava que os elementos de linha dura no governo israelense são os únicos capazes de obter um acordo de paz – os políticos mais brandos seriam muito fracos para conseguir tal resultado.

Uma segunda doutrina dizia que os líderes árabes necessitam do conflito para justificarem as suas próprias hesitações e os seus regimes não democráticos.

A terceira doutrina postulava: o inimigo do meu inimigo é meu amigo.

Com a farsa que está protagonizando neste momento em cima do seu aliado, os Estados Unidos, o governo israelense retirou simultaneamente de cena as três doutrinas, e isto não é uma boa notícia.

Primeiro, o ministro israelense do Interior, Eli Yishai, fez de bobo Joe Biden, presidente dos Estados Unidos e um amigo comprovado de Israel, que na semana passada garantiu ao Estado judeu que os Estados Unidos têm um “compromisso absoluto, total, direto com a segurança de Israel”. Como resposta, Yishai garantiu a aprovação de 1.600 novos apartamentos em setores de Jerusalém Oriental reivindicados pelos árabes.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu desculpou-se pelo momento infeliz em que foi feito o anúncio e alegou que não sabia nada a respeito dos 1.600 apartamentos. Dá para acreditar que o primeiro-ministro não estivesse ciente do maior projeto de construção atual na cidade?

O “incidente” foi “prejudicial”, afirmou Netanyahu, antes de nomear autoridades graduadas para investigar os acontecimentos “a fim de assegurar a adoção de procedimentos para impedir que tais tipos de incidentes ocorram no futuro”. Netanyahu também indicou rapidamente qual foi a punição draconiana que reservou para o seu ministro: nenhuma. “Houve um incidente lamentável, que ocorreu inocentemente”, afirmou ele prematuramente, antes que a comissão tivesse sequer dado início à investigação.

A primeira doutrina acabou desaguando em uma conclusão: nenhum indivíduo que integra o governo israelense está atualmente interessado em conversações de paz – nem os elementos de linha dura nem os mais brandos:

Em janeiro, agentes do Mossad escolheram logo Dubai como cena do crime de assassinato premeditado perpetrado contra o líder do Hamas, Mahmoud al-Mabhouh. Dubai é um dos dois emirados do Golfo Pérsico que ignoraram o boicote árabe e receberam um ministro israelense.

Em fevereiro, Netanyahu declarou que os sepulcros de Raquel, na cidade de Belém, que é controlada pelos palestinos, e de Abraão, em Hebron (os dois sepulcros são sagrados tanto para cristãos quanto para muçulmanos) são “heranças culturais sionistas”.

E, em março, uma semana antes de o ultra-ortodoxo ministro do Interior Yishai ter aprovado a construção dos 1.600 apartamentos, o ministro trabalhista da Defesa, Ehud Barak, autorizou a construção de 112 novos prédios no assentamento Beitar Ilit, no território ocupado da Cisjordânia, onde supostamente estaria em vigor uma suspensão de dez meses de todas as construções.

A segunda doutrina também não tem mais nenhum valor – na verdade, o contrário é que se aplica. Não são mais os líderes árabes que necessitam de conflito para justificarem os seus regimes. Netanyahu é que precisa de conflito para manter coeso o seu governo heterogêneo formado por esquerda e direita.

Judeus e árabes nunca estiveram tão unidos como agora

De fato, faz muitos anos que os regimes árabes não são tão flexíveis quanto neste momento. Pouco antes da visita de Biden, eles solicitaram unanimemente aos palestinos que dessem início a uma nova rodada de negociações com Israel. Muitos deles cederam quanto à questão e gostariam bastante de ver a paz no Oriente Médio.

E existem bons motivos para isso: não são mais eles que beneficiam-se com esta guerra. Atualmente, os árabes, tanto quanto os israelenses, temem os terroristas da Al Qaeda e a liderança iraniana, com a sua retórica feroz e o seu programa nuclear.

Nunca antes desde a época da criação de Israel judeus e árabes estiveram tão unidos como estão agora frente à ameaça iraniana. A situação chegou ao ponto de o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita ter falado abertamente com a sua colega norte-americana Hillary Clinton sobre a potencial necessidade de um ataque militar contra o Irã. Na sua pesquisa, “Der Spiegel” descobriu que agências de inteligência ocidentais acreditam que os sauditas chegariam até mesmo dispostos a abrir o seu espaço aéreo para que aviões israelenses desfechassem um ataque contra o Irã – ao contrário dos norte-americanos, que não permitiriam que os israelenses voassem sobre o Iraque, por bons motivos.

Por mais alarmante que este cenário possa ser, é preciso um grau notável de obstinação e de autismo político para que alguém ignore este conjunto de fatores e, portanto, despreze a terceira e a mais simples das três doutrinas. Isso conduz a uma única conclusão: o governo israelense está satisfeito com a atual situação no Oriente Médio. No entanto, é difícil acreditar nisto, tendo em vista o número de mortes e os sofrimentos causados por este conflito.

É verdade que no momento o Hamas não está disparando nenhum foguete. E o último ataque suicida em Israel ocorreu quase dois anos atrás. Mas alguém acredita de fato que a situação permanecerá tão calma?

Em protesto contra a construção nos assentamentos, o Hamas já organizou um “Dia da Ira”. Centenas de palestinos protestaram na terça-feira (16/03) em Jerusalém e entraram em conflito com as forças de segurança israelenses. Pneus e latas de lixo foram incendiados. A polícia contra-atacou com granadas de efeito moral e balas de borracha. O acesso ao Monte do Templo, onde a violência irrompeu várias vezes desde a última sexta-feira, também foi restringido. Nem grupos de judeus nem turistas tiveram permissão para visitar o contestado sítio sagrado na terça-feira.

“Me telefonem quando estiverem falando seriamente sobre paz”

A chanceler alemã está correta em descrever o anúncio da construção do assentamento como um “sério empecilho” e em falar de “sinais negativos”. Teria sido ainda melhor se ela tivesse feito isso durante o seu discurso no Knesset em 2008.

Os assentamentos em Jerusalém Oriental não começaram a crescer na semana passada. Eles têm se expandido, conforme se gabava Netanyahu ontem, durante os últimos 42 anos, e eles fazem de bobos todos os que desejam ajudar judeus e árabes a fazerem as pazes.

Há 20 anos, o secretário de Estados norte-americano James Baker estava na mesma posição em que se encontram agora Hillary Clinton e o frustrado negociador dela para o Oriente Médio, George Mitchell. Baker forneceu aos israelenses o número de telefone da Casa Branca e lhes disse: “Me telefonem quando estiverem falando seriamente sobre paz”.

Tradução: UOL

Notícia da Der Spiegel, reproduzida no UOL.

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terça-feira, julho 21, 2009

Fisk: Irã dos aiatolás é um experimento político no coração da "Xia"

por Robert Fisk, no The Independent

A imagem mais nauseabunda de toda a tragédia Iraniana não mostrava corpos ensanguentados de manifestantes em Teerã; foi imagem distribuída pela Reuters, do ex-príncipe ex-coroado Reza Pahlavi, "tentando controlar as lágrimas" em Washington, e declarando que Neda Agha Sultan, a jovem morta pelos assassinos comandados por Ahmadinejad, semana passada, "estará para sempre em meu bolso". Santo deus! No bolso dele! "Juntei Neda à lista das minhas filhas" – disse ao mundo o filho do falecido Xá, brutal e impiedoso.

Nem é preciso dizer que o filho da "Luz dos Arianos" não juntou à "lista de suas filhas" as muitas, as milhares de mulheres também inocentes e jovens torturadas até a morte pela sádica polícia secreta de seu pai.

Em 1979, vi um homem que torturou uma mulher amarrada a uma chapa de metal e posta sobre bicos acessos de um fogão a gás. Chamava-se Mohamed Sadafi, levantador de pesos e lutador profissional. "Você matou minha filha", o pai daquela infeliz mulher gritou para Sadafi, à minha frente. "A pele queimou por partes, até ela ficar paralisada. Pode-se dizer que foi assada", Sadafi respondeu ao homem, sem explicar por que a moça ter-se-ia enforcado depois de sete meses de cárcere. Mas "não havia nem lençóis na prisão, nos quais ela pudesse enforcar-se" – o pai ainda berrou, furioso. Ah, sim, havia, sim, Sadafi respondeu. "Eu vi muito bem as notas da lavanderia da prisão de Evin."

Não, não acho que Reza Shah tenha posto aquela moça "no bolso". Mas tampouco a moça foi salva pelos clérigos xiitas, que se diz que apoiaram o golpe anglo-americano original contra Mohammed Mossadeq, líder democraticamente eleito no Irã em 1953. Ao mesmo tempo em que avançava o golpe, um alto clérigo de Teerã foi mandado a Qom para persuadir o aiatolá daquela época, Sayed Mohammad Hossein Boroujerdi, a lançar uma fatwa, conclamando a uma guerra santa contra os comunistas do Partido Tudeh, aos quais Mossadeq aliara-se. Dizia-se que um certo Ruhollah Khomeini fora encarregado de ordenar a Boroujerdi que tomasse essas providências.

A própria análise da CIA sobre o golpe – o qual, é claro tem sido lembrado cada vez mais entusiasticamente por Ahmadinejad e seus asseclas durante as últimas duas semanas – inclui uma entrevista pós-golpe entre Kermit Roosevelt, chefe da CIA em Teerã, e Winston Churchill, que vivia seus últimos meses como primeiro-ministro inglês. "Foi momento muito tocante" – diz o relatório da CIA sobre o encontro Roosevelt-Churchill.

"O primeiro-ministro parecia não estar em boas condições físicas e de saúde (...) com muita dificuldade para ouvir; com problemas ocasionais para articular palavras; e com o que parecia ser uma dificuldade de ver à sua esquerda. Apesar disso, mostrou grande entusiasmo pela operação. Chegou a manifestar desejo de "ter alguns anos a menos", e poder servir sob as ordens de Roosevelt: "Nossa operação deu-nos inesperada e maravilhosa oportunidade de modificar todo o panorama no Oriente Médio."

É exatamente o mesmo discurso, explícito, de Condoleezza Rice. Lembram as "dores do parto" de que Condi falava, do parto do qual nasceria um novo Oriente Médio, quando os libaneses afogavam-se em sangue, atacados pelas bombas israelenses em 2006? Pois "todo o panorama no Oriente Médio", de Churchill, só mudou, mesmo, em 1979.

Nesse caso... Que fim levou a famosa revolução? Foi realmente um florescente retorno aos valores básicos do islamismo xiita, volta aos anos dourados de Ali e Hussein, quando a autoridade islâmica jamais poderia ser imposta ao mesmo tempo que um governo secular? Essa é a narrativa que está sendo implantada agora em Teerã. Essa é a história em que o Aiatolá Khamenei diz que acredita; mediante a qual o aiatolá Khomeini – apesar dos conselhos que deu a Boroujerdi em 1953 – levou o Irã de volta à pureza das raízes islâmicas xiitas, segundo as quais ninguém deve tentar separar o poder religioso e o poder secular.

Por extraordinária coincidência, acaba de ser publicado mais um livro do professor Nader Hashemi da Universidade de Denver, e que, provavelmente, é hoje o livro mais absolutamente necessário para que se entendam os dramáticos eventos no Irã.

Reverente aos terríveis deveres acadêmicos, o prof. Hashemi deu ao livro um título que mais parece aviso de "NÃO LEIA": Islam, Secularism, and Liberal Democracy: Toward a Democratic Theory for Muslim Societies. Esqueça o título. O livro é leitura absolutamente indispensável e vale cada página. (...)

No livro está citada uma fala de Khomeini, de quando vivia exilado na cidade iraqueana de Najaf, em 1970. "Esse slogan da separação entre religião e política e a exigência de que os sábios islâmicos não intervenham nos negócios sociais e políticos são ideias formuladas e propagandeadas pelos imperialistas; só os infieis e maus muçulmanos as repetem. Quando, no tempo do Profeta, separaram-se religião e política? Algum dia houve separação, os clérigos de um lado e, do lado oposto, um grupo de políticos e líderes?"

Outra vez, em 1999, o aiatolá Abolghassem Khazali, um duro ex-membro do Conselho dos Guardiões, insistiu que "quando um juiz como o aiatolá Mesbah Yazdi" – hoje apoiador dedicado e próximo de Ahmadinejad, com forte desejo de suceder Khamenei – "pronuncia-se sobre algo, todos temos de responder 'Devo ouvir e devo obedecer'. Se há algum perigo, virá sempre dos slogans da 'sociedade civil'. A situação hoje chegou a tal ponto, que se debate a existência de deus nas universidades".

Não surpreende que a Universidade de Teerã tenha sido invadida e violada pela milícia Basij, semana passada. Não surpreende que a tendência 'secular' de Mir-Hossein Mousavi pareça hoje tão perigosa para o regime.

Mas, como Hashemi observa – e aqui está o ponto mais frágil do regime Iraniano – "Há consenso quase completo de que a doutrina Khomeini, do governo pelos juízes islâmicos, marcou rompimento significativo na tradição xiita, no que tenha a ver com o relacionamento entre religião e política. Importantes aiatolás, no mundo xiita (inclusive no Irã, naquele momento), opuseram-se fortemente à doutrina política de Khomeini, considerada inovação e rompimento radical com o papel político dos religiosos na sociedade política, papel tradicionalmente muito discreto."

Então é isso. Khomeini inventou o chamado "velayat-e faqih" (governo do líder religioso); na história do islamismo jamais houve qualquer tipo de República Islâmica. O Irã dos aiatolás é um experimento político. Um experimento que poderá ser continuado ou interrompido. As duas últimas semanas sugerem que a República Islâmica terá de trabalhar muito, se quiser sobreviver.

Enquanto isso, lembremos o que disse Mossadeq, há 46 anos: "Nenhuma nação jamais chegará a lugar algum conduzida por ditadores."

O artigo original, em inglês, pode ser lido aqui.

Este texto veio do Vi o Mundo.


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quarta-feira, julho 08, 2009

"Neda morreu nas minhas mãos"

"Neda morreu nas minhas mãos", conta doutor Hejazi

Walter Oppenheimer
Em Londres (Reino Unido)

Em 20 de junho, depois das 18h30 em Teerã, a jovem Neda Agha-Soltan, de 26 anos, caiu abatida pelo disparo de um franco-atirador da milícia basiji durante um protesto contra o governo, depois das polêmicas eleições presidenciais. Assim que caiu, Neda foi atendida por um homem que tentou evitar que se esvaísse em sangue. Apesar de ser médico, aquele homem de 38 anos não conseguiu fazer nada: a bala havia cortado sua aorta e Neda morreu em menos de um minuto.

As imagens dessa morte, símbolo gráfico da revolta no Irã, foram gravadas com um telefone celular e distribuídas pela Internet como denúncia da repressão. Neda ficou famosa, mas também o homem que tentou ajudá-la: aquele médico que não exerce mais a profissão é na verdade um editor e tradutor para o farsi do famoso escritor brasileiro Paulo Coelho. Chama-se Arash Hejazi e está seguindo um curso de pós-graduação em Oxford. Estava passando apenas alguns dias em Teerã para cuidar dos negócios da pequena editora que fundou em 1997, a Caravan Books, que traduz para a língua farsi diversos autores internacionais.

A dramática troca de mensagens eletrônicas revelada por Coelho em seu blog mostram que o autor brasileiro contatou Hejazi assim que viu o vídeo da morte de Neda. Acredita tê-lo reconhecido, mas não tem certeza se é ele nem que destino pode ter corrido em Teerã. As cautelosas respostas de Hejazi mostram o pânico em que ele vive depois de se transformar em um personagem de fama mundial. Teme ser localizado pelas forças da repressão que expulsaram de sua própria casa os parentes de Neda assim que identificaram a jovem morta e impediram que se realizasse um funeral em sua memória.

Hejazi explica a Coelho em uma comovente mensagem que está prestes a voar de volta para o Reino Unido e que se na quarta-feira às 2 da tarde não chegar a Londres é que lhe aconteceu alguma coisa. E pede a Coelho que cuide de sua mulher e seu filho, que não têm mais ninguém no mundo.

Mas Hejazi chegou são e salvo. E depois de pensar muito quis dar a cara através de entrevistas com vários veículos da mídia britânica. Para que a morte de Neda Agha-Soltan não seja em vão. Nelas, explica como ocorreu a morte de uma mulher que não conhecia. Ela tinha descido do carro em que viajava, devido ao engarrafamento causado pelo protesto. Ele havia se aproximado da manifestação saindo de seu escritório próximo, junto com amigos.

Estavam ali de pé, em uma espera tensa, quando se ouviu o que parecia um disparo. Um amigo o tranquilizou, dizendo que deviam ser balas de borracha. Mas ele se virou e viu Neda despencar. "Ela girou a cabeça para olhar a ferida e pôs a mão no peito. Só vi surpresa em seu rosto e em seguida perdeu o controle. Pressionei a ferida. Pelo que vi, a bala atingiu sua aorta e os pulmões. Quando a aorta é afetada, o sangue escapa do corpo em menos de um minuto. Não se pode fazer nada. Ela não disse uma palavra. Morreu nas minhas mãos", acrescenta.

Voltou ao seu escritório para se lavar. "Estava assombrado e furioso, preocupado e triste. Como médico, já tinha visto a morte antes muitas vezes, e gente ferida de bala, mas nunca tive esses sentimentos. Não era só por sua morte, mas pela injustiça e pelo olhar penetrante de seus olhos enquanto sua vida se esvaía."

Então percebeu o perigo que havia ocorrido. "Pensei que esse disparo podia ter me atingido, que aquele que o fez poderia ainda estar ali e disparar outra vez. Senti medo da morte e achei ruim pensar em mim nesse momento. Tive um profundo sentimento de culpa por não ter conseguido salvá-la e estar pensando em mim mesmo. Não pude dormir nas três noites seguintes. Pensava naquele olhar, em seus olhos. Não tive tempo de dizer nada. Aquele olhar, como que me perguntando como isso podia ter acontecido. Um olhar muito inocente."

"Não fui para casa nessa noite, mas para a de meus pais. Não podia falar sobre aquilo. De repente apareceu a imagem na televisão. Não me lembro se foi na CNN ou na Al-Jazira. Eu disse: 'Esse sou eu'. E eles ficaram pasmos. Não desejo a ninguém que tenha de passar por uma experiência como essa."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Texto do El País, no UOL.

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terça-feira, junho 23, 2009

Irã proibiu funeral aberto para jovem morta durante protesto

O noivo de uma jovem iraniana de 26 anos morta a tiros durante uma manifestação anti-governo em Teerã, no sábado, disse à BBC que as autoridades do país proibiram sua família de realizar um funeral público.

Um vídeo que mostra o momento da morte Neda Agha Soltani foi colocado em blogs e sites como YouTube, Twitter e Facebook, e assistido por milhares de pessoas. Uma foto de seu rosto ensanguentado foi usada em protestos realizados na capital iraniana em várias cidades do mundo.

Segundo o noivo de Neda, Caspian Makan, as autoridades religiosas e a milícia Basij, pró-governo, impediram a família de realizar uma cerimônia religiosa dedicada à jovem em uma mesquita por temer que ela se torne um símbolo dos protestos.

"As autoridades estão cientes de que todos no Irã e em várias partes do mundo sabem o que aconteceu com Neda", afirmou Makan, que se identificou como fotojornalista. "Eles temiam que muita gente fosse à cerimônia religiosa, e eles não querem mais confusão."

"Então, por enquanto, não termos permissão para realizar nenhuma reunião ou ato público de homenagem a Neda", explicou ele, na entrevista ao canal de TV BBC Persian.

"Covas prontas"
A jovem foi enterrada no domingo, no cemitério Behesht-e-Zahra, na zona sul de Teerã.

"Eles nos pediram para sepultá-la numa parte do cemitério que, aparentemente, tinha sido separada pelas autoridades para fazer as covas para as pessoas mortas durante os protestos da semana passada", afirmou Makan.

Ele ainda reclamou do fato de as autoridades terem demorado para liberar o corpo de Neda.

"Ela foi levada para um necrotério fora de Teerã, e os funcionários perguntaram se poderiam retirar partes de seu corpo para transplantes médicos. A família concordou porque queriam enterrá-la imediatamente", disse Makan.

"Tiro deliberado"
Segundo ele, Neda não estava participando diretamente dos protestos.

"Ela estava em um carro, com seu professor de música, a alguns quarteirões de distância, presa no congestionamento. Ela estava cansada e com muito calor, então saiu do carro por alguns minutos", disse o noivo.

"Foi aí que aconteceu. As testemunhas disseram e o vídeo mostra claramente que prováveis paramilitares Basij à paisana atiraram nela deliberadamente. Ela foi atingida no peito."

"Ela perdeu os sentidos poucos minutos depois. As pessoas ainda tentaram levá-la para o hospital mais próximo, mas já era tarde mais", descreveu.

Notícia da BBC Brasil, no Terra.

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segunda-feira, maio 11, 2009

Israel e o Lobo

Israel grita: “Lobo!”


“Irã é o centro do terrorismo, fundamentalismo e subversão, e, em minha opinião, é mais perigoso que o nazismo, porque Hitler não possuía uma bomba atômica, enquanto os iranianos estão tentando aperfeiçoar a opção nuclear.”


Benjamin Netanyahu em 2009? Tente de novo. De fato estas palavras foram expressas por outro primeiro-ministro israelense (e atualmente presidente de Israel), Shimon Peres, em 1996. Quatro anos antes, em 1992, ele previra que o Irã teria uma bomba atômica por volta de 1999.


Você não pode acusar os israelenses de não alertarem sobre o lobo. Ehud Barak, atual ministro da defesa, disse em 1996 que o Irã estaria produzindo armas nucleares por volta de 2004.


Agora vem Netanyahu, em uma entrevista a seu fiel taquígrafo Jeffrey Goldberg do The Atlantic, retomando a mais recente tentativa da parte de Israel de retratar o Irã como uma encarnação do mal semelhante ao nazismo:


“Você não quer um culto messiânico e apocalíptico controlando bombas atômicas. Quando um crente de olhos arregalados consegue acesso ao poder e armas de destruição de massa, o mundo inteiro deveria começar a se preocupar, e isto está acontecendo no Irã”.


Eu devo dizer que quando eu leio estas palavras sobre “crente de olhos arregalados” minha mente vagueia para um recentemente despacho “definidor”. Mas alto lá.


O foco hoje é o Irã e, mais precisamente, o que o presidente Barack Obama fará com a prescrição de Netanyahu de que, ao lado da economia, a grande missão de Obama é “evitar que o Irã obtenha armas nucleares” - uma eventualidade novamente definida no calendário israelense como “daqui a alguns meses”.


Eu voltarei ao constantemente adiado dia do juízo final em seguida, mas antes voltemos àquela entrevista de Netanyahu.


Este “culto messiânico e apocalíptico” em Teerã é, obviamente, aquele mesmo com o qual Israel fazia negócios nos anos 1980, quando seu interesse (o interesse de Israel) era enfraquecer o Iraque de Saddam Hussein; Aqueles negócios – incluindo a venda de armas e tecnologia – era uma extensão da política israelense com relação ao Irã do Xá.


É também o mesmo “culto messiânico e apocalíptico” que sobreviveu 30 anos, que conduziu o país sob a penúria da guerra com Iraque entre 1980 e 1988, e que de maneira sagaz estendeu seu poder e influência, que cooperou com os Estados Unidos no Afeganistão antes de ser incluído do “eixo do mal”, e que manteve seu país em paz no século XXI enquanto conflitos sangrentos engolfaram seus vizinhos a leste (Afeganistão) e oeste (Iraque), e enquanto Israel lutou em duas guerras.


Eu não creio na ideia, conforme Netanyahu disse a Goldberg, que o Irã é “um regime fanático que coloca o zelo doutrinário acima de seu auto-interesse”. Cada pedacinho de evidência sugere, ao contrário, que o auto-interesse e a sobrevivência é o que conduz os mulás.


Mas Netanyahu insiste (por demais) que o Irã é “um país que glorifica sangue e morte, incluindo sua auto-imolação”. Hein?


Ainda de olho neste assunto, Netanyahu diz que a “liderança composta” do Irã tem “elementos de evidente fanatismo que não existe em nenhum outro virtual poder nuclear no mundo”. Não, na verdade eles existem em uma potência nuclear de fato, o Paquistão.


As ogivas nucelares de Israel, cuja presumível função é precisamente dissuadir potências como o Irã, não são mencionadas, é claro.


Netanyahu também faz a acusação grotesca que a terrível perda de vidas na Guerra Irã-Iraque (iniciada pelo Iraque) “não marcou uma terrível ferida na consciência dos iranianos”. Se isto acontece, é porque a nova geração do Irã busca reformas, não rebelião; e porque o país em geral preza mais a estabilidade que a aventura militar.


Os estados árabes, sugere Netanyahu, “ardentemente esperam” que os Estados Unidos, se necessário, usarão “força militar” para parar a nuclearização do Irã. Minhas conversas mais recentes, com membros de estados árabes, que incluem membros do governo saudita, sugerem que a equivocada e longa tentativa israelense de convencer os árabes que o Irã, e não Israel, é seu verdadeiro inimigo (o inimigo dos árabes) vai falhar novamente.


O que acontece aqui? Israel, como tem feito por quase duas décadas, está tentando manter apoio americano e evitar qualquer mudança desvantajosa no equilíbrio de poder no Oriente Médio, até agora sobremaneira inclinado a favor de Tel Aviv, retratando o Irã como um monstruoso estado pária, inclinado a uma eminente guerra nuclear.


Uma aparência de equilíbrio de poder é frequentemente uma pré-condição para a paz. O Irã foi deixado de fora dos acordos de Madri e de Oslo, com resultados desastrosos. Mas este é um assunto para outro dia.


O que é crítico neste momento é que Obama veja os boatos medrosos de Netanyahu com o apropriado ceticismo, assuma o controle, e continue a perseguir o reconhecimento do regime de Teerã, como ele fez quarta-feira dizendo que os Estados Unidos pela primeira vez iriam se juntar ás conversações sobre sobre o projeto nuclear iraniano. O presidente deveria ler o excelente livro “Treacherous Alliance” (“Aliança Traiçoeira”) de Trita Parsi como preparação.


A mudança estratégica central da presidência de Obama tem sido se afastar da retórica do “conosco ou contra nós” da guerra contra o terror, em direção a uma reaproximação do mundo muçulmano como base para isolar o terrorismo.


É insustentável que os Estados Unidos ou Israel se encontrem em guerra contra os muçulmanos persas, assim como contra os muçulmanos árabes, e que a tentativa de Netanyahu de prender os Estados Unidos na perpetuação do pensamento da guerra ao terror prevaleça.


O único jeito de parar a nuclearização do Irã, e encorajar a reforma de um regime repressor, é a mesa de negociação. Há tempo. Aqueles “meses” ainda são para daqui a alguns anos. O que o Irã acumulou é urânio pouco enriquecido. É necessário urânio altamente enriquecido para uma bomba. Daí é um salto.


A hegemonia de Israel está se provando um tipo de escravidão. A passagem para a Terra Prometida envolve repensar o Oriente Médio, começando pelo Irã.


Este artigo é uma tradução feita pelo blogueiro sobre um texto de Roger Cohen publicado no The New York Times, de 8 de abril de 2009.

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Israel substitui Saddam por Ahmadinejad como inimigo útil

Israel substitui Saddam por Ahmadinejad como inimigo útil

Convém a Netanyahu retratar o Irã como grande perigo à existência israelense, mas incluí-lo no pacote da questão palestina só atrapalharia as duas soluções


ADRIAN HAMILTON
DO "INDEPENDENT"

COMENTA-SE ÀS vezes que, se o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, não existisse, os israelenses teriam que inventá-lo. Que prova melhor é preciso da ameaça grave que o país enfrenta do que um homem que afirma que o Estado de Israel deveria ser extirpado do mapa do Oriente Médio?
Israel é obcecado pelo Irã. Basta conversar com qualquer israelense, ouvir qualquer discurso de um político israelense ou estudar a política de segurança que está sendo desenvolvida pelo novo governo de Binyamin Netanyahu: o Irã está sempre presente.
Uma ameaça crescente que intimida o país com a possibilidade de um ataque nuclear e incentiva o Hamas e o Hizbollah, que agem com sua procuração, a perseguir o Estado judaico.
A razão dessa obsessão é evidente. Embora o Irã possa não ameaçar Israel diretamente com uma invasão armada, seu desenvolvimento nuclear desafia a segurança de Israel, como única potência atômica na região. Some-se a isso o apoio dado ao Hamas e ao Hizbollah, e fica fácil ver por que o Irã pode ser visto como motivo principal dos temores israelenses.
Por mais reais que possam ser esses temores, também é fato que convém a Israel retratar o Irã como grande perigo a sua existência. Com a queda de Saddam Hussein, Israel passou a precisar de um rival suficientemente temível para justificar suas armas nucleares secretas e a alegação de que a segurança precisa necessariamente se impor a outras considerações na relação com seus vizinhos.
Mais ainda agora, que os EUA avançam para tratativas diretas com o Irã e pressionam o novo governo israelense a iniciar conversações substantivas com os palestinos.

"Grande barganha"
De fato, na visita que fez a Washington nesta semana, o presidente israelense, Shimon Peres, utilizou o Irã muito especificamente para fazer frente a essas pressões. Sim, disse Peres, preparando o caminho para a visita de Netanyahu ainda neste mês, vamos falar com os palestinos, mas vocês, em troca, terão que neutralizar o Irã. Como "grande barganha", é uma política inteligente.
Como maneira de realmente avançar, o presidente Obama erraria se sequer a levasse em conta. Embrulhar o Irã e a Palestina num único pacote, dessa maneira, apenas tornaria muito bem difícil solucionar qualquer um dos problemas.
O Irã pode, de fato, representar um problema para a segurança regional. Mesmo que desconfiemos que possa ter a pior das intenções ao desenvolver sua tecnologia nuclear -e Teerã nega veementemente qualquer intenção de produzir armas nucleares-, o Irã parece ser movido muito mais pelo medo de ataque militar dos americanos e de ser cercado por países árabes sunitas hostis George W. Bush deu ao país persa motivos de sobra para preocupar-se mais com esses dois pontos do que por qualquer ambição de atacar Israel.
Ahmadinejad certamente acha útil intensificar a retórica antissionista como maneira de anunciar as credenciais islâmicas do Irã no mundo árabe. O Irã também acha útil ajudar a financiar e armar movimentos radicais na região, em parte pela mesma razão.
Mas Israel não é sua preocupação ou seu alvo principal atualmente. Nem nunca o foi, nem mesmo sob o aiatolá Ruhollah Khomeini (1900-1989). Acusar o Hamas e o Hizbollah de serem meros agentes que atuam com procuração de Teerã é sinal de incompreensão total da natureza desses grupos e de criação de uma desculpa conveniente para não chegar a um acordo com eles.

Rota de colisão
Se Obama e o Ocidente quiserem dialogar com o Irã, terão que fazê-lo nos termos deste. Complicar a questão, levando em conta as exigências de Israel, será contraproducente. No momento, EUA e Israel se encontram em rota de colisão.
Netanyahu recuou do conceito de uma solução de dois Estados e não sinaliza mudança de rumo na expansão de assentamentos ou outras questões controversas. O governo Obama, por outro lado, insiste em que Israel deve parar com a ampliação dos assentamentos e iniciar diálogo com vistas à criação de um Estado palestino separado.
Em discurso no Comitê Americano-Israelense de Assuntos Públicos, Shimon Peres não sugeriu que o governo Netanyahu esteja preparado para fazer quaisquer concessões importantes aos palestinos. Como não houve nada no discurso do vice-presidente Joe Biden perante a mesma audiência que indicasse que o governo americano esteja preparado para recuar na exigência do fim dos assentamentos e da solução de dois Estados. Incluir o Irã nesta mistura não vai ajudar.
Isso apenas confunde a questão, beneficiando Netanyahu. Se a proliferação nuclear no Oriente Médio é realmente a preocupação primordial de Israel, talvez o país devesse pautar-se pelo exemplo de Obama e oferecer-se a colocar em discussão seu próprio arsenal nuclear. Se o fizesse, a bola seria devolvida para o campo do Irã.


Tradução de CLARA ALLAIN

Texto publicado na Folha de São Paulo, de 9 de maio de 2009.

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Desculpa esfarrapada

Desculpa esfarrapada

RIO DE JANEIRO - O presidente do Irã, cujo nome é tão complicado que me recuso a escrevê-lo, cancelou em cima da hora a sua visita ao Brasil e a alguns países aqui do segundo andar da geografia mundial. O argumento foi tão esfarrapado quanto a própria cara presidencial, que tem a seu favor um único detalhe simpático: aboliu a gravata, mesmo em cerimônias oficiais.
A desculpa protocolar foi a da situação interna do Irã. O país atravessa um período eleitoral, e não fica bem a um candidato viajar ao exterior em plena campanha presidencial. Acontece que tanto a eleição naquele país como a viagem à América Latina estavam agendadas havia muito.
O motivo do cancelamento foi a pisada de bola do presidente iraniano em recente foro internacional, quando expressou um sentimento racista em relação a Israel, motivando a saída de diversos representantes europeus daquela reunião.
É evidente que ele tem o direito de defender a causa dos palestinos que se sentem prejudicados historicamente, desde a criação do Estado judeu. Mas não se trata de um problema racial ou religioso. Ninguém no Oriente Médio está brigando por causa de Moisés ou de Maomé, por causa da santificação de um sábado, para os judeus, ou de uma sexta-feira, para os maometanos.
A briga é mais antiga. Na realidade, é a mais tradicional na história dos povos: ocupação de território. Nem raça nem culto estão em jogo. Judeus e árabes são primos de sangue, descendentes de um tronco comum, podem viver e vivem pacificamente em diversas regiões do mundo.
Com a sua desastrada fala em hora e em ambiente impróprios, numa reunião internacional em que o clima deveria ser o mais cordial possível, o presidente do Irã aumentou desnecessariamente um fosso que já é trágico demais.

Texto de Carlos Heitor Cony, na Folha de São Paulo, de 7 de maio de 2009.

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Israel tenta fazer que Irã seja centro de conversas com EUA

Israel tenta fazer que Irã seja centro de conversas com EUA

Presidente Peres faz primeira visita a Obama e diz que Teerã é "ameaça a todo o mundo"

Em Paris, chanceler Liberman diz que, se conversas com país sobre programa nuclear não evoluírem em 3 meses, "ação terá de ser tomada"

DE NOVA YORK

Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Israel, Shimon Peres, tiveram ontem em Washington seu primeiro encontro, ocorrido sob a sombra de discordâncias de seus governos sobre as prioridades para a paz no Oriente Médio.
O novo governo israelense pressiona pelo foco na ameaça de um Irã nuclear. A Casa Branca insiste na solução de dois Estados para a questão palestina.
A questão do Irã recebeu ontem atenção de várias frentes, em preparação à reunião que Obama fará com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, no próximo dia 18.
Peres, cuja função é mais cerimonial, afirmou que Israel deve apoiar as tentativas americanas de engajar Teerã diplomaticamente. Mas comparou os iranianos aos nazistas.
"O Irã não é uma ameaça só a Israel, mas a todo o mundo. Se a Europa tivesse lidado seriamente com Hitler [antes da Segunda Guerra], o Holocausto e a perda de milhões de vidas poderiam ter sido evitadas", disse.
Em reunião com a secretária de Estado, Hillary Clinton, Peres declarou que Israel não dará "ultimatos" aos EUA no tema. "Se querem diplomacia, espero que tenham sucesso", disse ao jornal "Haaretz".
Já o chanceler israelense, o ultranacionalista Avigdor Liberman, foi menos sutil ontem. Ele disse na França que o Ocidente deve dar três meses para tentativas diplomáticas sobre o programa nuclear. Se Teerã não responder no prazo, "uma ação terá de ser tomada", disse.
Do lado americano, uma primeira resposta ficou a cargo do secretário da Defesa, Robert Gates. Ele disse, no Egito, que não há nenhuma "barganha secreta" em curso com Teerã.
Ele externou ceticismo sobre a reação do país persa aos acenos feitos por Washington e ponderou que os EUA continuam interessados em "parar o programa de armas nucleares do Irã" e em "impedir os esforços desestabilizadores do país pela região". O Irã diz que seu programa nuclear é pacífico.

Palestinos
Sobre a questão palestina, Peres disse na saída do encontro com o Obama que "[Israel] está pronto para negociar com palestinos e com sírios". "Creio que esta é uma oportunidade que não pode ser adiada."
Ele não citou especificamente um Estado palestino. O governo de Netanyahu, no poder há pouco mais de um mês, rejeita a solução de dois Estados, norte das discussões de paz desde os Acordos de Oslo (1993). Mas Peres indicou ter afirmado a Obama que Netanyahu respeitará pactos prévios.
Obama não se pronunciou a respeito, mas seu vice, Joe Biden, disse ontem ao Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel que o governo está comprometido com a criação do Estado palestino.

Oposição
Peres respondeu ainda a uma entrevista concedida pelo líder do grupo radical palestino Hamas, Khaled Meshaal, ao "New York Times". Ele prometeu ao "governo americano e à comunidade internacional que seremos parte da solução" do conflito na região. O Hamas hoje controla a faixa de Gaza.
"Disse à secretária de Estado que o problema do Hamas agora pertence ao Egito, a Abu Mazen [o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas], aos palestinos, basicamente ao mundo sunita."
Outra resposta à entrevista partiu da ex-chanceler israelense Tzipi Livni, que falou ontem em Nova York em evento do think-tank Council on Foreign Affairs. "Meshaal disse que quer um Estado palestino nas áreas anexadas por Israel em 1967. Mas dará em troca o reconhecimento do direito de Israel de existir? Não, dará dez anos de trégua. Não basta."
Hoje líder da oposição em Israel, ela se recusou ontem a "criticar o governo israelense fora de Israel". Preferiu o discurso vigente, que prioriza a atenção ao Irã e afirmou crer que o encontro de Netanyahu com Obama no dia 18 não trará soluções, mas só o "início de um diálogo".0 (ANDREA MURTA)

Notícia da Folha de São Paulo, de 6 de maio de 2009.

Ou seja, com relação ao novo governo de Israel, quando se fala em estado palestino, a orientação é mudar de assunto.

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domingo, maio 03, 2009

Delara Darabi, 23 anos, foi enforcada pela República Islâmica do Irã



Hoje, no período da manhã, Delara Darabi, pintora iraniana de 23 anos de idade, foi executada na prisão de Rasht (Irã).
Ninguém esperava, pois a pena capital, segundo noticiaram as autoridades iranianas, estava suspensa por dois meses: a execução marcada para 20 de abril passado havia sido suspensa em razão de pressões internacionais e possibilidade de acordo indenizatório com familiares da vítima (forma de extinção da pena de morte).

A filha da vítima, Hayedeh Amir-Eftekhari, negou-se a perdoar Delara Darabi: a vítima tinha cinco filhas e Hayedeh era a única a não aceitar trocar a pena capital por sanção indenizatória. O governo, por seu turno, não concedeu a clemência a Delara Darabi e nem converteu a pena capital em pena de prisão.

O certo é que a pena capital foi suspensa por apenas dez dias. Seguramente para baixar a pressão internacional e evitar fosse o presidente Ahmadinejad hostilizado no discurso de abertura da Conferência da ONU sobre racismo, ocorrida na semana que se seguiu à suspensão da pena capital.

Nem a sexta-feira, –dia sagrado para os islâmicos xiitas–, evitou a barbárie, ou seja, a efetivação de um homícidio-legal (praticado pelo Estado).

A morte de Delara foi confirmada , também, pelo sítio de internet do Iran Human Rights.

Não se tem, ainda, detalhes sobre a forma de execução. Estava previsto, quando ocorreu a suspensão, o enforcamento em local público. E o corpo pendurado em guindaste ficaria em exposição, como sempre acontece.

A pintora Delara Darabi , –frise-se 23 anos de idade–, negou em juízo ter sido autora do crime de homicídio (confira retrospectiva abaixo). A sua negativa foi confirmada por oficial prova pericial (confira retrospectiva abaixo): tecnicamente, não poderia ter atingido a vítima.

Quando da consumação do crime ela tinha 17 anos de idade, ou seja, era criminalmente responsável pela lei iraniana..

Pano Rápido. Nos próximos dias desembarcará no Brasil, a convite do nosso presidente Lula, o assassino presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad: ele tenta ser reeleito, em pleito marcado para junho próximo.

Depois da China, o Irã é o país que mais impõe e executa penas de morte: confira retrospectiva abaixo.

Recomenda-se ao presidente Lula não apertar as mãos sujas de sangue de Ahmadinejad. A suspensão da execução da pena capital imposta a Delara Darabi foi uma farsa.


Texto do blog de Walter Fanganiello Maierovitch, no Terra Magazine.

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terça-feira, abril 21, 2009

Pressão internacional adia enforcamento de condenada no Irã

O enforcamento da pintora iraniana Delara Darabi, 23 anos, condenada à pena de morte foi adiado nesta segunda-feira. A execução dela estava prevista para hoje, mas foi remarcada para daqui a 2 meses, informou o Comitê de Direitos Humanos do Irã.

O adiamento foi ordenado pelo mais alto representante do judiciário iraniano, o aiatolá Mahmud Hashemi Shahroudi, após a "massiva atenção nacional e internacional" que o caso despertou.

"A atenção nacional e internacional que o caso de Delara levantou foi decisiva para as autoridades decidirem não seguir adiante com o enforcamento hoje", disse o porta-voz da comissão, Mahmud Amiry-Moggaddam.

O caso
Delara Darabi tinha 17 anos de idade quando foi presa no Irã. Foi acusada de ter matado com uma punhalada a prima de 58 anos de idade. Respondeu, também, por furto na casa da prima morta e por manter relacionamento sexual com o namorado Amir Hossain de 19 anos de idade: no Irã, sexo só com o casamento e a adúltera recebe pena capital.

Hoje, Delara Darabi está com 23 anos. Continua presa desde os crimes consumados em 2005. Hoje, seria enforcada por ter sido considerada autora da punhalada, com intenção de matar. Ela nega o crime.

Pelo furto e intimidade com o namorado, cumpriu pena de 3 anos de cadeia. Recebeu, em público, 50 chicotadas pelo furto e mais 20 pelas relações amorosas com o namorado.

Ela disse que confessou quando presa para "salvar" o namorado da pena de morte. Frisou que imaginava, pelos seus 17 anos, que não seria condenada à morte. Errou nos cálculos pois a responsabilidade criminal no Estado teocrático do Irã começa aos 15 anos de idade para homens e 9 anos para as do sexo feminino.

O crime de homicídio, se consumou em 2005 e a sentença condenatória à pena de morte foi confirmada pela Corte Suprema em 2007. A única chance legal para Delara Darabi seria a família da vítima, - sua prima -, aceitar uma indenização em dinheiro.

O pai da condenada chegou a fazer uma oferta, mas não houve aceitação. Segundo o advogado e as organizações internacionais de defesa de direitos humanos ficou provado nos autos, por laudo pericial oficial e único, que Delara Darabi é inocente. Para os peritos, o golpe de punhal foi desferido por uma pessoa destra. Darabi é canhota.

Notícia do Terra.

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quinta-feira, setembro 27, 2007

Elio Gaspari: FFHH vê o perigo de uma guerra por nada

FFHH vê o perigo de uma guerra por nada

FFHH ficou famoso pela Teoria da Dependência, mas deveria ser estudado pela Teoria da Causa Inexistente. Sua idéia é de que certas crises acontecem sem motivo algum. Nem econômico, nem social, nada. O melhor exemplo de crise sem causa seria a da renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961.

Jânio resolveu deixar o governo, os ministros militares decidiram não empossar o vice-presidente e o país chegou à beira da guerra civil.

Tudo isso por nada.

Agora, FFHH transpôs a Teoria da Causa Inexistente para o cenário mundial. Ele teme que, por nada, o mundo possa assistir a uma guerra de proporções imprevisíveis. Coisa parecida com o que aconteceu em 1914, quando 9 milhões de pessoas morreram sem que se saiba por quê.

O Irã caminha para fabricar sua bomba atômica e seu governo de Teerã não se cansa de repetir que está disposto a bombardear Israel. (Por enquanto, com armas convencionais.) Israel tem um estoque de pelo menos 50 bombas atômicas. Pergunta: os israelenses vão deixar o Irã montar o artefato?

Então Israel ataca o Irã para destruir sua bomba, ou para impedir que ele a monte. Pode ser o contrário: o Irã, tendo conseguido montar uma bomba, ataca Israel porque acha que será bombardeado.

Quando chegar a hora de se contar por que a guerra começou, vai-se cair na explicação do sujeito que entrou num tiroteio porque saiu de casa armado.

Este texto foi publicado no Correio do Povo (para assinantes) de 23 de setembro de 2007

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quarta-feira, maio 16, 2007

Lá Como Cá - O Caso de Delara Darabi

Na área de tecnologia do portal Terra há uma notícia sobre a jovem iraniana Delara Darabi. Ela tem 20 anos e está no corredor da morte no Irã, acusada do assassinato de uma prima do seu pai, quando ela tinha 17 anos. Segundo a notícia, ela assumiu a culpa convencida pelo seu namorado, que seria o verdadeiro autor do assassinato, porque ela era menor de idade quando do incidente. Se ele fosse julgado culpado, certamente seria condenado à morte, e eles imaginaram que tal sentença não a atingiria, pois o Irã é signatário de acordo na ONU, que impede que menores de 18 anos sejam condenados à morte. Mas segundo a notícia, o que acontece é que os menores são sentenciados, e aguardam na prisão até completar a maioridade, quando então podem ser executados, sem que o tratado seja quebrado.
A notícia no Terra, é uma reprodução da BBC . E creio que esteja na área de tecnologia porque foram abertas no Flickr, e no MySpace, área de apoio a Delara. As figuras feitas por Delara Darabi, reproduzidas no Flickr, são imagens perturbadoras. Segundo a notícia ainda, Delara é constantemente torturada, já tentou o suicídio, e no momento está com 35 Kg.

Este blogueiro acredita que Delara Darabi não deveria ser executada, pois o assassinato, quando praticado pelo estado não deixa de ser assassinato, embora aplaque um pouco o desejo de vingança dos parentes e amigos das vítimas, mas ainda assim não trará a vítima de volta.
E este caso mostra que no Irã, como no Brasil, adultos podem convencer menores de idade a assumir culpas, devido a um estatuto que procura proteger o menor. E se protege o menor porque é mais fácil recuperar um adolescente infrator, que um adulto.

Neste link, notícias em inglês, da Anistia Internacional, sobre execuções no Irã: http://web.amnesty.org/library/Index/ENGMDE130052006?open&of=ENG-IRN .

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