sábado, maio 09, 2009

Alfonsín e Perón

Alfonsín e Perón: duas faces da história

Tomás Eloy Martinez
Dos Estados Unidos

Quando estas linhas forem publicadas, já terão sido mencionadas na Argentina todas as qualidades de Raúl Alfonsín, o ex-presidente que faleceu de câncer no dia 31 de março: a sua honestidade como governante, uma virtude que seus sucessores tornaram mais evidente; a sua vocação republicana, que o levou a travar lutas incansáveis contra a intervenção da Igreja nos assuntos do Estado, com a importante vitória de promover a lei do divórcio; a sua coragem para processar os ditadores que tinham sido donos do país e ainda tinham força para proteger a sua impunidade.

Também terão mencionado seus erros: A sua tortuosa relação com o poder econômico, o desacerto do pacto de Olivos, que tentava instaurar uma república parlamentarista e só conseguiu fortalecer a onipotência presidencial e desgastar as instituições. Terá se repetido muitas vezes, mas nunca o suficiente, que em sua bússola só existiu o norte da consolidação da democracia recuperada em 1983, para que fosse definitiva, depois de cinco décadas de golpes de Estado.

Nenhum país do Cone Sul assolado pelas ditaduras do fim da Guerra Fria levou os chefes militares a juízo como fez Alfonsín na Argentina: uma intervenção exemplar dos poderes do Estado para que nunca mais os valores amparados pela Constituição fossem atropelados.

Esse gesto e sua terceira resistência à adversidade deram esperança às populações do Uruguai, Brasil e Chile, que recuperariam a liberdade logo após. E no seu tempo, ameaçado por três levantamentos militares, Alfonsín promoveu as leis do Ponto Final e da Obediência Devida, que a Suprema Corte declarou inconstitucionais anos depois.

A arrasadora campanha presidencial de Alfonsín, em outubro de 1983, deve ter sido a última demonstração espontânea de fé política, sem ônibus alugados carregados de eleitores pagos por um caudilho regional em busca de favores, e sem a intervenção decisiva da televisão. Com aquela campanha, Alfonsín conseguiu, pela primeira vez e por vias legais, ganhar do peronismo, coisa que a truculenta ditadura não tinha conseguido. Então, ele teve o maravilhoso valor de tocar o coração dos argentinos ao lembrar-lhes como tinham decidido construir uma nação para buscar a paz e o progresso.

Naqueles dias, bastava que ele recitasse o preâmbulo da Constituição para que sua voz se transformasse em uma íntima lembrança, para resgatar o estado de direito que muitos tinham desprezado ao ver os grotescos carnavais de Isabel Perón e o seu astrólogo, ou as utopias do socialismo, quando o muro de Berlim ainda estava de pé. Ao repetir várias vezes as linhas do preâmbulo, reivindicou o respeito pela voz alheia e pelo diálogo civilizado com os adversários.

Essas são as imagens preservadas pela história. Eu quero contribuir para a sua memória com o relato de um episódio menor, que reflete o reverso dessas medalhas, mas que, ao mesmo tempo, o mostram de corpo inteiro.

Eu conheci Alfonsín em Caracas, em 1981. Ele estava hospedado na casa do seu amigo Adolfo Gass, que seria eleito senador pelo radicalismo quando voltou do exílio. Alfonsín estava de cama, abatido por uma gripe tropical, e não vi nele nada que me impressionasse. O seu aspecto e seu modo de falar pareciam os de um homem comum, sem sinais que revelassem o futuro presidencial que lhe vaticinavam tanto Gass como o matemático Manuel Sadosky, que tinha me levado para conhecê-lo.

Talvez porque a gripe o desanimava, não vi no Alfonsín daquele dia o brilho político necessário para que os argentinos o seguissem, para que se libertassem da indiferença e do medo impostos pelo poder autoritário. Confessei as minhas impressões a Gass e a Sadosky, e ambos concordaram que o Alfonsín de pijama que eu acabara de conhecer, de aparência tão cinza e modesta, era um gigante nas tribunas, no parlamento e nos discursos públicos.

"Alfonsín jamais esquece que a história está de olho nele", disse Gass, "e que a história contabiliza tudo o que ele diz e faz".

Voltei a estar com ele em agosto de 1987, poucos meses depois das rebeliões dos caras-pintadas, ocasião em que não se deixou levar pelo clamor da multidão que o apoiava. Fui visitá-lo na residência de Olivos para adiantar-lhe os assuntos gerais da entrevista que lhe faria naquela mesma noite na televisão. Ele não fez objeções às minhas perguntas e me incentivou a questioná-lo com total liberdade.

"Só lhe peço", disse, "que se for acusar a mim ou algum dos meus colaboradores, tenha a certeza de estar se baseando em provas muito sólidas. Quando fazem intrigas sobre a honestidade de um funcionário, não há defesa possível, porque a suspeita fica pairando no ar e continua manchando por muito tempo o mais inocente dos inocentes".

Ninguém jamais se atreveu a pôr em dúvida a sua honestidade, saiu da política tão limpo como quando entrou.

Quando nos despedimos, disse-lhe que ainda não entendia por que tinha preferido negociar com os rebeldes caras-pintadas, em vez de enfrentá-los seguido pelas cem mil pessoas que repudiavam o golpe na Praça de Maio e se ofereciam para defender a recente democracia com as próprias vidas.

"Se aceitássemos esse caminho corríamos o risco de perder tudo: a democracia e muitas vidas", respondeu. "Pensei no meu papel perante a história. E não tive dúvidas".

"O senhor fez algo parecido com o que fez Perón", disse, "quando perguntei a Perón por que, se acreditava ser mais forte do que os rebeldes em 1955, não tinha tentado se defender".

Na ocasião, Perón me explicou que "não queria carregar na consciência um derramamento de sangue. Esses atos a história não perdoa".

O sorriso do presidente Alfonsín se fechou e a luz do meio-dia levou a cordialidade que tinha conduzido o nosso diálogo. Naquela noite, nos estúdios da televisão, ele voltou a ser o mesmo de sempre: preciso, rápido nas respostas, certeiro ao evocar os índices econômicos sem desviá-los nem um décimo.

Quando nos encaminhávamos para a saída, Alfonsín me colocou a um lado e me disse com firmeza: "Fiquei pensando no seu comentário de hoje pela manhã. Quero lhe dizer que Perón não vai me vencer na história".

Pois ali estava a invisível mãe de todas as batalhas, a história. Perón, na Puerta de Hierro, a sua residência, tinha reagido com raiva quando o fiz notar que Evita estava à sua frente no duelo pela posteridade. Agora Alfonsín, sem raiva, mas com a mesma firmeza, afirmava que a história o colocaria à frente de Perón, preferiria a ele e não a quem permitiu que a classe trabalhadora participasse da vida política e econômica.

Agora que os elogios e reprimendas que surgem com a morte vão de desvanecendo, os grandes homens vão ficando sozinhos, esperando que a história se pronuncie. Eles a escolheram como juiz e lhe cederam a última palavra.

Texto do Terra Magazine.


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segunda-feira, abril 06, 2009

O enterro de um exemplo

O enterro de um exemplo

Vitor Hugo Soares
De Salvador (BA)

De janela do apartamento em Salvador, na larga entrada da Baía de Todos os Santos, miro o Sul, na direção do Rio da Prata, e aperta a vontade de estar em Buenos Aires. Como tantas vezes, queria abraçar, fazer troça ou me solidarizar com os argentinos nesta semana de tormentos portenhos: a brava e notável cantora Mercedes Sosa foi internada com graves problemas de pneumonia e desidratação; a seleção de Diego Maradona foi surrada pela Bolívia por 6 a 1, e - como se não bastasse -, morreu o ex-presidente Raúl Alfonsin, pai exemplar da frágil democracia no país, órfã, agora, no meio do tufão de mais uma crise.

O jornalista vence pruridos de homem de pouca fé e roga ao glorioso Santo Antônio pela saúde de "La Negra". Faz uma pausa para tirar um sarro dos vizinhos no futebol e depois se concentra nas pungentes imagens do velório e enterro de Alfonsín. Mais de 60 mil pessoas passam a madrugada fria de quinta para sexta-feira na fila, para o último adeus ao líder. Na rua - mostram as TVs e registram os jornais -, a multidão serpenteia em fila colossal e as pessoas murmuram respeitosas sobre o político e governante que se foi: "Honradez. Decência. Ética. Exemplo".

O pensamento voa para a capital portenha e pousa no momento em que o dirigente da União Cívica Radical, como um Quixote do Parque Palermo, enfrentava, de um lado, a brutalidade do regime dos generais, e, do outro, a fúria do peronismo quase hegemônico na Argentina naquele tempo. Alfonsín ensaiava ali os passos políticos e estratégicos que o conduziriam à surpreendente vitória na campanha de 1983. Então o repórter estava de férias do Jornal do Brasil e andava por Buenos Aires. Antenas e faro ativados para entender o que acontecia bem na frente do seu nariz e assim foi parar no meio de uma manifestação política na sede da UCR, onde o emergente radical - na verdade um socialista liberal de centro-esquerda - era anunciado como orador principal.

O personagem impressionava à primeira vista. Moreno ("morocho" como dizem os portenhos), rosto sempre sério, cabeleira farta e bigode sem um fio sequer de cabelo branco. E um apelo especial de conteúdo: o envolvente e consistente discurso que fugia inteiramente da barulheira retumbante dos bumbos e dos chavões tortuosos da retórica peronista. Além, evidentemente, do empolgante hino radical que enchia o ambiente de festa e euforia. Decorei na hora e passei logo a entoar junto com a "massa" presente.

Respirava-se ali um livre e animado ambiente de campanha eleitoral, que contaminava e envolvia. O repórter viajava em companhia do amigo e saudoso compadre, Pedro Milton de Brito, ex-presidente da secção baiana da Ordem dos Advogados do Brasil, notável jurista do Conselho Federal da OAB e combatente da primeira hora em defesa dos direitos humanos na Bahia e no País. Ele mais empolgado ainda.

Naquela noite Alfonsin já exibia as qualidades escutadas nos murmúrios populares esta semana em seu velório. Faltava só dar conseqüências práticas ao discurso corajoso, lúcido e inteligente. Isto ele faria nos anos seguintes, depois de eleito primeiro presidente de uma democracia que precisava, sem perda de tempo, exorcizar os demônios da mais implacável ditadura do continente.

Isto Alfonsin não conseguiu de todo, mas avançou até onde lhe foi possível, com decisão e audácia invulgares em políticos e governantes deste lado da linha do Equador. Mesmo quando precisou pagar o alto preço do desgaste emocional e político que, seguramente, contribuiu para abalar a saúde e reduzir o tempo de vida de uma figura fundamental da Argentina e da América Latina. Quase tudo mais foi dito ou mostrado nas cenas do velório e do enterro. Só falta registrar aqui as palavras de um anônimo argentino sobre Alfonsin e o significado de sua presença, recolhidas de um jornal portenho.

"A recuperação da democracia argentina foi obra de todo povo, e sobre isso não há dúvidas, mas Alfonsin foi o catalisador desta energia para formas republicanas, progressistas (no bom sentido da palavra) e democráticas. Mais além deste merecido reconhecimento popular, creio que os dirigentes oficialistas e da oposição devem ler a mensagem deste povo, que creio é pedir que se retorne aos caminhos dos consensos, do diálogo e da tolerância. Alfonsín foi um homem honesto (como Irigoyen, Frondizi, Illia, Câmpora e o próprio De la Rúa), mas esta virtude não é o mais importante de seu legado. O que os argentinos nestes dias reivindicaram em sua figura é a tolerância, sua abertura ao diálogo e sua intransigência republicana".

Na mosca, anônimo portenho. Pena que o amigo Pedro também já tenha partido, e não possa mais cantar comigo aquela estrofe do hino da UCR, que tanto nos emocionou naquele comício em Buenos Aires. "Luche, luche, luche, no dejes de luchar"... Saudades!

Texto do Terra Magazine. Foto da EFE, também na página do Terra Magazine.


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Alfonsín tem maior funeral na Argentina desde Perón

Alfonsín tem maior funeral desde Perón

Filas nas imediações do Congresso argentino, onde o corpo do presidente foi velado, superavam 20 quarteirões de extensão

Ao menos 300 mil pessoas comparecem a velório do líder da UCR; cerimônias terminam hoje com enterro no cemitério da Recoleta


THIAGO GUIMARÃES
DE BUENOS AIRES

No maior funeral de Estado na Argentina desde o enterro de Juan Domingo Perón, em 1974, centenas de milhares de pessoas se despediram ontem, em Buenos Aires, do presidente Raúl Alfonsín (1983-1989). Alfonsín morreu na noite de anteontem, vítima de câncer, aos 82 anos. Símbolo da democracia argentina, foi o primeiro mandatário eleito após a última ditadura militar no país vizinho (1976-1983).
Filas que superavam 20 quarteirões de extensão se formaram nas imediações do Congresso argentino, onde o corpo de Alfonsín seria velado até a manhã de hoje. A estimativa às 16h era que 300 mil pessoas já haviam passado pelo local.
Como o estudante de direito Gastón Colazo, 21. Abraçado a uma bandeira da UCR (União Cívica Radical), o partido de Alfonsín, viajou 710 km desde Córdoba para a cerimônia. "Somos filhos da democracia e temos de lutar para mantê-la."
As homenagens começaram na noite anterior, com centenas de pessoas concentradas em frente ao apartamento de classe média em que Alfonsín já vivia antes da Presidência. Não faltaram velas no asfalto, bandeiras alvirrubras -as cores da UCR- e críticas ao governo peronista de Cristina Kirchner.
Stela Aguero, 41, segurava um cartaz original da campanha de 1983. Tinha apenas 16 anos à época, mas já militava no radicalismo. "Os discursos de Alfonsín me arrepiavam."
Pelo velório passaram políticos argentinos de todas as extrações, como os ex-presidentes Néstor Kirchner, peronista, e Fernando de la Rúa, da UCR. Os ex-presidentes brasileiros Fernando Henrique Cardoso e José Sarney também estiveram no local. Kirchner elogiou o caráter "politicamente incorreto" de Alfonsín, referência às suas posições pouco alinhadas com a ortodoxia partidária.
Sarney, presidente do Senado e contemporâneo de Alfonsín na Presidência, foi o representante oficial brasileiro nas cerimônias, que terminam hoje, com enterro no cemitério da Recoleta. De Londres, onde participa da reunião do G20, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que Alfonsín foi um "interlocutor e amigo". "Artesão da aliança Argentina-Brasil, Alfonsín deixa a lembrança de um homem de diálogo com profundas concepções democráticas", afirmou.
A presidente Cristina Kirchner, que também está em Londres, antecipou sua volta de sábado para amanhã, para se encontrar com a família de Alfonsín. A última manifestação pública do ex-presidente, divulgada em carta, foi uma crítica à antecipação pelo governo, em quatro meses, das eleições legislativas, com a justificativa de encurtar o debate político em meio à crise econômica.
Para Alfonsín, a medida "não contribui" para resolver "preocupantes temas institucionais, sociais e econômicos que agoniam" a Argentina.

Notícia da Folha de São Paulo, de 2 de abril de 2009.


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quarta-feira, abril 01, 2009

Nota do ex-presidente e senador José Sarney a respeito do falecimento do ex-presidente argentino Raúl Alfonsín

Sou tomado nesse momento por um duplo sentimento de perda: a do amigo e a do homem de Estado. Raúl Alfonsín foi, sem dúvida, uma das maiores figuras humanas que conheci, e foi também o homem que abriu, com sua coragem, a integração latino-americana.

Tudo que fizemos para inverter o processo histórico de hostilidade entre Brasil e Argentina, transformando-o num processo de integração não teria sido possível sem Alfonsín. Ele tinha a visão continental, a firmeza de convicção e a grandeza política para dar os passos decisivos.

Ele havia assumido a Presidência da Argentina pouco antes de o destino me colocar na Presidência do Brasil. Mas desde nosso primeiro encontro, em Iguaçu, transformamos nossa relação de chefes de Estado na relação de dois amigos, relação esta que se estendeu a nossas famílias. Grande conversador, homem de extraordinária cultura, era uma pessoa simples de um convívio ameno que imediatamente nos tornava cativo.

Sua coragem era enorme. Em Itaipu, que os militares argentinos tinham como um ponto de conflito, não hesitou em tomar a iniciativa de visitá-la e com este simples gesto desmontar toda a discussão sobre os danos que a usina poderia causar à Argentina. Mais tarde levou-me a Pilcaniyeu, a usina nuclear argentina, com a nossa equipe de cientistas. Eu o convidei para inaugurar a usina de Aramar, no Brasil, onde havíamos desenvolvido o processo de enriquecimento do urânio, e a abrimos aos cientistas argentinos.

Alfonsín é um exemplo de padrão ético, que com suas virtudes, firmeza e autoridade moral consolidou as instituições. Será sempre o exemplo do político honrado e de idéias de vanguarda.

Juntamente com Julio Sanguinetti [ex-presidente do Uruguai (1985-1990)], lutamos para restaurar a democracia em toda a América do Sul, e assim aconteceu, e a idéia generosa da integração que iniciamos é irreversível. Os desvios de nosso projeto serão superados e nossos filhos verão uma América do Sul integrada política, física, econômica e culturalmente.

Nesse momento Raúl Alfonsín será lembrado como o homem que tornou esse sonho possível.

E eu, que tive a felicidade ter com ele uma amizade profunda e duradoura, um dos orgulhos da minha vida, o lembrarei sempre, com os olhos úmidos e o coração apertado, mas sabendo que sua figura é maior que o tempo que viveu.

A nota foi vista na Folha Online.

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Faleceu Raúl Alfonsín

Faleceu Raúl Alfonsín



Principal notícia latino-americana na manhã deste primeiro de abril de 2009, e infelizmente não era mentira, foi a morte do ex-presidente argentino Raúl Alfonsín.

Alfonsín se tornou presidente da Argentina com a volta de democracia a este país, na esteira da derrota do exército argentino para os britânicos na Guerra das Malvinas (1982). Foi eleito pela União Cívica Radical – UCR, o partido que nasceu identificado com as classes médias urbanas no início do século XX.

Alfonsín conseguiu a condenação dos líderes golpistas que dirigiram a ditadura mais sanguinária da América do Sul. Também procurou perseguir e punir os torturadores e assassinos da ditadura, e em consequência enfrentou três tentativas de rebelião, que acabaram por levá-lo a aliviar esta busca de punições, com as leis de obediência devida.

Alfonsín também mudou a dinâmica das relações da Argentina com o Brasil, juntamente com o então presidente Sarney. Saíram as desconfianças geopolíticas, e foi lançado o Mercosul.

Alfonsín acabou abreviando seu mandato em favor do então recém-eleito Menem, por conta da recorrente inflação galopante, que não conseguiu debelar.

Desde sua eleição e posse em 1983, a Argentina tem conseguido manter sua democracia.


Foto de Eduardo di Baia, para a AP, vista na Folha Online.


A Folha Online traz um obituário de Alfonsín.

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