quarta-feira, julho 21, 2010

O Retorno do anti-semitismo e o Estado de Israel

O Retorno do anti-semitismo e o Estado de Israel


Na semana passada, o UOL reproduziu notícia do semanário alemão Der Spiegel*, mostrando o extremismo anti-semita comum a neo-nazistas e imigrantes muçulmanos na Alemanha. A notícia informava que durante um festival nos arredores de Hanôver, um grupo judeu de dança, chamado Chaverim, foi impedido de se apresentar, hostilizado por um grupo de migrantes muçulmanos e seus descendentes.


Normalmente os ataques contra a comunidade judaica na Alemanha são perpetrados por grupos neo-nazistas, com a mesma base ideológica da época de Hitler. Esta agressão que impediu a apresentação do grupo de dança judeu por parte de um grupo de imigrantes muçulmanos, muitos deles adolescentes e crianças, é um fato novo, decorrente das agressões do Estado de Israel aos palestinos.


No ano passado, o Pedro Dória comentou no seu weblog uma notícia que lhe chamou a atenção: um grupo de socialistas argentinos atacou um grupo de judeus quando saíam da embaixada de Israel lá, após celebrarem os 61 anos da fundação do estado de Israel. Dória achou o incidente muito estranho, pois sempre houve judeus envolvidos com socialismo, a começar pelo próprio Marx, e o Estado de Israel, nas suas fundações, era em grande parte inspirado por ideais socialistas.


Parece que ambas as coisas são decorrência das políticas míopes do Estado de Israel, com relação, principalmente, aos palestinos. Dória comenta esta possibilidade: “Incompetência, paranóia sem limites, perda de noção do razoável e falta de diplomacia transformaram Israel, principalmente nos últimos anos, em um Estado agressor.” E um Estado agressor costuma atrair antipatia de todo lado.


Infelizmente, enquanto a paz duradoura não for atingida na Terra Santa, e enquanto Israel posar como prepotente e agressor (com todo apoio dos Estados Unidos), a tendência é que estes eventos venham a se tornar mais e mais frequentes.


21/07/2010.


*Infelizmente, só para assinantes do UOL.

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quinta-feira, agosto 20, 2009

15 Anos Depois



Argentinos exibem fotografias de vítimas do atentado terrorista contra um centro comunitário judeu em 1994, que deixou 85 mortos e 120 feridos em Buenos Aires

Isto é, o atentado contra a Amia. Visto na Folha de São Paulo (19/08/2009). Foto de Natasha Pisarenko, para a Associated Press.

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sexta-feira, julho 03, 2009

Quando socialistas se tornam antissemitas

Foi estranho – um bocado estranho – o ataque antissemita em Buenos Aires, no domingo. Judeus foram agredidos quando deixavam a festa dos 61 anos de Israel na embaixada por rapazes com bastões, pedras. Um deles estava armado.

Os agressores eram militantes socialistas com histórico de ataques. Vestiam Che Guevara nas camisas. Tinham bandeiras de agrupações nanicas como a Frente de Acción Revolucionaria e a Convergencia Socialista.

O antissemitismo jamais foi marca ideológica da esquerda. Marx era judeu. Leon Trotsky – e, como ele, vários dos líderes bolcheviques. Os nazistas jamais se referiam ao ‘judeo-bolchevismo’ para designar o tipo de governo soviético. O Projeto Sionista é socialista – e foi o projeto socialista, transferindo judeus da Europa para a Palestina, comprando-lhes terras e erguendo os kibutzim, fazendas comunitárias, que iniciou a implantação do Estado de Israel. Este movimento é que deu origem ao Partido Trabalhista de David Ben-Gurion. De gente de esquerda se formou o Exército de Israel. Ainda hoje, o mito do israelense que trabalha a terra para erguer o país, Eretz Israel, a Terra de Israel, é um dos mais fortes no imaginário nacional.

Incompetência, paranóia sem limites, perda de noção do razoável e falta de diplomacia transformaram Israel, principalmente nos últimos anos, em um Estado agressor.

Na última década e meia, talvez duas, houve uma inversão. A direita bate no peito para defender Israel. A esquerda faz o contrário. Em parte, é fruto das ações mais recentes do governo de Israel. Também é herança dos tempos da Guerra Fria, quando o maniqueísmo de ambos os flancos ideológicos se alinha pró e contra o lado dos EUA mais por simplismo do que por compreensão. Podem ter suas razões – mas entre criticar as ações de um governo e o racismo ainda há uma diferença.

Há está linha tênue com a qual a extrema esquerda flerta com cada vez mais ousadia. Alguns países, culturalmente, estão mais expostos ao antissemitismo do que outros. O Brasil, menos. A Argentina, mais. O problema, no entanto, não é localizado geograficamente. É uma tendência internacional.

Um militante socialista que ataca um judeu por sua etnia não contradiz apenas seus valores. Ele desconhece sua história. Perdeu noção daquilo pelo que deveria estar lutando. Repete os atos de quem sempre o perseguiu. Não atenta apenas contra sua ideologia: ele a esvazia. A aniquila. E cede o argumento à direita. Próximo passo é algum louco de lá vir com a história de que o nazismo era na verdade socialista.


Texto do weblog do Pedro Dória.

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