14 de julho - Dia da Queda da Batilha

E os Rafale sobrevoando Paris no Dia Nacional da França, na foto de Boris Horvat, para a AFP. O álbum completo das comemorações francesas no UOL.
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Porque política é um assunto muito chato mas é fundamental. Início: 06/04/2006.

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Por protestar contra a tortura na Argélia, o general Jacques Pâris de Bollardière pede, em 28 de março de 1957, para ser substituído em seu comando. Um pouco mais tarde o secretário-geral da Polícia na Argélia, Paul Teitgen, faz o mesmo, chocado com a utilização da tortura pelos pára-quedistas do general e pelos numerosos ‘desaparecimentos’ constatados.
A Argélia, à época um departamento francês, estava às voltas com uma sublevação armada conduzida por organizações independentistas. Para o governo francês, a guerra “era apenas uma operação para a manutenção da ordem”. Após a humilhante derrota na Indochina em 1954 diante das forças de Ho Chi Minh e Nguyen van Giap, estava fora de questão para o exército francês ser novamente derrotado.
A Argélia, com uma população razoavelmente alentada, ao contrário do restante do império colonial francês, apresentava-se como um problema bem mais espinhoso que uma clássica guerra de descolonização. A violência do conflito que só terminaria em 1962, encontrou ali raízes profundas. Massacres e torturas, dos dois lados, de uma guerra cujo nome os contendores buscavam evitar, iriam marcar a memória das duas costas do Mediterrâneo.
Por volta de 1957, a máxima autoridade militar na Argélia, o célebre general Jacques Massú autorizou o assassinato do dirigente da Frente de Libertação Nacional, Larbi Ben M'Hidi. O líder rebelde argelino havia sido capturado e sua eliminação física foi largamente discutida no alto comando. Massú chegou à conclusão que um processo judicial contra Ben M'Hidi não era desejável, pois implicaria repercussões internacionais. Isolaram o prisioneiro numa cela e com o apoio de alguns carcereiros o enforcaram de maneira a parecer que havia se suicidado.
Denúncia de Bollardière
Como os “procedimentos” de tortura e desaparecimentos prosseguissem, Bollardière escreve em 1957, uma carta ao diretor da revista L’Express, Jean-Jacques Servan-Schreiber. Na altura, Servan-Schreiber estava sendo acusado pela alta oficialidade de golpear a moral das tropas francesas na Argélia depois de ter publicado uma série de artigos em que denunciava abertamente a atitude do governo sobre a questão.
A carta de Bollardière é publicada desata um vespeiro, mas o governo acorre para abafá-la, até que Pierre Vidal-Naquet decide romper o silêncio com um livro histórico que relata cruamente os métodos de Massú e o sistema de tortura. A publicação, imediatamente proibida, só viria à luz uma década depois.
Contexto
A discussão da entrada da tortura nos quartéis do exército francês começou depois do início da ofensiva de Massú. O general Bollardière, tenente na Legião Estrangeira, maquisard nas Ardenas, páraquedista na Indochina e comandante na região dos montes Atlas na Argélia, resolveu enfrentá-lo. Bollardière o acusou de perseguir uma vitória que levaria “a mais desesperadora das derrotas, aquela do homem que renuncia a sua humanidade”. Deixou o gabinete de Massú dizendo “eu desprezo tuas ações”. Renunciou ao comando, voltou a Paris e prosseguiu nos ataques.
A hierarquia sinalizou solidariedade a Massú, aceitou a demissão de Bollardière e respaldou Massú quando condenou seu rival a dois meses de prisão numa fortaleza.
Em maio de 1958, as tropas francesas na Argélia davam um golpe de Estado e depuseram a administração civil da colônia. Duas semanas depois, Charles de Gaulle retornava à chefia do Estado e do governo. Era o fim da IV República. Levado de volta ao poder na ponta das baionetas, surpreende ao pronunciar a palavra maldita para os militares: autodeterminação. A isto, Massú respondeu: “Nossa maior decepção foi verificar que o general De Gaulle se tornou um homem de esquerda.”
De Gaulle achava que era preciso restabelecer incontinente a hierarquia e a disciplina. A batalha de Argel havia sido ganha. Mas a guerra que fazia sangrar a unidade interna e o prestígio internacional da França estava perdida.
*Com informações de letralibres.com e de Elio Gaspari em As Ilusões Armadas
Texto originário do Operamundi.
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Suspeita nuclear
A SUSPEITA DE que a França passaria em segredo a tecnologia nuclear para um submarino brasileiro, tal como fez para Israel produzir bombas nucleares, emerge como a possibilidade de explicação racional para as estranhíssimas circunstâncias e o custo gigantesco da transação com submarinos que o Brasil negocia na França.
A transferência de tecnologia nuclear fere acordos internacionais, inclusive compromissos com a ONU, tanto por parte de quem proporcione como de quem receba as informações tecno-científicas.
Nem por isso o então presidente De Gaulle deixou de surpreender-se ao descobrir que seu país instruíra os israelenses. Assim como o também presidente Kennedy, com informações de seus serviços secretos, foi ludibriado quando quis ver a central nuclear de Israel: montaram às pressas para mostrar-lhe, confiantes em seu desconhecimento específico, as aparências de uma central para uso civil -e, desde ali, Kennedy e seu governo passaram a defender Israel das acusações de nuclearização transgressora. Estes fatos estão documentados, embora também mantidos em quase segredo pela historiografia e pelo jornalismo.
O Paquistão e a Índia são dois outros exemplos de nuclearização transgressora, o primeiro por intermédio dos Estados Unidos; a outra, da União Soviética depois Rússia.
O acordo básico assinado pelos presidentes Lula e Sarkozy é explícito na afirmação de que os fornecimentos pelos franceses não envolverão transferência de conhecimentos nucleares. Mas há muito está comprovada a insuficiência de tal garantia.
O alarme inicial com o acordo não decorreu, porém, de suspeita nessa linha. Começou com a data de sua assinatura: 23 de dezembro de 2008. Claro que com o mínimo de repercussão e curiosidade, a data foi vista como propósito de manter despercebido um acordo de fins militares neste país que proclama o pacifismo absoluto. Com a nova suspeita, a data passa a ser vista como mais condicionada pela distração natalina exterior.
O acordo, cuja assinatura final está planejada para 7 de setembro, incluirá quatro submarinos da classe Scorpène, ao preço de 1 bilhão de euros cada um. Ou uns R$ 2,7 bilhões cada um no câmbio atual, mas, por certo, bem mais quando o câmbio for reposto em níveis racionais e não especulativos. São submarinos pequenos e simples, de 1,5 tonelada, desprezados para compra em toda a Europa e não usados nem pela própria França.
Essas características conduzem a um aspecto importante da transação. O Scorpène foi descartado pelo alto comando da Marinha, nos estudos concluídos há dois anos, para ampliação da frota brasileira de submersíveis. A escolha recaiu na conveniência, por técnica militar e de engenharia, de acrescentar submarinos da mesma linhagem dos quatro já existentes, construídos no Brasil, consideradas apenas as modificações por inovação. A escolha previu, como conviria ao Brasil, menos da metade do custo, por unidade, previsto no acordo com a França.
O pacote inclui ainda um casco de submarino nuclear -só o casco, com nuclearização a ser criada pelo Brasil daqui a 10 a 20 anos- e a exigência de construção de uma base naval com novo estaleiro (o Arsenal de Marinha já tem) a serem construídos, obrigatoriamente, pela empreiteira Odebrecht e sem licitação. Um pacote de quase 7 bilhões de euros que, no câmbio atual, vão a cerca de R$ 20 bilhões, mas na recuperação do euro irão até não se sabe onde.
A Comissão de Defesa Nacional prevê para hoje a audiência antes marcada para dia 19. A figura central, ministro Nelson Jobim, recusa a ida "por compromissos". Embora a audiência e sua presença estivessem agendadas há um mês e, no dia 26, ele tenha marcada outra audiência na Câmara, mas a porta fechada e sobre as bases da Colômbia para os Estados Unidos, sem questões sobre submarinos. Nem o comandante da Marinha, designado para substituir Jobim hoje, comparecerá. Dispôs-se a falar sobre o submarino nuclear, mas não sobre os quatro convencionais e o restante do pacote francês. A explicação é que não se trata de assunto militar, mas político. O comandante da Marinha integrou o alto comandou que elegeu, para a Armada, submarinos diferentes dos negociados por Nelson Jobim e Lula.
A exigência de base e estaleiros novos, feitos sem licitação por empreiteira de tradições conhecidas, e o preço multiplicado das unidades navais alimentam a suspeita com a possibilidade de divisão, entre os diferentes equipamentos e serviços, de sobrepreço que remunerasse um fornecimento não declarado. E não declarável.
Texto de Jânio de Freitas, na Folha de São Paulo, de 18 de agosto de 2009.
Vale muito por esta memorialística histórica...
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Trabalhadores demitidos na França ameaçam explodir fábrica de peças
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Cerca de 360 trabalhadores demitidos da fabricante de autopeças New Fabris, em Chatellerault, na França, fechada em junho, ocuparam ontem a empresa e ameaçaram explodir o local. Eles exigem das montadoras Renault e PSA Peugeot Citroën, principais clientes da New Fabris, indenização de 30 mil euros (US$ 42 mil) para cada um pela demissão.
O delegado da CGT (Confederação Geral do Trabalho), Guy Eyermann, disse à emissora France Info que botijões de gás ligados entre si serão explodidos se não houver acordo até o próximo dia 31.
Segundo os trabalhadores, cilindros ligados com um cordão inflamável foram instalados há cerca de dez dias na parte externa da fábrica.
"Se Renault e PSA se recusarem a nos dar a indenização, isso poderá explodir", disse Eyermann.
Os trabalhadores foram demitidos após a liquidação judicial da empresa, que esteve sob o controle do grupo italiano Zen por seis meses. No próximo dia 20, eles devem reunir-se com o ministro da Indústria do país.
Ainda ontem, porém, o risco foi descartado pela assessora do governo local de Chatellerault (305 km a sudoeste de Paris), Anne Frackowiak. Ela afirmou que o diretor da fábrica havia confirmado que os botijões estavam vazios.
As montadoras Renault e PSA Peugeot Citroën disseram que não cabe a elas o pagamento de eventual indenização, e sim aos acionistas e à administração judicial.
O episódio em Chatellerault segue uma série de atos de violência deflagrados na França desde o agravamento da crise global. Neste ano, executivos de empresas como Sony, Caterpillar e Molex foram feitos reféns na França por trabalhadores demitidos em razão da crise.
Com agências internacionais
Notícia da Folha de São Paulo, de 14 de julho de 2009.
E dizem que o pessoal do MST aqui no Brasil é radical...
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Jobim sinaliza vantagem da França em disputa por caças
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS
O ministro da Defesa, Nelson Jobim disse ontem, em Paris, que o critério da transferência de tecnologia será fundamental para decidir o país que vai vencer a concorrência para a aquisição pelo Brasil de 36 caças do projeto FX-2. Jobim deu a entender que, por este aspecto, a França teria uma posição privilegiada nas discussões.
"Há uma disposição política do governo francês para a transferência de tecnologia. É uma decisão política tanto do presidente Nicolas Sarkozy quanto do presidente Lula. Existe disposição total dos franceses em caminhar nesse sentido", disse em entrevista na residência do embaixador do Brasil na França, José Maurício Bustani.
Segundo Jobim, a disposição da França em compartilhar tecnologia foi decisiva para a assinatura dos contratos de compra de quatro submarinos do tipo Scorpène, um de propulsão nuclear e 51 helicópteros militares que serão fabricados no Brasil.
O ministro está em Paris para discutir com autoridades francesas a parceria estratégica entre Brasil e França na área de defesa, firmada no ano passado durante visita de Sarkozy ao Brasil.
Jobim também vai conhecer a linha de montagem do Rafale e voar em um modelo do caça francês, construído pela empresa Dassault, que está na disputa do projeto FX-2. Suécia e EUA também estão na concorrência.
Segundo Jobim, a decisão final deve ser divulgada em agosto ou setembro, após análise do laudo que está sendo concluído pela FAB (Força Aérea Brasileira).
Sobre uma possível vantagem do candidato francês, ele disse não ter nenhum "a priori" sobre o assunto, mas concluiu dizendo que "o único país do mundo que tem tecnologia própria para avião, para submarinos de propulsão nuclear e com capacidade de transmissão é a França". (ANA CAROLINA DANI)
Notícia da Folha de São Paulo, de 14 de julho de 2009.
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A empreitada das armas
OS INDÍCIOS DE manobras do Ministério da Defesa para forçar determinada escolha dos novos caças da FAB estão acompanhados, agora, da revelação de que o ministro Nelson Jobim, na França, inicia a compra de quatro submarinos e um casco por preço dez vezes maior do que outra oferta, de submarinos mais qualificados. E cujo pacote, como negócio e tecnologia, é mais adequado à Marinha brasileira.
A revelação de José Meirelles Passos, repórter consagrado por muitos anos de excelente trabalho para o "Globo" nos Estados Unidos, inclui duas exigências da vendedora francesa mas tipicamente brasileiras: a construção de uma base naval para os submarinos superados, não reivindicada pela Marinha, e a entrega da obra à empreiteira Norberto Odebrecht. Já se sabe, portanto, quem induziu o negócio escorchante no Brasil e, conhecidos os processos das empreiteiras, como foi conquistado.
Também fica compreendida uma providência: a licitação pública foi relegada.
Os submarinos da classe francesa Skorpène foram comprados por apenas dois países: Chile e Malásia, que explicam as três únicas unidades dadas como ativas no mundo. Nem a própria França os utiliza. Em contrapartida, a Marinha brasileira, com quadros técnicos formados na Alemanha, já comprovou sua capacitação tecnológica na construção de quatro submarinos com projeto alemão (são os atuais Tamoio, Tapajó, Timbira e Tikuna), mais atualizados do que o Skorpène.
Assim como na FAB há reservas à compra do caça francês Rafale, na Marinha há reservas ao amplo negócio em torno dos também franceses Skorpène. Os negócios foram articulados por Nelson Jobim e Mangabeira Unger, que para isso chegaram a viajar juntos.
Trecho da coluna de Jânio de Freitas, na Folha de São Paulo, de 14 de julho de 2009.
Comentário: o rearmamento de nossas forças armadas está dando o que falar. De fato, parece que já tínhamos encaminhado a produção de submarinos para a Marinha com tecnologia alemã. Agora temos esta notícia dos submarinos franceses.
Com relação aos novos aviões militares, havia quem dissesse que para um país com extensão continental como o Brasil, bons mesmo seriam os aviões Sukhoi russos, mas parece que o que vem mesmo são os Rafale franceses.
Vai ver que são os antigos laços de amizade entre o Brasil e a França, afinal na primeira metade do século XX recebemos uma missão militar francesa para colaborar na formação de nossos oficiais, e na década de 1970 o Brasil comprou diversos aviões Mirage.
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DA REDAÇÃO
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Sophie Delcenserie, advogada e professora universitária de 35 anos, está acostumada a votar nos ecologistas no primeiro turno, mas, no domingo 22, optou pela candidata socialista. Com 25,83% dos votos, Ségolène Royal, de 53 anos, disputará a Presidência no segundo turno, dia 6, contra o líder da conservadora União por um Movimento Popular (UMP), Nicolas Sarkozy, de 52 anos. Sarko, como é conhecido, obteve 31,11% dos votos. Uma recente pesquisa da TNS-Sofres prevê 51% dos votos para ele, no segundo turno, e 49% para Ségo.
“Foi um voto útil”, observa Sophie. “Em 2002, ao votar em partidos menores, no primeiro turno, acabamos deixando Jean-Marie Le Pen (o candidato da extrema-direita) passar ao segundo turno.” Ela toma mais um gole de café num bar do Cinquième Arrondissement, bairro central de Paris que abriga a Sorbonne e é habitado por uma classe média alta, intelectuais, professores universitários e alunos.
(...)
Sentada em um bar em Montparnasse, Katia A., mãe solteira de 33 anos, diz que ainda não escolheu. “Estou desiludida. A França que vemos na superfície é o paraíso, mas o dia-a-dia é um inferno”, diz. Formada em filosofia, Katia está desempregada e recebe auxílio social do governo chamado de RMI (Revenue Minimum d’Insertion), de 500 euros mensais, mais 100 euros para cada uma das duas filhas. O apartamento de 30 metros quadrados é pago pelo governo. “O certo seria acabar com todas as ajudas e incentivar o trabalho, dar um pouco mais de flexibilidade à economia num contexto onde o Estado fornece educação e saúde gratuitas, como agora”, pondera. “Mas não acho emprego, e se eu fizer pesquisa ganharei uma ninharia.”
De fato, a França vai de mal a pior. Tem o crescimento mais lento da Europa, de 2%. O nível de desemprego é de 9%, e o de jovens de menos de 25 anos atinge 22%. Katia diz que talvez vote em Sarkozy. “Não gosto da pessoa, sei que ele não vai fazer nada, mas ao menos espero que ele crie um movimento, provavelmente negativo. Os filhos e netos de imigrantes que ele chamou de ‘escória’ em 2005 durante as manifestações nos subúrbios que varreram a França vão começar uma guerra civil. Infelizmente, é somente quando se destrói algo que se pode reconstruir”, reflete a desempregada. Sophie, a advogada, concorda: “Com Sarko teremos uma guerra civil. Eu jamais votaria nele”.
Os dois parágrafos acima são parte do texto que Gianni Carta escreveu na revista CartaCapital, da semana passada, edição nº 442. São algo mais sobre as eleições francesas, cujo segundo turno ocorreu neste domingo.
O texto original está aberto no sítio da revista CartaCapital.