terça-feira, maio 11, 2010

Na fronteira entre Guatemala e México, imigrantes enfrentam a primeira etapa da busca pelo sonho americano

As águas do rio Suchiate, na fronteira da Guatemala com o México, registram um intenso vai e vem de balsas logo no amanhecer. As embarcações, feitas com pneus e largas tábuas de madeira, saem de Tecún Umán, do lado guatemalteco, em direção a Ciudad Hidalgo, no estado mexicano de Chiapas. Além de carregarem todo tipo de mercadorias, como verduras e frutas, trazem também dezenas de imigrantes em busca do sonho americano.

A odisséia envolve mais de 400 mil centro-americanos todos os anos, de acordo com o INM (Instituto Nacional de Imigração do México), sendo a maioria cidadãos de Honduras, El Salvador, Guatemala e Nicarágua - nessa ordem. Segundo a entidade governamental, somente 150 mil conseguem entrar ilegalmente nos EUA. Os outros recebem destinos distintos: ou são pegos pela polícia imigratória mexicana e enviados de volta a seus países, ou viram vítimas de sequestros, estupros e agressões ao longo dos três mil quilômetros de jornada.

“Os imigrantes saem de seus países por razões diferentes. Em Honduras, o golpe de Estado em junho de 2009 e a crise econômica e social provocaram uma imigração massiva. Desde o ano passado os hondurenhos estão em maior número”, explicou ao Opera Mundi Samuel Arredondo, chefe de comunicação social do INM.

“Os que vêm de El Salvador fogem da violência, agravada pela atuação das gangues, as ‘maras’, que matam muita gente e exigem o pagamento de taxas e impostos para o desenvolvimento de qualquer atividade econômica. Já na Guatemala a pobreza e a falta de trabalho são os fatores que motivam a imigração. Além disso, a criminalidade aumentou no país”, esclareceu Arredondo.

Fronteira: observatório do mundo
“Quando estávamos cruzando o Suchiate a polícia imigratória nos surpreendeu”, contou ao Opera Mundi Hernán, um jovem de 34 anos, abraçado à esposa Laura, de 24 anos. Os dois nasceram em El Salvador. “Obrigaram-nos a pular na água, num trecho muito profundo. Não sabemos nadar e a água entrou pelos nossos narizes. Creio que Deus nos salvou, porque já estávamos perdendo os sentidos. E graças a Deus, que nos acompanha, vamos chegar salvos aos EUA.”

Hernán e Laura descansavam na Casa do Imigrante de Tapachula, coordenada pelo padre Flor Maria Rigoni, da congregação dos missionários Scalabrinianos. Lá, centenas de imigrantes encontram refúgio por até três dias, antes de tentar novamente a travessia para os EUA. De Tapachula percorrem ainda 250 quilômetros até Arriaga, em Chiapas, de onde sai o “trem da morte”, com destino a Ixtepec, no estado mexicano de Oaxaca.

O padre cuida de imigrantes há 25 anos no México, com missões em Tijuana, Ciudad Juárez e Tapachula. “Passei a vida trabalhando com imigrantes, antes na África, depois na Alemanha dividida e desde 1985 no México. E tenho para mim, após essas experiências, que a fronteira é sempre o observatório do mundo. As fronteiras e os fluxos de imigração dizem muito sobre a nossa sociedade, sobre as consequências das decisões políticas, são o outro lado dos processos econômicos”. Para Rigoni, por meio das imigrações é possível medir “as mudanças, erros e dinâmicas humanas” de uma forma clara.

O fluxo imigratório mudou nos últimos anos no México, sobretudo a idade dos imigrantes, contou Rigoni. Há pouco tempo, a idade média media era de 29 anos e agora, é de 21, explicou. Outro dado importante é o aumento da imigração feminina. A porcentagem de mulheres que passa por Tapachula chega a ser 23% do total, e somente 7% delas alcançam a fronteira norte. Muitas são capturadas por grupos criminosos e obrigadas a se prostituir no México e em outros países.

“Hoje, mulheres e jovens imigram por causa do impacto da crise econômica em seus países”, justificou o padre, acrescentando que isso fez com que famílias inteiras tentassem a sorte na fronteira.

Economia da imigração
Há uma economia que se abastece da imigração. De policiais corruptos que, de acordo com os imigrantes, roubam dinheiro e exigem o pagamento de propina, a criminosos envolvidos com a prostituição, tráfico de órgão, sequestros e o comércio na fronteira.

“É um grande negócio”, afirmou Luis, hondurenho de Olancho. “Essa é a terceira vez que tento atravessar e me dei conta que somos tratados como carne. Nos machucam e tratam como bucha de canhão. Até quando morto um imigrante vale dinheiro, pois as funerárias se enfrentam entre si para enviar os cadáveres aos países de origem. Há ainda o cansaço, os perigos ao longo do caminho e a insegurança, para chegarmos aos EUA e vivermos como ilegais.”

“E tudo isso para quê?”, se perguntou Luis. “Para enviar dinheiro às nossas famílias, para que nossos filhos tenham dinheiro para viver, estudar. É preciso entender que enquanto existir tanta injustiça e pobreza, a imigração não acabará. Mesmo que ergam muros, nós vamos transpô-los. Que Deus nos ajude a superar esse caminho”.

Este texto é originário do Operamundi.

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terça-feira, julho 21, 2009

A direita latina contra-ataca ante a hesitação de Obama

A direita latina contra-ataca ante a hesitação de Obama

"Distração" dos Estados Unidos permite que a situação golpista em Honduras se cristalize e incentiva setores conservadores em outros países da América Central

IMMANUEL WALLERSTEIN

O GOVERNO de George W. Bush foi o momento da maior onda de vitórias dos partidos à esquerda do centro na América Latina, em mais de dois séculos. O governo de Barack Obama corre o risco de ser o momento da vingança da direita na região.
O motivo pode ser o mesmo: a combinação entre o declínio do poderio americano e a posição central que os EUA ainda mantêm na política mundial. Os EUA são incapazes de se impor, mas ainda assim são vistos como aliados necessários por quase todo o mundo.
O que aconteceu em Honduras? O país vem sendo há muito tempo um dos mais seguros pilares das oligarquias latino-americanas -uma classe dominante arrogante e insubmissa, com estreitas conexões com os EUA, em um país que abriga uma grande base militar americana. As Forças Armadas do país são cuidadosamente recrutadas de maneira a evitar qualquer contágio por oficiais com simpatias populistas.
Como oriundo da classe dominante, a expectativa era a de que Zelaya continuasse a jogar o jogo como os presidentes hondurenhos sempre jogaram. Mas, em vez disso, sua posição política começou a ganhar tons esquerdistas. Zelaya empreendeu programas internos que, na verdade, faziam alguma coisa pela vasta maioria da população -construção de escolas em regiões rurais remotas, aumento no salário mínimo, criação de clínicas de saúde. Após dois anos, aderiu à Alba, a organização de cooperação internacional fundada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.
Depois, ele propôs realizar um plebiscito sobre a opinião da população quanto à possível convocação de uma Assembleia Constituinte. A oligarquia berrou que isso era uma tentativa de mudar a Constituição para que Zelaya pudesse disputar um segundo mandato. Mas, como o plebiscito seria realizado na mesma data em que a eleição de seu sucessor, a alegação era claramente falsa.
Por que, então, o Exército conduziu um golpe de Estado, com apoio da Corte Suprema, do Legislativo e da Igreja Católica? Dois fatores foram decisivos: a opinião desses grupos sobre Zelaya e sua opinião sobre os EUA. Para a oligarquia hondurenha, Zelaya traiu sua classe e por isso merece ser punido, para servir como exemplo.
E quanto aos EUA? Quando o golpe aconteceu, alguns dos mais ruidosos comentaristas de esquerda da blogosfera o definiram como "golpe de Obama". Mas isso ignora a realidade. Nem Zelaya, nem seus partidários nas ruas, nem Chávez e nem Fidel Castro analisam a situação de maneira tão simplista. Todos eles percebem a diferença entre Obama e a direita americana (políticos ou comandantes militares) e expressaram repetidamente uma análise muito mais balanceada.
Parece bastante claro que a última coisa que o governo Obama desejava era um golpe como esse. O golpe, na verdade, foi uma tentativa de forçar Obama a uma atitude. E essa posição foi sem dúvida encorajada por importantes figuras da direita americana, entre as quais Otto Reich, o americano de origem cubana que assessorava Bush sobre a política regional. Foi algo parecido com a tentativa do presidente Mikhail Saakashvili, da Geórgia, de forçar uma ação dos EUA, ao invadir a Ossétia do Sul. Aquela também foi uma ação empreendida com a conivência da direita dos EUA. Mas não funcionou porque os soldados da Rússia impediram.
Obama está vacilando desde o golpe em Honduras. E por enquanto a direita hondurenha e dos EUA está contente por ter conseguido reverter a política americana. Bastam algumas de suas declarações mais absurdas como prova. O chanceler hondurenho apontado após o golpe, Enrique Ortez, afirmou que Obama era "um negrinho que não sabe nada de nada". O embaixador dos EUA protestou contra o insulto, e Ortez terminou transferido a outro posto.
A direita dos EUA é mais polida, mas não menos feroz. O senador republicano Jim DeMint, a deputada de origem cubana Ileana Ros-Lethinen e o advogado conservador Manuel Estrada vêm insistindo em que o golpe era justificado porque, na verdade, não foi um golpe, e sim uma defesa da Constituição hondurenha. E Jennifer Rubin, uma blogueira de direita, publicou um post intitulado "Obama está errado, errado, errado sobre Honduras".
A direita hondurenha está tentando ganhar tempo, até que se encerre o mandato de Zelaya. Caso consigam realizar esse objetivo, terão vencido. E as direitas guatemalteca, salvadorenha e nicaraguense estão assistindo a tudo, ansiosas por promover golpes contra os governos de seus países.
A esquerda chegou ao poder na América Latina devido ao momento econômico propício e à distração dos EUA. Agora, a distração continua, mas o momento econômico é pior. E a esquerda leva a culpa por estar no poder, ainda que na verdade haja pouco que os governos de esquerda possam fazer quanto à economia mundial.
Será que os EUA podem fazer algo mais com relação ao golpe? Bem, é evidente que sim. Primeiro, Obama poderia oficialmente classificar o golpe como golpe. Isso faria com que passasse a valer a lei americana que dispõe que toda a assistência dos EUA a Honduras seja suspensa. Ele poderia retirar o embaixador americano do país.
Poderia dizer que não há nada a negociar, em lugar de insistir em "mediação" entre o governo legítimo e os líderes do golpe.
Por que não faz tudo isso? É simples. Há pelo menos quatro outros itens de grande urgência em sua agenda: a confirmação de Sonia Sotomayor para a Suprema Corte; a confusão no Oriente Médio; sua necessidade de aprovar ainda neste ano seu pacote de saúde; e a pressão pela abertura de um inquérito sobre os atos ilegais do governo Bush. Lamento, mas Honduras ocupa o quinto lugar.
Assim, Obama vacila. E ninguém ficará satisfeito. Zelaya pode ser restituído ao seu posto, mas talvez só daqui a três meses. Tarde demais. Melhor ficar de olho na Guatemala.

IMMANUEL WALLERSTEIN, pesquisador sênior na Universidade Yale, é autor de "O Declínio do Poder Americano" (Contraponto). Este artigo foi distribuído pela Agence Global.

Texto publicado na Folha de São Paulo, de 16 de julho de 2009.

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terça-feira, maio 05, 2009

O esquecimento que destrói tudo

O esquecimento que destrói tudo

Sergio Ramírez
Cartagena das Índias (Colômbia)

Não há nada pior do que o esquecimento, diz o escritor Lyonel Trouillot enquanto admiramos o anoitecer que avança como uma leve névoa sobre Porto Príncipe, sentados no terraço do Ibo Lele, um hotel cujo glamour perdido é testemunhado por fotos das estrelas de Hollywood penduradas nas paredes do bar, rostos que não dizem mais nada nem ao cinéfilo mais fiel. O poeta Jorge Castera nos acompanha à mesa, e os dois sofrem, com humor, as feridas abertas do seu país. Rir das feridas abertas é uma forma de não esquecer.

O esquecimento. Entre os jovens, ninguém mais lembra quem foi Francoise "Papa Doc" Duvalier, o médico rural que se proclamou presidente vitalício do Haiti e passou o trono ao seu filho, um adolescente de 136 kg de peso, "Baby Doc" Duvalier, ambos frios assassinos que mataram milhares de pessoas em nome do seu santo poder, mantido graças aos seus capangas, os Tonton Macutes (Bicho Papão), que também caíram no esquecimento.

Eu comento com eles que na Nicarágua, os jovens também não sabem que existiu a dinastia Somoza e que durou meio século, mas, além disso, as pesquisas mostram que uma porcentagem alta dos maiores de 40 anos sente saudades do último Somoza e pensa que ele foi um grande presidente, enquanto muitos jovens nem imaginam que para derrubar a Somoza foi necessário uma revolução.

A risada de Trouillot brilha como o fio de uma alegre faca. O próprio Papa Doc escreveu um "Catecismo da Revolução" com orações que deveriam ser feitas a ele e a sua esposa Simone. Para a sua esposa, uma Saudação Angelical, como se ela fosse a Virgem Maria. Para ele, um Pai Nosso, e o declama: "Doutor nosso que está para sempre no Palácio Nacional, abençoado seja o seu nome pelas presentes e futuras gerações. Seja feita a sua vontade, tanto em Porto Príncipe como nas outras províncias. Dê-nos um novo Haiti, e não perdoe nunca a ofensas antipatrióticas que a cada dia proferem contra a nossa pátria. Deixe-os cair em tentação sob o peso das suas babas venenosas, e não os libere de mal nenhum, amém".

O que me chama a atenção, digo, é que Duvalier acreditasse estar promovendo uma revolução. Uma revolução negra, diz Castera, a sustentação filosófica dele sempre foi a raça. A supremacia negra, como ao longo da história do Haiti, desde a independência. A filosofia transformada em crime, e as crenças religiosas manipuladas à sua vontade.

Papa Doc acreditava, ou queria que acreditassem, que ele era a encarnação do espírito do Baron Samedi, o deus da morte no vodu, invisível e onipresente, que percorre os cemitérios à noite sempre vestido de rigoroso preto, como o próprio Papa Doc se vestia, para celebrar rituais noturnos com os cadáveres dos seus inimigos.

Um militar que tinha sido seu aliado rebelou-se contra ele. Quando foi preso, teve a sua cabeça decepada e enviada ao Palácio Nacional conservada em gelo. Papa Doc a colocou sobre a sua mesa de trabalho e fazia perguntas ao além sobre o destino do seu governo. Para neutralizar as suas relações com os espíritos, os inimigos do governo desenterraram o cadáver do seu pai e o cobriram de excrementos.

Eu conto aos meus companheiros sobre a cabeça de Pedrón Altamirano, um assessor de Sandino, assassinado por ordem do velho Somoza. A sua cabeça foi levada a Manágua dentro de um saco de cal viva para ser exposta no quartel do Campo de Marte por vários dias, quando já cheirava mal. Eu relatei esse fato no meu romance ¿Te dio miedo la sangre? (Sentiu medo do sangue?)

Jean Bertrand Aristide, o sacerdote salesiano duas vezes presidente e duas vezes derrubado, não caiu no esquecimento e, exilado na África do Sul, surge nas conversas como um fantasma inquieto. Pergunto sobre Aristide. A noite chegou e se enche com o canto dos coquís, pequenos sapinhos que cantam na escuridão.

"O autoritarismo, a concentração do poder em um único homem que acaba por acreditar que está predestinado foi um mal constante no Haiti desde a independência", diz Trouillot. "Há frases retiradas dos discursos de Duvalier e de Aristide que são idênticas. Ambos têm a mesma origem, vieram da pobreza, do desamparo, mas as suas respostas foram messiânicas e erradas". A única coisa que eu posso responder é que se colocamos um espelho na frente do rosto do Haiti, o reflexo me devolve a imagem da Nicarágua.

Atrás de cada líder que surge na história estão os espíritos para erguê-lo ou derrotá-lo. No dia 11 de setembro de 1988, o padre Aristide rezava uma missa na humilde igreja de San Juan Bosco quando os Tonton Macutes entraram à sua procura e mataram dezenas de fiéis, mas ele conseguiu fugir. A mão divina já estava sobre a sua cabeça protegendo-o, e depois o perdeu.

O branco edifício do Palácio Nacional, coroado por três cúpulas e que parece iluminado por um brilho sobrenatural, exerce um encantamento imperioso sobre aqueles que passam pelas suas portas como presidentes. Eles se sentem indefesos, e tecem mecanismos de poder que os leva ao fracasso; assim, o padre Aristide inventou as milícias, chamadas de As Quimeras, para que o defendessem. Mas esses grupos de jovens armados acabaram matando pelas ruas os inimigos da sua revolução.

Os espíritos dos cemitérios vodu são os únicos que têm boa memória e não se esquecem de repetir a história com a sua mão implacável.

Texto publicado no Terra Magazine.

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quinta-feira, março 26, 2009

El Salvador é "centro nervoso" da história regional da América Central

País é "centro nervoso" da história regional

NEWTON CARLOS
ESPECIAL PARA A FOLHA

El Salvador tem sido o "centro nervoso" da América Central desde o século 19. É o menor dos cinco países, mas o mais densamente povoado, com o aproveitamento de toda a área cultivável. O controle da economia por poucas famílias acabou colocando El Salvador sob manta revolucionária. A violência se agravou nos anos 80, com a política de Ronald Reagan de "contenção do comunismo" e a fusão dessa política com interesses oligárquicos.
O que El Salvador representou em tramas sangrentas está no documentário "O Embaixador", de um cineasta norueguês, e nas conclusões da Comissão Verdade formada a partir do acordo de paz negociado pela ONU entre a guerrilheira FMLN e o governo, em 1992.
"O Embaixador" retrata John Negroponte, nomeado em 1981 embaixador em Honduras com a tarefa de organizar "operações paramilitares" contra o governo sandinista da Nicarágua, o que envolveu El Salvador. Antes, Negroponte esteve no Vietnã. Com George W. Bush, foi diretor nacional de Inteligência. O seu trabalho na América Central não se limitou a aumentar a ajuda militar a aliados. Foram também intensificadas as caçadas a subversivos, sinônimo de tortura e matanças.
Negroponte transformou a dupla El Salvador e Honduras em retaguarda dos "contras", mercenários recrutados pela CIA com a missão de derrubar os sandinistas.
Uma referência foi o batalhão 316, unidade secreta abençoada pelo Pentágono e a CIA. Seu criador, o general hondurenho Discua Elvir Luis Alonso, foi colega de turma do major salvadorenho Roberto D'Aubuisson na Escola das Américas, do Comando Sul dos EUA.
O Pentágono falava em treinamento em operações de contrainsurgência e entidades de defesa dos direitos humanos denunciavam o ensino de tortura. D'Aubuisson, já morto, foi o chefe de esquadrões da morte em El Salvador e criador da Aliança Republicana Nacionalista.
Um fato emblemático dessa época é o massacre de camponeses em El Mozote, El Salvador. Em 2005, a OEA (Organização dos Estados Americanos) ensaiou ir mais fundo em investigações que dariam, era a convicção, na constatação de que mulheres e crianças foram assassinadas "por soldados de um batalhão treinado e equipado pelos EUA".
"New York Times" e "Washington Post" publicaram informações a respeito. Negroponte desmentiu.

Texto publicado na Folha de São Paulo, de 16 de março de 2009. Os destaques são do blogueiro.


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