quarta-feira, dezembro 03, 2008

O Senador Demóstenes Torres surtou...

… ou talvez quem tenha enlouquecido seja eu. Mas a questão é que parece que eu ouvi, na Voz do Brasil de sexta-feira passada (28 de novembro), no momento dedicado às notícias do Senado Federal, que o Senador Demóstenes Torres quer que seja feita uma emenda constitucional que exima delegados de polícia e procuradores de justiça de solicitar mandatos de busca e apreensão nos lugares, residências ou locais de trabalho, em que estas autoridades, os delegados e procuradores, acharem por bem que haja indícios ou evidências que possam embasar alguma investigação.

E aí eu pergunto: eu ouvi mal, ou o Senador enlouqueceu? Logo ele, aparentemente fraternal amigo do ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, aquele ministro que reclamou que vivíamos, no Brasil, num “estado policial”(e aparentemente fraternal amigo, pois naquele telefonema cuja áudio até hoje não apareceu, mas que foi transcrito para as páginas da revista Veja, o ministro Gilmar Mendes liga para agradecer pelo Senador ter se negado a receber pedido de “impeachment” contra o ministro). Pois então? Se seu fraternal amigo, o ministro Gilmar Mendes, denuncia um “estado policial”, o ilustre Senador dos demos de Goiás quer aumentar ainda mais o poder dos delegados de polícia? Como pode?


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quinta-feira, maio 08, 2008

DILMA ARRASA A OPOSIÇÃO

DILMA ARRASA A OPOSIÇÃO

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1118

. A oposição deu um tiro no pé ao convocar Dilma Rousseff para se afogar nos cartões corporativos.

. O senador Agripino Maia, do PFL-RN, voltou aos bons tempos de provocador e deu a entender que tudo o que Rousseff dissesse ali poderia ser uma mentira.

. O senador lembrou que, numa entrevista recente, Rousseff confessou que mentiu quando esteve presa no regime militar.

. Uma mentira que Rousseff contou quando tinha 19 anos.

. Ela foi torturada e ficou três anos presa.

. Diante da provocação do senador pefelista, Rousseff subiu.

. Rousseff atingiu o ponto certo da resposta, com firmeza e serenidade, e colocou o senador na posição histórica que ocupam os que acionavam a maquininha do choque elétrico.

. Rousseff falou:

. Não há dialogo com o pescoço na forca.

. Não há verdade na ditadura.

. O que se trava aqui no Senado, agora, é o dialogo democrático, entre iguais, entre cidadãos em igualdades de condição.

. Eu me orgulho de ter mentido para salvar companheiros da tortura e da morte.

. No pau de arara e com choque elétrico não há possibilidade de dialogo civilizado.

. Tenho imenso orgulho do que fiz: mentir aos torturadores.

. Em resumo, a oposição errou: deu a possibilidade de se conhecer essa Rousseff, que parecia adormecida sob o sucesso do PAC.

. A oposição foi tosquiar e saiu tosquiada.

Em tempo: um amigo meu, especialista em construir e analisar cenários políticos, me telefonou assim que viu Rousseff arrasar Maia: “além da competência técnica, você tem que ter sorte. Você pode fazer tudo certo. Mas, se não tiver sorte, não adianta nada. A sorte da Dilma foi pegar o Maia”.

Texto de Paulo Henrique Amorim, no seu Conversa Afiada. Não acompanhei o depoimento da ministra Dilma no Senado. Talvez ela tenha tido a elegância de não lembrar ao ilustre Senador Agripino Maia, que o partido dele, o DEM, ex-PFL, surgiu de uma cisão do antigo partido de apoio à ditadura que prendeu e torturou a atual ministra anos atrás.

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domingo, dezembro 16, 2007

A CPMF e a pequenez nacional

A derrota do governo, no episódio da renovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) traz inúmeras lições.

A primeira é sobre a excepcional falta de criatividade e de despreendimento nos momentos de grandes impasses. O governo não queria estabelecer limitações às formas de aplicar os recursos. A oposição não queria mais recursos, que pudessem melhorar a governabilidade. Prova de que não há nada mais parecido com o PT na oposição do que o PSDB; e nada mais parecido com o PSDB na situação do que o PT.

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O impasse poderia ter permitido inúmeras saídas consensuais, que ajudassem a aplacar o radicalismo das próximas eleições e passassem à opinião pública uma imagem mais produtiva dos partidos políticos.

A aprovação poderia ser amarrada ao compromisso formal de redução dos encargos trabalhistas. Ou à redução de outros tributos terríveis, como o Pis-Cofins, amarrado à melhoria da arrecadação federal. Poderia ter significado garantia de recursos à saúde e tudo o mais.

Nada a oposição propos; com nada o governo se comprometeu. Sobreveio o impasse.

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A segunda consequência será a precipitação dos embates internos no PSDB. Único partido com condições de enfrentar o PT nas próximas eleições, o PSDB é um tucano partido ao meio.

Em tempos de paz, os verdadeiros comandantes do partido são os governadores. Por várias razões interessa a eles conviver pacificamente com o governo federal. Primeiro, pela perspectiva de colaboração, que deve marcar um país federativo. Depois, para não ter que enfrentar um líder carismático como Lula, em uma eleição polarizada. Finalmente, para não herdar um país conflagrado, em caso de vitória.

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Na outra ponta, estão os ex, ex-presidente como Fernando Henrique Cardoso, ou senadores de futuro político incerto, como esse truculento Arthur Virgílio. Eles só crescem em ambiente de guerra. A FHC interessa a guerra para ampliar seu espaço no PSDB e interessa que o governo Lula afunde, pois só assim – pelo efeito-comparação – poderia aspirar um julgamento mais benevolente da história para seu governo.

Ao contrário de outros ex-presidentes, como Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor, FHC é um ex dotado de nenhuma grandeza, de nenhuma responsabilidade cívica.

Serra e Aécio estão aguardando para se posicionar mais perto das eleições. Correm o risco de herdar um partido exangüe. Se a CPMF não for restaurada, cada problema do governo Lula, cada investimento que deixar de ser feito, cada piora nas áreas sociais terá responsáveis diretos: o PSDB, seus senadores e FHC.

Havia receio de que a aprovação da CPMF pavimentasse o sucesso do governo Lula. Agora, qualquer fracasso terá um responsável direto: a oposição.

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Os ecos dessa votação serão ampliados com o tempo. Ajudará a reforçar o discurso de que o governo Lula está sendo vítima de uma “conspiração das elites” - apesar da verdadeira elite, o mercado financeiro, nunca ter ganhado tanto.

De qualquer modo, saem divididos o país, a oposição e qualquer veleidade da opinião pública sobre a qualidade dos nossos homens públicos.

CPMF e Selic

Em qualquer economia racional, a derrubada da CPMF levaria o Banco Central a reconsiderar a questão da taxa Selic, que definr o patamar de remuneração dos títulos públicos. Se a carga de juros já era elevadíssima, com o corte da CPMF a necessidade de superávit primário aumentará mais ainda. Por isso mesmo, quanto maior o peso dos juros, maior a percepção de risco no Brasil. O natural seria a queda da Selic.


Da coluna de economia do Luís Nassif.

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