terça-feira, novembro 17, 2009

Sociólogo avalia que Lula concluiu "legado reacionário" de Vargas

Sociólogo avalia que Lula concluiu "legado reacionário" de Vargas

Luiz Werneck Vianna diz que sucessos do governo não podem deixar em segundo plano justiça social

CLAUDIA ANTUNES
ENVIADA A CAXAMBU (MG)

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva concluiu a "modernização reacionária" do Brasil iniciada por Getúlio Vargas nos anos 30, quando o projeto de industrialização não foi acompanhado por reformas na estrutura agrária. O diagnóstico foi feito ontem pelo sociólogo Luiz Werneck Vianna, um dos principais nomes das ciências sociais brasileiras, na abertura do 33º encontro anual da Anpocs (Associação de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), em Caxambu (MG).
Para Werneck Vianna, o presidente lidera uma "comunidade fraterna sob comando grão-burguês", em que ele "cimenta a unidade de contrários", mas com a hegemonia concedida ao grande capital rural e urbano.
Numa seção da qual também participaram o presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcio Pochmann, e o cientista político tucano Antonio Lavareda, Werneck Vianna deixou claro que não estava desqualificando o governo Lula - "sei das coisas boas que aconteceram e precisam ser valorizadas"-, mas fazendo um alerta para o futuro.
Ele avalia que o Brasil se tornou um "global player" e vive a "hora da virada". "Vamos para uma escala de desenvolvimento que vai reiterar as mais doces expectativas que acalentamos nos anos 50 e 60", disse o professor do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio).
O problema, continuou, é que todos os setores "se aninharam no interior do Estado", do agronegócio aos sindicatos, passando pela indústria paulista. Esse Estado "verticalizado e centralizado", por sua vez, se diz "representante de todos", o que esvaziaria o debate público.
"A arca do tesouro vai servir a quem?", perguntou, referindo-se ao petróleo do pré-sal e às antigas demandas por justiça social. "Vamos organizar o capitalismo numa social-democracia avançada. Sim ao Estado forte, mas sob controle da sociedade, não sobreposto assimetricamente a ela", pregou.
O presidente do Ipea se referiu ao mesmo impasse. Pochmann disse que há agora "uma maioria política" capaz de deixar para trás o projeto de "integração passiva e subordinada" do Brasil ao mundo. Mas, para ele, ainda está em jogo que tipo de desenvolvimento o Brasil terá. "Teremos a mesma dinâmica do século passado, baseada em casas, carros, bens de consumo duráveis? Ou um desenvolvimento ambientalmente sustentável?", perguntou.
Pochmann defendeu que a disputa entre PT e PSDB pela "condução do atraso brasileiro" na eleição de 2010 definirá a continuidade do projeto de "capitalismo organizado" ou a volta à "financeirização" não produtiva. Os possíveis candidatos tucanos "têm menor possibilidade de se aliar às forças do produtivismo", disse.
Werneck Vianna minimiza. "Mesmo o Serra vai manter esse projeto, com modulações próprias", disse sobre o governador paulista, possível candidato do PSDB à Presidência.

Notícia da Folha de São Paulo, de 28 de outubro de 2009.

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segunda-feira, agosto 24, 2009

55 Anos Hoje

Você viu? São 55 anos do suicídio do presidente Getúlio Vargas.

Na madrugada de 24 de agosto de 1954. O Brasil vivia dias conturbados.

Getúlio Vargas tinha contra si a grande mídia da época, da qual, me parece, sobrevivem hoje O Globo e O Estado de São Paulo, mais a estridência de Carlos Lacerda, queridinho da pequena classe média urbana e conservadora daquele tempo, mais setores das Forças Armadas, que pareciam mais alinhados com os interesses dos Estados Unidos, que com os do Brasil. É claro que não é possível esquecer que esta oficialidade golpista era parte desta mesma classe média que amava Carlos Lacerda.

Há 55 anos morria o homem sob o qual as mulheres começaram a votar, os trabalhadores ganharam alguns direitos como férias e previdência. Também dirigiu uma ditadura que durou 8 anos (de 1937 a 1945), mas foi eleito 5 anos após o golpe de estado que o destituiu, em 1950.


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sábado, agosto 25, 2007

24 de agosto de 2007, 53 anos depois...

53 anos depois do seu suicídio, homenagens são feitas ao presidente Getúlio Vargas, junto ao monumento que reproduz sua carta-testamento, aqui na Praça da Alfândega de Porto Alegre.

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terça-feira, agosto 21, 2007

VARGAS: O RETRATO VOLTA AO LUGAR

VARGAS: O RETRATO VOLTA AO LUGAR

21/08/2007 09:58h

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 627

. “Ao morrer, Getulio Vargas deixou o Brasil em pleno processo de desenvolvimento, com uma estrutura montada para estimular o capital na forma de empresas públicas, na ausência de capital privado para fazê-lo. Setores essenciais da economia: aço, minério, energia e petróleo, prontos para dar início a um processo de industrialização, em meados do século XX.”

. “Não pensou só no capital, pensou, sobretudo, no trabalho e nos trabalhadores, antes escravos ou semi-escravos de um país que foi o último a libertá-los. Instituiu o salário mínimo e todos os acordos de proteção aos empregados, consolidados na CLT.”

. Esses são trechos do artigo “O empreendedor”, de Celina Vargas do Amaral Peixoto, publicado hoje, na pág. 7 de O Globo.

. Celina é socióloga, formada numa turma excepcionalmente brilhante da Escola de Sociologia da PUC - Rio, dos bons tempos do Padre Ávila. Ela é neta de Vargas.

. O artigo de Celina nasce de “uma vontade de protestar contra a injustiça cometida a homem público, honesto, digno, amado e, sobretudo, com um forte sentimento de servir ao público”.

. No dia 24 de agosto de 1954, Vargas matou-se com um tiro no peito, no Palácio do Catete.

. E com isso adiou por dez anos a tomada do poder pelos militares.

. Reverenciar Vargas – como faz Celina, de forma irretocável – trata-se, hoje, em agosto de 2007, me parece, uma obrigação.

. O PT acha que inventou o trabalhismo.

. Fernando Henrique Cardoso anunciou que ia varrer a herança varguista da História do Brasil - e o que varreu o Brasil foram as três crises que quebraram o Brasil no Governo dele.

. A Teologia da Privatização – a ideologia “in” – não é a favor do “Estado Mínimo”, mas do “Estado Morto”.

. A Teologia da Privatização quer rasgar a CLT.

. São Paulo, a Roma da Teologia da Privatização, gosta do Vargas que conseguia empréstimos do Banco do Brasil para as indústrias nascentes, mas detesta o salário mínimo.

. São Paulo é a única metrópole brasileira que não tem uma avenida com o nome de Vargas.

. E a elite branca (e separatista, no caso de São Paulo) pensa que a Revolução de 32 ganhou ...

. Parabéns, Celina ! Bota o retrato do Velho de novo no lugar !

http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/450001-450500/450455/450455_1.html


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