Após oito anos de negligência do governo de George W. Bush em relação aos direitos humanos, os Estados Unidos poderão se redimir se Barack Obama colocar o assunto como prioridade, afirma a ONG Human Rights Watch em seu Relatório Mundial, divulgado nesta quarta-feira.
Segundo escreveu o diretor da Human Rights Watch, Kenneth Roth, na introdução ao documento, a decisão de Bush de combater o terrorismo usando a tortura, a detenção sem julgamento e sem se preocupar com os direitos humanos fez com que os esforços diplomáticos na área fossem transferidos para outros países.
"Argélia, Egito e Paquistão, com a ajuda da China e da Rússia, vêm conduzindo a diplomacia na área dos direitos humanos de forma mais enérgica. O problema é que esses países estão tomando a direção errada", afirma Roth no documento. "Eles dizem que seus governos podem tomar qualquer atitude pelo povo e se escondem sob os princípios de soberania, não-interferência e solidariedade ao Sul, mas o real objetivo é combater as críticas sobre seus abusos e de seus aliados", completa.
Se a postura de Bush era "música para os ouvidos dos governos da China, Rússia e Índia", a administração Obama terá de abandonar a política de hiper-soberania. Para a Human Rights Watch, o novo governo, que tomará posse no próximo dia 20, precisará "desfazer o enorme dano causado por Bush e restaurar a reputação e a efetividade dos Estados Unidos como defensor dos direitos humanos".
A ONG dá algumas sugestões a Obama, como fechar centros secretos de detenção da CIA, proibir interrogatórios coercivos e fechar a prisão de Guantánamo, entre outras.
Na terça-feira, o jornal "The New York Times" informou que Barack Obama planeja ordenar o fechamento da prisão de Guantánamo em seu primeiro dia de governo.
União EuropeiaA União Europeia (UE) também é criticada no relatório da Human Rights Watch. Segundo a ONG, a UE fez um mau trabalho em Mianmar, Somália e na República Democrática do Congo.
Além disso, a UE também falhou, segundo a Human Rights Watch, ao diminuir as sanções no Uzbequistão, ao ser permissiva com o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, e ao melhorar as relações com Belarus, o único país da Europa a ter uma ditadura.
A Human Rights Watch também critica a ação dos países ocidentais na Arábia Saudita, na Líbia e na faixa de Gaza. Quanto à questão palestina, a ONG diz que Israel bloqueou a importação de combustível, comida, remédios e suprimentos básicos à Gaza, punindo a população civil pelos ataques feitos pelo Hamas.
América LatinaOs governos de Argentina, Chile, Costa Rica e Uruguai são citados pela Human Rights Watch como bons exemplos de países latino-americanos que apoiam iniciativas pelos direitos humanos.
O México também recebe elogios pelo papel importante no Conselho de Direitos Humanos na Assembleia Geral da ONU. Entretanto, o país é criticado por falhar no combate ao tráfico de drogas e à violência gerada pelas quadrilhas.
Botsuana, Gana, Libéria e Zâmbia, na África, e Japão e Coréia do Sul, na Ásia, também receberam elogios da ONG. No entanto, o documento frisa que é papel das principais democracias ocidentais apoiar os países que exercem menor peso nas resoluções internacionais sobre direitos humanos.
BrasilO Brasil também foi duramente criticado. A ONG apontou problemas sérios de violência policial, situação carcerária desumana, impunidade, tortura e trabalho forçado. Além disso, as populações indígena e sem-terra sofrem com a violência dos conflitos agrários.
As 564 páginas do Relatório Mundial da Human Rights Watch revisam a prática dos direitos humanos em mais de 90 países e reporta ataques a civis no Afeganistão, Colômbia, Congo, Geórgia, Israel, Palestina, Somália, Sri Lanka e Sudão. Critica também a repressão política em Mianmar, China, Cuba, Irã, Coréia do Norte, Arábia Saudita, Uzbequistão e Zimbábue, além de violações pontuais em diversos outros países.
Texto do
UOL Notícias.
Marcadores: direitos humanos, Human Rights Watch, violação de direitos humanos