domingo, fevereiro 28, 2010

Racismo: el mismo y diferente

Es difícil que se puedan hallar las huellas del racismo institucionalizado en Cuba. No está en las leyes del país ni en las prohibiciones escondidas (llámese decretos, adiciones de incisos a las directivas del Comandante en Jefe) que salen a última hora para amparar a los victimarios.
En la parte oriental de la isla por mucho tiempo se ha hablado, se habla, de Holguín con un ‘fuerte componente racista’ aludiendo quizás a su población mayoritariamente. Aquí en esta provincia las atrocidades han sido más disimuladas de lo que pudiéramos imaginar.
El caso de los presos comunes y políticos desbarata cualquier argumento. Es asombroso que siete de cada diez penados sean de la raza negra según una encuesta clandestina realizada por un grupo opositor en el año 2007. Y por otro lado, los testimonios son elocuentes.
Cuando maltratan a un preso la palabra negro aparece con la primera patada o porrazo. A Zapata Tamayo, en la prisión Provincial de Holguín siempre lo insultaron por ser negro y no saber darle las gracias a la revolución por ‘haberlo salvado de la ignominia’. Jorge Luis García Pérez Antúnez dijo en una entrevista que le hizo una emisora del sur de la Florida que el pasado 28 de diciembre escuchó de parte de un alto oficial de la policía política de Holguín los insultos racistas más grandes que el ha oído en su vida de luchador por los derechos civiles..
Combatir el racismo nunca va a ser un procedimiento retórico mientras un testimonio personal quede en pie.

Texto originário do blog Cruzar las Alambradas.

Desculpem o texto em espanhol, mas acho que é possível entender.

E neste caso, o autor não está falando do Texas, ou das masmorras brasileiras. Está falando de Cuba. Países tão diferentes, racismo semelhante. A semelhança na base dos três países? A exploração do trabalho escravo, com trabalhadores sequestrados na África.

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sábado, fevereiro 27, 2010

O racismo institucional da PM baiana

Por Fernando Grassi

Beyoncé, a pista Vip e o racismo institucional

Por Jocélio Teles dos Santos*

Na madrugada do dia 10 de fevereiro um dos canais de televisão pagos projetou o filme O Homem Errado de Alfred Hitchcok (1956). Trata-se de um músico de uma casa noturna (interpretado por Henry Fonda), religioso, casado, de vida pacata e que é confundido, acusado e preso pela polícia americana por um crime que não cometeu. Ao ver o filme eu me perguntei: e se o personagem fosse de cor na sociedade americana de antanho ou na atual sociedade brasileira? Qual seria o roteiro e o desfecho? A resposta veio em menos de vinte e quatro horas.
Provocado pela mídia me desloquei com um amigo para o show de Beyoncé no Parque de Exposições em Salvador. Havíamos comprado ingressos para a pista Vip no intuito de uma visão ideal do show da mega estrela. E esta área estava restrita a quem pagasse R$370,00 por cabeça. Enquanto assistíamos ao show de Ivete Sangalo deparei-me com um fato que exemplifica o racismo institucional.

Uma guarnição da Polícia Militar abruptamente abordou o meu amigo, circundando-o e já levando-o de modo truculento, sem nada perguntar, segurando-o pelo braço por trás, pela camisa, na costumeira fila, dita indiana, da corporação do Estado. Ao me aproximar para saber o que estava acontecendo, os soldados me afastaram e não tive outra alternativa que acompanhá-los no meio da fileira, mesmo falando que estávamos juntos e procurando saber do que se tratava. A resposta do corpo policial traduziu força e ameaça, mesmo que implícita, sem nenhum texto, a não ser o gestual, demonstrando que não há verbo capaz de estabelecer um possível diálogo entre sujeitos que detém e os que devem ser alijados de alguma relação com quem personifica o poder.

O meu amigo estupefato não reagiu. Foi levado para um canto da pista VIP, próximo aos holofotes e humilhado pela revista policial, como se estivesse cometido um delito. Sendo obrigado a mostrar a carteira de identidade, teve que dizer onde residia e, por fim, após a crueldade de todo o rito da PM, ouviu a seguinte frase do responsável pela guarnição: “houve um roubo aqui na área VIP e soube que a pessoa era do seu estilo”. Qual estilo, cara pálida? Respondo: o da cor/raça. Meu amigo é negro retinto.

A área VIP era formada majoritariamente por indivíduos de classe média e branca. Se comparada com a área de pista mais barata – preços no valor de 80,00 e R$160,00 – ali havia uma proteção policial considerável, mesmo sendo uma área cara, reservada e sem grande fluxo de pessoas. Durante o evento havia sempre duas guarnições. A lógica da distribuição policial em espaços de eventos elitizados parece obedecer a critérios. Quais? Procuremos os sentidos implícitos, já manifestos a distribuição desigual da PM na capital soteropolitana.

Diante desse fato de racismo explícito, o que dizer dos olhares das pessoas diante de tal brutalidade? Mesmo que elas estivessem freneticamente dançando ao som de Sangalo, não houve reações, o que demonstra a subjetividade e a introjeção do racismo na sociedade brasileira. Ao ver um negro sendo levando por policiais, mesmo ele estando na área VIP, algo que indica um diferencial em termos de classe, um sentimento de proteção emana das cabeças ali situadas. A naturalização do racismo – uma pessoa negra sempre é suspeita – associa-se aos que imaginam estarem sempre protegidos pela corporação militar.

Exemplos como esse abundam no país. O diferencial é que foi na ala VIP de um show. Lembro-me que no debate sobre as cotas raciais nas universidades os que eram contrários insistiam em dizer que no Brasil é difícil definir quem é negro. A resposta dos ativistas atualizou-se na área VIP para ver Beyoncé: “pergunte a polícia e ela saberá”.
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*Departamento de Antropologia e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da Universidade Federal da Bahia.

http://aldeia-gaulesa.blogspot.com/


Visto no blog do Luís Nassif.

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quinta-feira, novembro 19, 2009

Seria isto racismo?

Seria isto racismo?


Visito a agência de um banco brasileiro aqui na Rua Sete de Setembro. A rua Sete de Setembro é cheia de bancos. Neste caso é o banco familiar brasileiro.


Digo familiar porque o controle acionário pertence a uma família. Há uns 20 anos atrás havia mais bancos familiares brasileiros: o Auxiliar, por exemplo, pertencia a uma família mas foi liquidado extra-judicialmente nos anos 1980, ainda no governo Figueiredo. Tivemos o Mercantil de São Paulo, que acho que foi vendido ao Bradesco. O Banco Real foi vendido ao holandês ABN, e daí passou para o espanhol Santander. O Bamerindus foi comprado pelo britânico HSBC. Aqui no Rio Grande do Sul já tivemos Sul Brasileiro, Habitasul, Maisonnave, Banco de Crédito Real do Rio Grande do Sul. Todos sumiram, liquidados como o Sul Brasileiro, ou comprados como o Crédito Real. Assim, eu acho que bancos pertencentes a famílias só ficaram o Safra, o Itaú e o Unibanco. E estes dois últimos estão se fundindo. Ou o Itaú adquiriu o controle do Unibanco, o que dá quase no mesmo no final das contas.


Mas voltemos ao início do texto. Eu dizia que visitava uma agência de um destes bancos na rua Sete de Setembro, aqui em Porto Alegre. A rua Sete de Setembro é cheia de bancos.


Enquanto aguardo para ser atendido dou uma olhada ao redor, contei uns oito ou nove funcionários, entre gerentes e auxiliares de gerência e caixas. Todos brancos.


Está certo que Porto Alegre não é a cidade brasileira com o maior percentual da população com a tez escura, mas fiquei me perguntando porquê não haveria entre os funcionários de frente do atendimento da agência ao menos um funcionário negro ou mulato. O sistema de seleção para contratações não conseguiu achar uma pessoa educada o suficiente para trabalhar ali? Ou será que tal sistema de seleção, mesmo que de forma algo inconsciente, descarta candidatos pela cor da pele?


Talvez o banco assuma que os clientes sejam em sua maioria de cútis clara e não gostariam de ser atendidos por pessoas de cútis escura? Sei lá!


Ou talvez eu seja muito paranóico!


Certo é que Ali Kamel, funcionário das Organizações Globo, se deu ao trabalho de escrever um livro para demonstrar que nós, brasileiros, não somos racistas.


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terça-feira, novembro 17, 2009

Pesquisa revela oposição de jornais e revistas contra agenda da população negra



Em artigo na Carta Maior, Venício Lima apresenta resultados de uma pesquisa realizada pelo Observatório Brasileiro de Mídia que revela o posicionamento contrário de grandes revistas e jornais brasileiros em relação aos principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente (ações afirmativas, cotas, Estatuto da Igualdade Racial e demarcação de terras quilombolas). A pesquisa analisou 972 matérias publicadas nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, e 121 nas revistas semanais Veja, Época e Isto É – 1093 matérias, no total – ao longo de oito anos.

No período compreendido entre 1º de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2008, foi acompanhada a agenda da promoção da igualdade racial e das políticas de ações afirmativas em torno dos seguintes temas: cotas nas universidades, quilombolas, ação afirmativa, estatuto da igualdade racial, diversidade racial e religiões de matriz africana.

Com graus diferentes, os jornais observados se posicionaram contrariamente aos principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente. A argumentação central dos editoriais é de que esses instrumentos de reparação promovem racismo. Em relação à demarcação das terras quilombolas, os textos opinativos criticaram o Decreto n.º 4.887/2003 que regulamenta a demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos. O argumento principal foi o de que o critério da autodeclaração é falho e traz insegurança à propriedade privada.

A cobertura oferecida pelo jornal O Globo merece uma atenção especial no artigo:

O jornal dedicou 38 editoriais sobre os vários temas pesquisados, destes 25 ou 65,8% trataram especificamente de “cotas nas universidades”. Os três jornais publicaram 32 editoriais sobre o mesmo assunto. O Globo foi, portanto, responsável por 78% deles. Ainda que os principais argumentos contrários – as cotas e ações afirmativas iriam promover racismo (32%) ou os alunos cotistas iriam baixar o nível dos cursos (16%) – não tenham se confirmado nas instituições que implementaram as cotas, a posição editorial de O Globo não se alterou nos 8 anos pesquisados.

A pesquisa aponta ainda que, embora a maioria dos estudos e pesquisas realizadas por instituições como IBGE, IPEA, SEADE, OIT, UNESCO, ONU, UFRJ, IBOPE e DATAFOLHA, no período analisado, confirmem o acerto das políticas de ação afirmativa, apenas 5,8% dos textos publicados nos jornais noticiaram e debateram os dados revelados.

Visto no RS Urgente.

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quinta-feira, julho 16, 2009

Dançando na Crise

Com mulata no Sambódromo e o enunciado "Dançando através da crise econômica", o "Financial Times" publica hoje um especial de quatro páginas sobre o Brasil. Em textos diversos, sugere ao governo evitar a diplomacia "Sul-Sul" e saúda como o mercado financeiro "prossegue inabalado" por aqui.
Em texto sobre os "afro-brasileiros", o escritor Oliver Balch viaja pelo país e alerta que, "quando um negro tenta entrar no mundo da política, dos negócios ou da academia a ficção da democracia racial se evidencia".

Trecho da coluna Toda Mídia, na Folha de São Paulo, de 7 de julho de 2009. Destaque do blogueiro.

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sexta-feira, julho 03, 2009

Quando socialistas se tornam antissemitas

Foi estranho – um bocado estranho – o ataque antissemita em Buenos Aires, no domingo. Judeus foram agredidos quando deixavam a festa dos 61 anos de Israel na embaixada por rapazes com bastões, pedras. Um deles estava armado.

Os agressores eram militantes socialistas com histórico de ataques. Vestiam Che Guevara nas camisas. Tinham bandeiras de agrupações nanicas como a Frente de Acción Revolucionaria e a Convergencia Socialista.

O antissemitismo jamais foi marca ideológica da esquerda. Marx era judeu. Leon Trotsky – e, como ele, vários dos líderes bolcheviques. Os nazistas jamais se referiam ao ‘judeo-bolchevismo’ para designar o tipo de governo soviético. O Projeto Sionista é socialista – e foi o projeto socialista, transferindo judeus da Europa para a Palestina, comprando-lhes terras e erguendo os kibutzim, fazendas comunitárias, que iniciou a implantação do Estado de Israel. Este movimento é que deu origem ao Partido Trabalhista de David Ben-Gurion. De gente de esquerda se formou o Exército de Israel. Ainda hoje, o mito do israelense que trabalha a terra para erguer o país, Eretz Israel, a Terra de Israel, é um dos mais fortes no imaginário nacional.

Incompetência, paranóia sem limites, perda de noção do razoável e falta de diplomacia transformaram Israel, principalmente nos últimos anos, em um Estado agressor.

Na última década e meia, talvez duas, houve uma inversão. A direita bate no peito para defender Israel. A esquerda faz o contrário. Em parte, é fruto das ações mais recentes do governo de Israel. Também é herança dos tempos da Guerra Fria, quando o maniqueísmo de ambos os flancos ideológicos se alinha pró e contra o lado dos EUA mais por simplismo do que por compreensão. Podem ter suas razões – mas entre criticar as ações de um governo e o racismo ainda há uma diferença.

Há está linha tênue com a qual a extrema esquerda flerta com cada vez mais ousadia. Alguns países, culturalmente, estão mais expostos ao antissemitismo do que outros. O Brasil, menos. A Argentina, mais. O problema, no entanto, não é localizado geograficamente. É uma tendência internacional.

Um militante socialista que ataca um judeu por sua etnia não contradiz apenas seus valores. Ele desconhece sua história. Perdeu noção daquilo pelo que deveria estar lutando. Repete os atos de quem sempre o perseguiu. Não atenta apenas contra sua ideologia: ele a esvazia. A aniquila. E cede o argumento à direita. Próximo passo é algum louco de lá vir com a história de que o nazismo era na verdade socialista.


Texto do weblog do Pedro Dória.

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quarta-feira, junho 24, 2009

As cotas desmentiram as urucubacas

As cotas desmentiram as urucubacas

QUEM ACOMPANHASSE os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro:
"Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha aos perigos da desorganização do atual sistema de trabalho."
Livres os negros, as cidades seriam invadidas por "turbas ignaras", "gente refratária ao trabalho e ávida de ociosidade". A produção seria destruída e a segurança das famílias estaria ameaçada.
Veio a Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?).
Passados dez anos do início do debate em torno das ações afirmativas e do recurso às cotas para facilitar o acesso dos negros às universidades públicas brasileiras, felizmente é possível conferir a consistência dos argumentos apresentados contra essa iniciativa.
De saída, veio a advertência de que as cotas exacerbariam a questão racial. Essa ameaça vai completar 18 anos e não se registraram casos significativos de exacerbação. Há cerca de 500 mandados de segurança no Judiciário, mas isso nada mais é que a livre disputa pelo direito.
Num curso paralelo veio a mandinga do não-vai-pegar. Hoje há em torno de 60 universidades públicas com sistemas de acesso orientados por cotas e nos últimos cinco anos já se diplomaram cerca de 10 mil jovens beneficiados pela iniciativa.
Havia outro argumento: sem preparo e sem recursos para se manter, os negros entrariam nas universidades, não conseguiriam acompanhar as aulas, desorganizariam os cursos e acabariam deixando as escolas.
Entre 2003 e 2007 a evasão entre os cotistas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi de 13%. No universo dos não cotistas, esse índice foi de 17%.
Quanto ao aproveitamento, na Uerj, os estudantes que entraram pelas cotas em 2003 conseguiram um desempenho pouco superior aos demais. Na Federal da Bahia, em 2005, os cotistas conseguiram rendimento igual ou melhor que os não cotistas em 32 dos 57 cursos. Em 11 dos 18 cursos de maior concorrência, os cotistas desempenharam-se melhor em 61 % das áreas.
De todas as mandingas lançadas contra as cotas, a mais cruel foi a que levantou o perigo da discriminação, pelos colegas, contra os cotistas.
Caso de pura transferência de preconceito. Não há notícia de tensões nos campus. Mesmo assim, seria ingenuidade acreditar que os negros não receberam olhares atravessados. Tudo bem, mas entraram para as universidades sustentadas pelo dinheiro público.
Tanto Michelle Obama quanto Sonia Sotomayor, uma filha de imigrantes portorriquenhos nomeada para a Suprema Corte, lembram até hoje dos olhares atravessados que receberam ao entrar na Universidade de Princeton. Michelle tratou do assunto em seu trabalho de conclusão do curso. Ela não conseguiu a matrícula por conta de cotas, mas pela prática de ações afirmativas, iniciada em 1964. Logo na universidade onde, em 1939, Radcliffe Heermance, seu poderoso diretor de admissões de 1922 a 1950, disse a um estudante negro admitido acidentalmente que aquela escola não era lugar para ele, pois "um estudante de cor será mais feliz num ambiente com outros de sua raça". Na carta em que escreveu isso, o doutor explicou que nem ele nem a universidade eram racistas.

Texto de Elio Gaspari, na Folha de São Paulo, de 3 de junho de 2009.

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sábado, maio 16, 2009

Preocupado com o Irã, polêmico chanceler de Israel visitará Brasil

Preocupado com o Irã, polêmico chanceler de Israel visitará Brasil

DA REPORTAGEM LOCAL

Oito dias após o cancelamento da viagem a Brasília do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, anunciou ontem que seu par israelense, Avigdor Liberman, visitará o país em julho.
Diante da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Amorim também mencionou planos de visita do presidente de Israel, Shimon Peres, no segundo semestre.
A Embaixada de Israel confirmou os preparativos para receber Liberman, conhecido pela retórica dura contra a minoria árabe israelense e por rejeitar concessões aos palestinos.
O pedido para visitar o Brasil foi feito pela Chancelaria israelense à Embaixada do Brasil em Tel Aviv como parte de um esforço do governo de Israel para ampliar sua área tradicional de atuação diplomática.
Devido à intensificação dos laços com o Irã, a América Latina é a principal região contemplada pela estratégia .
Israel avalia que os governos esquerdistas de Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador, aliados de Ahmadinejad, estão aliviando o isolamento imposto pelo Ocidente ao Irã por causa do seu controverso programa nuclear, suspeito de ter fins militares -o que Teerã nega.
O Estado judaico também teme que grupos armados como o libanês Hizbollah se beneficiem de uma rede de apoio financeiro na região.
A perspectiva de visita a Brasília de Ahmadinejad, que questiona o Holocausto e defende varrer o Estado judaico do mapa, alarmou Israel. A diplomacia israelense preza boas relações com o Brasil por considerá-lo um interlocutor e um parceiro comercial importante.
O iraniano anulou a visita na última hora devido ao acirramento das tensões domésticas que antecedem a eleição presidencial de junho, na qual ele buscará manter o cargo.
Teerã afirma que a viagem ao Brasil ocorrerá após o pleito -caso Ahmadinejad vença.
Nas entrelinhas, Israel espera marcar território antes de uma eventual retomada dos planos de visita do iraniano.
(SAMY ADGHIRNI)

Colaborou a Sucursal de Brasília

Notícia da Folha de São Paulo, de 14 de maio de 2009.

Será uma coisa interessante de se ver a visita do chanceler Avigdor Liberman ao Brasil. Afinal ele acha que o árabes palestinos talvez devam ser expulsos de Israel, se não jurarem fidelidade à bandeira de Israel, que, afinal, representa o caráter explicitamente judeu do Estado de Israel; e faz parte de um governo que é contra a criação de um estado palestino, e faz questão de manter a ocupação da Cisjordânia, e o isolamento da Faixa de Gaza. Por tudo isso poderia ser chamado de racista.

Mas provavelmente não haverá manifestações de membros da comunidade judaica, nem grupos evangélicos contra o Sr. Liberman. O que será uma demonstração que racismo a favor de Israel pode.

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"Black Fashion Week"

No topo das buscas de notícias do Brasil desde anteontem, mas sem maior repercussão por aqui, a France Presse noticiou que a "Falta de negros nas passarelas do Brasil leva a protesto". Se o "viés racial em favor dos brancos não for abandonado", os manifestantes prometem "um São Paulo Fashion Week negro na rua em frente ao São Paulo Fashion Week", no mês que vem.
Também em destaque, mas na busca de notícias em espanhol, a Efe ecoou a "denúncia da situação dos negros depois de 121 anos de liberdade", feita pela CNBB, também sem repercussão por aqui.

Este texto é parte da coluna Toda Mídia, de Nelson de Sá, na Folha de São Paulo, de 14 de maio de 2009.


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sexta-feira, maio 15, 2009

Choque de realidade - a inserção dos alunos da Faculdade Zumbi do Palmares no mercado de trabalho

Choque de realidade

Ao entrarem no mercado de trabalho, alunos formados em administração por universidade para negros mudam empresas e sentem o peso da diferença

DENYSE GODOY
DA REPORTAGEM LOCAL

O administrador de empresas Luiz Henrique Ferreira, 32, prefere ser chamado simplesmente de Luiz Preto. Ele se lembra bem dos primeiros dias como estagiário no Bradesco, em 2005. "Quando o grupo circulava pelos prédios, as pessoas pensavam que éramos uma comitiva de algum país africano fazendo uma visita", ri, contando como chamava a atenção a turma de 30 estudantes da Faculdade da Cidadania Zumbi dos Palmares que começaram a trabalhar no banco por meio de um convênio firmado com a instituição de ensino. Com orgulho, Preto conta que foi efetivado dois anos depois e agora espera uma promoção.
A sua trajetória representa bem a entrada no mercado de trabalho da primeira turma de administradores formada pela Unipalmares -cuja missão é inserir os negros no nível superior de educação. Graduados em março do ano passado, os ex-alunos relatam que o início da carreira foi marcado por dois choques de realidade: o do mundo corporativo que os recebeu e o deles próprios.
São poucos os negros que ocupam funções administrativas nas empresas brasileiras. Em altos cargos, menos ainda -segundo pesquisa do Ibope e do Instituto Ethos realizada em 2007, mal atingem 3,5%. Daí o estranhamento que surge no ambiente corporativo quando a miscigenação aumenta.
Por isso, devido à parceria com a faculdade -o pioneiro foi o Itaú-, as instituições financeiras passaram a preparar seus funcionários para lidar com a nova realidade de escritórios mais coloridos.
"Tem de haver treinamento, conversa, esforço de comunicação interna para que sejam incorporados novos valores", afirma Mário Sérgio Vasconcelos, diretor de relações institucionais da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).
"É interessante observar que, conforme vão entendendo como funciona, os colaboradores se oferecem para ajudar no programa, criando uma onda positiva. Acreditamos que, num prazo de três a cinco anos, essa cultura da diversidade estará razoavelmente desenvolvida", afirma Vasconcelos.

Contabilizando ganhos
José Vicente, reitor da Unipalmares, bateu à porta da Febraban para propor uma atuação conjunta quatro anos atrás. "Procuramos as instituições financeiras porque, se o nosso desejo era incluir os negros, deveríamos começar pelas empresas fortes, que mais empregavam, pois assim elas serviriam de exemplo para as outras. Além disso, também precisávamos entregar os meninos e as meninas a quem pudesse ajudar na sua qualificação."
Houve uma certa resistência, no princípio, porque os gestores não achavam que havia diferenciação entre os profissionais que contratavam.
"Diziam que não importava se o candidato era azul ou verde, o único critério de seleção era a competência. No entanto só havia brancos em suas salas. Convenceram-se, pois perceberam que, seja qual for a sua opinião sobre cotas raciais, ações com o objetivo de diminuir o fosso social são sempre positivas", considera Vicente.
A iniciativa tornou-se uma porta para a entrada de negros nos bancos e é vista pelo Ministério Público do Trabalho como um passo importante para que os quadros de pessoal fiquem mais equilibrados.
Após entrar com cinco ações civis públicas contra os maiores bancos do Distrito Federal (Bradesco, HSBC, Itaú, Real e Unibanco) por discriminação de trabalhadores, em 2007 -e perder nas duas primeiras instâncias-, o procurador-geral, Otavio Brito Lopes, viu a Febrabran aderir, no ano seguinte, ao projeto de promoção de igualdade de oportunidades lançado por ele.

Realidades
Segundo as contas de Ednilson Nascimento Martiniano, 34, que entrou no Citibank por meio do convênio e fez do projeto o tema da sua monografia de conclusão da graduação, 70% de todos os estudantes da faculdade que participaram tinham se tornado funcionários efetivos dos bancos na época da colação de grau.
Cerca de metade dos 123 alunos que se formaram em 2008 passou na seleção -bastante rígida, destacam- e conseguiu virar estagiários das instituições financeiras. Para os demais, a luta por uma boa vaga mostrou-se muito mais dura. Eis aí o baque que os estudantes sentiram, por sua vez. "Ainda é preciso mudar a visão das companhias dos outros setores", comenta Andressa Assunção, 25, há oito meses na Gelre, empresa do setor de recursos humanos.
Mesmo assim, são poucos os que se encontram desempregados. É o curso universitário que faz toda a diferença nesse caso, afirma Lúcia Garcia, especialista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) em mercado de trabalho.
"Na faixa dos 25 aos 39 anos, verifica-se a maior taxa de desemprego, perto de 15%. Analisando o conjunto dos que possuem educação superior, a porcentagem cai para 7%", diz Garcia. "As empresas valorizam a formação. Por esse motivo, o incentivo à escolaridade é uma importante política para a promoção da população negra."
A mudança que o estudo traz irradia pela família que o jovem tem e impulsiona a que vai ter. "Ele pode dar conforto aos pais e planejar um futuro melhor para os seus filhos. Várias gerações se beneficiam."
Em todos os segmentos, a partir do instante em que ocupam um posto, os negros se sentem na obrigação de provar a sua capacidade. "Temos que nos esforçar o dobro dos outros, ser os melhores, para mostrar o nosso talento", afirma Renata da Silva Santos Barbosa, 26, que está no Citibank.

Texto da Folha de São Paulo, de 10 de maio de 2009.

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domingo, janeiro 25, 2009

Antes tarde do que nunca

DESCULPAS



Domingo, às vésperas do dia de Martin Luther King e da posse, o jornal "The Meridian Star", do Mississippi, deu editorial para "honrar" os que lutaram pelos direitos civis no Sul dos EUA e para "oferecer nossas sinceras desculpas" por não reagir à "injustiça de escolas e ônibus segregados" e não defender então o voto dos "mississippianos negros"

Trecho da coluna Toda Mídia, de Nelson de Sá, na Folha de São Paulo, de 20 de janeiro de 2009.

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quinta-feira, julho 24, 2008

Pesquisa mostra um abismo na percepção sobre raça nos EUA

Pesquisa mostra um abismo na percepção sobre raça nos EUA

Relações entre grupos é boa para 53% dos brancos contra 29% dos negros, afirma levantamento do "New York Times"

Entre negros, o democrata Barack Obama bate John McCain por 89% a 2%; já entre os brancos, o placar muda para 37% contra 46%

DANIEL BERGAMASCO
DE NOVA YORK

A mesma sociedade norte-americana que fez história ao escolher pela primeira vez um negro como candidato de um grande partido à Casa Branca expõe um abismo nas percepções sobre raça no país.
Pesquisa do jornal "New York Times" e da rede de TV CBS mostra que 53% dos brancos dizem que as relações raciais nos EUA são "geralmente boas" -opinião compartilhada por apenas 29% dos negros.
Mais: 79% dos brancos dizem que o país progrediu nessas relações desde os anos 1960, ante 59% dos negros.
A ampla discrepância se mantém nas questões sobre convivência e oportunidades de crescimento. Por exemplo, negros e brancos, respectivamente, divergem sobre quem tem mais chance de prosperar na sociedade norte-americana: os brancos (63% ante 35%), os negros (1% a 7%) ou todos eles em condições de igualdade (30% a 53%).
A pesquisa ouviu, por telefone, 1.796 americanos adultos de todo o país, entre 7 e 14 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais para cima ou para baixo.

Preocupação exagerada
O resultado é que brancos, que dizem perceber uma sociedade mais igualitária, criticam ações afirmativas que ampliem as oportunidades das chamadas "minorias" raciais.
Programas como políticas de cotas, para compensar as oportunidades perdidas pela discriminação do passado, são aprovados por 80% dos negros e apenas 44% dos brancos.
Em uma das maiores discrepâncias da pesquisa, 27% dos brancos apontam um exagero na preocupação com os problemas dos negros, entre os quais só 7% compartilham da percepção. Para 49% dos brancos a preocupação é correta, e para 48% dos negros, insuficiente.
O contraste de opiniões confirma que a sociedade americana está longe da igualdade, diz Waldo E. Johnson, Jr., analista do Centro de Estudos de Raça, Política e Cultura da Universidade de Chicago.
"Talvez os brancos tenham mesmo a percepção de que está tudo bem. Mas cada um responde às perguntas partindo da própria experiência e fica claro que negros e brancos nos EUA não são tratados da mesma forma", afirma ele.
Segundo a pesquisa, 68% dos negros dizem que já foram descriminados por sua raça; 26% dos brancos dizem o mesmo.

Eleições
A pesquisa também confirma a força do candidato democrata, Barack Obama, entre os eleitores negros do país. Nesse grupo, o senador por Illinois bate o republicano John McCain por 89% a 2% na preferência. Já entre os brancos, o placar muda para 37% a 46%.
Mesmo sendo, de fato, uma minoria nos EUA (12,4% da população, ante 74% de brancos, segundo o Censo de 2006), os negros terminam por ter grande influência no quadro geral da pesquisa, em que Obama bate McCain por 45% a 39%.
Os demais tópicos da consulta confirmam maior preferência dos negros pela campanha dos democratas. A rejeição à Michelle, mulher de Obama e também negra, é de 1% no grupo e de 19% entre brancos. Já os desfavoráveis à Cindy, mulher de John McCain e branca, é respectivamente de 16% a 7%.
Setenta por cento dos brancos dizem que os EUA estão prontos para eleger um presidente negro, ante 65% dos negros. O percentual de eleitores que não votariam por um presidente negro também está dentro da margem de erro: 6% dos negros e 5% dos brancos.
"Quando pensar na vitória de Obama em Iowa [primeiro Estado das eleições prévias, onde há 93% de brancos] e em outros Estados, lembre-se de que ele conseguiu manter a raça por um bom tempo fora do debate eleitoral e também de que ele tem mãe branca", diz Johnson.

Texto da Folha de São Paulo, de 17 de julho de 2008. Seria interessante uma pesquisa de opinião destas aqui no Brasil.


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Desgosto

Desgosto

ESCREVO COM tristeza, embora a história comece com um cartaz da Lega Nord que achei hilário.
A Lega Nord é um partido político italiano que pregava o separatismo do norte da Itália, apostando no desprezo dos italianos do norte pelos meridionais pobres e roceiros que migravam rumo aos pólos industriais do norte do país (imagine, no Brasil, uma "Liga Sul" que quisesse um país de Espírito Santo para baixo, sem retirantes nordestinos).
A Lega Nord, ao ganhar expressão nacional, teve que converter seu separatismo em exigências de autonomia regional. Como reanimou suas tropas? Simples. Na Europa, o vínculo do cidadão com sua terra é atávico e facilmente exclusivo -não é, como nas Américas, o fruto do sonho de antepassados que imigraram. Foi fácil, para a Lega, tornar-se o partido dos descontentes com as ondas de imigrantes externos dos últimos anos: africanos, asiáticos e europeus do Leste.
Volto ao cartaz: é o perfil de um índio norte-americano, com seu cocar. Legenda: "Eles sofreram a imigração. Agora vivem em reservas. Pense nisso". Fiquei pasmo: os italianos não participaram da conquista do Oeste, mas muitos deles "fizeram a América"; agora deveriam se identificar com os índios norte-americanos e sua história? Qualquer coisa vale para tirar proveito da insegurança econômica e social das classes médias transformando-a em pavor do estrangeiro, do diferente, do outro afoito e rapace que estaria querendo nosso trabalho e nossas mulheres.
O cartaz (www.leganord.org/ilmovimento/manifesti.asp) tem uma nova versão, com a legenda "A fuga das reservas começou" -ou seja, estamos retomando nossa terra das mãos dos invasores.
É um jeito de festejar o endurecimento da política italiana contra os imigrantes no novo governo Berlusconi, do qual a Lega é um componente essencial.
Posso entender (em termos) que um governo criminalize o acesso e a permanência ilegais no país.
Imagino (em termos) que um grupo étnico, encabeçando as estatísticas do crime, venha a ser discriminado no dia-a-dia do trabalho de polícia (em muitos países, se um branco assalta um negro, a polícia, chegando, primeiro prende o negro e depois se preocupa com a reconstituição dos fatos). Mas começo a me horrorizar quando, encorajados pelas idéias ambientes, uns amalucados, como aconteceu na Itália, organizam pogrons para incendiar acampamentos de comunidades ciganas.
Agora (Folha de 11 de julho) o governo italiano (apesar dos protestos da União Européia e da ONU) decretou um censo da população cigana nômade que vive na periferia das grandes cidades, crianças incluídas, com impressões digitais etc. -ou seja, um registro específico e detalhado que se torna obrigatório para uma etnia só. Note-se que um terço da dita população cigana não é imigrante, é italiana. E acrescente-se que o governo nomeou um responsável para a "questão cigana". Isso lembra alguma coisa?
Nada parecido aconteceu, num país ocidental, desde o começo da exterminação dos judeus, dos homossexuais, dos ciganos (coincidência) etc., durante o nazismo e o fascismo.
O próximo passo será uma estrela cravada no peito? Ou talvez, por os ciganos serem nômades, uma roda de charrete? Que cor?
O governo italiano afirma que tudo isso é para proteger as crianças ciganas que são forçadas a pedir esmola nas esquinas. Em suma, é para o bem dos ciganos. A justificativa dá arrepios: no começo, os nazistas diziam que a deportação protegeria os judeus contra a hostilidade dos arianos.
A oposição italiana e o papa se declararam contra. Poucas centenas de manifestantes apareceram em frente ao Parlamento, e só.
Neste espaço, em maio, estando na Itália, escrevi que, com a chegada de um presidente da Câmara que já foi do MSI (partido herdeiro do fascismo italiano), ficava claro que o passado da luta antifascista não era mais o divisor de águas da política italiana (ou européia).
Numa lápide murada no município de Cuneo (Piemonte), há um poema de Pietro Calamandrei, endereçado ao general nazista Kesserling, que acaba assim: "Por essas estradas se quiseres voltar/ aos nossos postos nos encontrarás/ mortos e vivos com a mesma garra/ povo reunido ao redor do monumento/ que se chama/ agora e sempre/ Resistência". Aparentemente, sobraram só os mortos.
Resta esperar que os italianos daqui, quando votarem para as eleições na Itália, não se esqueçam.

Texto de Contardo Calligaris, na Folha de São Paulo, de 17 de julho de 2008.

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sábado, março 22, 2008

Racismo em Israel ganha força, diz relatório

Racismo em Israel ganha força, diz relatório

Um relatório divulgado por uma ONG em Israel diz que as manifestações de racismo na sociedade israelense se tornaram mais freqüentes no último ano.

No documento, divulgado nessa quarta-feira, a ONG Mossawa, que defende direitos de cidadãos árabes em Israel, acusa líderes políticos de criarem um clima de “legitimação ao racismo” contra os cidadãos árabes, que representam 20% da população do país.

De acordo com a pesquisa da Associação pelos Direitos Civis mencionada no relatório, 75% dos cidadãos judeus israelenses não estão dispostos a morar no mesmo prédio com um vizinho árabe e 61% não receberiam uma visita de árabes em sua casa.

A pesquisa também indica que 55% defendem a separação entre judeus e árabes nos lugares de lazer e 69% dos estudantes secundários acham que os árabes “não são inteligentes”.

O relatório atribui esse fenômeno, em parte, ao agravamento do conflito entre israelenses e palestinos, mas também aponta o papel de líderes políticos no incitamento contra os cidadãos árabes.

No documento são citados ministros e parlamentares que “baseiam sua força em posições de ódio e incitam ao racismo”.

O político mais citado é Avigdor Liberman, líder do partido de direita Israel Beiteinu e ex-ministro para Assuntos Estratégicos.

Liberman defende a “troca de territórios e populações” como solução para o conflito.

“Os árabes israelenses são um problema ainda maior do que os palestinos e a separação entre os dois povos deverá incluir também os árabes de Israel... por mim eles podem pegar a baklawa (doce árabe típico) deles e ir para o inferno”, afirmou.

Para Liberman, Israel deve “trocar” as aldeias árabes israelenses pelos assentamentos nos territórios ocupados, ou seja, as aldeias árabes passariam a fazer parte de um estado palestino e os assentamentos seriam anexados a Israel.

Outro parlamentar citado é Yehiel Hazan, do partido Likud, que chamou os árabes de “vermes”.

O atual ministro da Habitação e Construção, Zeev Boim, do partido Kadima, disse que o “terrorismo islâmico poderia ter razões genéticas”.

O deputado do partido de direita Ihud Leumi, Efi Eitam, defendeu a expulsão dos palestinos da Cisjordânia e a exclusão dos cidadãos árabes israelenses da política do país. “Eles (os cidadãos árabes) são uma quinta coluna, traidores, não podemos permitir a permanência dessa presença hostil nas instituições de Israel”, declarou.

Segundo a Mossawa, as autoridades israelenses não aplicam as leis anti-racismo existentes no país e se cria uma situação de impunidade na maioria dos casos em que essas leis são violadas.

Figuras públicas que manifestam posições racistas continuam em seus cargos sem que haja qualquer tipo de investigação contra elas, diz o relatório.

O clima político de “legitimação do racismo” leva a uma maior aceitação de idéias favoráveis à segregação e expulsão dos cidadãos árabes israelenses, acrescenta a ONG.

No mesmo dia da publicação do relatório da Mossawa, a imprensa israelense publicou um decreto do rabino Dov Lior, dos assentamentos de Hebron e Kiriat Arba, proibindo seus seguidores de alugar casas a árabes ou de empregar funcionários árabes.

A advogada Einat Horowitz, do Centro de Pluralismo Judaico, criticou o decreto do rabino e o “fenômeno crescente de incitamento racista”.

Segundo a advogada, “o incitamento distorce o judaismo e é proibido por lei”.

“Dirigimos um apelo ao procurador-geral da Justiça, para que acorde e aja pela implementação da lei contra esse tipo de pronunciamentos”, disse a advogada.

O rabino Gilad Kariv, vice-diretor do Centro de Ação Religiosa, também condenou o decreto do rabino Lior.

“É alarmante que rabinos, que recebem seus salários do orçamento do Estado, falem contra o aluguel de apartamentos a árabes e enviem inspetores para procurar trabalhadores árabes em lojas”, afirmou Kariv.

“Como rabino, estou preocupado com o envolvimento de personalidades religiosas em incitamento”, acrescentou.


Texto da BBC Brasil.


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segunda-feira, agosto 06, 2007

Aula de Racismo

Este vídeo veio da Periferia do Império. Mostra uma apresentadora da Televen destilando todo o seu preconceito, num programa de, digamos, variedades.
Mais informações na Periferia do Império.

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quarta-feira, julho 11, 2007

Carnaval na Bahia

Desculpem alguma suscetibilidade ferida.




Via Olho-Dínamo.

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segunda-feira, julho 02, 2007

Cotas na UFRGS Aprovadas

A reunião do Conselho Universitário (Consun) da UFRGS aprovou a adoção de cotas sócio-econômicas-étnicas na sexta-feira passada, dia 29 de junho.
Agora vamos ver o que acontece na prática. Foi noticiado que as cotas já serão utilizadas no próximo vestibular, o de 2008.
Vi a frase abaixo no blog "Olho-Dínamo":


"Com essa medida [das cotas]... estaríamos equalizando a balança social do país e não fechando os olhos para uma discriminação velada e não regulamentada. Nenhum negro está proibido de entrar na UFRGS. Mas ninguém espera muito que eles entrem".

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sexta-feira, junho 29, 2007

Cotas na UFRGS: Reunião do Conselho Neste dia 29

quinta-feira, junho 28, 2007

Por Que Cotas na UFRGS?



Eu peguei no Cuca Fundida, que pegou do Animot, que pegou da Implicante, que pegou do Olho-Dínamo.

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quarta-feira, junho 27, 2007

Rejeitar Raízes Negras Virou "Instituição" no Brasil

http://www.bbcbrasil.com

24 de junho, 2007 - 14h01 GMT (11h01 Brasília)

Rejeitar raízes negras virou 'instituição' no Brasil, diz jornal

De tão comum, a prática de negar as origens negras virou uma "instituição" no Brasil, observa uma matéria publicada no jornal Miami Herald neste domingo.

A extensa reportagem, que merece um quarto de página na capa do jornal americano, analisa a relação dos brasileiros com o conceito de raça e, em especial, com suas raízes africanas.

Em primeira pessoa, o enviado especial ao Rio de Janeiro, Leonard Pitts Jr., afroamericano, relata o que chamou de "sensação de cair em uma casa dos espelhos", na qual tudo é "igualzinho" aos Estados Unidos, "porém completamente diferente".

"No Brasil, uma nação de indígenas e descendentes de escravos negros, colonizadores europeus e imigrantes, um homem de pele escura que poderia ser automaticamente chamado de negro em qualquer outro lugar tem um vocabulário que lhe permite apagar sua origem africana. Ele pode se dizer moreno, mestiço ou pardo. Qualquer coisa, menos afrodescendente ou negro", atesta o repórter.

"Nisto, ele será como seus colegas nos Estados Unidos, onde negros também têm um extenso vocabulário para descrever variações de tom de pele. Mas nos Estados Unidos, não importa qual seja o seu tom de pele, sua raça não está em questão. Malcolm X era negro. Smokey Robinson é negro. T.D. Jakes é negro. Don Cheadle é negro."

O repórter toma emprestada a expressão utilizada por uma entrevistada para afirmar:

"Se os Estados Unidos são um país onde negros de pele mais clara às vezes tentam fingir que são brancos, bem, aqui neste país 'fingir é uma instituição nacional'."

Ações afirmativas

O artigo encerra uma série de reportagens especiais que o Miami Herald veio publicando, ao longo da semana, sobre a vida de afrodescendentes na América Latina.

O repórter notou que o Brasil vive cotidianamente discussões sobre ações afirmativas oficiais, como a criação de cotas para negros em entidades públicas, às quais se opõem muitos intelectuais, como uma antropóloga ouvida pelo jornalista.

"Respeito os princípios de seus argumentos – raça não existe e portanto não deveria ser reconhecida em lei. Mas isto levanta uma questão: como pode haver racismo sem raça?"

A matéria escuta personalidades ligadas ao ativismo por direitos dos negros. Ao final, Pitts aproveita uma conversa com a jornalista Miriam Leitão para traçar paralelos com seu próprio trabalho.

"Enquanto ela relata as respostas que recebe (de seus leitores a cada artigo que trata do tema), vejo-me rindo de identificação. Um leitor, por exemplo, acusou-a de 'criar um problema ao falar dele'."

"'Por sua causa', disse o leitor, 'um dia, seremos racistas'."

"Recebi exatamente o mesmo email. Muitas vezes", diz Pitts.

"É engraçado, só Deus sabe, mas também é enlouquecedor. Você se pergunta como pessoas inteligentes podem retorcer tanto a lógica. Como pessoas sabidas podem dizer coisas tão estúpidas."

Para o jornalista, "você começa a entender que a negação é mais forte que a lógica. América, a terra dos livres? Nem sempre, não tanto. Brasil, a terra onde raça não importa?"

"Ela (Miriam) é uma colunista de jornal que escreve sobre raça em um país a 6,5 mil km de distância. Mas ela também é um reflexo do espelho deformante."


Da BBC Brasil: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/06/070624_negrosmiamiherald_pu.shtml

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