sábado, setembro 04, 2010

Suicídios na Coreia do Sul

Onda de suicídios comove sul-coreanos

País asiático é o que registra maior índice entre os 32 mais ricos do mundo; taxa cresceu 18% no ano passado

Desde 2009, suicidas incluem ex-presidente, herdeiro da Samsung e diversas personalidades do mundo artístico

FABIANO MAISONNAVE
ENVIADO ESPECIAL A SEUL(COREIA DO SUL)

No dia 13 de junho, o DJ Lee Kye-Hwa, 27, escreveu no Twitter: "Vou cometer suicídio. A todos, mesmo aqueles com quem tive amizade mais distante, eu amo vocês".
Apesar dos esforços de amigos e da família, só foi encontrado dois dias depois, à beira do rio Han, que atravessa Seul. Havia se enforcado.
Lee, que atravessava dificuldades financeiras, é apenas um dos 40 casos de suicídios diários na Coreia do Sul.
No ano passado, foram 14.579, aumento de 18% sobre 2008. A taxa de suicídio ficou em 30 por 100 mil habitantes, maior do que o índice de homicídio do Brasil (25,2).
É o país que mais registra mortes do tipo entre os 32 membros da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), entre os quais Japão, com forte tradição de suicídios.
"Na sociedade coreana, o suicídio se transformou numa das maneiras para solucionar problemas", disse à Folha o psiquiatra Ha Giu-sup, da Universidade Nacional de Seul e presidente da Associação Sul-Coreana para a Prevenção do Suicídio.
Ha afirma que os idosos são o grupo mais afetado. Na faixa etária acima de 80 anos, a taxa é de 100 por 100 mil habitantes.
"A Coreia do Sul é uma sociedade em rápido processo de envelhecimento. Esses idosos não se prepararam para viver tanto tempo porque, quando eram jovens, poucas pessoas viviam mais de 60 anos", afirma Ha.
"Muitos, principalmente na área rural, são pobres, doentes e solitários e acabam cometendo suicídio."
Um segundo motivo, diz, foi a crise financeira asiática de 1997, que aumentou a instabilidade do emprego na Coreia do Sul. Naquele ano, a taxa no país era 13 por 100 mil, e o suicídio figurava como a sétima causa de mortes -hoje, já é a quarta.

CELEBRIDADES
A onda de suicídios não poupa celebridades, a começar do ex-presidente Roh Moo-hyun (2003-2008), que se jogou de uma colina no ano passado. Em bilhete, disse que sentia "ter feito muita gente sofrer".
Entre artistas, houve seis casos nos últimos dois anos. Levantamento recente revelou que 40% dos atores do país já cogitaram tirar a vida.
Um dos episódios mais rumorosos foi o de Choi Jin-sil, que se matou em outubro de 2008, aos 39 anos. Chamada de "atriz da nação", sua morte levou a aumento de 70% de suicídios no mês seguinte.
Nem a família mais rica da Coreia do Sul está imune. No último dia 18, Lee Jae-chan, neto do fundador da Samsung, foi encontrado morto. Cinco anos antes, Lee Yoon-hyung, filha do presidente da empresa, se enforcou.
Ha afirma que "os padrões morais altos" explicam por que os coreanos cometem mais suicídios mesmo tendo bom nível de vida.

"Com o aumento da desigualdade, muitas pessoas sentem que estão ficando para trás"

"Nas sociedades desenvolvidas, o suicídio é relacionado à depressão. Mas aqui, o suicídio é resultado do fracasso"
HA GIU-SUP
chefe da Associação Sul-Coreana para a Prevenção do Suicídio

Notícia publicada na Folha de São Paulo, de 30 de agosto de 2010.


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terça-feira, agosto 10, 2010

Coréia do Sul reconhece perdão japonês para "superar passado"

O Governo da Coreia do Sul reconheceu a vontade japonesa de superar um passado "infeliz" entre os dois países depois que o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, pediu desculpas nesta terça-feira pela ocupação colonial da península coreana. Em comunicado oficial, Kan expressou nesta terça o "profundo remorso" do Japão e pediu "desculpas de coração" pelos grandes danos e sofrimentos causados pela ocupação colonial japonesa (1910-1945), poucos dias antes de ser completado o centenário da anexação.

Em resposta, o Ministério de Exteriores sul-coreano disse que Seul "presta atenção" ao fato de o Japão aceitar que a colonização japonesa foi contra a vontade do povo coreano e manifestar franqueza sobre erros passados. Seul expressou seu desejo de que "essa visão seja compartilhada por todo o povo do Japão".

"Reconhecemos o comunicado do primeiro-ministro Kan como a vontade do líder e de seu Governo para superar um passado infeliz entre Coreia e Japão e para impulsionar brilhantes relações bilaterais futuras", assinala. Seul também qualificou positivamente o compromisso japonês de realizar cooperação humanitária relacionada com o colonialismo e devolver patrimônios culturais sul-coreanos tomados durante a colonização, entre eles os documentos reais da Dinastia de Joseon (1392-1910).

Seul expressou ainda seu desejo que as relações entre Coreia do Sul e Japão sigam avançando sobre a base de uma correta percepção e reflexão desse passado histórico "infeliz".


Do Terra, via blog do Luís Nassif.

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sábado, agosto 01, 2009

Lei que permite a órgãos da imprensa escrita se tornarem proprietários de redes de televisão é aprovada após tumulto no Parlamento Sul-Coreano

Depois de pancadaria, Parlamento sul-coreano aprova lei polêmica

Depois de uma pancadaria generalizada entre deputados, o Parlamento da Coreia do Sul aprovou hoje uma polêmica lei que permite às empresas que atuam na imprensa escrita serem donas também de redes de televisão.

Segundo a agência "Yonhap", as três emendas que reformam a atual lei sobre os meios de comunicação foram aprovadas com a rejeição da principal força opositora sul-coreana, o Partido Democrático (PD) e em meio a cenas de violência.

Diante da repercussão da lei, diversos sindicatos de profissionais de comunicação sul-coreanos iniciaram ontem uma greve de 100 horas contra a reforma, a qual se uniu hoje o sindicato da rede de televisão pública "KBS".

Após a aprovação da lei, um membro do Escritório Presidencial sul-coreano citado pela "Yonhap" disse que a nova legislação era uma opção inevitável para garantir uma maior competitividade do setor.

No entanto, várias pesquisas publicadas nos últimos meses demonstraram que a maioria dos cidadãos sul-coreanos se opõe a essa lei por receio de que os principais diários conservadores e conglomerados do país possam controlar a opinião pública por meio da imprensa.

Alguns analistas criticaram o Governo conservador por pretender usar esta lei para controlar a opinião pública a fim de garantir o poder nas próximas eleições.

As emendas foram aprovadas hoje com os votos a favor dos deputados governamentais, que são maioria (169 de 299 cadeiras), e depois de o deputado Lee Yoon-sung, vice-presidente do Parlamento sul-coreano, pedir escolta para presidir a votação.

Os legisladores da força opositora, o Partido Democrático (PD), que conta com 84 cadeiras, se ausentaram da votação e tentaram impedi-la bloqueando a entrada dos deputados governamentais na sala do Parlamento.

Antes da votação, os deputados governistas e da oposição discutiram aos berros e depois iniciaram uma pancadaria generalizada, diz a "Yonhap".

A emenda foi apresentada no Parlamento em dezembro, mas só foi votada agora devido ao forte enfrentamento entre os partidos.

Notícia da EFE, no UOL Notícias.

E pensar que aqui no Brasil esta propriedade cruzada é disseminada e a opinião pública amplamente manipulada.

A família Marinho é dona da TV Globo, em São Paulo e no Rio de Janeiro, possui o diário O Globo, a revista semanal Época, o portal G1, e ainda emissoras de rádio.

A família Sirotski aqui possui retransmissoras locais da TV Globo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, possui jornais diários nas capitais de ambos os estados, e em várias cidades do interior, e também emissoras de rádio.

Breve ampla manipulação da opinião pública na Coreia do Sul.

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quinta-feira, maio 28, 2009

Testes de armas nucleares, quem viveu viu

Testes de armas nucleares, quem viveu viu


E a Coreia do Norte realizou um novo teste de bomba atômica esta semana. Provavelmente uma maneira de corrigir o teste quase fracassado realizado em outubro de 2006. Parece que desta vez deu tudo certo para os coreanos do norte.

O tempo passa muito rápido. Parece que foi ontem que as manchetes alardeavam o teste norte-coreano (o de 2006) como uma ameaça à paz mundial, e como estímulo para outros países seguirem o exemplo da busca das armas nucleares.

Mas eu sou velho o bastante para lembrar dos testes recentes da França (em 1995, no Pacífico Sul), da Índia e do Paquistão (ambos em 1998). Todos eles causaram uma avalanche de manchetes contrárias, e todos os governos que conduziram os tais testes se escudaram em seu direito soberano de desenvolver armamentos.

O que a Coreia do Norte ganha ao possuir armas nucleares? Bem, o direito de dizer ao mundo que tem armas nucleares, e que, se atacada, pode usa-las (embora pareça absurdo se pensar no uso de armamentos nucleares, sabendo de todos os seus malefícios).

Há palpites e opiniões para todo lado. A principal diz que a Coreia do Norte quereria usar a demonstração para barganhar suprimentos, que, dizem, andam escassos por lá.

Mas a questão do armamento nuclear é tratada de maneira bastante dúbia.

Estados Unidos e Rússia têm vastos arsenais, e não parecem dispostos a se desfazerem deles. China, Reino Unido e França têm e também não parecem dispostos a desmanchá-los. Israel provavelmente tem (se supõe a existência de bombas, pelas insinuações dúbias dos sucessivos governos israelenses, e pela central nuclear de Dimona, mas não se tem notícia de algum teste de bomba atômica conduzido por Israel), e os Estados Unidos (a voz mais estridente na questão da proliferação de armas atômicas) não parecem incomodados com isso. Os Estados Unidos também impuseram sanções ao Paquistão em 1998, quando este país explodiu seu primeiro artefato nuclear, mas suspendeu as sanções quando precisou passar por território paquistanês para atacar o Taleban no Afeganistão em 2001/2002. E em 2006 os mesmos Estados Unidos fecharam um acordo nuclear com a Índia, pelo qual tacitamente aceita o programa militar atômico hindu.

Vários países teriam o potencial de rapidamente produzir armas nucleares e aparentemente não o fazem para se manterem afastados desta pressão política dúbia, como por exemplo, a Alemanha, o Japão, a Coreia do Sul, talvez até mesmo o Brasil e a Argentina.

Armas nucleares para quê? Sabendo do dano ambiental causado por uma bomba atômica, só se algum país estivesse se sentindo ameaçado por algum outro país que já possui a tal bomba.


27/05/2009


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terça-feira, outubro 21, 2008

Vigilância

VIGILÂNCIA
O governo da Coréia do Sul planeja medidas para vigiar debates virtuais e acabar com o anonimato na rede. Em novembro, entrará em vigor uma lei controlando comentários. Nas escolas infantis haverá aulas de ética e etiqueta na rede.

Notinha tirada do Caderno de Informática da Folha de São Paulo.


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