terça-feira, julho 21, 2009

Maioria dos alemães orientais sente que a vida era melhor no comunismo

Maioria dos alemães orientais sente que a vida era melhor no comunismo

Por Julia Bonstein

A apologia da República Democrática Alemã está em alta, duas décadas depois da queda do muro de Berlim. Os jovens e os mais ricos estão entre os que desaprovam as críticas segundo as quais a Alemanha Oriental era um "Estado ilegítimo". Numa nova pesquisa, mais da metade dos antigos alemães orientais defende a RDA.

A vida de Birger, nascido do Estado de Mecklenburg-Pomerânia Ocidental no nordeste da Alemanha, poderia ser vista como uma história do sucesso alemão. O muro de Berlim caiu quando ele tinha dez anos. Depois de se formar no colegial, ele estudou economia e administração em Hamburgo, morou na Índia e na África do Sul, e depois conseguiu um emprego numa companhia na cidade ocidental de Duisburg. Hoje, Birger, 30, planeja velejar no Mediterrâneo. Ele não quis usar seu nome verdadeiro nesta reportagem, porque não quer ser associado à antiga Alemanha Oriental, que ele vê como "um rótulo com conotações negativas."

Mesmo assim, sentado num café em Hamburgo, Birger defende o antigo país comunista. "A maioria dos cidadãos alemães orientais tinha uma vida boa", diz ele. "Com certeza, não acho que aqui é melhor." Por "aqui", ele quer dizer a Alemanha reunificada, que ele submete a comparações questionáveis.

"No passado havia a Stasi [polícia secreta da Alemanha Oriental], e hoje existe (o ministro de interior da Alemanha Wolfgang) Schäuble - ou o GEZ (o centro de arrecadação de impostos das instituições de rádio e televisão públicas da Alemanha) - que coleta informações sobre nós." Na opinião de Birger, não há diferenças fundamentais entre a ditadura e o momento atual. "As pessoas que vivem na linha de pobreza hoje não têm liberdade para viajar."

Birger não é de forma alguma um jovem sem instrução. Ele está consciente da espionagem e da repressão que aconteceram na antiga Alemanha Oriental, e, segundo ele, "não era uma coisa boa que as pessoas não pudessem sair do país, e muitos foram oprimidos". Ele não é fã do que acredita ser uma nostalgia desprezível pela antiga Alemanha Oriental. "Eu não construí um templo para adoração dos pickles Spreewald na minha casa", disse ele, referindo-se à conserva que fazia parte da identidade da Alemanha Oriental. De qualquer forma, ele não perde tempo em argumentar contra os que criticam o lugar que seus pais chamavam de lar: "Não dá para dizer que a RDA era um estado ilegítimo, e que tudo está bem hoje".

Como um defensor da ditadura da antiga Alemanha Oriental, o jovem compartilha da visão da maioria das pessoas da parte oriental da Alemanha. Hoje, vinte anos depois da queda do muro de Berlim, 57%, ou a maioria absoluta, de alemães orientais defendem a antiga Alemanha Oriental. "A RDA tinha mais pontos positivos do que negativos. Havia alguns problemas, mas a vida era boa lá", dizem 49% dos entrevistados. Oito por cento dos alemães orientais se opõem veementemente a todas as críticas à sua antiga terra natal e concordam com a declaração: "a RDA tinha, na maior parte, pontos positivos. A vida lá era mais feliz e melhor do que na Alemanha reunificada de hoje".

O resultado dessas pesquisas, divulgado na sexta-feira em Berlim, revela que a glorificação da antiga Alemanha Oriental atingiu o cerne da sociedade. Hoje, não é mais uma mera nostalgia eterna que chora a perda da RDA. "Uma nova forma de Ostalgia (nostalgia pela antiga RDA) se constituiu", diz o historiador Stefan Wolle. "A ânsia pelo mundo ideal da ditadura vai muito além das antigas autoridades governamentais." Até os jovens que quase não tiveram experiência com a RDA a estão idealizando hoje. "O valor de sua própria história está em
jogo", diz Wolle.

As pessoas estão ignorando os defeitos da ditadura, como se as críticas ao Estado fossem um questionamento de seu próprio passado. "Muitos alemães orientais percebem as críticas ao sistema como um ataque pessoal", diz o cientista político Klaus Schroeder, 59, diretor de um instituto na Universidade Livre de Berlim que estuda o antigo Estado comunista.

Ele alerta a respeito dos esforços para subestimar a ditadora SED por parte dos jovens cujo conhecimento sobre a RDA é derivado principalmente de conversas familiares, e não tanto daquilo que aprenderam na escola. "Nem mesmo metade desses jovens na parte oriental da Alemanha descrevem a RDA como uma ditadura, e a maioria acredita que a Stasi era um serviço de inteligência normal", concluiu Schroeder num estudo de 2008 feito com estudantes. "Esses jovens não podem, e na verdade não querem, reconhecer o lado sombrio da RDA."

"Retirados do paraíso"

Schroeder fez inimigos com declarações como essa. Ele recebeu mais de quatro mil cartas, algumas delas furiosas, em resposta a reportagens sobre seu estudo. Birger, de 30 anos, também enviou um e-mail para Schroeder. O cientista político agora compilou uma seleção de cartas típicas para documentar o clima opinativo no qual a RDA e a Alemanha unificada são discutidas na parte oriental da Alemanha. Parte do material proporciona um insight chocante sobre os pensamentos dos cidadãos decepcionados e irritados. "Sob a perspectiva atual, acredito que fomos retirados do paraíso quando o muro caiu", escreveu uma pessoa, e um homem de 38 anos "agradece a Deus" por ter tido a chance de viver na RDA, acrescentando que só depois da reunificação da Alemanha ele observou a existência pessoas que temiam por sua existência, pedintes e pessoas sem-teto.

A Alemanha de hoje é descrita como um "Estado de escravos" e uma "ditadura do capital", e alguns autores das cartas rejeitam a Alemanha por ser, em sua opinião, muito capitalista ou ditatorial, e certamente não democrática. Schroeder acha essas declarações alarmantes. "Temo que a maioria dos alemães orientais não se identifiquem com o atual sistema sociopolítico."

Muitos dos autores das cartas são pessoas que não se beneficiaram da reunificação da Alemanha ou que preferem viver no passado. Mas também incluem pessoas como Thorsten Schön.

Depois de 1989, Shön, um artesão de Stralsund, cidade do mar Báltico, a princípio atingiu um sucesso depois do outro. Apesar de não ser mais dono do Porsche que comprou depois da reunificação, o tapete de pele de leão que ele comprou numa viagem à África do Sul - uma das muitas que fez ao exterior nos últimos 20 anos - ainda está estendido no chão de sua sala de estar. "Não há dúvida: eu tive sorte", disse o homem de 51 anos. O grande contrato que ele conseguiu durante o período após a unificação tornou as coisas mais fáceis para Schön abrir seu próprio negócio. Hoje ele tem uma visão clara de Strelasund direto da janela de sua casa avarandada.

"As pessoas mentem e trapaceiam em todo lugar hoje"

Objetos de Bali decoram sua sala de estar, e uma versão em miniatura da Estátua da Liberdade fica ao lado do seu DVD player. Apesar de tudo, Schön senta-se no sofá e conta com entusiasmo sobre os bons e velhos tempos na Alemanha Oriental. "Antigamente, as áreas de camping eram lugares onde as pessoas desfrutavam da liberdade juntas", diz ele. O que ele mais sente falta hoje é "daquele sentimento de companheirismo e solidariedade". A economia da escassez, completada pelas trocas, era "mais como um hobby". Se ele tem uma ficha na Stasi? "Não estou interessado nisso", diz Schön. "Além do mais, seria muito desapontador."

Sua avaliação sobre a RDA é clara: "No que me diz respeito, o que tivemos naquela época foi menos ditatorial do que temos hoje". Ele quer ver salários iguais e pensões iguais para os moradores da antiga Alemanha Oriental. E quando Schön começa a reclamar da Alemanha unificada, sua voz contêm um elemento de satisfação consigo mesmo. As pessoas mentem e trapaceiam em todo lugar hoje, diz ele, e as injustiças de hoje são simplesmente perpetradas de uma forma mais astuta do que na RDA, onde não se ouvia falar de salários de fome e pneus de carro cortados. Schön não tem nada a dizer sobre suas próprias experiências ruins na Alemanha atual. "Estou melhor hoje do que antes", diz ele, "mas não estou mais satisfeito."

O pensamento de Schön envolve menos a lógica fria do que a necessidade de defender seu ponto. O que o torna particularmente insatisfeito é "o modo falso como o Oeste pinta o Leste hoje". A RDA, diz ele, "não era um Estado injusto", mas "meu lar, onde minhas conquistas eram reconhecidas". Schön repete obstinadamente a história de como levou anos de trabalho duro para ele começar seu próprio negócio em 1989 - antes da reunificação, ele acrescenta. "Aqueles que trabalharam duro também foram capazes de se dar bem na RDA". Isso, diz ele, é uma das verdades que são persistentemente negadas nos programas de debate, quando os alemães ocidentais "agem como se os alemães orientais fossem todos um pouco tolos e ainda deveriam estar de joelhos em gratidão pela reunificação". O que exatamente há para ser celebrado, Schön se pergunta?

"Memórias tingidas de cor-de-rosa são mais fortes do que as estatísticas de pessoas tentando escapar e os pedidos de vistos de saída, e ainda mais fortes do que os arquivos sobre assassinatos no muro de Berlim e sentenças políticas injustas", diz o historiador Wolle.

São as memórias de pessoas cujas famílias não foram perseguidas e vitimizadas na Alemanha Oriental, de pessoas como Birger, de 30 anos, que diz hoje: "Se a reunificação não tivesse acontecido, eu também teria tido uma vida boa".

A vida como um cidadão da RDA

Depois de se formar na universidade, diz, ele teria sem dúvida aceitado uma "posição de gerência em alguma empresa", talvez da mesma forma que seu pai, que era o presidente de uma cooperativa de fazendeiros. "A RDA não tinha nenhuma influência na vida de um cidadão da RDA", conclui Birger. Essa visão é compartilhada por seus amigos, todos eles com estudo superior e filhos de ex-alemães orientais, nascidos em 1978. "Reunificação ou não", concluiu o grupo de amigos recentemente, de fato não faz diferença para eles. Sem a unificação, suas opções de viagem seriam Moscou ou Praga, em vez de Londres e Bruxelas. E o amigo que trabalha no governo em Mecklenburg hoje provavelmente teria sido um oficial leal ao partido na RDA.

O jovem expressa suas visões de forma equilibrada e com poucas palavras, apesar de parecer um pouco desafiador em alguns momentos, como quando diz: "Eu sei, o que estou dizendo não é tão interessante. A história das vítimas é mais fácil de contar."

Birger não costuma mencionar sua origem. Em Duisburg, onde ele trabalha, quase ninguém sabe que ele é da Alemanha Oriental. Mas nessa tarde, Birger está disposto a contradizer "a história escrita pelos vitoriosos". "Na percepção do público, há apenas vítimas e carrascos. Mas as massas ficam à margem."

Eis alguém que se sente pessoalmente afetado quando o terror e a repressão da Stasi são mencionados. Ele é um acadêmico que sabe "que ninguém pode consentir com os assassinatos no muro de Berlim". Entretanto, no que diz respeito às ordens dos guardas no muro de matar os que tentassem fugir, ele diz: "Se há um grande sinal ali, você não deveria ir lá. Foi totalmente negligente".

Isso levanta uma antiga questão mais uma vez: existia uma vida real em meio à fraude? Subestimar a ditadura é visto como o preço que as pessoas pagam para preservar seu autorrespeito. "As pessoas estão defendendo suas próprias vidas", escreve o cientista político Schroeder, descrevendo a tragédia de um país dividido.

(Tradução: Eloise De Vylder)

Texto da Der Spiegel, republicado no UOL.

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quarta-feira, julho 08, 2009

No leste alemão, um declínio tão marcante quanto um muro

No leste alemão, um declínio tão marcante quanto um muro

Nicholas Kulish
Em Hoyerswerda (Alemanha)

Neste 20º ano desde a queda do Muro de Berlim, o governo da chanceler Angela Merkel está preparando uma série de comemorações até o aniversário em novembro.

A história oficial do renascimento do leste foi reforçado pela recente visita do presidente Barack Obama a Dresden, em toda sua glória reconstruída.

Mas fora de grandes cidades como Dresden, Leipzig ou Berlim, em locais como esta ex-cidade de mineração industrial, a história de declínio e êxodo pouco mudou na antiga Alemanha Oriental.

Não distante dos poucos centros urbanos prósperos, o tráfego é sempre pequeno nas estradas recém-pavimentadas, e à noite em partes de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no norte do país, mal se vê uma luz em qualquer direção das autobahns.

Em uma canção popular de poucos anos atrás, Rainald Grebe descrevia a sensação de solidão ao cantar: "Eu me sinto tão vazio hoje, eu me sinto Brandemburgo", se referindo ao ex-Estado alemão oriental que cerca Berlim.

Os jornais acompanham por um lado o retorno das matilhas de lobos à Saxônia, ao longo da fronteira polonesa, e por outro a contínua migração dos jovens e aqueles com boa formação educacional em busca de melhores oportunidades no oeste.

Quando as autoridades do governo alemão apresentaram na semana passada seu relatório anual sobre o estado da unificação e as tentativas da antiga Alemanha Oriental de alcançar o Ocidente, o quadro que pintaram foi altamente positivo, mas não exatamente completo.

O governo relatou de forma precisa que gastou mais de US$ 60 bilhões em apoio aos negócios e construção de infraestrutura apenas de 2006 a 2008. E a atividade econômica por pessoa subiu de 67% para 71% da atividade da antiga Alemanha Ocidental ao longo desta década.

"Graças ao desenvolvimento econômico positivo, o leste está no caminho para se equiparar ao oeste", disse Wolfgang Tiefensee, o ministro responsável pelo desenvolvimento dos antigos Estados da Alemanha Oriental. "A desigualdade está diminuindo."

Ela está diminuindo em parte porque os líderes de exportação mais duramente atingidos na recessão se encontram no oeste, um nivelamento por baixo em vez de por cima.

O desemprego na ex-Alemanha Oriental continua sendo o dobro do desemprego no oeste, e em algumas regiões o número de mulheres com idades entre 20 e 30 anos caiu mais de 30%. Ao todo, cerca de 1,7 milhão de pessoas deixaram a ex-Alemanha Oriental desde a queda do Muro de Berlim, cerca de 12% da população, um processo contínuo mesmo nos poucos anos antes do início da crise econômica.

E o declínio da população está prestes a ficar ainda pior, em consequência da bomba-relógio demográfica conhecida pelo nome de sonoridade inócua "a curva", que ocorreu após o fim do comunismo. A taxa de natalidade despencou tanto na antiga Alemanha Oriental naqueles primeiros anos incertos que a queda só é comparável a tempos de guerra, segundo Reiner Klingholz, diretor do Instituto para População e Desenvolvimento de Berlim. "Por vários anos os alemães-orientais simplesmente deixaram de ter filhos", disse Klingholz.

O jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung" noticiou recentemente que enquanto 14 mil jovens receberão seu diploma do ensino médio neste ano na Saxônia, apenas 7.500 concluirão o colégio no próximo ano. Desde 1989, cerca de 2 mil escolas fecharam por toda a ex-Alemanha Oriental por escassez de crianças.

Assim em Hoyerswerda, antes uma cidade modelo da Alemanha Oriental comunista que contava com a mais alta taxa de natalidade do país, a idade média tem aumentado, como em muitas cidades pequenas, de 35 anos em 1989 para 48 anos atualmente.

Vazio é o sentimento predominante quando se caminha pela cidade, que perdeu mais de 40% de seus moradores desde a queda do Muro, com a população caindo de mais de 70 mil para menos de 40 mil.

Franziska Kalkbrenner, 18 anos, planeja trabalhar na Nova Zelândia no próximo ano e então espera frequentar uma universidade. Ela não sabe exatamente onde, mas não será em Hoyerswerda, que não possui uma. Como muitos moradores, entretanto, ele não se descreve como alegre em partir, mas que vai partir apenas porque precisa. "Eu realmente gostaria de viver aqui. Eu cresci aqui e gosto da cidade", ela disse.

A maioria das pessoas que partem, como Kalkbrenner, o faz à procura de trabalho. Segundo a prefeitura, o complexo industrial de Schwarze Pumpe costumava fornecer 13 mil vagas de trabalho para os moradores de Hoyerswerda nos tempos do comunismo, mas agora fornece apenas 3.500. O emprego nas minas próximas, antes responsáveis por até 5 mil vagas de trabalho, agora caiu para 500 ou menos.

A prefeitura está demolindo prédios para tentar acompanhar a queda na população. Em uma cidade que antes contava com 21 mil apartamentos, 7.500 foram demolidos e outros 2 mil serão em breve.

Em uma recente visita à sua casa vinda de onde mora atualmente, na cidade ocidental de Karlsruhe, Judika Zirzow permaneceu em uma grande terreno vazio, marcado pelos sulcos das esteiras dos tratores. O terreno desolado já foi um prédio de apartamentos, um dos pilares do Wohnkomplex, ou projetos habitacionais, da ex-Alemanha Oriental, sem contar o lar onde ela cresceu.

"Toda vez que visito meus pais e circulo de carro por Hoyerswerda, toda vez há uma nova casa demolida", disse Zirzow, 24 anos, que trabalha em um banco. "A face de Hoyerswerda está diferente."

Ela disse que está ciente de pode desfrutar de oportunidades que nunca teria sob o comunismo, tendo acabado de voltar de uma viagem à Tailândia com seu namorado nascido na Austrália. Mas isso não muda o que sente quando volta.

"É triste pensar que se tiver filhos, nunca vou poder dizer para eles: 'Foi aqui onde eu cresci'", disse Zirzow.

A mãe dela, Andrea Zirzow, tem apenas 46 anos, mas já viu uma vida inteira de mudanças. "Eu vi quando construíram o prédio onde as crianças cresceram", ela disse. "Eu fiquei feliz quando nos mudamos para os prédios mais novos na cidade, foi como se tivéssemos ganhado na loteria." Agora, ela e seu marido moram em uma pequena casa em um vilarejo fora da cidade. Seu filho Felix, 22 anos, seguiu sua irmã até Karlsruhe, onde ele trabalha na Siemens.

"As pessoas do leste se transformaram em nômades", disse Andrea Zirzow.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Texto do The New York Times, reproduzido no UOL.

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