terça-feira, agosto 18, 2009

Índia entra no grupo de países que têm submarino nuclear

Índia entra no grupo de países que têm submarino nuclear

DA REDAÇÃO

A Índia inaugurou ontem, em Visakhapatnam, no Estado de Andra Pradesh, seu primeiro submarino de propulsão nuclear, capaz de lançar mísseis. Até então, apenas China, França, EUA, Reino Unido e Rússia haviam construído seus próprios submarinos. Pela entrada ao seleto grupo, o premiê indiano, Manmohan Singh, qualificou o evento de "histórico".
Ele declarou à agência Press Trust of India que o submarino não tem intenções bélicas, mas é importante para a defesa nacional. "O mar se torna cada vez mais relevante para os interesses de segurança da Índia, e precisamos nos adaptar a essa mudança", disse.
O principal objetivo no incremento da força naval indiana é conter o interesse da China na região. Apesar de os dois países serem parceiros comerciais, preocupa os indianos o fato de Pequim continuar a fornecer armas para Paquistão (que possui arsenal nuclear) e Sri Lanka.
O Arihant (destruidor de inimigos, em português) tem 6.000 toneladas e é capaz de atingir 44 km/h. Antes que possa ser utilizado, ele ainda terá de ser testado por ao menos dois anos no golfo de Bengala.
Este é o primeiro de outros dois submarinos que serão construídos com apoio técnico da Rússia, num projeto de US$ 2,9 bilhões.


Com agências internacionais

Texto da Folha de São Paulo, de 27 de julho de 2009.

Seria interessante saber quais foram as palavras exatas do primeiro-ministro indiano, mas me parece no mínimo contraditório lançar um submarino nuclear ao mar, e dizer que ele não tem intenções bélicas. Se a intenção não é bélica, é para levar os melhores alunos do ensino fundamental indiano para navegar nos Oceanos Índico e Pacífico, para que eles melhorem seus conhecimentos de geografia?


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terça-feira, julho 21, 2009

A Marinha e os submarinos franceses

Folha de São Paulo:

Senhor Editor,

Sobre a coluna “A Empreitada das Armas”, do jornalista Janio de Freitas (14/7), o Ministério da Defesa esclarece:

Não é possível fazer comparações entre o acordo Brasil-França e a proposta da empresa alemã IKL.
A proposta alemã era apenas para a construção de dois submarinos convencionais (propulsão diesel-elétrica), sem evolução para um submarino nuclear, pois a Alemanha não os produz (detém zero por cento deste mercado). Também, não haveria transferência de tecnologia de projeto, nem de manutenção, mas apenas de construção, e de forma limitada. A “seção de vante” (proa) dos atuais submarinos brasileiros veio pronta da Alemanha e a manutenção dos sistemas de combate só é feita com presença de técnicos alemães.

Já a proposta francesa inclui a construção, no Brasil, de quatro submarinos convencionais, que servirão para a capacitação do País no desenvolvimento de um submarino com propulsão nuclear, com respectivas transferências de tecnologias, tanto de construção, quanto de projeto, inclusive de seus sistemas de combate. Essa proposta inclui, também, o projeto e a construção de um estaleiro dedicado à fabricação de submarinos nucleares (e convencionais) e de uma nova base naval, capaz de abrigar submarinos nucleares. A parte nuclear do submarino será integralmente nacional, desenvolvida pela Marinha do Brasil.

Em relação à construção de um novo estaleiro e da nova base, ela está prevista desde 1993, para a área de Sepetiba, o que torna inconsistente a acusação de ser “imposição” dos franceses. Considerar que essas obras seriam desnecessárias, implica ignorar que submarinos nucleares só podem ser construídos em estaleiros a isso dedicados e que atendam a requisitos tecnológicos e ambientais bastante específicos, que, hoje, não são atendidos por nenhum dos estaleiros existentes no Brasil. Além disso, a atual base dos submarinos convencionais, na Baía de Guanabara, sequer tem profundidade para um submarino desse tipo.

O Brasil exigiu que a base e o estaleiro fossem construídos por empresa brasileira, cabendo à responsável pelo projeto, a francesa DCNS, escolher, livremente, seu parceiro, tendo sido selecionada a construtora Odebrecht. Independentemente de quem fosse o responsável pelo projeto, não caberia licitação da obra, tendo em vista a necessidade de sigilo do projeto (plantas de instalações nucleares militares, não passíveis da divulgação pública exigida por uma licitação).

Ressalta-se que o casco do Scorpène já tem o desenho típico de um submarino nuclear e emprega tecnologia desenvolvida no projeto do submarino Barracuda, a nova classe de submarinos nucleares de ataque franceses, ainda em construção. A Marinha do Brasil dispõe, ainda, de farta documentação que mostra o elevado grau de satisfação da Armada Chilena com os Scorpène convencionais operados por aquele país.

José Ramos Filho
Coordenador de Comunicação Social
Ministério da Defesa

Esta resposta ao Jânio de Freitas, foi vista no blog do Luís Nassif.

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