quinta-feira, outubro 18, 2007

Renan estuda para que lado atirar

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) já tomou a decisão de deixar definitivamente a presidência do Senado. No momento, ele estuda a melhor maneira e o momento de anunciar a renúncia. Pode ser hoje, amanhã ou só daqui a 45 dias: quanto mais rápido, pior para o atual presidente da Casa, Tião Viana (PT-AC), que já trabalha para ficar no cargo. Renan está analisando o cenário político para decidir a quem vai ajudar e/ou prejudicar.

Notícia do Blog Entrelinhas.

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quarta-feira, outubro 10, 2007

Venha protestar contra Renan Calheiros na Esquina Democrática

CAROS COMPANHEIROS,

Amanhã, à partir das 10:00h com um grande ato ao MEIO DIA, compareça à Esquina Democrática
PELO AFASTAMENTO DO SENADOR RENAN CALHEIROS DA PRESIDÊNCIA DO SENADO
PELA VOLTA DE PEDRO SIMON E JARBAS VASCONCELOS PARA A CCJ DO SENADO FEDERAL
estaremos ditribuindo o Manifesto por um Brasil mais ético!

A PRESENÇA DOS COMPANHEIROS DE TODOS OS SETORES DO PARTIDO É FUNDAMENTAL
www.jpmdbpoa.org.br


A mensagem acima foi recebida da Letícia Coelho. É a juventude do PMDB de Porto Alegre, protestando contra Renan Calheiros (PMDB-AL).


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segunda-feira, setembro 17, 2007

Agência Carta Maior: O que podemos aprender de Renan Calheiros



IDÉIAS

O que podemos aprender com Renan Calheiros

A presença dominante do nome “Renan Calheiros”, e dos eventos que orbitam em torno dele, no debate político do país nas últimas semanas é, por si só, um eloqüente sinal de alerta. Aponta para um pântano imobilizador de onde podem sair novas deformidades.

Data: 13/09/2007

Em seu livro “Às portas da revolução” (Boitempo Editorial), Slavoj Zizek tomou o exemplo da eleição de Berlusconi na Itália para sustentar o papel fracassado da moralidade na política. Ele escreveu: “Sua vitória é uma lição deprimente sobre o papel da moralidade na política: o supremo desfecho da grande catarse moral-política – a campanha anticorrupção das 'mãos limpas' que, uma década atrás, arruinou a democracia cristã, e com ela a polarização ideológica entre democratas cristãos e comunistas que dominou a política italiana no pós-guerra – é Berlusconi no poder”.

No Brasil, nos últimos anos, muitas vozes preconizam a necessidade de uma operação “mãos limpas” aqui. Mas qual foi mesmo o resultado dessa operação na Itália: a eleição de Berlusconi, um grande empresário das comunicações que se apresentou na campanha eleitoral como um “não-político”, alguém que estaria afastado de toda “sujeira da política”.

Como se sabe, o governo de Berlusconi foi atravessado por denúncias e acusações de corrupção. Aqui no Brasil, em passado recente, também tivemos um candidato que se apresentou com um discurso similar. O caçador de marajás e de corruptos não terminou seu mandato. Em um passado um pouco mais distante, tivemos a experiência ultra-moralista da UDN, que tampouco resultou em avanço para o país.

Isso quer dizer, então, que o negócio é o “locupletem-se todos”? Obviamente que não. E o emprego do advérbio aqui não é um exercício retórico, mas uma conseqüência lógica. Um dos principais elementos que está na base do fracasso dos discursos e experimentos moralistas citados acima é que eles jamais foram expressões de uma concepção de algo que mereça ser chamado de espírito público. Sempre foram, ao contrário, manifestações de moralidade seletiva – e, portanto, hipócrita – que, necessariamente, precisam esconder seu real objetivo: o poder político.

O território da política e a democracia
Há dois alertas importantes na afirmação de Zizek, segundo a qual a vitória de Berlusconi é uma lição deprimente sobre o papel da moralidade na política. O primeiro consiste em nos lembrar que o território da política é, fundamentalmente, o território do poder, e que cruzadas moralistas na política costumam ser capitaneadas por moralistas de resultados. Essa é uma das razões singelas que explicam seus retumbantes fracassos, do ponto de vista do avanço da democracia. O segundo interroga diretamente a tradição da esquerda que, nas últimas décadas, flerta com a possibilidade de uma terceira via.

No Brasil, o PT, especialmente a partir do governo FHC, adotou de um modo bastante enfático o discurso da ética na política, como se esta fosse a principal divergência programática com o projeto do PSDB e PFL, então em curso. A prática parlamentar petista foi dominada pela lógica das denúncias e dos pedidos de CPI que, anos depois, voltaram-se como um bumerangue na sua direção. Ao final das contas, o candidato de Fernando Henrique acabou derrotado não pelo tema da corrupção (até por que seu governo conseguiu construir uma blindagem relativamente eficiente neste tema), mas pela incapacidade de seu projeto político-econômico responder aos problemas que afligiam a população. Mas não se trata, aqui, de fazer um balanço dos anos FHC. Importa sim destacar que a escolha do PT pela centralidade do discurso da ética na política acabou custando um alto preço para o partido.

E esse preço não se reduz ao tema do mensalão. O preço maior pode ter sido mesmo o programático. Voltemos a Zizek, que escreve: “o sonho que a esquerda tem de uma terceira via é igual ao de que o pacto com o diabo possa dar certo: tudo bem, nada de revolução, aceitamos o capitalismo como regra do jogo, mas pelo menos poderemos manter algumas das conquistas do Estado do bem-estar social e construir uma sociedade tolerante em relação às minorias sexuais, religiosas e étnicas”.

Mas há uma perspectiva muito mais sombria no horizonte, acrescenta o filósofo esloveno: “um mundo no qual o domínio ilimitado do capital será suplementado não pela tolerância esquerdista-liberal, mas por uma típica mistura pós-política de espetáculo de pura publicidade e preocupações da Moral Majority (lembremos que o Vaticano deu apoio tácito a Berlusconi)”.

Mocinhos, bandidos e um pântano
O caso Renan Calheiros parece ilustrar bem esse cenário sombrio delineado por Zizek. Ele é sombrio em vários sentidos. O senador alagoano é um típico representante do que há de pior na política brasileira. Entre os que queriam sua cassação, há outros tantos da mesma estirpe. O problema, portanto, não é discutir quem são os mocinhos e quem são os bandidos.

O grave, nesta história toda, é figuras como Renan Calheiros e seus adversários de ocasião (aliados de ontem) dominarem o debate político no país. O grave é figuras como eles serem peças-chave em um projeto de governabilidade. O grave é ver uma mídia indigente intelectualmente tratar o tema segundo a lógica do espetáculo e da moralidade seletiva. As disputas políticas que estão, de fato, em jogo ficam assim obscurecidas por uma névoa de mistificação e meias-verdades.

E quais são as disputas política que estão, de fato, em jogo? Uma delas é a agenda eternamente adiada da necessidade de democratização do Estado. O enfrentamento do patrimonialismo, da apropriação privada da esfera pública e da transformação da política em um balcão de mercadorias (e de emendas parlamentares). Nada disso começou no atual governo, mas este não está conseguindo fazer este enfrentamento.

Neste cenário, somos convidados a assumir um lado nestas disputas intra-patrimonialistas. E, se não o fazemos, somos empurrados para um destes lados. A presença dominante do nome “Renan Calheiros”, e dos eventos que orbitam em torno dele, no debate político do país nas últimas semanas é, por si só, um eloqüente sinal de alerta. Aponta para um pântano imobilizador de onde podem sair novas deformidades.

Um dos problemas que deveria merecer nossa atenção, então, não é propriamente quem livrou Calheiros da cassação, mas sim como é possível que figuras como ele sigam tendo poder na República, seja qual for o governo. Como é possível que se apresente como baluarte da ética essa mistura grotesca de pseudo-moralismo, dissimulação política e espetáculo que anima muitos daqueles que querem cortar o pescoço dos Calheiros da vida hoje para resgatá-los logo ali adiante.

Denunciar os termos desta equação e expor sua verdadeira natureza talvez seja um caminho para sair do pântano. Caso contrário, poderemos estar alimentando o surgimento de novos “Berlusconis”, aprendendo uma nova e deprimente lição e assistindo a repetição de espetáculos melancólicos.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3721

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quinta-feira, setembro 13, 2007

O Senado e Renan Calheiros

Agora que o presidente do Senado, senador Renan Calheiros, foi absolvido por seus pares em processo por Renan ter ferido o decoro parlamentar ao ter pensão alimentícia devida a uma filha fora do casamento supostamente paga pelo lobista de uma empreiteira, eu tive que perguntar aos meus botões o que está acontecendo. Como disse o Paulo Henrique Amorim, há um ex-senador da república que tem até hoje a pensão alimentícia de um filho fora do casamento paga por uma empresa privada, e esta empresa privada também precisa de regulamentações do governo para funcionar. É uma coisa da década passada e até hoje a grande mídia não comenta nada.
O senador Calheiros se enrolou nas suas explicações, em que se mostrou um pecuarista com alto grau de produtividade. Apareceram denúncias sobre o uso de "laranjas" para compra de emissora de rádio no estado de Alagoas. Certo. Mas ele é o único parlamentar que tem negócios com produtividade acima da média, ou que tem emissoras de rádio ou TV, em seu nome ou de parentes ou conhecidos (os "laranjas")? Acho que não. Se for possível corrigir a questão de Calheiros, creio que deveria haver uma investigação, com apresentação de processo pelo Ministério Público, e julgamento pelo STF. Se ele foi o primeiro, e depois for feita uma investigação geral, com todos os parlamentares que têm negócios irregulares, ótimo. Mas não creio que isso venha a acontecer.
Conhecemos o senador Renan Calheiros. Ele esteve nas articulações da candidatura a presidência do atual senador Fernando Collor, em 1989. Foi um dos líderes deste ex-presidente no Congresso, entre 1989 e 1992. Também serviu ao governo Fernando Henrique, no qual foi inclusive ministro da justiça. E agora é presidente do Senado, e faz parte da base de apoio ao presidente Lula.
Quero crer que todo o carnaval feito em torno destas questões sobre o senador não sejam apenas uma maneira de atingir o governo Lula, que, caso o senador Renan Calheiros tivesse seu mandado cassado, teria que se sujeitar às imprevisibilidades da eleição de um novo presidente do Senado. Quero crer que o clamor da grande mídia por moralização é sincero, mas como não vejo a mesma intensidade nas críticas à vida privada de outros parlamentares, tenho dúvidas.

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