quarta-feira, julho 28, 2010

Estados Unidos pagam à mídia afegã para divulgar conteúdo favorável aos Estados Unidos

Documentos do WikiLeaks mostram que Estados Unidos pagam mídia Afegã to divulgar histórias amistosas

The Upshot

John Cook descobriu documentos mostrando que estações de radio afegãs foram contratadas para levar ao ar conteúdo produzido pelos Estados Unidos. Outros relatos mostram militares americanos aparentemente se referindo aos repórteres afegãos como “nossos jornalistas” e lhes indicando como fazer o trabalho deles.



WikiLeaks documents show US pays Afghan media to run friendly stories

The Upshot

John Cook found documents showing that Afghan radio stations were under contract to air content produced by the United States. Other reports show U.S. military personnel apparently referring to Afghan reporters as "our journalists" and directing them in how to do their jobs.

Origem: http://www.poynter.org/column.asp?id=45&aid=187610


Mais no Yahoo News (em inglês).


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terça-feira, maio 26, 2009

Nem perto de voltar ao normal

Nem perto de voltar ao normal


Três meses após o fim da guerra de Israel, a vida para os cidadãos de Gaza ainda é desanimadora.


Muhammad Khader coloca alguns tapetes e cobertores entre as ruínas de sua casa. Às vezes ele vai ali para descansar quando a tenda que ele divide com sua esposa e seis de suas filhas fica muito cheia. Eles fugiram de sua casa neste ano quando ela foi atingida por um míssil durante a guerra de Israel na Faixa de Gaza, e foram para a casa da única filha casada em Jabaliya, um campo de refugiados erguido originalmente pelos aldeões que fugiam em 1948 daquilo que hoje é Israel. A filha não tinha colchões e cobertores para todos, mas os vizinhos ajudaram.


Assim que as tropas de Israel se retiraram de Gaza em janeiro, a família Khader voltou para casa – para encontrar um pilha de entulho. Mesmo o galinheiro tinha sido arrasado. O galinheiro tinha sido a única fonte de renda desde que Khader, assim como milhares de outros homens da Faixa de Gaza, perdeu a permissão para trabalhar em Israel, após o início da segunda Intifada em 2000. Agora ele senta entre os escombros e olha fixamente as tendas verdes com logotipo do Rotary Internacional que a caridade árabe ergueu no lamacento e desolado campo na beira oriental de Jabaliya. Antes da guerra oliveiras e árvores de frutas cítricas cresciam ali. “Nós costumávamos trabalhar em Israel, diz ele”, acendendo outro cigarro, “Nós trabalhávamos para eles, erguíamos suas casas. E agora, veja o que eles nos fizeram”.


Khader é entre dezenas de milhares de palestinos que se tornaram sem-teto na recente guerra de Gaza. As agências da ONU estimam que 4.100 casas foram destruídas, e mais de 15.000 danificadas; 50.000 pessoas procuraram refúgio nas escolas da ONU durante o conflito. A maioria voltou para casa ou encontrou outros lugares para morar após o cessar-fogo. Mas milhares ainda estão amontoados no campo de refugiados provisório.


Uma máquina barulhenta limpa as ruínas num canto de Jabaliya, mas não há virtualmente nenhuma atividade de reconstrução em Gaza. Na conferência internacional de doadores, em Sharm-El-Sheik, Egito, em março, houve o acordo de U$ 4,5 bilhões de dólares para a reconstrução. Mas três meses após o cessar-fogo, os reparos ainda não começaram.


Israel ainda está mantendo as sanções impostas sobre a Faixa de Gaza após o Movimento Islâmico Palestino Hamas ter tomado a região, em julho de 2007, depondo pela força o rival secular Fatah. Os israelenses ainda se recusam a permitir a maioria das importações, com exceção de comida e medicamentos. Eles ainda barram a entrada de material de construção como concreto, aço e encanamentos, assim como equipamento industrial. Eles dizem que eles temem que o Hamas ou outros grupos de militantes possam desviar o material para a construção de bunkers ou de armas, tais como os rústicos foguetes que ainda são algumas vezes disparados contra cidades israelenses próximas.


Suprimentos para reparar as redes de água e esgoto, e de eletricidade danificadas durante a guerra também são barrados nos pontos de fronteira. 90% das pessoas sofrem com cortes de eletricidade, enquanto os demais 10% absolutamente não têm acesso à eletricidade. Enquanto cerca de 32 mil pessoas das cerca de 1,5 milhão da Faixa de Gaza não têm água corrente, 100.000 ou mais têm água uma vez a cada dois ou três dias. A agência da ONU que cuida dos refugiados palestinos por todo o Oriente Médio diz que taxa de doenças infecciosas, incluindo diarréia e hepatite viral, está crescendo, por conta das más condições de água e saneamento.


Não é permitida a entrada de gasolina e diesel na Faixa de Gaza desde de novembro, exceto pelos túneis cavados sob a fronteira egípcia, um dos principais alvos dos bombardeios israelenses, mas que foram rapidamente reparados; o contrabando floresce novamente. A associação palestina de proprietários de postos de combustível informa de 100.000 litros de diesel e 70.000 de gasolina entram em Gaza todos os dias pelos túneis.


O feijão enlatado que a esposa de Khader aquece no fogão à querosene vem do Egito também. “Feijão, feijão”, suspira seu marido. “Quanto feijão você pode comer?”Alguns meses já se passaram desde a última vez que a família comeu carne. O pão sírio recebido da caridade é a base da alimentação. Algumas de suas meninas estão anêmicas. “O médico me disse para lhes dar uma alimentação melhor”, diz a Sra. Khader, “mas o que eu posso fazer? Eu choro todos os dias!”


Na tenda ao lado, a amargura contra o Hamas é crescente. Muitos cidadãos de Gaza não aceitam a visão oficial do partido que a guerra foi uma grande vitória. Pelo contrário, muitos culpam o Hamas por conduzí-los de maneira temerária a uma guerra fútil que devastou seu já assediado território. “Onde está Ismail Haniyeh?”, grita um cidadão, referindo-se ao primeiro-ministro do Hamas. “Por que ele não vem aqui conferir como vivemos? Eu perdi meu lar! Por quê? Pelo sucesso do Hamas! Isto destruiu Gaza. Este é o fato.”


Agora os sem-teto de Jabaliya parecem colocar suas esperanças em um governo palestino de unidade. Se este fosse formado, eles dizem que Israel seria obrigado a levantar o cerco. Mas os partidos rivais ainda têm que produzir um acordo de reconciliação, após quase dois anos de violenta divisão.


O novo governo de Israel continua a ligar o final do bloqueio não só à deposição do governo do Hamas na Faixa de Gaza como também à libertação de Gilad Shalit, um soldado israelense sequestrado, que está há quase três anos preso em Gaza. O novo governo israelense parece menos propenso que o anterior a fazer concessões, incluindo a libertação de centenas de prisioneiros palestinos, que poderiam fechar um acordo. Um pintor palestino em Jabaliya pintou um mural do soldado Shalit como um homem jovem ao lado de imagens de como ele pareceria velho e grisalho, após outros 30 anos em cativeiro. “Se eu visse Shalit”, diz um morador de Jabaliya, “Eu apenas diria para ele voltar para casa, em seu país”.


Até que a fronteira seja aberta para produtos e serviços, será impossível reconstruir Gaza – ou dar a seu povo uma vida próxima da normalidade. “Isto faz você pensar sobre o que aquele acordo de doadores significou”, diz um funcionário da ONU, na cidade de Gaza.



Este texto é uma tradução feita pelo blogueiro de reportagem da The Economist.

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segunda-feira, maio 11, 2009

Israel e o Lobo

Israel grita: “Lobo!”


“Irã é o centro do terrorismo, fundamentalismo e subversão, e, em minha opinião, é mais perigoso que o nazismo, porque Hitler não possuía uma bomba atômica, enquanto os iranianos estão tentando aperfeiçoar a opção nuclear.”


Benjamin Netanyahu em 2009? Tente de novo. De fato estas palavras foram expressas por outro primeiro-ministro israelense (e atualmente presidente de Israel), Shimon Peres, em 1996. Quatro anos antes, em 1992, ele previra que o Irã teria uma bomba atômica por volta de 1999.


Você não pode acusar os israelenses de não alertarem sobre o lobo. Ehud Barak, atual ministro da defesa, disse em 1996 que o Irã estaria produzindo armas nucleares por volta de 2004.


Agora vem Netanyahu, em uma entrevista a seu fiel taquígrafo Jeffrey Goldberg do The Atlantic, retomando a mais recente tentativa da parte de Israel de retratar o Irã como uma encarnação do mal semelhante ao nazismo:


“Você não quer um culto messiânico e apocalíptico controlando bombas atômicas. Quando um crente de olhos arregalados consegue acesso ao poder e armas de destruição de massa, o mundo inteiro deveria começar a se preocupar, e isto está acontecendo no Irã”.


Eu devo dizer que quando eu leio estas palavras sobre “crente de olhos arregalados” minha mente vagueia para um recentemente despacho “definidor”. Mas alto lá.


O foco hoje é o Irã e, mais precisamente, o que o presidente Barack Obama fará com a prescrição de Netanyahu de que, ao lado da economia, a grande missão de Obama é “evitar que o Irã obtenha armas nucleares” - uma eventualidade novamente definida no calendário israelense como “daqui a alguns meses”.


Eu voltarei ao constantemente adiado dia do juízo final em seguida, mas antes voltemos àquela entrevista de Netanyahu.


Este “culto messiânico e apocalíptico” em Teerã é, obviamente, aquele mesmo com o qual Israel fazia negócios nos anos 1980, quando seu interesse (o interesse de Israel) era enfraquecer o Iraque de Saddam Hussein; Aqueles negócios – incluindo a venda de armas e tecnologia – era uma extensão da política israelense com relação ao Irã do Xá.


É também o mesmo “culto messiânico e apocalíptico” que sobreviveu 30 anos, que conduziu o país sob a penúria da guerra com Iraque entre 1980 e 1988, e que de maneira sagaz estendeu seu poder e influência, que cooperou com os Estados Unidos no Afeganistão antes de ser incluído do “eixo do mal”, e que manteve seu país em paz no século XXI enquanto conflitos sangrentos engolfaram seus vizinhos a leste (Afeganistão) e oeste (Iraque), e enquanto Israel lutou em duas guerras.


Eu não creio na ideia, conforme Netanyahu disse a Goldberg, que o Irã é “um regime fanático que coloca o zelo doutrinário acima de seu auto-interesse”. Cada pedacinho de evidência sugere, ao contrário, que o auto-interesse e a sobrevivência é o que conduz os mulás.


Mas Netanyahu insiste (por demais) que o Irã é “um país que glorifica sangue e morte, incluindo sua auto-imolação”. Hein?


Ainda de olho neste assunto, Netanyahu diz que a “liderança composta” do Irã tem “elementos de evidente fanatismo que não existe em nenhum outro virtual poder nuclear no mundo”. Não, na verdade eles existem em uma potência nuclear de fato, o Paquistão.


As ogivas nucelares de Israel, cuja presumível função é precisamente dissuadir potências como o Irã, não são mencionadas, é claro.


Netanyahu também faz a acusação grotesca que a terrível perda de vidas na Guerra Irã-Iraque (iniciada pelo Iraque) “não marcou uma terrível ferida na consciência dos iranianos”. Se isto acontece, é porque a nova geração do Irã busca reformas, não rebelião; e porque o país em geral preza mais a estabilidade que a aventura militar.


Os estados árabes, sugere Netanyahu, “ardentemente esperam” que os Estados Unidos, se necessário, usarão “força militar” para parar a nuclearização do Irã. Minhas conversas mais recentes, com membros de estados árabes, que incluem membros do governo saudita, sugerem que a equivocada e longa tentativa israelense de convencer os árabes que o Irã, e não Israel, é seu verdadeiro inimigo (o inimigo dos árabes) vai falhar novamente.


O que acontece aqui? Israel, como tem feito por quase duas décadas, está tentando manter apoio americano e evitar qualquer mudança desvantajosa no equilíbrio de poder no Oriente Médio, até agora sobremaneira inclinado a favor de Tel Aviv, retratando o Irã como um monstruoso estado pária, inclinado a uma eminente guerra nuclear.


Uma aparência de equilíbrio de poder é frequentemente uma pré-condição para a paz. O Irã foi deixado de fora dos acordos de Madri e de Oslo, com resultados desastrosos. Mas este é um assunto para outro dia.


O que é crítico neste momento é que Obama veja os boatos medrosos de Netanyahu com o apropriado ceticismo, assuma o controle, e continue a perseguir o reconhecimento do regime de Teerã, como ele fez quarta-feira dizendo que os Estados Unidos pela primeira vez iriam se juntar ás conversações sobre sobre o projeto nuclear iraniano. O presidente deveria ler o excelente livro “Treacherous Alliance” (“Aliança Traiçoeira”) de Trita Parsi como preparação.


A mudança estratégica central da presidência de Obama tem sido se afastar da retórica do “conosco ou contra nós” da guerra contra o terror, em direção a uma reaproximação do mundo muçulmano como base para isolar o terrorismo.


É insustentável que os Estados Unidos ou Israel se encontrem em guerra contra os muçulmanos persas, assim como contra os muçulmanos árabes, e que a tentativa de Netanyahu de prender os Estados Unidos na perpetuação do pensamento da guerra ao terror prevaleça.


O único jeito de parar a nuclearização do Irã, e encorajar a reforma de um regime repressor, é a mesa de negociação. Há tempo. Aqueles “meses” ainda são para daqui a alguns anos. O que o Irã acumulou é urânio pouco enriquecido. É necessário urânio altamente enriquecido para uma bomba. Daí é um salto.


A hegemonia de Israel está se provando um tipo de escravidão. A passagem para a Terra Prometida envolve repensar o Oriente Médio, começando pelo Irã.


Este artigo é uma tradução feita pelo blogueiro sobre um texto de Roger Cohen publicado no The New York Times, de 8 de abril de 2009.

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