quinta-feira, julho 22, 2010

Rio Jordão está poluído demais para celebração de batismos

O rio Jordão está tão contaminado que seria perigoso celebrar batizados no local onde Jesus recebeu o primeiro Sacramento, segundo a tradição cristã, denunciou esta quarta-feira a associação Amigos da Terra/Oriente Médio.

"Pedimos às autoridades regionais que cessem os batismos no baixo Jordão até que a qualidade da água esteja ali conforme as normas exigidas para as atividades turísticas", afirmou em um comunicado a associação de defesa ambiental, que menciona a possibilidade de um risco sanitário.

Até agora, o ministério israelense de Meio Ambiente não comentou estas denúncias.

O local onde Jesus foi batizado por São João Batista, há dois mil anos, segundo a tradição cristã, é conhecido com o nome de Qasr al-Yehud, e fica em uma região controlada pelo exército israelense, que proíbe o acesso perto da cidade palestina de Jericó, na Cisjordânia.

Nos últimos anos, após pressões do ministério israelense do Turismo, o exército tem autorizado a visita de peregrinos, por meio de solicitações especiais.

Em maio, a Amigos da Terra já havia denunciado em um relatório que o Jordão "se reduziu a um simples riacho no sul do lago de Tiberíades, seco pela exagerada exploração das águas e devastado pela contaminação".

Segundo a organização, 98% de suas águas foram desviadas por Israel, Síria - que explora seu afluente, Yarmuk - e Jordânia.


Notícia do UOL.

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sábado, abril 17, 2010

Jerusalém nos últimos 42 anos...

“Nos 42 anos em que Jerusalém está unificada sob administração israelense, ela jamais foi tão aberta e livre. Não havia liberdade para cristãos e judeus quando a cidade estava nas mãos árabes. A divisão é o maior erro que pode ser cometido. Jerusalém deve continuar aberta e unificada.”


Nir Barkat, atual prefeito (judeu) de Jerusalém, em entrevista à Folha de São Paulo.


A entrevista completa está disponível na Folha Online.


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segunda-feira, maio 18, 2009

Bento 16, um papa político no Oriente Médio

Bento 16, um papa político no Oriente Médio

Stéphanie Le Bars

Três destinos sensíveis, quatro assuntos de peso. Durante uma semana e quase trinta discursos na Jordânia, em Israel e nos territórios palestinos ocupados, o papa Bento 16 tinha pelo menos sete boas razões para tropeçar. Não chegou nem perto. Bento 16 dominou de forma geral os aspectos geopolíticos da região, ainda que, ao longo da viagem que terminou na sexta-feira (15), ele não tenha conseguido evitar todos os obstáculos previsíveis em um contexto em que a religião tem parte com a política. Sem deixar de lado sua rigidez e seu registro de teólogo, o papa falou de política e se transformou em defensor do diálogo entre as religiões e as culturas.

Para essa 12ª viagem ao exterior, a agenda era ambiciosa. E o contexto, desfavorável. Bento 16 deveria promover o diálogo interreligioso com os muçulmanos, ainda mais com os judeus; incentivar a paz entre Israel e os territórios palestinos e pressionar pela criação de um Estado palestino; apoiar a presença de cristãos na região.

O diálogo entre islâmicos e cristãos, que se tornou uma grande aposta do pontificado desde a controvérsia suscitada pelo discurso do papa em Regensburgo (Baviera) - no qual os muçulmanos haviam entendido uma crítica ao Islã -, esteve no cerne da etapa jordaniana e da passagem por Jerusalém. Apesar das tentativas de recuperação política por parte de dirigentes muçulmanos, foram dados passos importantes. Só a visita ao Domo da Rocha, na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, constitui um sinal significativo da confiança entre uma parte das elites muçulmanas e o Vaticano.

O balanço é menos positivo para as relações entre judeus e cristãos e para a imagem do papa na sociedade israelense. Bento 16, que supostamente deveria sanar um período de tensões com o mundo judeu, perturbado pela retirada da excomunhão do bispo negacionista Richard Williamson, perdeu uma boa chance, do ponto de vista israelense. Para alguns rabinos israelenses, seu discurso em Yad Vashem, distante demais, não chamou atenção o suficiente para o papel da Igreja no antissemitismo.

Esse conflito não questionará as relações que já existem entre judeus e cristãos, mas as declarações de boa vontade não serão o suficiente para remover, como esperava Bento 16 no começo da viagem, "os obstáculos para a reconciliação de cristãos e judeus".

O diálogo interreligioso, seja bilateral ou trilateral, está longe de estar maduro, apesar de uma vontade, bem compartilhada pelos dirigentes religiosos, de defendê-lo. A imagem do papa apertando a mão de um rabino e de um dignitário druso em Nazaré será uma das imagens-símbolo dessa viagem. Na essência, o papa quis chamar a atenção mais para os "valores comuns" às três religiões do que para as diferenças. Ainda que ele continue sem enveredar pelo caminho de um diálogo teológico, trata-se de uma evolução sensível para um papa que, no início de seu pontificado, havia considerado urgente eliminar o dicastério [subdivisão da cúria romana] encarregado do diálogo interreligioso. Ele o restabeleceu após a controvérsia de Regensburgo. Mesmo assim, as tensões e a desconfiança nesse terreno fazem pensar sobre a possibilidade de uma coexistência tranquila e duradoura.

Mas é na questão entre israelenses e palestinos que esse papa, normalmente tão pouco político, surpreendeu. A viagem, feita pouco mais de quatro meses depois da ofensiva israelense em Gaza e algumas semanas após a chegada de um novo governo israelense que está mais para "falcão" do que para "pomba", parecia minada. Os palestinos temiam que essa viagem acabasse constituindo uma carta branca dada à política israelense. O papa tinha "ciência" dessas dificuldades, segundo o porta-voz do Vaticano, e é preciso reconhecer que nada disso aconteceu.

Preocupado em conservar uma posição "equilibrada", Bento 16 evocou "a segurança de Israel" e condenou o "terrorismo", dando ao mesmo tempo sinais fortes de apoio e de compreensão aos palestinos; ele pediu com insistência pela criação de um Estado palestino. Com exceção da espinhosa questão de Jerusalém, classificada como "cidade da paz, lar espiritual para os judeus, cristãos e muçulmanos", e de sua reticência, ressaltada pelos palestinos, em falar de uma "ocupação" israelense, o papa não evitou quase nenhuma questão que seus anfitriões da Cisjordânia pudessem querer que ele levantasse.

Como um diplomata respeitoso das resoluções das Nações Unidas, ele evocou, às vezes com força, a situação em Gaza, as dificuldades causadas pelo muro de separação, a questão dos refugiados, o acesso aos lugares santos, os prisioneiros políticos... "Os muros podem ser derrubados", proclamou em Belém o papa alemão, surpreso com a descoberta do dispositivo construído por Israel a alguns meses do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. Ainda que a palavra papal não tenha o peso da de um Barack Obama, essa esperança continuará sendo uma das frases-chave de sua viagem.

Em compensação, o encontro entre o papa e os cristãos do Oriente constitui um dos pontos fracos da viagem. Sua presença nas diversas missas, em Amã, Jerusalém ou Nazaré, muitas vezes foi ofuscada pela de milhares de peregrinos estrangeiros. O pedido que o papa lhes fez, de serem os vetores de paz e dos "construtores de pontes" pode parecer fora de sincronia em um contexto marcado por uma constante diminuição de seu número no local e das tensões entre as comunidades.

Tradução: Lana Lim

Notícia do Le Monde, reproduzida no UOL.

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Papa conclui delicada peregrinação à Terra Santa

Papa conclui delicada peregrinação à Terra Santa

JERUSALÉM, Israel (AFP) — O Papa Bento XVI concluiu nesta sexta-feira uma peregrinação de oito dias à Terra Santa durante a qual defendeu com firmeza a criação de um Estado palestino, tentou sanar feridas com os judeus e exigiu, em numerosas ocasiões, a paz para o Oriente Médio.

No avião que o levou de volta a Roma, que pousou no início da tarde no aeroporto de Ciampanino, o Papa declarou à imprensa que havia observado um "profundo desejo de paz" no Oriente Médio.

"Existem grandes dificuldades como vimos e ouvimos, mas também notamos um grande desejo de paz por parte de todos", acrescentou.

O Papa pediu durante a viagem a reconciliação entre palestinos e israelenses e, de forma clara, defendeu, sem hesitação, a criação de "dois Estados" como única saída para o conflito, durante a viagem mais política das 12 que realizou em quatro anos de pontificado, e que começou na Jordânia, prosseguindo por Israel e Cisjordânia.

"Que a solução de dois Estados seja uma realidade, que não seja um sonho", afirmou o Papa ao despedir-se do presidente israelense Shimon Peres e do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, firme opositor dessa opção, nesta sexta-feira, no aeroporto Ben Gurión de Tel Aviv.

O Sumo Pontífice, que acabava de visitar o lugar onde Cristo nasceu e foi sepultado, reiterou, como "amigo de palestinos e israelenses", seu pedido de solução negociada.

"Apelo a todos os povos destas terras para que não se derrame mais sangue: Não mais combates, não mais terrorismo, não mais guerra!", clamou o Papa.

"Que se reconheça universalmente o direito à existência do Estado de Israel, para que viva em paz e seguro dentro de fronteiras internacionalmente aceitas", acrescentou.

Peres, por sua vez, convidou o Papa a "ajudá-lo a despojar o terrorismo de uma dimensão religiosa", enquanto que na véspera Netanyahu havia solicitado que "denunciasse com firmeza as ameaças do Irã de destruir Israel".

Sua comovente visita a um campo de refugiados palestinos, às portas de Belém, na Cisjordânia, durante a qual denunciou o embargo israelense a Gaza assim como o "trágico" muro de separação construído por Israel, perto de onde estava, foi considerado um dos momentos de mais emoção de sua viagem.

A visita do pontífice, de origem alemã, gerou também polêmica entre os judeus, que consideraram muito tímido seu discurso pronunciado no Memorial Yad Vashem, de recordação dos seis milhões de judeus vítimas do genocídio nazista.

No entanto, o Papa reiterou claramente sua condenação ao holocausto, para no dar lugar a dúvidas, depois da denúncia da imprensa israelense de que tivesse sido membro das Juventudes Hitlerianas, o que foi oficialmente desmentido pelo Vaticano.

O Papa recordou sua visita ao Memorial como "um dos momentos mais solenes" de sua estada de cinco dias a Israel e a comparou à realizada há três anos ao campo de extermínio de Auschwitz.

Bento XVI, que tirou os sapatos em Jerusalém, para entrar na Mesquita da Rocha - um dos lugares mais sagrados do Islã- e apertou as mãos de sobreviventes do Holocausto, deixou mensagem no Muro de Lamentações e se reuniu com os dois grandes rabinos.

Bento XVI teve palavras de aproximação com as outras religiões, em particular a muçulmana, e fez um apelo à unidade dos cristãos ante o patriarca greco-ortodoxo de Jerusalém, Teófilo III.

Notícia da AFP, via Google.


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Na Cisjordânia, papa defende criação de Estado Palestino

Na Cisjordânia, papa defende criação de Estado Palestino

O papa Bento 16 defendeu nesta quarta-feira a criação de um estado Palestino durante uma visita a Belém, na Cisjordânia, parte do giro de uma semana que realiza pelo Oriente Médio.

"A Santa Sé apoia o direito do seu povo a um território palestino soberano na terra de seus antepassados, em paz com seus vizinhos e dentro de fronteiras reconhecidas internacionalmente", disse o pontífice durante uma coletiva de imprensa na casa do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

O governo de Israel, comandado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, até agora vem se recusando a endossar a proposta para a criação de um Estado palestino.

O papa disse ainda que os palestinos deveriam resistir "à tentação de lançar mão de atos de violência".

Após a visita à casa do presidente palestino, o pontífice celebrou uma missa na Praça da Manjedoura, local onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo teria nascido.

Oração pelo fim do embargo

Durante a homilia, Bento 16 disse que seu coração "estava com aqueles atingidos pelo conflito em Gaza", e acrescentou "estar rezando pelo fim do embargo ao território palestino".

Apesar de a população cristã de Belém ter reduzido significativamente nos últimos anos, o papa teve uma recepção calorosa por parte de milhares de cristãos locais e peregrinos vindos de outros lugares do mundo.

Apesar do pesado esquema de segurança, o ambiente na Praça da Manjedoura era de tranquilidade, segundo o correspondente da BBC que acompanha a viagem do papa, David Willey.

O papa vai passar o seu terceiro dia de visita à Terra Santa em território palestino. Ainda nesta quarta-feira ele visita um campo de refugiados palestino em Belém, ao lado do muro construído por Israel na Cisjordânia.

O pontífice ainda deverá se reunir com representantes da pequena comunidade católica em Gaza, que obtiveram permissão especial pelas autoridades israelenses para viajar a Belém.

Texto da BBC Brasil.


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sábado, maio 16, 2009

Papa diz desejar que muro na Cisjordânia "caia logo"

Papa diz desejar que muro na Cisjordânia "caia logo"

Em visita a Belém, Bento 16 também criticou embargo israelense à faixa de Gaza

Pontífice disse entender a preocupação de Israel com própria segurança e exortou jovens palestinos a não usar de violência e terrorismo


DA REDAÇÃO

Em visita a Belém (Cisjordânia), cidade administrada pela Autoridade Nacional Palestina, o papa Bento 16 defendeu ontem vários temas caros aos palestinos em seu enfrentamento político com Israel.
Pela segunda vez em sua viagem de uma semana à Terra Santa, Bento 16 apoiou a existência do Estado palestino.
O pontífice também se referiu especificamente ao muro erguido na região, para controlar o acesso de palestinos a Jerusalém e outras partes de Israel, condenando a construção "que invade seus territórios, separando vizinhos e dividindo famílias".
Em sua escala na cidade em que, segundo a Bíblia, Jesus Cristo nasceu, o papa disse que "embora muros possam ser facilmente construídos, sabemos que não duram para sempre".
"Muros podem ser derrubados. Antes, no entanto, é preciso desfazer os muros que construímos ao redor de nossos corações", afirmou. "Meu desejo para vocês, povo da Palestina, é de que isso aconteça logo."
No discurso feito em uma escola num campo de refugiados, Bento 16 disse que o muro, logo ao lado, era o símbolo do impasse nas relações entre israelenses e palestinos.
Completando o pacote de declarações caras aos palestinos, o papa afirmou que rezava para que o embargo que Israel impõe à faixa de Gaza, governada pelo grupo radical Hamas, "fosse suspenso em breve". Em janeiro, cerca de 1.400 pessoas foram mortas ali em ofensiva do Exército israelense.

"Frieza"
Embora sem tomar partido nas disputas locais e tendo lembrado que é preciso abrir mão do uso de violência, a mensagem do líder católico na peregrinação que se iniciou na última sexta-feira foi muito mais bem recebida entre muçulmanos do que entre judeus.
Desde segunda-feira Bento 16 tem sido criticado em Israel pelo que muitos viram como uma atitude de "frieza" ao visitar o Memorial do Holocausto e por não ter pedido desculpas explícitas por atos da Igreja Católica e pela responsabilidade da Alemanha nazista no assassinato em massa de judeus.
Sua defesa do Estado palestino também desagrada ao governo do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que se opõem à solução encampada pela ONU.
Falando aos palestinos, Bento 16 disse compreender que eles se sintam frequentemente "frustrados": "Suas aspirações legítimas por um lar permanente, por um Estado palestino independente, continuam insatisfeitas". No entanto, reconheceu que há razões para as preocupações com segurança de Israel e pediu que a população local não lance mão de "atos de violência ou de terrorismo" como consequência de seu sentimento de frustração.
"Nos dois lados do muro, é necessária uma grande coragem para que se possa superar o medo e a desconfiança."

Com agências internacionais

Notícia publicada na Folha de São Paulo, de 14 de maio de 2009.

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quinta-feira, maio 14, 2009

Papa celebra missa para 40 mil em Nazaré

O papa Bento 16 chegou na manhã desta quinta-feira à cidade de Nazaré, no norte de Israel, e celebrou uma missa com a participação de cerca de 40 mil pessoas, perto do Monte do Precipício, de onde segundo a tradição cristã, Jesus foi atirado após um sermão.

Durante a missa, o papa usou o tema da Anunciação, pois Nazaré é considerada a cidade onde Maria foi informada do futuro nascimento de Jesus, para defender a "família tradicional, seguindo o exemplo da Sagrada Família".

A cidade de Nazaré investiu esforços significativos para se preparar para a visita de Bento 16. O anfiteatro no Monte do Precipício foi construído em menos de dois meses.

Árabes israelenses

Na visita à Nazaré, o papa se encontra com um segmento da população desta região que ainda não havia encontrado - os cidadãos árabes israelenses.

Nazaré é uma das maiores cidades árabes de Israel. Os árabes israelenses constituem cerca de 20% da população do país. Aproximadamente 10% deles são cristãos.

Os árabes israelenses têm uma identidade ambígua. A maioria se define como palestino. Muitos dos cidadãos árabes israelenses se dizem "palestinos de 48", ou seja, aqueles que permaneceram em Israel depois da guerra árabe-israelense de 1948, quando grande parte da população palestina foi expulsa ou fugiu, gerando o problema dos refugiados palestinos.

Durante a missa no Monte do Precipício, o bispo Elias Shakur falou dos problemas dos árabes cristãos em Israel e destacou o caso das aldeias cristãs de Birim e Ikrit, que foram destruídas pelas tropas israelenses em 1948.

Os moradores tornaram-se cidadãos israelenses depois da criação do Estado de Israel e exigem a devolução de suas terras.

Ainda nesta quinta-feira, o papa deverá se encontrar em Nazaré com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.

Esse será o primeiro encontro mais longo dos dois líderes desde a chegada do pontífice à região, quando Netanyahu o recebeu no aeroporto internacional Ben Gurion.

Durante sua visita, o papa manifestou opiniões contrárias às posições do atual governo israelense em relação à solução do conflito com os palestinos.

Bento 16 defendeu a criação de um Estado Palestino independente e soberano, posição que o premiê Netanyahu não aceita.

Durante sua passagem pela cidade palestina de Belém, na terça-feira, o papa também criticou a barreira construída por Israel na Cisjordânia e solidarizou-se com os refugiados palestinos no campo de refugiados de Aida.

Notícia da BBC Brasil.

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quarta-feira, maio 13, 2009

José Simão vê a passagem do Papa pela Terra Santa

E o papa em Israel? Diz que o papa foi visitar o lago da Galileia, resolveu dar uma volta de barco e perguntou o preço pro barqueiro: "Oitenta dólares". "O quê? Tá louco? Oitenta dólares?" "Mas esse é o lago onde Jesus andou sobre as águas." "Também, por esse preço!"

Publicado na Folha de São Paulo, de 12 de maio de 2009.


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terça-feira, maio 12, 2009

Xeque palestino interrompe discurso do Papa em Jerusalém

JERUSALÉM - O Papa Bento XVI teve seu discurso nesta segunda-feira interrompido por um xeque palestino durante um encontro para promover o diálogo entre muçulmanos, cristãos e judeus em Jerusalém. Sob os olhos espantados de representantes do Vaticano, do Patriarca Latino de Jerusalém, Fuad Twal e de membros do rabinato de Israel, o xeque palestino Taisir al-Tamimi, chefe das cortes islâmicas da Autoridade Nacional Palestina, interrompeu as palavras do Pontífice pedindo que Bento XVI atuasse por uma paz justa no Oriente Médio.

- Peço que veja uma paz justa. Uma paz justa significa um Estado Palestino em que Israel não mate mulheres e crianças e onde não se destruam mesquitas como em Gaza - gritou o xeque.

Diante do constrangimento, os convidados da platéia tentaram calá-lo, sem sucesso.

- Israel destrói cidades Palestinas e constrói assentamentos em terras Palestinas. Jerusalém vai ser sempre a capital do povo palestino. Espero que líderes de outras religiões defendam os palestinos e suas terras - bradou Tamimi, em árabe.

O Papa se limitou a observar a demonstração de fúria em silêncio e se retirou antes mesmo do fim da cerimônia oficial e da troca de presentes entre os participantes.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, tentou minimizar o incidente. Em nota divulgada à imprensa, ele criticou a postura do líder muçulmano e reiterou que a intervenção não fazia parte do cerimonial. Segundo ele, a atitude foi um revés ao objetivo do encontro e da promoção do diálogo.

- Esperamos que o incidente não manche a missão do Papa em promover a paz e o diálogo interreligioso, como já afirmara em diversas ocasiões. Esperamos ainda que o diálogo não seja prejudicado por este incidente - afirmou Lombardi.

Notícia de O Globo online.

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segunda-feira, maio 11, 2009

Católicos de Gaza esperam apoio de Bento XVI

Contentes com visita, católicos de Gaza esperam apoio de Bento 16

DO "FINANCIAL TIMES", NA CIDADE DE GAZA


Para a pequena comunidade católica da faixa de Gaza, a chegada do papa Bento 16 a Israel e à Cisjordânia, na semana que vem, oferece uma rara oportunidade de escapar, nem que por apenas um dia, à miséria de um território assolado pela guerra.
Como a maioria dos 286 católicos que vivem na faixa de Gaza, Jabrah al-Najjar, 61, solicitou permissão às autoridades israelenses para assistir à missa que o papa celebrará em Belém na quarta-feira. O governo israelense indicou que, para a ocasião, suspenderá as restrições de viagem severas que incidem sobre os moradores de Gaza, mas os líderes católicos antecipam que um máximo de 250 autorizações será concedido, e nem todas para católicos. Para Najjar, a espera pela autorização é atormentadora. Mas ele disse: "Estou extremamente feliz com a visita do papa. Para mim, significa amor, paz e irmandade".
A visita do papa oferece um raro momento de alegria para as pequenas e decrescentes comunidades católicas que restam em Israel e nos territórios palestinos. A menor delas é a de Gaza, onde 50 famílias católicas formam uma minoria dentro da minoria, já que respondem por apenas uma fração da comunidade cristã de 3.000 habitantes, dominada por membros da Igreja Ortodoxa Grega.
A recente ofensiva israelense contra Gaza significa que alguns cristãos esperam do papa palavras de condenação e protesto. A expectativa é que Bento 16 no mínimo coloque em destaque a situação desesperadora que os cristãos e os muçulmanos de Gaza enfrentam. O pequeno grupo de católicos de Gaza, que vive em meio a uma comunidade de 1,5 milhão de muçulmanos, governada pelo grupo islâmico Hamas, insiste em que as duas comunidades hoje vivem lado a lado em larga medida sem tensões, a despeito de ataques extremistas esporádicos a instituições cristãs.
Najjar aponta que os cristãos de Gaza não precisam trabalhar nas manhãs de domingo para que possam ir à missa. A comunidade pode importar vinho, a fim de celebrar a comunhão, e as mulheres cristãs podem andar na rua sem véus. "Nós [cristãos e muçulmanos] compartilhamos tudo, temos uma história comum, um futuro comum e uma luta comum contra a ocupação", diz Hussam al Taweel, líder da comunidade ortodoxa grega.
Para a decepção de muitos dos cristãos de Gaza, o papa não visitará em pessoa a sua pequena e problemática comunidade. Mas no mínimo, diz Taweel, os cidadãos de Gaza esperam que ele faça "um forte discurso político em defesa de nosso [palestino] direito à independência". Entre todos os lugares, este pequeno território, acrescenta, "precisa especialmente de seu cuidado e de sua proteção".


Tradução de PAULO MIGLIACCI

Texto da Folha de São Paulo, de 9 de maio de 2009.

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