Think Tanks e a Política Externa dos Estados Unidos
Como você muda o mundo? Bem, existem os caminhos óbvios, como tomar o poder, ser absurdamente rico ou trabalhar pesado por meio do processo eleitoral. E existem os atalhos, como o terrorismo ou formar um think tank.
Steve Waters
Minha amiga Tatiana Teixeira acaba de lançar o livro “Os Think Tanks e sua influência na política externa dos EUA” (Editora Revan). O texto recebeu o Prêmio Franklin Roosevelt 2007 da embaixada americana no Brasil como melhor dissertação de mestrado brasileira (defendida no program de Relações Internacionais da UFF) sobre Estados Unidos. Não é para menos: o excelente estudo da Tatiana examina de maneira brilhante a interlocução entre meio acadêmico, consultorias e a política externa americana, concentrando-se na ação dos neoconservadores no governo George W. Bush.
Os thinks tanks são instituições muito importantes em qualquer debate sobre políticas públicas nos Estados Unidos. Contudo, o termo não tem definição clara. Tatiana nos ensina que a expressão nasceu das salas onde se discutiam planos de guerra e foram utilizadas para denominar organizações que se dedicam à pesquisa, estudo e consultoria, visando a influenciar a opinião pública e os líderes políticos americanos. São cerca de 1.500, só nos Estados Unidos. Produzem análises e informações, realizam debates e procuram pautar a imprensa. Empregam acadêmicos, jornalistas, políticos que deixam o governo e funcionam como rede de contatos pessoais entre as elites de determinados setores políticos.
Os primeiros think tanks surgiram após a I Guerra Mundial e Tatiana conta a história de sua expansão, examinando os momentos principais de crescimento e transformação, como a Grande Depressão e os anos 1970. Ela ressalta o papel que as crises políticas tiveram nessas mudanças e mostra os diversos tipos de think tanks e sua vinculação com as principais correntes de opinião dos EUA – conservadores, liberais, centristas - tais como Council on Foreign Relations, Brookings Institution, RAND Corporation.
O governo Bush é um estudo de caso particularmente interessante pela grande influência desempenhada pelos think tanks dos neoconservadores, como Project for the New American Century, Heritage e American Enterprise Institute. Sua influência pode ser medida pelo discurso do presidente num jantar desta última organização: “Vocês fazem um trabalho tão bom que minha administração pegou emprestadas 20 destas mentes.” Na foto do post - Bush cumprimenta membros da organização.
Tatiana analisa as distinções entre os necons e a direita tradicional dos EUA – aprendi muito com seu estudo, ignorava vários dos pontos que ela destaca, sobretudo na área de política econômica. Ela examina com brilhantismo o casamento de conveniência entre neocons e setores como a direita cristã, do governo Reagan em diante e como os necons conquistaram poder após os atentados de 11 de setembro, ao oferecer uma agenda pronta para a diplomacia americana no Oriente Médio.
A autora é uma jornalista experiente com passagens pelo Globo, Agência Efe e atualmente na France Presse. Isso significa, além do texto claro e objetivo, muitas observações pertinentes sobre as relações entre imprensa e think tanks. Como repórteres apressados por prazos curtos freqüentemente recorrem aos “suspeitos de sempre” como entrevistados e como a obsessão de muitos think tanks com presença na mídia os leva a simplificações perigosas, transformando análises em slogans políticos facilmente memorizáveis e empobrecendo o debate democrático. Alerta importante que merece consideração de jornalistas e de acadêmicos.
Do blog Todos os Fogos o Fogo.
Steve Waters
Minha amiga Tatiana Teixeira acaba de lançar o livro “Os Think Tanks e sua influência na política externa dos EUA” (Editora Revan). O texto recebeu o Prêmio Franklin Roosevelt 2007 da embaixada americana no Brasil como melhor dissertação de mestrado brasileira (defendida no program de Relações Internacionais da UFF) sobre Estados Unidos. Não é para menos: o excelente estudo da Tatiana examina de maneira brilhante a interlocução entre meio acadêmico, consultorias e a política externa americana, concentrando-se na ação dos neoconservadores no governo George W. Bush.
Os thinks tanks são instituições muito importantes em qualquer debate sobre políticas públicas nos Estados Unidos. Contudo, o termo não tem definição clara. Tatiana nos ensina que a expressão nasceu das salas onde se discutiam planos de guerra e foram utilizadas para denominar organizações que se dedicam à pesquisa, estudo e consultoria, visando a influenciar a opinião pública e os líderes políticos americanos. São cerca de 1.500, só nos Estados Unidos. Produzem análises e informações, realizam debates e procuram pautar a imprensa. Empregam acadêmicos, jornalistas, políticos que deixam o governo e funcionam como rede de contatos pessoais entre as elites de determinados setores políticos.
Os primeiros think tanks surgiram após a I Guerra Mundial e Tatiana conta a história de sua expansão, examinando os momentos principais de crescimento e transformação, como a Grande Depressão e os anos 1970. Ela ressalta o papel que as crises políticas tiveram nessas mudanças e mostra os diversos tipos de think tanks e sua vinculação com as principais correntes de opinião dos EUA – conservadores, liberais, centristas - tais como Council on Foreign Relations, Brookings Institution, RAND Corporation.
O governo Bush é um estudo de caso particularmente interessante pela grande influência desempenhada pelos think tanks dos neoconservadores, como Project for the New American Century, Heritage e American Enterprise Institute. Sua influência pode ser medida pelo discurso do presidente num jantar desta última organização: “Vocês fazem um trabalho tão bom que minha administração pegou emprestadas 20 destas mentes.” Na foto do post - Bush cumprimenta membros da organização.
Tatiana analisa as distinções entre os necons e a direita tradicional dos EUA – aprendi muito com seu estudo, ignorava vários dos pontos que ela destaca, sobretudo na área de política econômica. Ela examina com brilhantismo o casamento de conveniência entre neocons e setores como a direita cristã, do governo Reagan em diante e como os necons conquistaram poder após os atentados de 11 de setembro, ao oferecer uma agenda pronta para a diplomacia americana no Oriente Médio.
A autora é uma jornalista experiente com passagens pelo Globo, Agência Efe e atualmente na France Presse. Isso significa, além do texto claro e objetivo, muitas observações pertinentes sobre as relações entre imprensa e think tanks. Como repórteres apressados por prazos curtos freqüentemente recorrem aos “suspeitos de sempre” como entrevistados e como a obsessão de muitos think tanks com presença na mídia os leva a simplificações perigosas, transformando análises em slogans políticos facilmente memorizáveis e empobrecendo o debate democrático. Alerta importante que merece consideração de jornalistas e de acadêmicos.
Do blog Todos os Fogos o Fogo.
Marcadores: Estados Unidos, EUA, geopolítica, política externa dos Estados Unidos, Think Tanks


