terça-feira, julho 21, 2009

A direita latina contra-ataca ante a hesitação de Obama

A direita latina contra-ataca ante a hesitação de Obama

"Distração" dos Estados Unidos permite que a situação golpista em Honduras se cristalize e incentiva setores conservadores em outros países da América Central

IMMANUEL WALLERSTEIN

O GOVERNO de George W. Bush foi o momento da maior onda de vitórias dos partidos à esquerda do centro na América Latina, em mais de dois séculos. O governo de Barack Obama corre o risco de ser o momento da vingança da direita na região.
O motivo pode ser o mesmo: a combinação entre o declínio do poderio americano e a posição central que os EUA ainda mantêm na política mundial. Os EUA são incapazes de se impor, mas ainda assim são vistos como aliados necessários por quase todo o mundo.
O que aconteceu em Honduras? O país vem sendo há muito tempo um dos mais seguros pilares das oligarquias latino-americanas -uma classe dominante arrogante e insubmissa, com estreitas conexões com os EUA, em um país que abriga uma grande base militar americana. As Forças Armadas do país são cuidadosamente recrutadas de maneira a evitar qualquer contágio por oficiais com simpatias populistas.
Como oriundo da classe dominante, a expectativa era a de que Zelaya continuasse a jogar o jogo como os presidentes hondurenhos sempre jogaram. Mas, em vez disso, sua posição política começou a ganhar tons esquerdistas. Zelaya empreendeu programas internos que, na verdade, faziam alguma coisa pela vasta maioria da população -construção de escolas em regiões rurais remotas, aumento no salário mínimo, criação de clínicas de saúde. Após dois anos, aderiu à Alba, a organização de cooperação internacional fundada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.
Depois, ele propôs realizar um plebiscito sobre a opinião da população quanto à possível convocação de uma Assembleia Constituinte. A oligarquia berrou que isso era uma tentativa de mudar a Constituição para que Zelaya pudesse disputar um segundo mandato. Mas, como o plebiscito seria realizado na mesma data em que a eleição de seu sucessor, a alegação era claramente falsa.
Por que, então, o Exército conduziu um golpe de Estado, com apoio da Corte Suprema, do Legislativo e da Igreja Católica? Dois fatores foram decisivos: a opinião desses grupos sobre Zelaya e sua opinião sobre os EUA. Para a oligarquia hondurenha, Zelaya traiu sua classe e por isso merece ser punido, para servir como exemplo.
E quanto aos EUA? Quando o golpe aconteceu, alguns dos mais ruidosos comentaristas de esquerda da blogosfera o definiram como "golpe de Obama". Mas isso ignora a realidade. Nem Zelaya, nem seus partidários nas ruas, nem Chávez e nem Fidel Castro analisam a situação de maneira tão simplista. Todos eles percebem a diferença entre Obama e a direita americana (políticos ou comandantes militares) e expressaram repetidamente uma análise muito mais balanceada.
Parece bastante claro que a última coisa que o governo Obama desejava era um golpe como esse. O golpe, na verdade, foi uma tentativa de forçar Obama a uma atitude. E essa posição foi sem dúvida encorajada por importantes figuras da direita americana, entre as quais Otto Reich, o americano de origem cubana que assessorava Bush sobre a política regional. Foi algo parecido com a tentativa do presidente Mikhail Saakashvili, da Geórgia, de forçar uma ação dos EUA, ao invadir a Ossétia do Sul. Aquela também foi uma ação empreendida com a conivência da direita dos EUA. Mas não funcionou porque os soldados da Rússia impediram.
Obama está vacilando desde o golpe em Honduras. E por enquanto a direita hondurenha e dos EUA está contente por ter conseguido reverter a política americana. Bastam algumas de suas declarações mais absurdas como prova. O chanceler hondurenho apontado após o golpe, Enrique Ortez, afirmou que Obama era "um negrinho que não sabe nada de nada". O embaixador dos EUA protestou contra o insulto, e Ortez terminou transferido a outro posto.
A direita dos EUA é mais polida, mas não menos feroz. O senador republicano Jim DeMint, a deputada de origem cubana Ileana Ros-Lethinen e o advogado conservador Manuel Estrada vêm insistindo em que o golpe era justificado porque, na verdade, não foi um golpe, e sim uma defesa da Constituição hondurenha. E Jennifer Rubin, uma blogueira de direita, publicou um post intitulado "Obama está errado, errado, errado sobre Honduras".
A direita hondurenha está tentando ganhar tempo, até que se encerre o mandato de Zelaya. Caso consigam realizar esse objetivo, terão vencido. E as direitas guatemalteca, salvadorenha e nicaraguense estão assistindo a tudo, ansiosas por promover golpes contra os governos de seus países.
A esquerda chegou ao poder na América Latina devido ao momento econômico propício e à distração dos EUA. Agora, a distração continua, mas o momento econômico é pior. E a esquerda leva a culpa por estar no poder, ainda que na verdade haja pouco que os governos de esquerda possam fazer quanto à economia mundial.
Será que os EUA podem fazer algo mais com relação ao golpe? Bem, é evidente que sim. Primeiro, Obama poderia oficialmente classificar o golpe como golpe. Isso faria com que passasse a valer a lei americana que dispõe que toda a assistência dos EUA a Honduras seja suspensa. Ele poderia retirar o embaixador americano do país.
Poderia dizer que não há nada a negociar, em lugar de insistir em "mediação" entre o governo legítimo e os líderes do golpe.
Por que não faz tudo isso? É simples. Há pelo menos quatro outros itens de grande urgência em sua agenda: a confirmação de Sonia Sotomayor para a Suprema Corte; a confusão no Oriente Médio; sua necessidade de aprovar ainda neste ano seu pacote de saúde; e a pressão pela abertura de um inquérito sobre os atos ilegais do governo Bush. Lamento, mas Honduras ocupa o quinto lugar.
Assim, Obama vacila. E ninguém ficará satisfeito. Zelaya pode ser restituído ao seu posto, mas talvez só daqui a três meses. Tarde demais. Melhor ficar de olho na Guatemala.

IMMANUEL WALLERSTEIN, pesquisador sênior na Universidade Yale, é autor de "O Declínio do Poder Americano" (Contraponto). Este artigo foi distribuído pela Agence Global.

Texto publicado na Folha de São Paulo, de 16 de julho de 2009.

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terça-feira, setembro 16, 2008

A esquerda míngua na Europa

A esquerda míngua enquanto a direita marca a agenda na Europa
Partidos progressistas retrocedem em quase toda a UE. A globalização desgasta as receitas tradicionais e as bases da social-democracia

Pere Rusiñol e Walter Oppenheimer
Em Madri e Londres


Na península Ibérica ela resiste, embora cada vez mais desbotada. Mas no resto da Europa a esquerda diminui em uma velocidade inédita: a direita ganha eleição após eleição - dirige 19 dos 27 governos da UE -, impregna as políticas supostamente de esquerda e se impõe na agenda da UE - diretriz de imigração, extensão da jornada de trabalho, etc - quase sem encontrar resistência. O que acontece com a esquerda européia? Onde está?

"A esquerda não soube enfrentar o relativo declínio do Estado em comparação com a globalização", explica o historiador britânico Eric Hobsbawm, de 91 anos. "O Estado nacional, que foi o marco essencial para muitos dos programas de esquerda, não está mais em posição de gerar as reformas que a esquerda reformista estava disposta a implementar, ou de transformar-se totalmente em uma economia socialista."

Na sua opinião, "a esquerda foi substituída, talvez temporariamente, por grupos de pressão especiais a favor de assuntos às vezes identificados com a esquerda no passado, que não são completamente idênticos ao programa geral da esquerda, como a emancipação das mulheres, o liberalismo cultural ou o meio ambiente". É parecida a análise de Nicolás Sartorius, ex-dirigente da Izquierda Unida (IU, coalizão de eco-socialistas e comunistas) e do primeiro sindicato da Espanha, Comissões Operárias (CCOO), hoje vice-presidente da Fundação Alternativas. "As políticas social-democratas podiam funcionar no âmbito do Estado-nação. Mas a globalização não só começou a erodir o Estado-nação, como tudo o que se havia construído sobre ele. Por isso é tão necessário construir a Europa e um discurso global", afirma.

Em nenhum lugar como na Europa se nota com maior nitidez a decadência da esquerda clássica. Todos os seus feudos, até os que foram exemplos para progressistas do mundo inteiro, estão arrasados: na França os socialistas não ganham eleições presidenciais desde 1988 e o partido se transformou em um reino de parcialidade. Na Alemanha, o outrora todo-poderoso Partido Social-Democrata se dilui em um governo de coalizão dirigido pela democrata-cristã Angela Merkel, perde muitos militantes e no domingo liquidou a etapa chefiada por Kurt Beck nomeando candidato a chanceler Frank-Walter Steinmeier, com a esperança de pelo menos salvar os móveis. Na Itália, a esquerda foi incapaz de deter um personagem como Silvio Berlusconi, que recuperou o poder tirando a poeira de pulsões fascistas, e pela primeira vez não há no Parlamento nenhum deputado comunista: o declive eleitoral da esquerda não afeta só o ramo majoritário.

Nem mesmo os países escandinavos são o que foram. O famoso modelo sueco nunca esteve tão ameaçado: os social-democratas não dirigem mais o governo sueco nem o finlandês. E as pesquisas lhe são contrárias na Noruega, onde dirige uma grande coalizão heterogênea.

Trata-se de uma situação conjuntural ou existe esse mar de fundo mais profundo de que fala Hobsbawm? A maioria dos dirigentes da esquerda institucional opta pela primeira e a vê como um fenômeno passageiro. "Creio que se trata de um efeito de pêndulo; em 2000 a situação era exatamente a oposta e a esquerda predominava claramente", afirma Enrique Barón, chefe dos socialistas espanhóis no Parlamento Europeu. Muito mais contundente é Javier Caldera, que transferiu o otimismo irredutível de José Luis Rodríguez Zapatero à frente da nova fundação Ideas do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol): "A situação atual é conseqüência da última década, mas agora tudo está mudando: estamos em um momento de renascimento da esquerda e dos valores progressistas, como demonstra o ímpeto de Obama nos EUA e sua recepção na Europa". E acrescenta: "O que está em retrocesso é o pensamento neoconservador".

Nas antípodas se situa o historiador Josep Fontana, professor emérito da Universidade Pompeu Fabra em Barcelona. Não é que a esquerda esteja em declínio, ele diz, mas que simplesmente se extinguiu. "Os velhos partidos social-democratas se transformaram só em democratas: partidos moderados de centro que se preocupam com os direitos individuais, mas não com os sociais. E à esquerda disso não ficou simplesmente nada", salienta.

Sua análise combina muito bem, por exemplo, com a situação vivida no Reino Unido sob os trabalhistas: para voltar ao poder, e sobretudo para se manter nele, Tony Blair e Gordon Brown arrastaram o partido para o centro e se apoderaram de áreas que tinham sido dominadas pelo pensamento de direita. Mas, desgastados depois de cerca de três legislaturas governando e sem o carisma do Blair dos anos 1990, agora se vêem incapazes de oferecer algo que os diferencie dos conservadores. Fontana considera que a situação atual tem claros paralelos com o século 19: "A política do século 19 gira ao redor de dois pólos - liberal e conservador - e o aparecimento do PSOE é testemunhal. Hoje o esquema é parecido porque a velha esquerda se deslocou completamente para o centro. Não há nada que indique uma alternativa, e, portanto o binômio também pode durar muito. Mas na medida em que os problemas se tornem evidentes vai acabar surgindo algo para preencher o vazio".

A hegemonia da direita não se expressa só na esmagadora maioria de países que ela governa na UE. Vai além: nos raros países onde a esquerda governa, promovem-se muitas vezes políticas indiferenciáveis das dos Executivos de direita: enrijecimento das políticas migratórias, redução das liberdades civis em nome da política antiterrorista, liberalização a todo custo do mercado de trabalho, subordinação aos EUA. O governo trabalhista britânico foi a vanguarda dessa agenda na UE, onde sempre encontrou a cumplicidade da esquerda dos países do Leste, que depois de décadas de totalitarismo parecem tê-las incorporado em seu DNA.

O próprio Executivo de José Luis Rodríguez Zapatero, o queridinho da esquerda européia na última legislatura, parece apontar na mesma direção. O símbolo da virada é o Departamento de Trabalho: Caldera, responsável pela regularização dos imigrantes e pelo sotaque social do governo, foi substituído por Celestino Corbacho, defensor da "mão dura" e do fechamento de fronteiras. Apesar de o governo negar qualquer virada, os socialistas espanhóis a deixaram patente ao votar no Parlamento Europeu a diretriz de imigração, que autoriza a retenção dos sem-papéis durante 18 meses: 16 dos 19 socialistas espanhóis se afastaram do grupo e a apoiaram.

"Não fomos os únicos socialistas que votamos a favor. Muitos alemães também o fizeram: os que temos responsabilidades de governo", salienta Barón, encarregado de fechar o voto. Barón se indigna diante da leitura que foi feita: "Houve muita demagogia: essa diretriz está longe de ser perfeita, mas abre caminho para impor limites em lugares onde não havia", explica. E acrescenta: "A diretriz melhora o marco atual, apesar de o contexto ser de maioria conservadora".

Barón é um exemplo dos que acreditam que o problema da esquerda é exatamente que evita os assuntos incômodos e, portanto deixa o caminho livre para a direita. "É preciso enfrentar a realidade", afirma. "Estamos em um momento de mudança e muita gente tem dificuldade de acesso aos serviços públicos. Bastiões da esquerda votam à direita. Quando não se enfrentam as situações, é mais fácil buscar bodes-expiatórios. Nosso objetivo é enfrentá-la para evitar os guetos, ajudar na integração e conseguir que haja uma política de imigração européia."

O pragmatismo diante da cerração ideológica como melhor receita para que a esquerda recupere o poder encontrou sua expressão mais contundente no dirigente francês Manuel Valls. Ele acaba de publicar um livro intitulado "Para Acabar com o Velho Socialismo e Ser Finalmente de Esquerda". Ele defende uma tábula rasa. Um objetivo e uma linguagem que lembram o big bang lançado em sua época por Michel Rocard e que acabou em nada.

O problema é que as fórmulas para o sucesso estão longe de ser científicas e muitas vezes são antagônicas. A de Caldera, por exemplo, alheio ao rumo apontado pelo governo do PSOE, é reforçar a identidade de esquerda: "Se a esquerda sai de seu trilho e vai para os valores conservadores, está perdida", salienta. Em alguns casos, sobretudo o dos movimentos sociais, a decadência da esquerda se explica inclusive como conseqüência desse pragmatismo. "Os partidos chamados de esquerda aceitaram todos os preconceitos dos conservadores. Seu grande problema é que perderam credibilidade. Pedem o voto de esquerda, mas depois promovem políticas de direita em nome do pragmatismo", acusa Esther Vivas, ativista da Rede de Consumo Solidário e do Fórum Social, entre outros.

Os novos movimentos sociais nos quais Vivas milita demonstraram às vezes certa força, como nas marchas contra a guerra do Iraque, mas sua influência está longe de igualar a que tiveram os sindicatos, outra base da tradição da esquerda que se encontra em crise. Como é possível que a UE planeje um dos maiores ataques ao seu modelo social com a semana de trabalho de 60 horas - que às vezes poderia chegar a 78 - e os sindicatos ainda não tenham saído às ruas?

"Estamos muito preocupados com esse projeto de diretrizes, mas não é fácil mobilizar; antes é preciso se explicar muito bem", explica Catelene Passchier, secretária da Confederação Européia dos Sindicatos (CES). "A grande questão é: podemos parar a diretriz? Para isso é básico trabalhar com o Parlamento, o único que pode pará-la, e estamos fazendo isso. Somos otimistas", acrescenta. Em seu momento, quando a Eurocâmara voltar a debatê-lo, o CES também projeta manifestações. "Precisamos de tempo para prepará-las porque hoje é mais difícil organizá-las, mas serão um sucesso", conclui.

O mundo mudou e seus novos contornos ainda são difusos demais, mas para alguns acadêmicos a crise não é só da esquerda. É o que crê Rodney Barrer, professor da London School of Economics: "A esquerda está em crise pela mesma razão que a direita está em crise: durante a maior parte do século 20 havia um mapa ideológico claro, com posições ideológicas coerentes esquerda-direita. Se em 1950 eu lhe dissesse que era a favor de nacionalizar indústrias você saberia o que eu pensava sobre armamento nuclear ou as relações Igreja-Estado. E se lhe dissesse que era a favor de mais disciplina na família, saberia o que pensava sobre o imposto de transmissões patrimoniais ou os sindicatos. Hoje não há mais posições ideológicas claras, e os partidos as procuram continuamente. Muitas vezes só no nível da imagem".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Texto do El País, publicado no UOL.


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quinta-feira, setembro 27, 2007

Juremir Machado da Silva: Falsas Verdades e Verdades Falsas

FALSAS VERDADES E VERDADES FALSAS


Há um campeonato brasileiro da hipocrisia. Esquerda e direita brigam para saber quem mente mais. Por enquanto, está dando empate. Algo em torno de 105 a 105. Cada vez que alguém anuncia o fim do binômio esquerda/direita, algo que acontece diariamente por toda parte, não há dúvida: trata-se de um representante da direita bancando o imparcial, o neutro e o homem acima dos próprios interesses. O mesmo acontece quando se repete o clichê a respeito do fim das ideologias. A idéia de que não há mais esquerda e direita é simplesmente uma idéia de direita transformada em verdade pela força da repetição e do vazio. Não custa repetir. No combate entre Lulla e os seus opositores a dissimulação é a principal arma. É um jogo curioso e praticado com certo esmero. Todos os lances devem ser calculados com muita antecedência. É lugar-comum contra lugar-comum. Sempre.

A direita ataca o governo Lulla por causa da corrupção. O fundo é verdadeiro. Mas é o que menos interessa. Na verdade, não passa de um pretexto para fustigar Lulla por ele estar ocupando um lugar tradicionalmente reservado às elites. Onde já se viu um operário grosseirão virar presidente da República? Essa quebra da 'ordem natural das coisas' ainda não foi engolida. Nem será. Se a corrupção não existisse, seria preciso inventá-la para se ter bons argumentos contra o usurpador. Talvez por isso José Dirceu e os outros venham a ser recompensados pelos bons serviços prestados aos donos do capital. Sem eles, daria mais trabalho minar as bases do governo. Lulla adotou o modelo econômico de FHC e acrescentou uma boa dose de assistencialismo. É tudo. A direita poderia simplesmente adotá-lo. Não perderia um centavo nem corria qualquer risco. Por que fazer isso se a própria direita pode recuperar o poder e andar sozinha?

Por outro lado, sempre que atacado, o governo usa os mesmos expedientes: a chantagem emocional e o vitimismo. Tudo é conspiração da direita contra o pobre do operário no poder. Tudo é preconceito contra um homem que se fez sozinho e rompeu o círculo sagrado do poder controlado por elites selvagens. Tudo é ressentimento das classes médias e altas com suas manias de estudo formal, doutorados, uso correto da língua e outras manifestações burguesas e obsoletas. A direita ridiculariza a obsessão da esquerda por teorias conspirativas, mas não se cansa de conspirar. A esquerda cobra imparcialidade, mas nunca a pratica. Todos sabem que há uma parte de verdade em cada argumento utilizado conforme as conveniências. A totalidade, no entanto, é falsa. Há, de fato, preconceito contra o operário no poder, mas a corrupção nada tem de fictícia. Lulla está fazendo um bom governo. Nada, porém, que não represente uma linha de continuidade em relação à era FHC.

Além da mentira, da dissimulação e dos clichês, direita e esquerda têm em comum o golpismo. Os petistas não suportam críticas e sonham com uma imprensa dócil. A direita não tem paciência para esperar as eleições e estimula a mídia a ser raivosa. Nesse espetáculo sem intervalo, feito de capítulos sempre mais sensacionalistas, a esquerda utiliza com mais freqüência o método da intimidação. A direita prefere lançar mão da influência por baixo dos panos. O objetivo é um só: silenciar a crítica. É uma guerra econômica. Não se gasta tempo com originalidade.

Este texto foi publicado no Correio do Povo (para assinantes) de 23 de setembro de 2007.

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quinta-feira, julho 12, 2007

História

Resumindo: a direita brasileira tem horror à história e ao passado, pois só teria crimes a comemorar. Dado tal quadro psicológico e moral, tem baixa auto-estima, e horror pelas coisas do país, pois as mesmas lembram seus próprios crimes. Daí forma-se um círculo vicioso: comete crimes contra os compatriotas, esquece-os, horroriza-se com o estado dos compatriotas, comete mais crimes contra esse povo que "não tem jeito", esquece-os, horroriza-se etc.

Eu vi isto algum tempo atrás no Animot.

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terça-feira, abril 17, 2007

Pensamento Arejado - 2

A propaganda do XX Fórum da Liberdade fala em algo como "há 20 anos pensando em como melhorar o Brasil". Faltou esclarecer melhorar para quem.

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Pensamento Arejado

"A sigla MST mais parece a abreviatura de miséria, sangue e terrorismo. Movimentos como este não podem ser tolerados e muito menos ajudados pelos governos. Do contrário seria fomentar a desordem".

Paulo Uebel, presidente do IEE - Instituto de Estudos Empresariais, no XX Fórum da Liberdade, segundo matéria do Correio do Povo desta terça-feira, 17 de abril.

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sexta-feira, abril 13, 2007

Direita e Esquerda

Definições conforme diz o Pedro Dória, no sítio No Mínimo. Na verdade, ele filtra definições do jornalista Reinaldo Azevedo. Reinaldo Azevedo é inteligente, mas faz algum tempo, ele está quase insuportavelmente direitista, e virou viúva do anti-comunismo.
As definições do Reinaldo, divulgadas pelo Pedro são interessantes, conforme diz o Pedro, rende assunto.

Referência: http://pedrodoria.nominimo.com.br/?p=1503

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