sábado, maio 30, 2009

Minas Gerais é o maior desmatador da floresta atlântica

Minas Gerais é o maior desmatador da floresta atlântica

Mesmo com a criação de lei para defesa do bioma, taxa de desmatamento da área permanece constante há oito anos

Pressão ocorre pelo uso de carvão vegetal e expansão agropecuária; ONG SOS Mata Atlântica quer meta de redução de desmate

AFRA BALAZINA
DA REPORTAGEM LOCAL

Uma área de mata atlântica de 103 mil hectares, equivalente a dois terços da cidade de São Paulo, foi desmatada no Brasil entre 2005 e 2008. O Estado campeão de desflorestamento foi Minas Gerais, pressionado pela produção de carvão. No período, perdeu-se 32,7 mil hectares de vegetação.
Além disso, a taxa anual de desmate permanece quase constante por oito anos -de 2000 a 2005 foram ceifados 34,9 mil hectares. De 2005 a 2008, foram 34,1 mil ha.
Isso mostra que a Lei da Mata Atlântica, aprovada em 2006, ainda não teve eficácia. Segundo a lei, o corte de vegetação primária e secundária só pode ocorrer em casos excepcionais, como para realizar projetos de utilidade pública.
Os dados de desmatamento, da ONG Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, referem-se a 10 Estados, dos 17 que ainda têm o bioma. Atrás de Minas na lista de desmatadores estão Santa Catarina e Bahia. No ranking das cidades, as líderes de destruição são Jequitinhonha (MG), Itaiópolis (SC) e Bom Jesus da Lapa (BA).
O cenário é desanimador para a floresta que tem seu dia comemorado hoje. "Sinaliza que o poder público não tem priorizado o tema. É preciso melhorar a fiscalização", afirma Márcia Hirota, diretora da ONG SOS. Ela defende, inclusive, que os Estados adotem metas de redução do desmate.
A área original do bioma está reduzida a 11,4%, se considerados os fragmentos de floresta acima de 3 hectares -quanto menor a área, mais difícil é a sobrevivência das espécies. Mas, se apenas fragmentos com mais de cem hectares forem levados em consideração, o remanescente cai para 7,9%.
Em Minas, a região mais desmatada fica na divisa com o cerrado. E, de acordo com Mario Mantovani, também diretor da ONG, sua destruição está relacionada à exploração de carvão vegetal para a siderurgia.
O IEF (Instituto Estadual de Florestas), órgão ambiental de Minas Gerais, afirma que a pressão sobre as florestas nativas decorrem da "expansão agropecuária e do consumo ilegal de carvão vegetal". Porém, segundo o IEF, de 2003 até 2009 foram aplicados R$ 98 milhões no monitoramento e fiscalização ambiental da área.
Santa Catarina foi criticada por aprovar recentemente lei que prevê redução da faixa de preservação ao longo de rios. "Essa é a ponta de um grande problema, com décadas de desobediência civil e do desmonte do órgão ambiental", disse Mantovani. A Folha procurou a Secretaria do Desenvolvimento Econômico Sustentável de SC, mas não teve resposta.

Notícia da Folha de São Paulo, de 27 de maio de 2009.


Marcadores: , , , ,

terça-feira, junho 03, 2008

Desmatamento da Mata Atlântica

SC lidera desmatamento da mata atlântica

De 2005 a 2007, Mafra, Itaiópolis e Santa Cecília, municípios que estão no topo do ranking, destruíram 3.843 hectares

Segundo o órgão ambiental do Estado, a principal causa de devastação é a troca das florestas por pínus, que dá retorno rápido ao produtor


AFRA BALAZINA
DA REPORTAGEM LOCAL

As três cidades campeãs de desmatamento de mata atlântica entre 2005 e 2007 são de Santa Catarina: Mafra, Itaiópolis e Santa Cecília. Juntas, elas destruíram no período 3.843 hectares -o equivalente a 5.382 campos de futebol.
Os dados são alarmantes tendo em vista que restam no país apenas 7,26% da área original dessa floresta. As informações, divulgadas ontem pela Fundação SOS Mata Atlântica, foram produzidas numa parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Segundo o órgão ambiental do Estado de Santa Catarina, a Fatma, a principal causa da destruição de mata atlântica é a substituição das florestas por pínus, que são vendidos para a indústria de papel. A Fatma diz que mantém um programa de proteção da mata atlântica e informa que haverá concurso para a contratação de mais 142 técnicos -30% deles devem ir para o setor de fiscalização.
Outros municípios da lista de recordistas de desmatamento estão na Bahia (Tremedal e Bom Jesus da Lapa), em Minas Gerais (Ninheira) e no Paraná (Coronel Domingos Soares e Bituruna).
Segundo Flavio Ponzoni, do Inpe, os Estados de Santa Catarina e Minas Gerais -líderes de desmatamento entre 2000 e 2005- ainda têm remanescentes grandes de mata e, por isso, "têm mais para destruir".
A Lei da Mata Atlântica, aprovada em 2006, afirma que a supressão da vegetação primária e secundária do bioma "somente serão autorizados em caráter excepcional, quando necessários à realização de obras, projetos de utilidade pública, pesquisas científicas e práticas preservacionistas".
Márcia Hirota, diretora da SOS Mata Atlântica, afirma que em 20 anos de estudo perdeu-se o equivalente à metade de Alagoas. Ela diz que a situação da mata atlântica é bastante crítica, "especialmente devido à elevada fragmentação florestal". Com as áreas de floresta cada vez menores, as espécies que a habitam também sofrem.

Outro lado
A Prefeitura de Mafra diz que não tem estrutura para fiscalizar o município, com 1.200 km2 de extensão. A secretária de Obras, Telma Faber Rosa, confirma que tem ocorrido retirada de floresta para plantio de pínus -que dá retorno rápido ao produtor e tem valor no mercado. "Mas, recentemente, a Fatma abriu um escritório na cidade. Ela tem um poder maior que o nosso para fiscalizar. A situação vai melhorar."
O secretário de Administração de Santa Cecília, Francisco Inácio Luvisa, ficou surpreso com a inclusão da cidade entre as que mais desmataram. "Nessas andanças, a gente não percebe desmatamento. A prefeitura é parceira da Fatma. Coíbe e denuncia qualquer derrubada de mata." A reportagem não conseguiu resposta da Prefeitura de Itaiópolis.

Texto da Folha de São Paulo, de 28 de maio de 2008.


Marcadores: , ,