segunda-feira, maio 18, 2009

A oposição está se lixando

A oposição está se lixando

AQUELE DEPUTADO federal ferrabrás e agreste que disse estar "se lixando para a opinião pública", um dos "autênticos" do PTB, tornou-se uma entidade (ele disse se "lixar" ao justificar sua intenção de absolver o deputado "dono do castelo"). Títulos de notícias referem-se ao parlamentar petebista como o "deputado que se lixa".
Trata-se de um homem que saiu da sua vida obscura para entrar na história como uma oração adjetiva deplorável. Além de indizível, tornou-se inominável. Mas, além da gramática: um "parlamentar que se lixa" é um adjetivo ou um substantivo? Pois parece que "se lixar" é da essência do parlamentar brasileiro.
O líder do governo no Senado, o já bastante notório Romero Jucá, do PMDB "autêntico" de Roraima, por exemplo, quer usar um projeto de emenda à Constituição como instrumento de "vendetta" de sua parentela. O governo, num acesso esquisito de seriedade, fez uma limpa na boquinha de cargos da Infraero, demitindo vários parentes de parlamentares da direção da empresa, entre eles o irmão de Jucá. Como vingança, o senador Jucá quer emendar a Constituição a fim de reservar o cargo de ministro da Defesa para militares. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, cuida da Infraero. Jobim não é militar. Jucá, por sua vez e portanto, é um "senador que se lixa" para a opinião pública.
Seria apenas outro caso anedótico? Bem, o PMDB quase todo está em "pé de guerra" e se pintou de lama para lutar pela boquinha, chantageando o governo, seu aliado -eles se merecem. Seria apenas o PMDB, em plena demonstração de autenticidade? Considerem a atitude do "alto clero" da oposição (DEM, PSDB e PPS) no caso da poupança.
É tão fácil bater no governo. Motivo sério não falta. Inclusive no caso da poupança. Mas os líderes da oposição se aferraram à picuinha mais populista, terrorista e mentirosa para atacar a tributação das cadernetas ("confisco" etc.). Reclamam ainda que o governo não "mexeu com os bancos" (só com os "poupadores"). Ótimo: ficaram então com a oportunidade de criar uma CPI das taxas bancárias. Esses líderes e partidos tão financiados pela banca (assim como os do governo) vão investigar, digamos, a existência de um oligopólio maléfico nas finanças?
Essa gente "se lixa". A oposição critica a gastança do governo e aprova aumentos de gastos propostos por Lula; aprovou a enésima anistia para sonegadores de impostos. Mas reclama que Lula não quer ver dinheiro saindo de fundos (que financiam a dívida pública) porque o governo gasta demais. Reclama (agora) dos juros altos, mas quer manter juros tabelados (o da poupança).
Para falar de coisa mais séria, essa gente nunca se deu ao trabalho de reformar a caquética lei financeira, de quase meio século de idade. Essa gente não discute a rolagem da dívida pública e seus instrumentos, também caquéticos, da era da inflação. Fundos públicos são utilizados à larga em fusões de megaempresas, via BNDES, mas o Congresso não dá um pio sobre tais negócios. Aliás, nem se move para rediscutir os fundos oriundos de poupança forçada (FGTS, FAT), que datam alguns da ditadura e que rendem pouco para o trabalhador. Não se mexem, apenas se lixam para a opinião pública.

Texto de Vinicius Torres Freire, na Folha de São Paulo, de 15 de maio de 2009.


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domingo, março 09, 2008

Das Crônicas do Heuser: O Pastel do Mezenga

O pastel do Mezenga

Por Paulo Heuser

Dia desses, eu resolvi tomar o café da manhã fora. A única coisa que não faz parte do meu café da manhã é o café. Gosto de bebidas mais saudáveis, como fanta, fruki, mirinda ou sukita, coisa que aqueles que preparam os cafés dos hotéis ainda não perceberam. Alguns chegam a me perguntar: café ou chá? – Fanta, lhes repondo. Assim, adentrei o Bar do Mezenga, nos baixos da Caldas Júnior, atrás do famoso pastel da casa e de uma fanta gelada.

O Mezenga vendeu o ponto, faz algum tempo, e partiu para um restaurante de comidas mais gaudérias. Deixou saudade. Arrisquei assim mesmo. O lugar ficou estranho, com aquelas máquinas de videopôquer. Como não sou afeito ao pôquer matinal, preferi assistir ao noticiário da manhã na TV. O antigo pastel também se foi com o Mezenga. O novo não escorre como aquele. Havia uma técnica especial para comê-lo. Quebrava-se a massa em uma das extremidades e entornava-se a gordura no cinzeiro. Pastel fresco é assim, escorre.

Deliciando-me com a fanta, não tanto com o novo pastel, observei que a mesa ao lado estava ocupada por pai e filho, este de uns sete anos de idade, mais ou menos quatro, para ser bem preciso. O olhar do menino estava grudado na tela da TV, enquanto mastigava seu ex-pastel do Mezenga. Ele provavelmente nunca saberia o que é um verdadeiro pastel – pensei. Meio ovo, azeitona inteira e a cozinheira invisível, eis o segredo. Enquanto as mandíbulas do menino encontravam-se ritmicamente, o locutor falava da possibilidade de cassação do vereador que aparecia na imagem: um homem postado com as mãos para cima, usando imenso crucifixo dourado, com longos cabelos e barba, túnica branca e uma coroa de espinhos sobre a cabeça, – Jesus! – gritou o menino.

Horrorizado, o pai apressou-se em explicar ao menino que aquele não era Jesus, era o Cururu, vereador de Pelotas, enquanto o locutor informava da possibilidade cassação do edil por quebra de decoro, já que este havia vestido uma túnica branca, manipulado objetos e proferido palavras cabalísticas. – Ele é padre, pai? Novamente o pai respondeu-lhe negativamente, enquanto lhe explicava que aquela era uma cerimônia de vodu.

Entre um gole e outro de fanta, entendi a confusão que tomou conta do menino que assistia àquele espetáculo ritualístico-legislativo. Alguém vestido daquele modo efetivamente se parece com a imagem de Jesus nas pinturas religiosas. Confundi-lo com um sacerdote cristão também não é difícil, desde que se acredite que o hábito faz o monge. Curiosamente, o refrão que Cururu usou na fracassada tentativa de eleger-se deputado federal, informava que, além de ter micose nos dedos dos pés, dor na coluna, bicho-de-pé e coceira na cabeça, já fora vendedor de pastéis, entre outras coisas. E o homem foi eleito vereador com 4.643 votos, o quinto mais votado em Pelotas, em 2004. Portanto, representou legitimamente 4.642 cidadãos, além dele próprio, ou 2,42 por cento da população de Pelotas.

Os ataques aos cultos legislativos do Cururu mostraram um lado por vezes oculto da discriminação. Os adeptos a outras crenças ficaram ofendidos com a performance do Cururu. Como reagiriam se a cerimônia fosse executada por um sacerdote pertencente às igrejas majoritárias? Um que vestisse túnica branca, manipulasse objetos e pronunciasse palavras ritualísticas?

Fim de fanta, fim do pastel. O menino ainda olhava para a tela da TV, com o olhar de quem nada entendia. Um dia, provavelmente lhe ensinarão sobre os sincretismos, religiosos e políticos. E ele nada entenderá, restando-lhe a fanta e a lembrança do pastel do Mezenga, do qual nunca chegou a provar. Assim é a democracia.

prheuser@gmail.com

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terça-feira, outubro 09, 2007

Relembrando o Dr. Záchia - 2

Comentei dias atrás, aqui neste blog, aproveitando o momento do PMDB ter chegado à prefeitura de Porto Alegre, por meio da mudança de partido do prefeito, o Dr.José Fogaça, que o PMDB estava agora na direção da prefeitura de Porto Alegre, e o Dr. Luis Fernando Záchia, era secretário da Casa Civil do governo do estado. E tempos antes disso, um diretor da EPTC, a empresa que cuida do trânsito no município de Porto Alegre, havia informado que a prefeitura iria instalar mais pardais (controladores de velocidade). A seguir eu repetia uma pergunta que já havia sido feita no blog RS Urgente, sobre "os pardais faturadores" e a "fúria arrecadatória" do PT.
Pois a Letícia Coelho tratou de me enviar uma transcrição da sessão da nossa Assembléia Legislativa, em que foi apresentado o relatório final de uma comissão especial de pardais e lombadas eletrônicas. Na discussão final do relatório fica clara a posição do deputado Luis Fernando Záchia, na busca de uma "solução técnica" para o que poderíamos chamar de questão dos pardais. Ali, na sessão da Assembléia, o deputado Záchia debate de maneira séria.
Mas, relembrando o falecido engenheiro Leonel Brizola, faltou o deputado licenciado e atual secretário da Casa Civil fazer um "mea culpa" (que significa "minha culpa" em latim, mas lembra pela fonética uma "meia culpa"), onde ele pode dizer que fazer campanha clamando contra os pardais faturadores foi uma demagogia imensa, e aqui vai um posição pessoal.
Certamente há muita gente no mundo que acha que andar de automóvel é a coisa mais importante do mundo, e que, se o automóvel permitir, se deve utilizar a maior velocidade possível. Eu acho que não. Temos um código de trânsito que estabelece velocidades máximas para estradas, para avenidas e pequenas ruas. Quem exceder esta velocidade está desrespeitando a lei, simples assim. Se está desrespeitando a lei, deve arcar com as responsabilidades, seja com multas, com apreensão da carteira de motorista, ou, no extremo, com detenção. Acredito que se obedecêssemos mais à lei, haveria muito menos mortos e feridos no trânsito do Brasil.
Assim, obrigado Letícia, pela transcrição enviada, e eu espero mais seriedade do Dr. Záchia em suas próximas campanhas.

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sábado, outubro 06, 2007

Relembrando o Dr. Záchia

No final da semana passada o nosso alcaide, Dr. José Fogaça retornou ao PMDB, partido do qual saíra alguns anos antes, tendo sua ficha abonada pelo nosso ilustre senador ético, Dr. Pedro Simon.
Enquanto isso, como se sabe, o Dr. Luiz Fernando Záchia, deputado licenciado é secretário da Casa Civil do governo estadual da Dra. Yeda Crusius.
O blog RS Urgente já havia perguntado, mas cabe perguntar novamente: que providencias o Dr. Záchia pretende tomar contra o que ele chamava de "pardais faturadores", quando denunciava a "fúria arrecadatória do PT", quando este partido foi governo municipal e estadual?

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sábado, agosto 04, 2007

Como resolver a crise aérea...

A figurinha que está no "post" abaixo foi recebida pelo correio.
Fui conferir o tal TV Biruta, mas eles pegam no pé de todo mundo, assim não são apenas anti-PT. Mas quem montou certamente é.
Se o problema do caos aéreo fosse culpa dos políticos do governo, ia faltar muita gente. Os Airbus A-320, por exemplo, foram autorizados a pousar em Congonhas pelo antigo DAC, o Departamento de Aviação Civil, ainda no governo FHC. Ele não deveria estar também no avião?

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