sábado, julho 11, 2009

Morre aos 93 arquiteto da Guerra do Vietnã

Morre aos 93 arquiteto da Guerra do Vietnã

Robert McNamara, secretário da Defesa de Kennedy e Johnson, afirmou depois que conflito foi um erro

SÉRGIO DÁVILA
ENVIADO ESPECIAL A LOS ANGELES


Robert McNamara, o arrependido arquiteto do maior fiasco da história militar dos EUA, a Guerra do Vietnã, morreu ontem aos 93 anos em sua casa em Washington, de causas não divulgadas. Secretário da Defesa de 1961 a 1968, nas gestões dos democratas John Kennedy e Lyndon Johnson, ordenou a escalada no Sudeste Asiático que levaria os EUA ao pleno envolvimento no conflito.
Ao fim da guerra, em 1975, 58 mil soldados americanos estavam mortos, e os EUA, profundamente divididos. McNamara romperia seu silêncio sobre o conflito nos anos 90, primeiro em entrevistas, depois em biografia lançada em 1995 e, na década seguinte, em documentário vencedor do Oscar de 2003.
Em todos, expressou arrependimento e fez revelações desconcertantes. No livro, disse que "nós estávamos errados, terrivelmente errados" em relação à guerra. Em entrevista em 1991, afirmou que pouco antes de deixar o governo já duvidava que funcionaria o bombardeio ao Vietnã do Norte, que matou milhares de civis.
Prosseguiu mesmo assim, disse então, "porque nós tínhamos de provar que não daria certo, em primeiro lugar, e porque outras pessoas pensavam que poderia funcionar".
Considerado um tecnocrata e apaixonado por número e estatísticas, McNamara era um dos "Whiz Kids", os "garotos geniais", como ficou conhecido o grupo de universitários que trabalhou no departamento de estatísticas do Pentágono durante a Segunda Guerra e foi levado para reinventar a montadora Ford em 1946. Dos 10, apenas 1 viraria presidente da companhia: McNamara, o primeiro sem "Ford" no sobrenome a ocupar o cargo.
De lá, foi chamado para ser secretário da Defesa de Kennedy (1961-63), cargo que manteria sob Johnson (1963-69). Era um dos que o jornalista David Halbertstam chamou ironicamente de "The Best and the Brightest" (os melhores e mais brilhantes), no livro homônimo em que narra as origens da Guerra do Vietnã. Para o autor, McNamara foi, "por falta de palavra mais gentil, um tolo".
Seu primeiro grande ato como secretário da Defesa foi autorizar um plano mirabolante para derrubar Fidel Castro por cubanos expatriados treinados pela CIA, no que seria conhecido como o fiasco da invasão da baía dos Porcos, de 1961.
Mas seu primeiro grande desafio no cargo foi a Crise dos Mísseis Cubanos de 1962, que levou EUA e a então União Soviética à beira de um confronto armado. O papel do secretário da Defesa para desfazer a crise é considerado decisivo.
Robert Strange McNamara nasceu em 9 de junho de 1916, em San Francisco, na Califórnia, filho de imigrantes irlandeses que cuidavam de uma loja de sapatos. Estudou economia e filosofia na Universidade da Califórnia em Berkeley e foi professor assistente da Harvard Business School.
Depois de sua passagem pelo governo, foi o mais longevo presidente do Banco Mundial, cargo que ocupou entre 1968 e 1981. McNamara deixa três filhos e a mulher, Diana, com quem se casou em 2004.

Texto da Folha de São Paulo, de 7 de julho de 2009.


Marcadores: , ,

terça-feira, julho 07, 2009

Robert McNamara (1916-2009) – Segunda Tentativa

Robert McNamara (1916-2009) – Segunda Tentativa


Robert Strange McNamara, secretário de defesa dos Estados Unidos, sob os governos de John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson, faleceu nesta segunda-feira, 6 de julho.

Errol Morris fez um interessante documentário enfocando a vida deste homem, que serviu na Força Aérea durante a Segunda Guerra Mundial, se tornou o primeiro presidente da Ford que não era da própria família Ford, e foi secretário da defesa dos Estados Unidos. Como secretário da defesa, ele passou a receber menos do que recebia na Ford, e esteve envolvido no incremento da participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, bem como na Crise do Mísseis em Cuba, em 1962 (o filme “Treze Dias que Abalaram o Mundo” [“Thirteen Day”], com Kevin Costner traz uma representação de McNamara repreendendo um comandante de navio quando este dispara um tiro de advertência contra um navio soviético, durante o bloqueio naval imposto a Cuba naquele outubro). O nome do documentário em português ficou “Sob a Névoa da Guerra”.

No documentário ele reflete sobre sua carreira, e as decisões que tomos nos eventos em que esteve envolvido. Os bombardeios sobre o então Vietnã do Norte, o aumento do número de soldados norte-americanos no teatro de guerra, com o consequente aumento de mortos e feridos, foram fatos que se tornaram traumáticos para os Estados Unidos, e para o próprio secretário de defesa (dizem os seus obituários que próprio filho de McNamara, universitário na década de 1960, era contra a guerra que era conduzida pelo pai). Quando deixou o governo Johnson abandonou por um período a vida pública. Voltou para se tornar presidente do Banco Mundial. E na década de 1990 escreveu um livro de memórias onde afirma que os Estados Unidos erraram ao aprofundar sua participação na Guerra do Vietnã.

No tal documentário de Errol Morris, McNamara muito se questiona sobre sua vida, e seu papel como secretário da defesa dos Estados Unidos. Singelamente, lá pelas tantas, ele se questiona se ele não seria um f... da p... . Pois é...

Segundo o noticiário, sua esposa constatou sua morte na madrugada desta segunda-feira. Morreu dormindo, e segundo consta, de velhice. Foi um homem que quando serviu na Força Aérea, durante a Segunda Guerra, no Pacífico, trabalhou para que os bombardeios americanos se tornassem mais eficazes, eufemismo para dizer que eles deveriam ser mais mortíferos e destruidores; e depois como secretário de defesa, ordenou bombardeios e mais bombardeios sobre o Vietnã do Norte. Depois ele passou a vida se questionando e se desculpando. Mas soa algo irônico que um homem que tanto encarnou o espírito da guerra, tenha morrido tranquilamente, no calor de sua cama, em casa.


06/07/2009.


Marcadores: , , , , , ,

Robert McNamara (1916-2009)

Robert McNamara (1916-2009)


E os portais da Internet dão notícia da morte de Robert Strange McNamara.

Não sei se estou com fixação na morte, ou se é algum tino de historiador diletante que me faz prestar atenção nestas mortes de personalidades mais ou menos famosas.

Robert McNamara faleceu nesta segunda-feira, supostamente de velhice. Segundo a sua esposa ele não estava doente, mas recém completara 93 anos de idade.

Sua morte ocorre pouco mais de uma semana após a morte do provavelmente muito mais famoso junto ao público Michael Jackson.

Mas há esta grande diferença: McNamara morreu aos 93, Jackson aos 50. O que para mim indica que Michael Jackson ainda poderia ter mais uns 40 anos de vida pela frente.

Robert McNamara foi secretário da defesa dos Estados Unidos, durante os governos de John Kennedy, e Lyndon Johnson, nos anos 1960.

Esteve na linha de frente da escalada do envolvimento dos Estados Unidos no Vietnã, e também na crise dos mísseis em Cuba, em outubro de 1962. Saiu (ou foi saído) do governo Johnson em 1968. Mais tarde foi nomeado presidente do Banco Mundial, do qual se aposentou em 1981.

Em 2003 foi o assunto de um documentário de Errol Morris (excelente na opinião deste blogueiro) chamado “Sob a Névoa da Guerra”. O filme ganhou o Oscar de melhor documentário em 2004.



Marcadores: , , , , ,